Poster: Star Wars: Episódio VII - O Despertar da Força

 

 

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Banner: Star Wars: Episódio VII - O Despertar da Força

Datas de Estréia: Notas:
Brasil Exterior Crítico Assinante Distribuidora
17/12/2015 18/12/2015
Disney

Sobre o autor da crítica:

Pablo Villaça, 18 de setembro de 1974, é um crítico cinematográfico brasileiro. É editor do site Cinema em Cena, que criou em 1997, o mais antigo site de cinema no Brasil. Trabalha analisando filmes desde 1994 e colaborou em periódicos nacionais como MovieStar, Sci-Fi News, Sci-Fi Cinema, Replicante e SET. Também é professor de Linguagem e Crítica Cinematográficas.

Dirigido por J.J. Abrams. Roteiro de Michael Arndt, J.J. Abrams e Lawrence Kasdan. Com: Harrison Ford, Daisy Ridley, John Boyega, Oscar Isaac, Adam Driver, Domhnall Gleeson, Kenny Baker, Peter Mayhew, Anthony Daniels, Lupita Nyong’o, Andy Serkis, Max von Sydow, Carrie Fisher e Mark Hamill.

J.J. Abrams é um cineasta que aprende com a experiência: responsável por um bem-sucedido reinício para Star Trek, ele aplicou a mesma lógica ao assumir o comando de outra série clássica da ficção científica, transformando Star Wars: Episódio VII – O Despertar da Força em uma continuação que soa também como refilmagem. Com isto, o diretor leva o espectador a experimentar uma sensação mista de nostalgia e encanto diante da novidade, construindo uma obra que recria momentos icônicos ao mesmo tempo em que parece descobrir elementos novos de um universo já conhecido.

Escrito por Michael Arndt, J.J. Abrams e pelo veterano Lawrence Kasdan (O Império Contra-Ataca, Os Caçadores da Arca Perdida), este O Despertar da Força se passa três décadas depois de O Retorno de Jedi e (não se preocupem, não revelarei nada que não esteja nos trailers ou no primeiro ato do filme) traz a galáxia sob a ameaça da Primeira Ordem, que surgiu a partir dos escombros do Império. Enfrentando a resistência dos rebeldes, os vilões encaram a destruição de Luke Skywalker (Hamill) como algo fundamental para seu sucesso, dedicando seus esforços para encontrá-lo – e a única pista de seu paradeiro encontra-se sob o poder do pequeno droide BB-8. Assim, quando este é “adotado” pela jovem Rey (Ridley), a garota passa a ser perseguida pelo ameaçador Kylo Ren (Driver), que tampouco vê com simpatia o ex-stormtrooper Finn (Boyega).

Como é fácil perceber apenas pela breve descrição acima, a estrutura básica de O Despertar da Força segue de perto a de Uma Nova Esperança – e as similaridades acontecem também nos outros dois atos da narrativa. Da mesma forma, se Luke era um jovem que se sentia deslocado e aos poucos descobria sua vocação e seu lugar no mundo sob a orientação de Obi-Wan, aqui a dinâmica é repetida entre Rey e outro veterano, seguindo uma jornada que remete muito à do padawan original em seus percalços, dramas e aprendizados. E se antes tínhamos Darth Vader agindo como o capanga do Imperador, agora temos outro mascarado atuando sob o comando de um impiedoso líder supremo que abomina a tradição Jedi.

As semelhanças, claro, não surgem apenas na trama, mas nos demais aspectos narrativos: o filme abre, como não poderia deixar de ser, num letreiro que resume a premissa e que cede lugar a uma panorâmica que vai das estrelas a um objeto de interesse (neste caso, um planeta), enquanto a montagem investe em várias cortinas (aquelas transições entre cenas que envolvem uma barra cruzando a tela) e em íris que se fecham em algum ponto da cena. Além disso, as rimas clássicas da saga são mantidas através de diálogos (“Tenho um mau pressentimento sobre isso.”) e das relações entre os personagens, que vivem conflitos... bastante familiares aos fãs, digamos.

Em outras palavras, O Despertar da Força sabe estar lidando com elementos mitológicos da cultura popular, reconhece-os como tal, demonstra alegria incontida por poder utilizá-los e parece não acreditar na própria sorte ao fazê-lo. Neste sentido, até o mestre John Williams exibe reverência às próprias composições – e quando o capacete de Vader surge brevemente (acalmem-se, isto está no trailer!), é claro que o tema clássico do personagem pode ser rapidamente ouvido. Assim, ao longo dos 135 minutos de projeção, cada item da trilogia original revisitado é reintroduzido com idolatria absoluta, já antecipando a excitação dos fãs ao vê-los na tela – uma postura que poderia se tornar irritante ou presunçosa, mas que acaba sendo apenas contagiante.

