por Daniel Herculano
Esse ano o Brasileirão foi um dos melhores
já realizados! Há alguns dias, os grupos da próxima Copa do Mundo - em 2010 na
África do Sul - foram sorteados. E o que o cinema tem haver com isso? Nunca foi
fácil retratar esse esporte tão apaixonante nas telas, mas aqui listamos filmes
que têm no futebol uma participação fundamental em sua trama. Olho no lance!
1. Aquecimento:
À Procura de Eric (Looking for Eric, 2009) não é exatamente sobre
futebol. Mas sobre a paixão de Eric Catona pelo esporte. O rebelde jogador
francês interpreta um outro Eric, carteiro em crise existencial. Catona
interpreta ele próprio e, em meio à história, são mostrados alguns dos melhores
lances do jogador com a camisa do Manchester.
2. Prata da Casa:
Em Linha de Passe (Idem, 2008) acompanhamos a história de quatro
irmãos, filhos de pais diferentes, moradores da periferia de São Paulo. Os
garotos precisam lutar por seus sonhos em meio a ausência paterna nas suas
vidas. Um deles, Dario (Vinícius de Oliveira), deseja ser jogador profissional e
vê em seu talento a esperança de uma vida melhor. Detalhe: na sua família todos
são torcedores fanáticos do Corinthians;
Já Show de Bola (Idem, 2008)
se passa no Rio de Janeiro e não traz muitas novidades estéticas ou de roteiro.
O filme conta a história de Tiago (Thiago Martins), que vê na carreira de
jogador de futebol a única saída contra a violência existente na favela onde
vive e, assim, ajudar sua família a ter uma vida melhor. Sem subjetividade
alguma, esbarra nos clichês em retratar o submundo da favela;
E o precursor Asa Branca, um Sonho
Brasileiro (Idem, 1980), que conta a história de um jovem de uma
cidade do interior que se torna um grande jogador de futebol, interpretado por
Edson Celulari. Datado e sem brilho.
3. Papo de Bar:
O diretor Ugo Giorgetti explorou nos
nacionais Boleiros – Era Uma Vez o Futebol (Idem, 1998) e
Boleiros II – Vencedores e Vencidos (Idem, 2006) a máxima de que
futebol sempre é o tema principal no papo de bar. Entre umas e outras nascem
emocionantes relatos de ex-jogadores, juízes comprados, vitórias e derrotas no
campo – mas sobretudo derrotas. O primeiro é um bom vencedor, enquanto o segundo
tem cara de um empate meia-boca, contando as histórias de um herói do
pentacampeonato do Brasil, um falso argentino, um jogador que voltou do México e
de um assistente técnico desiludido.
4. Vamos abrir a caixa de ferramentas!
O nome já diz tudo, Hooligans (Idem,
2005) fala sobe os violentos torcedores e torcidas organizadas de futebol da
Inglaterra. Lá, um garoto americano, com tendências violentas, encontra as
arquibancadas do West Ham. Antes, durante e, principalmente, depois dos jogos,
ocorrem muita violência, vandalismo e álcool. O futebol é palco para disputas e
muito quebra-pau entre torcidas. Existe uma continuação – Hooligans 2 (Green
Street Hooligans 2, 2009), mas sem nenhum protagonista do original;
Penalidade Máxima
(Mean Machine, 2001) consegue misturar drama, comédia, e claro, futebol!
Liderando o elenco o ex-jogador (e agora ator) Vinnie Jones, interpretando um
astro do futebol que é preso por esmurrar um policial. E sabe o que acontece lá
dentro? Um jogo, onde presos enfrentarão os guardas.
Parecido e anterior listamos Fuga para
a Vitória (Victory, 1981) dirigido pel
o mito John Huston. Mas o filme não se
tornou um mito. Dentro de um campo de prisioneiros durante a Segunda Guerra
Mundial, uma partida de de jogadores profissionais alemães contra prisioneiros
de guerra. Sabe quem joga no gol dos aliados? Sylvester Stallone! O capitão do
time é Michael Caine e Pelé, Bobby Moore e outras lendas das quatro linhas
entram em campo para garantir o resultado.
