Poster: O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei

 

 

Publicidade


Banner: O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei

Datas de Estréia: Notas:
Brasil Exterior Crítico Assinante Distribuidora
25/12/2003 17/12/2003

Sobre o autor da crítica:

Pablo Villaça, 18 de setembro de 1974, é um crítico cinematográfico brasileiro. É editor do site Cinema em Cena, que criou em 1997, o mais antigo site de cinema no Brasil. Trabalha analisando filmes desde 1994 e colaborou em periódicos nacionais como MovieStar, Sci-Fi News, Sci-Fi Cinema, Replicante e SET. Também é professor de Linguagem e Crítica Cinematográficas.

Dirigido por Peter Jackson. Com: Elijah Wood, Ian McKellen, Viggo Mortensen, Sean Astin, Orlando Bloom, John Rhys-Davies, Billy Boyd, Dominic Monaghan, Miranda Otto, Karl Urban, Bernard Hill, David Wenham, John Noble, Cate Blanchett, Liv Tyler, Hugo Weaving, Sean Bean, Ian Holm e Andy Serkis (como Góllum/Sméagol).

Acabou. Depois de dois longos anos (ou 13 meses, na cronologia dos filmes), a perigosa e dramática jornada da Sociedade do Anel pela Terra-média chegou ao fim. Durante este período, fomos apresentados a criaturas tão distintas e fantásticas quanto orcs, Nazgûl, olifantes, balrogs, trolls, ents, elfos, magos e, é claro, hobbits. Passeamos por Gondor, testemunhamos a queda de Isengard, apreciamos o majestoso trabalho dos anões nas Minas de Moria, sofremos durante a batalha no Abismo de Helm, sobrevoamos Minas Tirith e entramos com Frodo na Montanha da Perdição. Mergulhamos, enfim, no rico universo concebido por J.R.R. Tolkien e levado para as telas com brilhantismo por Peter Jackson.

Encerrando a trilogia de maneira grandiosa, O Retorno do Rei é, sem dúvida alguma, o mais equilibrado dos três capítulos em relação ao ritmo: aproveitando a experiência obtida desde o lançamento de A Sociedade do Anel, Jackson refinou seu timing até alcançar a perfeição e, com isto, evitou os pequenos problemas de fluidez da narrativa que podiam ser constatados em As Duas Torres (a versão original, não a estendida). Resgatando o ótimo senso de humor presente no primeiro capítulo (e que pouco apareceu no segundo), O Retorno do Rei utiliza o alívio cômico apropriadamente, já que, na maior parte do tempo, mantém o espectador preso à poltrona em função dos acontecimentos tensos e espetaculares protagonizados pelos heróis. E, se (em As Duas Torres) o entebate prejudicava em parte o drama provocado pelo conflito no Abismo de Helm, desta vez as transições entre as diferentes narrativas acentuam o suspense de forma eficiente.

E isto é algo mais do que adequado, já que O Retorno do Rei é, na prática, o terceiro ato de um filme que dura cerca de 10 horas – e, portanto, representa o clímax das aventuras da Sociedade do Anel. Assim, por mais intensa que tenha sido a batalha em Helm, o conflito ambientado nos Campos do Pelennor possui uma escala infinitamente maior, tornando-se cada vez mais desesperador – e sua natureza épica é realçada pela magnífica trilha sonora de Howard Shore e pela câmera ágil de Peter Jackson, que inclui diversas tomadas aéreas que revelam centenas de milhares de combatentes em ambos os lados da guerra. Aliás, vou me atrever a fazer uma afirmação que, em condições normais, crítico algum deveria fazer: O Retorno do Rei possui, indubitavelmente, a maior batalha já vista no Cinema. E isto é fato.

Mas Jackson não é hábil apenas ao imprimir energia às seqüências de ação; seu talento para mergulhar o espectador em um clima de suspense quase insuportável também é colossal: assim, antes de nos apresentar a Laracna ou à Senda dos Mortos, o cineasta exibe (respectivamente) esqueletos envoltos por teias e cavalos irrequietos, construindo um cuidadoso clima de tensão. O resultado é que, no momento em que a ameaça real surge na tela, o público já está mais do que vulnerável ao choque – e é impressionante, o grau de realismo conferido a estas criaturas pelos ótimos efeitos visuais.

E já que citei os efeitos visuais, é óbvio que devo mencionar Gollum, que consegue se tornar ainda mais verossímil do que em As Duas Torres (quando já era praticamente perfeito): torturado por sentimentos conflitantes, a criatura é incrivelmente expressiva, permitindo que constatemos a frieza de seus olhos e a falsa humildade com que se movimenta ao tentar jogar Frodo contra Sam. Além disso, ao permitir que vejamos Sméagol antes de ser dominado pelo Um Anel, o filme torna o personagem ainda mais trágico, já que ilustra a transformação provocada pelo objeto (e, como bônus, ainda podemos ver o rosto do ator Andy Serkis, que deu vida a Gollum).

Aliás, O Retorno do Rei jamais sacrifica o desenvolvimento dos personagens a fim de beneficiar apenas as cenas de ação: do enlouquecido Denethor à corajosa Éowyn (passando pela dor de Elrond ao aceitar o destino da filha), o capítulo final de O Senhor dos Anéis é povoado por figuras fortes e memoráveis – e, dentre estas, Gandalf, que finalmente assume a posição central na narrativa. Sábio e gentil (a não ser quando irritado), o mago torna-se o líder absoluto da Sociedade do Anel, supervisionando do quadro geral (a guerra contra Sauron) aos detalhes (protegendo Pippin e Faramir, por exemplo) – e se você ficou impressionado(a) com a força de Gandalf ao lutar com o balrog na ponte de Khazad-dûm, espere até vê-lo enfrentando os orcs em Minas Tirith...

Porém, os grandes heróis de O Senhor dos Anéis são mesmo os pequenos hobbits, que, habituados a uma existência pacífica e preguiçosa, subitamente se encontram no centro de uma guerra sem precedentes pelo destino da Terra-média – e O Retorno do Rei evidencia os sacrifícios de Pippin, Merry, Frodo e Sam ao retratar a dor e o medo enfrentados pelos quatro. E é chocante perceber as mudanças drásticas vividas por Frodo e Sam, que em nada lembram os hobbits alegres e inconseqüentes vistos na festa de aniversário de Bilbo.

É triste constatar que, a partir de agora, não mais teremos direito às nossas viagens anuais à Terra-média e que deixaremos de nos assombrar com tomadas majestosas como aquela em que vimos os faróis de Gondor se acendendo. Depois de uma jornada repleta de perigos e aventuras, Peter Jackson finalmente nos devolveu ao mundo real. Mas a viagem valeu a pena. Pelo menos, todos nós poderemos dizer que, assim como Bilbo Bolseiro, estivemos lá e de volta outra vez.
``

25 de Dezembro de 2003

Comente esta crítica em nosso novo fórum e troque idéias com outros leitores! Clique aqui!

 

Comente!


Seja o primeiro a comentar!

 

Redes Sociais Sobre