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07# Lista com as aparições do futebol no cinema
11/12/2009

por Daniel Herculano

Esse ano o Brasileirão foi um dos melhores já realizados! Há alguns dias, os grupos da próxima Copa do Mundo - em 2010 na África do Sul - foram sorteados. E o que o cinema tem haver com isso? Nunca foi fácil retratar esse esporte tão apaixonante nas telas, mas aqui listamos filmes que têm no futebol uma participação fundamental em sua trama. Olho no lance!


1. Aquecimento:


À Procura de Eric
(Looking for Eric, 2009) não é exatamente sobre futebol. Mas sobre a paixão de Eric Catona pelo esporte. O rebelde jogador francês interpreta um outro Eric, carteiro em crise existencial. Catona interpreta ele próprio e, em meio à história, são mostrados alguns dos melhores lances do jogador com a camisa do Manchester.


2. Prata da Casa:

Em Linha de Passe (Idem, 2008) acompanhamos a história de quatro irmãos, filhos de pais diferentes, moradores da periferia de São Paulo. Os garotos precisam lutar por seus sonhos em meio a ausência paterna nas suas vidas. Um deles, Dario (Vinícius de Oliveira), deseja ser jogador profissional e vê em seu talento a esperança de uma vida melhor. Detalhe: na sua família todos são torcedores fanáticos do Corinthians;

Show de Bola (Idem, 2008) se passa no Rio de Janeiro e não traz muitas novidades estéticas ou de roteiro. O filme conta a história de Tiago (Thiago Martins), que vê na carreira de jogador de futebol a única saída contra a violência existente na favela onde vive e, assim, ajudar sua família a ter uma vida melhor. Sem subjetividade alguma, esbarra nos clichês em retratar o submundo da favela;

E o precursor Asa Branca, um Sonho Brasileiro (Idem, 1980), que conta a história de um jovem de uma cidade do interior que se torna um grande jogador de futebol, interpretado por Edson Celulari. Datado e sem brilho.


3. Papo de Bar:

O diretor Ugo Giorgetti explorou nos nacionais Boleiros – Era Uma Vez o Futebol (Idem, 1998) e Boleiros II – Vencedores e Vencidos (Idem, 2006) a máxima de que futebol sempre é o tema principal no papo de bar. Entre umas e outras nascem emocionantes relatos de ex-jogadores, juízes comprados, vitórias e derrotas no campo – mas sobretudo derrotas. O primeiro é um bom vencedor, enquanto o segundo tem cara de um empate meia-boca, contando as histórias de um herói do pentacampeonato do Brasil, um falso argentino, um jogador que voltou do México e de um assistente técnico desiludido.

4. Vamos abrir a caixa de ferramentas!

O nome já diz tudo, Hooligans (Idem, 2005) fala sobe os violentos torcedores e torcidas organizadas de futebol da Inglaterra. Lá, um garoto americano, com tendências violentas, encontra as arquibancadas do West Ham. Antes, durante e, principalmente, depois dos jogos, ocorrem muita violência, vandalismo e álcool. O futebol é palco para disputas e muito quebra-pau entre torcidas. Existe uma continuação – Hooligans 2 (Green Street Hooligans 2, 2009), mas sem nenhum protagonista do original;

Penalidade Máxima (Mean Machine, 2001) consegue misturar drama, comédia, e claro, futebol! Liderando o elenco o ex-jogador (e agora ator) Vinnie Jones, interpretando um astro do futebol que é preso por esmurrar um policial. E sabe o que acontece lá dentro? Um jogo, onde presos enfrentarão os guardas.

Parecido e anterior listamos Fuga para a Vitória (Victory, 1981) dirigido pel o mito John Huston. Mas o filme não se tornou um mito. Dentro de um campo de prisioneiros durante a Segunda Guerra Mundial, uma partida de de jogadores profissionais alemães contra prisioneiros de guerra. Sabe quem joga no gol dos aliados? Sylvester Stallone! O capitão do time é Michael Caine e Pelé, Bobby Moore e outras lendas das quatro linhas entram em campo para garantir o resultado.

