Poster: Possuídos

Direção:

Gregory Hoblit

Elenco:

Denzel Washington , John Goodman , Donald Sutherland , Embeth Davidtz , James Gandolfini , Elias Koteas

Roteiro:

Nicholas Kazan

Produção:

Charles Roven , Dawn Steel

Fotografia:

Newton Thomas Sigel

Música:

Dun Tan

Montagem:

Lawrence Jordan

Design de Produção:

Terence Marsh

Figurino:

Colleen Atwood

Direção de Arte:

William Cruse

 

 

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Banner: Possuídos

Datas de Estréia: Notas:
Brasil Exterior Crítico Assinante Distribuidora
17/04/1998 16/01/1998

Sobre o autor da crítica:

Pablo Villaça, 18 de setembro de 1974, é um crítico cinematográfico brasileiro. É editor do site Cinema em Cena, que criou em 1997, o mais antigo site de cinema no Brasil. Trabalha analisando filmes desde 1994 e colaborou em periódicos nacionais como MovieStar, Sci-Fi News, Sci-Fi Cinema, Replicante e SET. Também é professor de Linguagem e Crítica Cinematográficas.

Dirigido por Gregory Hoblit. Com: Denzel Washington, John Goodman, Donald Sutherland, Embeth Davidtz, James Gandolfini e Elias Koteas.

Possuídos é um filme surpreendente. Na verdade, é tão surpreendente que você só percebe que havia algo a descobrir quando o filme acaba. Pois este não é um policial como Os Suspeitos ou Copycat. Aqui, você já sabe quem é o assassino, como ele age e até mesmo imagina como o detetive deve resolver a questão. E, no entanto, ainda consegue ser pego de surpresa.

Quando o filme começa, o detetive vivido por Denzel Washington está correndo pela neve, desesperado. É então que ouvimos a voz de Washington dizendo: `Eu vou falar para vocês sobre a ocasião em que quase morri.` A partir daí, a história passa a seguir o policial enquanto este tenta descobrir o que há por trás de alguns assassinatos que foram cometidos exatamente da mesma maneira como eram cometidos os crimes de um assassino que ele acabara de mandar para a câmara de gás.

Com o decorrer das investigações, o detetive Hobbes acaba desconfiando de que pode haver algo sobrenatural por trás da história. O fato é que um espírito demoníaco, Azazel, continua `vivo`. E o pior: ele consegue passar de uma pessoa para outra simplesmente através do toque. Assim sendo, como vencê-lo, se nunca sabemos em que corpo ele se encontra?

A partir desta premissa interessante, o roteiro de Nicholas Kazan vai nos envolvendo em uma história tensa e mais complexa do que parecia inicialmente. Apesar de Possuídos ser o que eu costumo chamar de `um policial pós-Seven`, o filme tem seus atrativos que o tornam especial e superior a outros exemplares do gênero, como Copycat e Beijos Que Matam. Além de um roteiro extremamente inteligente e bem escrito, o filme conta, ainda, com a direção segura de Gregory Hoblit, que já realizou o também instigante As Duas Faces de um Crime, e com as atuações poderosas de Washington, John Goodman e Donald Sutherland (este último fazendo, mais uma vez, o tipo estranhamente suspeito que se tornou sua especialidade).

Uma coisa curiosa com relação a Possuídos é o fato de que grande parte dos `pontos fracos` que notei durante o transcorrer da projeção se revelaram, mais cedo ou mais tarde, fundamentais para o desenvolvimento da história. Por exemplo: a narração em off de Denzel Washington. Normalmente, não aprovo este recurso, que só deveria ser utilizado quando estritamente necessário. Durante boa parte do filme, não achei que esse fosse o caso. No entanto, a narração acaba se mostrando essencial.

Na verdade, apesar de um começo interessante, o filme tem um desenvolvimento apenas regular, com vários problemas no roteiro. Não gosto, por exemplo, de um recurso constantemente utilizado por escritores que querem fazer de um determinado personagem um sujeito adorável: eles simplesmente o retratam como uma criança crescida. Isso se aplica a Art, o irmão do personagem de Denzel Washington. Apesar de ser divorciado e ter um filho, Art é um indivíduo completamente imaturo que se comporta como um garoto de 5 anos. Será que esta foi a única forma que o roteiro encontrou de nos fazer gostar do personagem?

Porém, apesar do desenvimento ser, no geral, mediano, a conclusão do filme compensa a espera. Se não fossem os cinco minutos finais, Fallen seria apenas bom, sem ter nada que o destacasse. Da forma como terminou, se tornou referência obrigatória para quem quer assistir um filme tenso e inteligente.

Existem duas cenas, em particular, que me impressionaram bastante: aquela em que Washington é confrontado por diversos transeuntes que tocam uns nos outros para `transmitir` o espírito de Azazel e aquela em que a personagem de Embeth Davidtz é perseguida pelo `demônio` que, ao invés de simplesmente correr atrás dela, vai se deslocando através dos corpos das pessoas que estão andando na rua, como um efeito dominó. A cena é tensa e inventiva. Na verdade, é uma das melhores perseguições que já vi.

No mais, Possuídos ainda possui uma bela fotografia e uma excelente direção de arte (observem como o `tom` do filme vai mudando durante o transcorrer da história, de uma cidade clara e calorenta até o inverno sombrio das montanhas). Além, é claro, da música-tema Time Is On My Side, dos Rolling Stones, que é cantada por todos aqueles que entram em contato com Azazel.

Ao final do filme, você já ouviu tanto essa canção que é quase impossível não sair do cinema sem estar cantarolando a melodia - o que pode deixar a pessoa ao seu lado, que também viu o filme, com bastante medo de você.
``

22 de Abril de 1998

 

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