No entanto, recuperar aspectos já estabelecidos da série é apenas parte do bom trabalho de Abrams, que também é bem-sucedido ao apresentar seus novos integrantes: John Boyega, como Finn, demonstra não apenas possuir imenso carisma como um timing cômico invejável, ao passo que Oscar Isaac evoca a valentia de Poe Dameron com talento. Ainda assim, é a estreante Daisy Ridley quem domina a projeção ao criar uma heroína forte, competente e cuja coragem soa como resultado direto de um passado que, mesmo misterioso, contém sementes dramáticas suficientes para despertar a simpatia do público. E se Carrie Fisher e Harrison Ford vestem confortavelmente as peles de seus velhos personagens (e Ford, em particular, aproveita para acrescentar camadas importantes ao que já sabíamos sobre Han Solo), Adam Driver quase rouba o filme com seu Kylo Ren, que, sob a máscara amedrontadora, revela um vilão que, apesar do tom de voz controlado, oculta uma impulsividade que revela uma imaturidade importante para que possamos compreender suas motivações e objetivos (e sua cena-chave – você a reconhecerá – é brilhante ao sugerir toda a dor por ele experimentada).

Este equilíbrio entre a reverência ao passado da série e o impulso de traçar novos caminhos encontra eco na própria direção de Abrams, que consegue, mesmo respeitando a estética da trilogia original, introduzir seus próprios toques autorais (como seus já inevitáveis flares) e buscar formas interessantes de promover maior dinamismo – e gosto particularmente de como, ainda no primeiro ato, ele corta de um primeiro plano de Finn em seu capacete de stormtrooper para outro no qual vemos Rey com o rosto oculto por bandagens, fazendo uma rima elegante ao mesmo tempo em que apresenta os dois personagens centrais do novo filme. Além disso, há aqueles momentos nos quais o diretor quer apenas (e compreensivelmente) criar imagens impactantes – e o plano no qual vemos alguns tie fighters voando diante do sol que se põe é belo o bastante para merecer ser emoldurado e pendurado na parede da sala.

Já o design de produção de Rick Carter e Darren Gilford segue a lógica estabelecida por John Barry para Uma Nova Esperança, imaginando um mundo que, ainda que futurista, parece velho e sujo. Por outro lado, os designers também deixam suas marcas ao conceberem ao menos um cenário que já surge icônico: a ponte de metal sobre o abismo que, apesar de remeter àquela vista durante o embate entre Vader e Luke em O Império Contra-Ataca (uma referência apropriada), ganha força própria graças ao ambiente vasto e escuro que a cerca e por trazer um emblemático facho de luz destacando os indivíduos que nela se encontram. Aliás – e sempre evitando spoilers – é preciso reconhecer a inteligência da fotografia de Daniel Mindel nesta cena, já que usa o vermelho de forma simbolicamente inteligente ao cobrir parte do rosto de certo personagem enquanto este se encontra dividido sobre o que fazer a seguir, finalmente conferindo maior intensidade à cor quando uma decisão é tomada.

Eficiente ao empregar o humor de maneira orgânica à narrativa, evitando gags excessivamente infantis (cof-Jar Jar-cof) e permitindo que cada personagem possa se beneficiar da simpatia despertada pelo riso, este Episódio VII oferece também amplas oportunidades para que o veterano designer de som Ben Burtt combine sua experiência nos seis filmes anteriores com aqueles obtidos em Wall-E, (re)criando os ruídos de sabres de luz, naves poderosas, blasters e, claro, aqueles emitidos pelo adorável BB-8, que exibe uma personalidade própria ao reagir a todos os estímulos externos (e é curioso notar que o comediante Bill Hader contribuiu para criar seu “vocabulário”). Para completar, a decisão de Abrams de evitar o excesso de efeitos e cenários digitais aplicados em telas verdes contribuiu para trazer uma fisicalidade importante ao longa e que claramente faltava nas prequels (não à toa, o único tropeço é a natureza digital de Snoke). Claro que, aqui e ali, Abrams e seus colaboradores exageram nas alegorias – e a cena envolvendo um discurso do General Hux (Domhnall Gleeson, excelente) é particularmente carregada no simbolismo nazista, desde a imensa bandeira até a saudação do exército de stormtroopers.

Admirável ao fugir do velho padrão dos protagonistas encarnados por homens brancos e heterossexuais, O Despertar da Força merece aplausos não só por concentrar sua trama em torno de minorias (Rey é mulher; Finn é negro; Dameron é latino), mas também por não se congratular por isso, já que a natureza biológica destes personagens jamais faz qualquer diferença, demonstrando, com isso, como a insistência de Hollywood no velho padrão é desnecessária e preconceituosa. Como se não bastasse, o projeto evita até mesmo a velha armadilha de criar uma heroína forte apenas para fazê-la ser resgatada por algum homem – e, assim, quando Finn agarra sua mão ao perceber uma ameaça, Rey logo reconhece o clichê e protesta “Eu sei correr sem dar a mão!”, num momento que beira a metalinguagem ao apontar a convenção que se nega a seguir.