 

5. Série A, série B, série C, série D!

A idéia era interessante. Retratar o futebol da forma mais real possível, envolve
r craques atuais e aproveitar a história de clubes europeus. Mas o primeiro (e melhorzinho) Gol! (Goal!, 2005) - no qual conhecemos o jogador mexicano Santiago sendo contratado pelo tradicional Newcastle - não chega à série A do cinema, cravando no máximo uma série B.

No capítulo seguinte, Gol II (Goal: Living the Dream, 2007), Santiago é contratado pelo gigante Real Madri da Espanha. Mesmo com a participação dos galáticos Zidane, Beckham, Ronaldo, Robinho, Raúl, Roberto Carlos, Casillas, Sérgio Ramos, Helguera, Guti, Michael Salgado, Júlio Baptista e Michael Owen o resultado não passa de uma série C cinematográfica. E, só para registrar, o fechamento da Trilogia com Gol III (Goal! III, 2009) é digno de uma série D do cinema!
 

6. Movido à paixão:

O que dizer de um jovem monge do Butão que é fanático por futebol? Em A Copa (Phörpa, 1999) acompanhamos todo seu sofrimento apenas para assistir os jogos da Copa do Mundo de 1998;

Sem mostrar uma única jogada sequer, Fora de Jogo (Offside, Irã, 2006) é outra demonstração de como a paixão pelo futebol pode levar as pessoas a um jogodas eliminatórias da Copa do Mundo de 2006, entre Irã e Bahrein. Aqui, as mulheres são impedidas de entrar nos estádios, e uma garota se disfarça de menino para concretizar seu antigo sonho.

7. Amistosos:

Os Trapalhões e o Rei do Futebol (Idem, 1986) é uma farra. E muito engraçada, com Os Trapalhões sendo faxineiros e roupeiros do Independência Futebol Clube. Por engano, Didi assume o cargo de técnico, fato acompanhado por um repórter esportivo (Pelé). Mas uma partida decisiva pode definir o destino do clube e de todos seus colaboradores. Aí Pelé vira goleiro, faz gol e tudo vira uma festa atrapalhada; 

Quatro histórias diferentes (em Istambul, Santiago de Compostela, Berlim e Moscou) acontecem em Um Dia na Europa (One Day In Europe, 2005), exatamente quando ocorre em Moscou a final da Liga dos Campeões da Europa. Com personagens de diferentes partes do mundo, o filme é uma Babel amistosa e simpática, mas nada demais; 

O Fortaleza Esporte Clube caiu para a 3º divisão brasileira, enquanto seu maior rival, o Ceará, ascendeu à série A. Mas, para lembrar os bons tempos e mostrar que na sétima arte a rivalidade entre os dois é uma goleada para os tricolores, o média metragem Loucos de Futebol (Idem, 2008) é um documentário, mas curto e narrativo sobre a torcida apaixonada do Fortaleza. Com entrevistas de figuras das arquibancadas, o filme de Halder Gomes – que é tricolor assumido - é uma ótima surpresa;

 

8. Ficou na História!

O Milagre de Berna
(Das Wunder von Bern, 2003) é uma história comovente. Dramático como uma final de campeonato, o milagre do título é exatamente sobre a vitória ale
mã numa final. Simplesmente seu primeiro título de campeão do mundo em 1954. E tudo isso acontecendo no período de pós-Segunda Guerra;

O título nacional - Duelo de Campeões (The Game of Their Lives, 2005) – é bem genérico, mas o longa é uma bela partida, baseada na campanha da inacreditável – e amadora – seleção americana na Copa de 1950, surpreendendo meio mundo até chegar à semifinal;

Todos os Corações do Mundo (Two Billion Hearts, 1995) foi o filme oficial da Copa do Mundo de 1994, produzido pela Fifa e dirigido pelo brasileiro Murilo Salles. Para quem nunca tinha visto o Brasil conquistar uma Copa do Mundo, esse documentário tem emoção de sobra. “É tetra! É tetra!”;

O pano de fundo é a conquista do inesquecível Tri do Brasil na Copa de 70, visto pelos olhos de uma criança cujos pais estão de férias (leia-se fugindo da ditadura). O Ano que Meus Pais Saíram de Férias (Idem, 2006) é lindo, como quase todos os lances daquela seleção inigualável;

Pelé Eterno (Idem, 2004) conta a trajetória de Edson Arantes do Nascimento, o Pelé, conhecido como o "rei do futebol”, e consegue misturar documentário e dramatização. Imagens mágicas para uma figura mágica;

Garrincha: A Estrela Solitária (Idem, 2005) teve uma triste fim, pobre e alcoólatra. O filme também é triste, mas no pior sentido, focado na vida sexual de Garrincha (André Gonçalves) e de sua esposa Elza Soares (Thaís Araújo). Drible esse desastre.



