Poster: Uma Noite no Museu

 

 

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Banner: Uma Noite no Museu

Datas de Estréia: Notas:
Brasil Exterior Crítico Assinante Distribuidora
12/01/2007 Não Disponível

Sobre o autor da crítica:

Pablo Villaça, 18 de setembro de 1974, é um crítico cinematográfico brasileiro. É editor do site Cinema em Cena, que criou em 1997, o mais antigo site de cinema no Brasil. Trabalha analisando filmes desde 1994 e colaborou em periódicos nacionais como MovieStar, Sci-Fi News, Sci-Fi Cinema, Replicante e SET. Também é professor de Linguagem e Crítica Cinematográficas.

Dirigido por Shawn Levy. Com: Ben Stiller, Robin Williams, Dick Van Dyke, Mickey Rooney, Bill Cobbs, Ricky Gervais, Carla Gugino, Jake Cherry, Mizuo Peck, Paul Rudd, Owen Wilson, Steve Coogan, Patrick Gallagher, Rami Malek e a voz de Brad Garrett.

Uma Noite no Museu não é um filme dos mais originais: dos créditos iniciais (que copiam o conceito daqueles vistos em O Quarto do Pânico) à subtrama mais do que batida referente ao pai que quer apenas conquistar o respeito do filho, o longa pouco mais é do que uma sucessão de seqüências de ação envolvendo muita gritaria e efeitos visuais. Por sorte, a idéia central é suficientemente interessante para prender nosso interesse durante a maior parte do tempo, transformando o projeto em uma diversão inofensiva, ainda que burocrática.

Inventor fracassado, Larry Daley (Stiller) é um homem divorciado que mantém um relacionamento amigável com a ex-esposa e que procura ser um bom exemplo para o filho. Porém, sem conseguir permanecer muito tempo em um emprego ou mesmo em um endereço, ele percebe que seus sonhos de grandeza estão lhe custando o respeito do garoto, que parece mais entusiasmado com a idéia de seguir a profissão do padrasto – e, como toda criança de Hollywood, o menino se mostra precoce o bastante para ponderar com o pai: “E se você for só um cara comum que deveria apenas arrumar um emprego?”. Assim, Larry decide aceitar a vaga de vigia noturno em um Museu de História Natural, substituindo os três velhos seguranças da instituição – e é com imenso choque que ele descobre que, à noite, todas as peças expostas no lugar ganham vida. (A propósito: ao contrário do que indica a tradução brasileira, a história não se passa ao longo de uma única noite, mas de três.)

Escrito por Ben Garant e Thomas Lennon a partir do livro infantil de Milan Trenc, o roteiro atribui a um artefato histórico a responsabilidade por tudo o que acontece no Museu – algo aceitável em um filme de fantasia. E, embora não tente esclarecer outras questões (por que tudo se torna vivo apenas à noite? Por que as criaturas só não podem ser banhadas pelo Sol quando se encontram fora do museu? Por que bonecos de cera assumiriam as personalidades das figuras que representam?), a falta de respostas não é, de fato, um problema grave, já que, como em Mais Estranho que a Ficção, o que interessa é que o acontece, e não o porquê de tudo acontecer. Por outro lado, o roteiro erra ao desrespeitar as próprias regras, comprometendo a coerência interna da narrativa: em certo instante, a estátua de Ted Roosevelt (Williams, mais contido do que de costume) manifesta tristeza por não ser o verdadeiro ex-Presidente nem o autor de todas as façanhas atribuídas a este, confessando ser apenas uma figura de cera; mais tarde, porém, a estátua que representa a índia Sacagawea (Peck) é apresentada como possível fonte de pesquisa para uma historiadora interessada em saber como ela era “na verdade”.

Outro problema grave reside na falta de piadas realmente engraçadas – algo fatal em uma comédia: em vez de construir o humor através de situações bem elaboradas ou diálogos inspirados (o que ao menos honraria a presença de comediantes competentes como Williams, Gervais, Wilson, Coogan e Stiller), o roteiro se limita a obrigar Larry a correr, gritar e a se assustar com tudo o que vê. Em um ou outro instante, somos surpreendidos por uma referência engraçada (como aquela envolvendo um cowboy, um legionário romano e a fala mais famosa de O Segredo de Brokeback Mountain), mas, de modo geral, a ação desenfreada domina o projeto. Enquanto isso, o mediano diretor Shawn Levy se esforça para manter um tom de leveza (até mesmo ao enfocar a “morte” de uma figura de cera), mas falha ao não compreender que o filme precisava de mais momentos realmente engraçados – e sua única contribuição neste sentido parece ser a inclusão de um plano no qual, logo depois de acompanharmos os esforços colossais de várias figuras em miniaturas para esvaziar os pneus de uma van, vemos o veículo à distância e ouvimos o leve barulho do ar escapando, restabelecendo de maneira hilária a dimensão ridícula do que está ocorrendo.

Contando com as participações mais do que especiais dos veteranos Mickey Rooney, Bill Cobbs e Dick Van Dyke (que continua a exibir a mesma energia vista em Mary Poppins, 42 anos atrás), o filme não consegue ser mais do que uma espécie de “Jumanji no museu”, o que é uma pena – especialmente se considerarmos o elenco formidável reunido pela produção. Aliás, é curioso constatar que, apesar dos longas favoritos de Garant e Lennon serem, respectivamente, Taxi Driver e Brazil, o máximo que os dois roteiristas conseguiram criar até hoje foram obras como Operação Babá, Herbie: Meu Fusca Turbinado e a refilmagem norte-americana de Táxi. Agora imaginem se eles fossem fãs de Adam Sandler, Rob Schneider ou dos irmãos Wayans.

Ou melhor: não imaginem. As possibilidades são assustadoras demais.

Observação: Há cenas adicionais durante os créditos finais.

12 de Janeiro de 2007

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