5. Série A, série B, série C, série D!
A idéia era interessante. Retratar o futebol da forma mais real possível,
envolve
r craques atuais e aproveitar a história de clubes europeus. Mas o
primeiro (e melhorzinho) Gol! (Goal!, 2005) - no qual conhecemos o
jogador mexicano Santiago sendo contratado pelo tradicional Newcastle - não
chega à série A do cinema, cravando no máximo uma série B.
No capítulo seguinte, Gol II (Goal:
Living the Dream, 2007), Santiago é contratado pelo gigante Real Madri da
Espanha. Mesmo com a participação dos galáticos Zidane, Beckham, Ronaldo,
Robinho, Raúl, Roberto Carlos, Casillas, Sérgio Ramos, Helguera, Guti, Michael
Salgado, Júlio Baptista e Michael Owen o resultado não passa de uma série C
cinematográfica. E, só para registrar, o fechamento da Trilogia com Gol III
(Goal! III, 2009) é digno de uma série D do cinema!
6. Movido à paixão:

O que dizer de um jovem monge do Butão que
é fanático por futebol? Em A Copa (Phörpa, 1999) acompanhamos todo
seu sofrimento apenas para assistir os jogos da Copa do Mundo de 1998;
Sem mostrar uma única jogada sequer,
Fora de Jogo (Offside, Irã, 2006) é outra demonstração de como a
paixão pelo futebol pode levar as pessoas a um jogodas eliminatórias da Copa do
Mundo de 2006, entre Irã e Bahrein. Aqui, as mulheres são impedidas de entrar
nos estádios, e uma garota se disfarça de menino para concretizar seu antigo
sonho.
7. Amistosos:
Os Trapalhões e o Rei do Futebol
(Idem, 1986) é uma farra. E muito engraçada, com Os Trapalhões sendo
faxineiros e roupeiros do Independência Futebol Clube. Por engano, Didi assume o
cargo de técnico, fato acompanhado por um repórter esportivo (Pelé).
Mas uma
partida decisiva pode definir o destino do clube e de todos seus colaboradores.
Aí Pelé vira goleiro, faz gol e tudo vira uma festa atrapalhada;
Quatro histórias diferentes (em Istambul,
Santiago de Compostela, Berlim e Moscou) acontecem em Um Dia na Europa (One
Day In Europe, 2005), exatamente quando ocorre em Moscou a final da Liga dos
Campeões da Europa. Com personagens de diferentes partes do mundo, o filme é uma
Babel amistosa e simpática, mas nada demais;
O Fortaleza Esporte Clube caiu para a 3º
divisão brasileira, enquanto seu maior rival, o Ceará, ascendeu à série A. Mas,
para lembrar os bons tempos e mostrar que na sétima
arte a rivalidade entre os
dois é uma goleada para os tricolores, o média metragem Loucos de Futebol
(Idem, 2008) é um documentário, mas curto e narrativo sobre a torcida
apaixonada do Fortaleza. Com entrevistas de figuras das arquibancadas, o filme
de Halder Gomes – que é tricolor assumido - é uma ótima surpresa;
8. Ficou na História!
O Milagre de Berna (Das Wunder von Bern, 2003) é uma história
comovente. Dramático como uma final de campeonato, o milagre do título é
exatamente sobre a vitória ale
mã numa final. Simplesmente seu primeiro título de
campeão do mundo em 1954. E tudo isso acontecendo no período de pós-Segunda
Guerra;
O título nacional - Duelo de Campeões
(The Game of Their Lives, 2005) – é bem genérico, mas o longa é uma bela
partida, baseada na campanha da inacreditável – e amadora – seleção americana na
Copa de 1950, surpreendendo meio mundo até chegar à semifinal;
Todos os Corações do Mundo
(Two Billion Hearts, 1995) foi o filme oficial da Copa do Mundo de 1994,
produzido pela Fifa e dirigido pelo brasileiro Murilo Salles. Para quem nunca
tinha visto o Brasil conquistar uma Copa do Mundo, esse documentário tem emoção
de sobra. “É tetra! É tetra!”;
O pano de fundo é a conquista do
inesquecível Tri do Brasil na Copa de 70, visto pelos olhos de uma criança cujos
pais estão de férias (leia-se fugindo da ditadura). O Ano que Meus Pais
Saíram de Férias (Idem, 2006) é lindo, como quase todos os lances
daquela seleção inigualável;
Pelé Eterno
(Idem, 2004) conta a trajetória de Edson Arantes do Nascimento, o Pelé,
conhecido como o "rei do futebol”, e consegue misturar documentário e
dramatização. Imagens mágicas para uma figura mágica;
Garrincha: A Estrela Solitária
(Idem, 2005) teve uma triste fim, pobre e alcoólatra. O filme também é
triste, mas no pior sentido, focado na vida sexual de Garrincha (André
Gonçalves) e de sua esposa Elza Soares (Thaís Araújo). Drible esse desastre.
