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Homem Irracional

★★★☆☆3/5 estrelas
12 min

Dirigido e roteirizado por Woody Allen. Com: Joaquin Phoenix, Emma Stone, Parker Posey, Jamie Blackley, Meredith Hagner, Susan Pourfar.

O Homem Irracional, novo filme de Woody Allen, é um esforço que poderia ter sido muito bom caso soubesse que tipo de história gostaria de contar. Infelizmente, o hábito do cineasta de lançar um trabalho por ano pode merecer aplausos pela disciplina, mas ocasionalmente leva a resultados medianos em função da falta de tempo para que pudessem amadurecer melhor.

Repetindo temas e momentos de alguns de seus longas anteriores (Match Point e Crimes e Pecados vêm à mente), Allen aqui conta a história de Abe Lucas (Phoenix), um professor de filosofia tomado pela depressão e pela falta de propósito de sua vida. Aceitando um emprego em uma nova faculdade, ele acaba se envolvendo com a colega Rita (Posey) e com a aluna Jill (Stone), o que não o torna menos frustrado ou desmotivado – até que, certo dia, ele ouve uma conversa que o leva a encontrar um novo e potencialmente perigoso motivo para viver.

Fotografado por Darius Khondji com uma paleta estranhamente quente e romântica para o tema que revela querer desenvolver, O Homem Irracional frequentemente exibe esta dissonância entre sua narrativa e sua história, como se o roteiro quisesse levar o filme para um lado e a direção, para outro – e o fato de Allen assinar ambos é um péssimo sinal. Aliás, igualmente revelador é perceber como o diretor usa praticamente a mesma música (“The In Crowd”) durante toda a projeção, independentemente do contexto da cena, o que revela no mínimo um descaso atípico do cineasta.

Não que o resultado seja desastroso, pois está longe de ser uma atrocidade como O Escorpião de Jade, Scoop, Dirigindo no Escuro ou Você Vai Conhecer o Homem dos seus Sonhos – e boa parte do charme do filme deve-se ao ótimo elenco: se Emma Stone, em sua segunda parceria com o diretor, vive uma personagem diametralmente oposta à maluquinha alegre de Magia ao Luar, Joaquin Phoenix encarna Abe como um sujeito barrigudo e desleixado cujo pendor autodestrutivo é simultaneamente divertido e tocante. Além disso, o ator faz um bom trabalho ao demonstrar como indivíduos como aquele podem romantizar a própria desilusão e racionalizar seus atos de egoísmo e crueldade, o que torna ainda mais fascinante perceber como passamos a gostar do sujeito mesmo que este não se esforce para nos conquistar.

Já Woody Allen não consegue a mesma proeza, perdendo ainda mais o controle da narrativa a partir do terceiro ato, quando realmente parece estar atirando na tela as primeiras soluções que lhe cruzam a mente e encerrando a projeção em um anticlímax que acaba mandando o espectador para fora da sala com a impressão de ter visto um filme pior do que é na verdade.

Texto originalmente publicado como parte da cobertura do Festival de Cannes 2015.

15 de Maio de 2015

Pablo Villaça
Avaliação do CríticoPablo Villaça
3.0
★★★☆☆

Poderia ter sido muito bom caso soubesse que tipo de história gostaria de contar.

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