Poster: Três Enterros

Direção:

Tommy Lee Jones

Elenco:

Tommy Lee Jones , Melissa Leo , Barry Pepper , Julio Cedillo , Dwight Yoakam , January Jones , Vanessa Bauche

Roteiro:

Guillermo Arriaga

Produção:

Tommy Lee Jones , Luc Besson

Fotografia:

Chris Menges

Música:

Marco Beltrami

Montagem:

Roberto Silvi

Design de Produção:

Merideth Boswell

Figurino:

Kathy Kiatta

Direção de Arte:

Jeff Knipp

 

 

Publicidade


Banner: Três Enterros

Datas de Estréia: Notas:
Brasil Exterior Crítico Assinante Distribuidora
21/04/2006 23/11/2005

Sobre o autor da crítica:

Pablo Villaça, 18 de setembro de 1974, é um crítico cinematográfico brasileiro. É editor do site Cinema em Cena, que criou em 1997, o mais antigo site de cinema no Brasil. Trabalha analisando filmes desde 1994 e colaborou em periódicos nacionais como MovieStar, Sci-Fi News, Sci-Fi Cinema, Replicante e SET. Também é professor de Linguagem e Crítica Cinematográficas.

Dirigido por Tommy Lee Jones. Com: Tommy Lee Jones, Barry Pepper, Julio Cesar Cedillo, Dwight Yoakam, Melissa Leo, January Jones, Vanessa Bauche, Levon Helm.

 

Três Enterros é habitado por uma galeria de personagens entediados e sem a menor alegria de viver. Condenados a uma existência seca de trabalhos aborrecidos e nenhum lazer, eles olham para o futuro com o mesmo desinteresse com que vivenciaram o passado – um passado tão deprimente, diga-se de passagem, que às vezes é melhor reimaginá-lo como algo melhor, ainda que fictício.

           

Uma destas pessoas entregues ao piloto automático é o vaqueiro Pete Perkins (Jones), cujos únicos momentos de descontração são aqueles que passa ao lado do amigo Melquiades Estrada (Cedillo), um imigrante ilegal que deixou a família no México enquanto tenta juntar algum dinheiro antes de finalmente poder voltar para casa. Certo dia, porém, o corpo de Melquiades é encontrado no deserto e Pete, percebendo que a polícia local não pretende se esforçar muito para punir o assassino de um vaqueiro mexicano e miserável, resolve agir por conta própria. Para isso, seqüestra Mike Norton (Pepper), o patrulheiro da fronteira que foi o responsável pela morte de seu amigo, e o obriga a desenterrar Melquiades a fim de, juntos, levarem o cadáver de volta à sua cidade natal.

           

Escrito por Guillermo Arriaga, roteirista de filmes como 21 Gramas e Amores Brutos, este Três Enterros segue a mesma estrutura narrativa fragmentada daquelas obras, intercalando cenas do passado (quando acompanhamos a dinâmica entre Pete e Melquiades) e do presente (a mórbida jornada do protagonista). Sem investir em grandes acontecimentos, o roteiro se preocupa principalmente em retratar as relações entre os personagens, alternando entre momentos dramáticos, sombrios, bizarros e outros repletos de um inesperado humor negro (“Ei, Pete, as formigas estão comendo seu amigo.”) – e, ao utilizar as locações desoladas com inteligência, o diretor de fotografia Chris Menges ressalta a secura e o aspecto rochoso da geografia local como forma de estabelecer uma metáfora visual da própria existência daquelas pessoas retratadas por Arriaga.

           

Vivido por Tommy Lee Jones (que também assina a direção) com uma melancolia inabalável, Pete é uma das grandes incógnitas de Três Enterros (ao lado do próprio Melquiades, que guarda sua própria parcela de mistérios). Com seu rosto marcante, o ator confere ao vaqueiro uma aura de quem já passou por inúmeros sofrimentos ao longo da vida, o que é ainda mais realçado por sua expressão sempre sofrida e seu jeitão silencioso. Embarcando em uma viagem que, na melhor das hipóteses, poderia ser descrita como insensata (e, na pior, como absolutamente insana), Pete demonstra uma preocupação com Melquiades que ultrapassa o limite do compreensível – e torna-se claro, para o espectador, que aquela missão representa, para o personagem, algo muito mais profundo do que um simples interesse em enterrar o amigo em sua terra natal: ao realizar aquela tarefa, Pete está buscando a redenção por algo que jamais fica claro para o público (o que, longe de ser um defeito, é um dos pontos fortes do filme). É verdade que a morte trágica de Melquiades (e seus dois primeiros e indignos enterros) certamente alterou o equilíbrio psicológico de Pete e que há um componente claro de loucura em suas ações, mas resumir seus atos como sendo resultado de demência seria ignorar a riqueza de significados do roteiro.

           

O patrulheiro Mike Norton, por sua vez, revela-se muito mais complexo do que poderíamos supor inicialmente: agressivo e absurdamente frio com sua jovem e bela esposa (uma boneca inflável seria tratada com mais paixão por seu dono), o rapaz gradualmente nos leva a perceber que seu problema não é falta de caráter, mas sim mediocridade e falta de imaginação. Tão prisioneiro de sua vida quanto os demais personagens, Mike não consegue enxergar outras possibilidades de satisfação pessoal que não aquelas que se encontram imediatamente à sua frente – e Pepper, que já havia comprovado seu talento no pouco visto Desafio no Ártico, volta a exibir enorme segurança em um papel que poderia facilmente ter se tornado caricatural. Fechando o elenco, vêm Melissa Leo e January Jones como duas mulheres em fases distintas de suas vidas – e é a constatação da estagnação emocional da primeira que, de alguma maneira, pode levar a segunda a tomar decisões que irão alterar seu destino.

           

Representando o primeiro longa de Tommy Lee Jones para o Cinema (anteriormente, ele havia dirigido uma produção para a tevê), Três Enterros é um forte indício de que o talentoso ator é forte candidato a seguir os passos de figuras como Robert Redford, Sean Penn e Clint Eastwood para se tornar responsável por trabalhos brilhantes não apenas diante, mas também por trás das câmeras.
``

 

20 de Abril de 2006

 

Comente esta crítica em nosso fórum e troque idéias com outros leitores! Clique aqui!

 

Comente!


Seja o primeiro a comentar!

 

Redes Sociais Sobre