09. Elas também jogam:
Nos EUA as mulheres batem um bolão e
Ela é o Cara (She´s the Man, 2006) mostra isso. Mas infelizmente essa
comediazinha não bate bem em nada, com a trama inspirada em "Noite de Reis" de
Shakespeare. A personagem principal se passa pelo irmão para poder jogar futebol
na escola. Bola murcha;
Outra bola fora é Um Time Bom de Bola
(Ladybugs, 1992), no qual o comediante Rodney Dangerfield tem de treinar
um time de garotas que nunca jogaram futebol. E como é cinema, absurdos
acontecem;
Onda Nova (Idem,
1983) traz Carla Camurati num time de futebol feminino. Não esquenta nem banco
de reservas;
Para salvar a pátria das meninas,
Driblando o Destino (Bend It Like Beckham, 2002) joga bem!
Descendente de indianos, uma garota é fã de Beckhan, e por isso se torna
jogadora profissional de futebol. Mas na sua casa, cheia de tradições
familiares, o futebol não tem nada de tradicional;
10. É brincadeira...
Também conhecido pelo seu título original,
Shaolin Soccer, Kung Fu Futebol Clube
(Shaolin Soccer/Siu Lam
Juk Kau, 2001) é um golaço da comédia futebolística! Quando um devoto do
king fu Shaolin demonstra ter um poderoso chute, é escalado para jogar no time
local. Galvão Bueno, grande pensador do futebol do Brasil, diria: “a
física não permite”. Mas Stephen Chow demonstra o quanto engraçado e absurdo
pode ser uma partida de futebol;
Pouca gente entendeu na época do
lançamento, mas A Copa do Mundo é Nossa (Idem, 2003) - filme do
Casseta & Planeta – é uma boa sátira ao regime militar no Brasil e que
militantes comunistas planejam roubar a Taça do Mundo das mãos de Carlos Alberto
e Pelé. Uma graça;
Uma Aventura do Zico
(Idem, 1998) põe o Galinho de Quintino numa fria maior do que bater um
pênalti decisivo numa Copa do Mundo. Zico encena um péssimo roteiro, que fala de
um concurso - realizado por um programa de TV - que escolherá 22 garotos para
jogar na Escolinha de Futebol do Zico. Essa doeu na canela;
Em Papai Bate um Bolão (Kicking & Screaming, 2005) Will Ferrel é
filho de Robert Duval, que guarda consigo uma bola de futebol assinada pelo Pelé
como se fosse um troféu. Para ganhar seu re
speito, Ferrell vai treinar um time
de futebol de subúrbio, com qualidade de... subúrbio! Mas com a ajuda de Mike
Ditka, ídolo de outro esporte americano, e com o lema "passe para os italianos",
o time começa a engrenar. Malabarismos em jogadas praticamente impossíveis num
festival de risos;
O Casamento de Romeu e Julieta
(Idem, 2005) é uma fusão do clássico
de Shakespeare com o futebol brasileiro, vertendo os valores das famílias para a
acirrada disputa entre torcidas rivais (no caso Corinthians e Palmeiras). O que
você, corintiano, faria se encontrasse a mulher da sua vida, e ela fosse
palmeirense?
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Daniel
Herculano
é crítico de cinema formado em cursos com Pablo Villaça (Cinema em
Cena), Ruy Gardnier (Jornal O Globo) e Joaquim Assis (roteirista).
Graduado
em Comunicação Social, é publicitário, produtor
musical e assessor de comunicação. Atualmente escreve sobre cinema
para a coluna semanal
Script no O
Povo On line, de Fortaleza-CE, a
Revista O Grito, de
Recife-PE, e o blog Script
no Blogueisso!.
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