Poster: Madrugada dos Mortos

 

 

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Banner: Madrugada dos Mortos

Datas de Estréia: Notas:
Brasil Exterior Crítico Assinante Distribuidora
23/04/2004 19/03/2004

Sobre o autor da crítica:

Pablo Villaça, 18 de setembro de 1974, é um crítico cinematográfico brasileiro. É editor do site Cinema em Cena, que criou em 1997, o mais antigo site de cinema no Brasil. Trabalha analisando filmes desde 1994 e colaborou em periódicos nacionais como MovieStar, Sci-Fi News, Sci-Fi Cinema, Replicante e SET. Também é professor de Linguagem e Crítica Cinematográficas.

Dirigido por Zack Snyder. Com: Sarah Polley, Ving Rhames, Jake Weber, Mekhi Phifer, Ty Burrell, Michael Kelly, Kevin Zegers, Lindy Booth, Jayne Eastwood, Scott H. Reiniger, Tom Savini, Ken Foree.

E eu ouvi uma voz entre as quatro bestas
E olhei e contemplei um cavalo pálido
E o nome daquele sentado sobre o animal era Morte
E o Inferno seguia com ele

Estes são alguns dos versos da música The Man Comes Around, cantada em tons apocalípticos por Johnny Cash durante os créditos iniciais de Madrugada dos Mortos – e a escolha não poderia ser mais apropriada, já que, na cena apresentada momentos antes, era justamente esta a impressão que o filme passava: a de que o Inferno tomara conta da Terra. Iniciando a trama de forma rápida e objetiva (em menos de 5 minutos a protagonista já está sendo perseguida por zumbis), o longa não perde tempo em tentar explicar o inexplicável: para justificar a existência dos mortos-vivos comedores de carne humana, o roteiro de James Gunn passa longe de cultos satânicos ou de gases misteriosos criados pelo governo e, em vez disso, invoca a presença de um televangelista (uma ponta de Ken Foree, um dos atores do filme original), que diz: `Quando não houver mais espaço no Inferno, os mortos caminharão sobre a Terra`. Simples assim.

Inspirado no clássico dirigido por George Romero em 1978, Madrugada dos Mortos oferece ao espectador precisamente o esperado: diversas seqüências tensas e bem montadas nas quais os heróis são atacados por centenas de zumbis que desejam apenas uma coisa: devorá-los. Confusos e amedrontados, os personagens buscam refúgio em um shopping center, mas, ao contrário do que acontecia no filme de Romero, esta nova versão não aproveita o cenário para criticar o consumismo desenfreado das sociedades capitalistas, preferindo se concentrar na interação (e na tensão crescente) entre aquelas pessoas – o que não é de todo mau, já que acabamos por conhecer bem aquelas figuras e, conseqüentemente, passamos a nos importar mais com o que o destino lhes reserva.

Aliás, a princípio Madrugada dos Mortos parece preparar-se para apostar em meras caricaturas, chegando a introduzir um segurança do shopping que praticamente assume o papel de vilão (além dos mortos-vivos, claro). Porém, além de divertido (o que o torna mais simpático aos nossos olhos), o tal personagem acaba demonstrando possuir um lado mais nobre, o que é uma grata surpresa. Enquanto isso, a enfermeira Ana (vivida por Sarah Polley, de O Doce Amanhã) assume a condição de centro emocional da história, já que reage aos acontecimentos com terror, mas bom senso, facilitando a identificação do espectador com seu sofrimento. Da mesma forma, Michael (Jake Weber) ganha nossa simpatia por tentar manter sua humanidade frente ao absurdo – e a cena em que descobrimos um pouco mais sobre seu passado é uma das mais tocantes da produção. Para finalizar, Ving Rhames, com seu físico imponente, veste confortavelmente o papel do tira corajoso e durão (e sua amizade com um sujeito que se encontra `ilhado` na cobertura de um prédio da vizinhança, e com quem se comunica através de cartazes, representa um dos pontos altos da trama).

Outro elemento interessante de Madrugada dos Mortos reside no sofrimento daqueles que, depois de feridos pelos zumbis, percebem que estão irremediavelmente contaminados e que morrerão em breve (também transformando-se em monstros). Ao contrário do que ocorria no recente Extermínio, no qual a transformação ocorria em questão de segundos, os personagens de Madrugada dos Mortos devem conviver durante um bom tempo com a realidade de sua condenação, o que rende ótimos momentos dramáticos. E o que é melhor: o filme não se preocupa em poupar a `sensibilidade` do público e foge das convenções hollywoodianas, mostrando que até mesmo crianças (ou recém-nascidos) devem ser temidas naquele contexto assombroso.

Mantendo a história em um ritmo sempre envolvente, o diretor estreante Zack Snyder revela talento ao comandar as seqüências de ação, incluindo tomadas aéreas surpreendentes que nos ajudam a compreender melhor a dimensão da ameaça enfrentada pelos protagonistas – e sua decisão de evitar o velho clichê dos mortos-vivos que caminham lentamente é acertada, já que a grande velocidade dos monstros torna-os ainda mais ameaçadores (Danny Boyle fez o mesmo em Extermínio, diga-se de passagem). Além disso, Snyder inclui diversos momentos bem-humorados ao longo da projeção, quebrando a tensão nos momentos mais indicados (o concurso de tiro ao alvo, que utiliza zumbis parecidos com celebridades, merece destaque).

Embora fique devendo o comentário social que transformou o filme de Romero em um pequeno clássico, Madrugada dos Mortos é uma produção eficiente e divertida que merece aplausos. Mas você certamente já havia constatado isso ao ler, no primeiro parágrafo, que os créditos iniciais trazem a voz grave e expressiva de Johnny Cash. Precisava de mais?

Observação: Durante os créditos finais, há cenas adicionais que revelam o destino de vários personagens.
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21 de Abril de 2004

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