09. Elas também jogam:

Nos EUA as mulheres batem um bolão e Ela é o Cara (She´s the Man, 2006) mostra isso. Mas infelizmente essa comediazinha não bate bem em nada, com a trama inspirada em "Noite de Reis" de Shakespeare. A personagem principal se passa pelo irmão para poder jogar futebol na escola. Bola murcha;

Outra bola fora é Um Time Bom de Bola (Ladybugs, 1992), no qual o comediante Rodney Dangerfield tem de treinar um time de garotas que nunca jogaram futebol. E como é cinema, absurdos acontecem;

Onda Nova (Idem, 1983) traz Carla Camurati num time de futebol feminino. Não esquenta nem banco de reservas;

Para salvar a pátria das meninas, Driblando o Destino (Bend It Like Beckham, 2002) joga bem! Descendente de indianos, uma garota é fã de Beckhan, e por isso se torna jogadora profissional de futebol. Mas na sua casa, cheia de tradições familiares, o futebol não tem nada de tradicional;


10. É brincadeira...

Também conhecido pelo seu título original, Shaolin Soccer, Kung Fu Futebol Clube (Shaolin Soccer/Siu Lam Juk Kau, 2001) é um golaço da comédia futebolística! Quando um devoto do king fu Shaolin demonstra ter um poderoso chute, é escalado para jogar no time local. Galvão Bueno, grande pensador do futebol do Brasil, diria:  “a física não permite”. Mas Stephen Chow demonstra o quanto engraçado e absurdo pode ser uma partida de futebol;

Pouca gente entendeu na época do lançamento, mas A Copa do Mundo é Nossa (Idem, 2003) - filme do Casseta & Planeta – é uma boa sátira ao regime militar no Brasil e que militantes comunistas planejam roubar a Taça do Mundo das mãos de Carlos Alberto e Pelé. Uma graça;

Uma Aventura do Zico (Idem, 1998) põe o Galinho de Quintino numa fria maior do que bater um pênalti decisivo numa Copa do Mundo. Zico encena um péssimo roteiro, que fala de um concurso - realizado por um programa de TV - que escolherá 22 garotos para jogar na Escolinha de Futebol do Zico. Essa doeu na canela;

Em Papai Bate um Bolão (Kicking & Screaming, 2005) Will Ferrel é filho de Robert Duval, que guarda consigo uma bola de futebol assinada pelo Pelé como se fosse um troféu. Para ganhar seu re speito, Ferrell vai treinar um time de futebol de subúrbio, com qualidade de... subúrbio! Mas com a ajuda de Mike Ditka, ídolo de outro esporte americano, e com o lema "passe para os italianos", o time começa a engrenar. Malabarismos em jogadas praticamente impossíveis num festival de risos;

O Casamento de Romeu e Julieta (Idem, 2005) é uma fusão do clássico de Shakespeare com o futebol brasileiro, vertendo os valores das famílias para a acirrada disputa entre torcidas rivais (no caso Corinthians e Palmeiras). O que você, corintiano, faria se encontrasse a mulher da sua vida, e ela fosse palmeirense?



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Daniel Herculano é crítico de cinema formado em cursos com Pablo Villaça (Cinema em Cena), Ruy Gardnier (Jornal O Globo) e Joaquim Assis (roteirista). Graduado em Comunicação Social, é publicitário, produtor musical e assessor de comunicação. Atualmente escreve sobre cinema para a coluna semanal Script no O Povo On line, de Fortaleza-CE, a Revista O Grito, de Recife-PE, e o blog Script no Blogueisso!.

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