Despedindo-se do espectador com aquele que é provavelmente o plano final mais belo da saga, O Despertar da Força é um filme que reconhece e respeita suas origens, usando-as para formar seu próprio recomeço de modo seguro e marcante – e as lágrimas que desperta são fruto não apenas de despedidas marcantes, mas do reconhecimento de que acabamos de fazer novos e inesquecíveis amigos.

19 de Dezembro de 2015

Críticas anteriores da série: A Ameaça Fantasma, Ataque dos Clones, A Vingança dos Sith e The Clone Wars.

Videocast SEM spoilers

Videocast COM spoilers

 

Comente!

  • Kymberlin em 08/01/2016 às 15:23

    Concordo com o Marcio Rebello e o Cristiano André Quoos, muitas coisas fugiram da história, quando assisti o trailer que foi muito foda pensei tomara que eles não façam merda, e não deu outra.

  • Cristiano André Quoos em 08/01/2016 às 10:49

    Concordo plenamente com o Márcio Rebello, achei o filme decepcionante. Têm certas coisas que deviam ficar como estão. Estragar uma das séries mais queridas é no mínimo um crime !

  • marcio rebello em 06/01/2016 às 18:49

    Achei o filme ruim e sem pretensão alguma, a heroína é fraca, o vilão é muito medíocre (alias seria uma covardia comparar qualquer vilão do cinema com Darth vader), o diretor se perde pois não consegue construir um herói e nem um vilão, tudo é muito mal explicado como as habilidades de um Jedi que a menina possui sem ter treinamento algum. O diretor precisa matar um dos personagens mais icônicos do cinema para nos fazer odiar o vilão. Não se sabe se o filme é um remake ou uma continuação, agora não venham me dizer que tudo sera explicado no próximo filme que não cola, estamos aqui para criticar o que nos foi apresentado.
    Fiquei chateado pois assisti os epsodeos 1,2,3 e 6 no cinema quando era mais jovem e fiquei encantado ate mesmo com a ameaça fantasma que tinha péssimos atores mais uma historia legal

  • Kenia Suelen em 06/01/2016 às 03:19

    Adorei a crítica e estou apaixonada por esse filme! Assisti apenas uma vez no primeiro domingo após a estréia e desde então penso nele diariamente. Alguns se incomodam por ser parecido com o episódio IV, mas eu achei fantástico pois cada referência aos episódios anteriores aqueceu meu coração. Eu fico muito feliz pela personagem central ser uma mulher, e apesar de gerar incredulidade naqueles que não gostaram, eu gosto da Rey exatamente como foi criada: repleta de habilidades. Fiquei emocionada com a aparição dos antigos personagens e vibrei ao conhecer os novos heróis dessa incrível jornada. São cativantes! BB8 no meu coração forever!! :)

  • GregkoryDOX em 28/12/2015 às 22:16

    O filme é muito bom. No entanto, como é que os caras inventam um vilão que ainda não completou seu treinamento no lado negro da força, mas ao mesmo tempo consegue paralisar um disparo de arma laser no início do filme? INSANO!!! Nenhum outro personagem em qualquer momento dos episódios anteriores fez algo parecido.

  • Robertmi em 21/12/2015 às 03:56

    Desculpa aí, mas existe muuuita coisa sem atenção merecida aos princípios de Star Wars ,mas o filme está bom.

    Bom, PRIMEIRAMENTE a muleca lá, pilota a Millenium com maestria demais nas manobras e sem saber o que estava fazendo ou está mal explicado até porquê ela era simples catadora de lixo e não inventava nada , não pilotava "Naves" , não fazia algum tipo de corrida ou fazia algo relacionado, apenas pilotava um veículo.

    SEGUNDO, quem nunca segurou um Sabre de Luz e sem um único ensinamento iria lutar com um vilão, mesmo estando feridinho? Finn deu testa demais com Kylo Ren e muito menos a Rey, poderia fazer o mesmo, no máximo só poder Jedi da Força mesmo, agora Sabre de Luz? Faltou um pouquinho lapidada nisso, como aparecer lá em Espiríto tipo como Obi-Wan ficou com Luke ou quem quer que fosse pra dar pelo menos um direcionamento no decorrer e talz...
    Kylo Ren achei que teria um impacto maior, mas ficou provado que ele ainda será mais elaborado.

    POR ÚLTIMO, eu como apreciador da SAGA odiei ver um digamos que Chefão Sith ou sei lá o que é aquilo que mais parece um ALIENÍGENA do que um Lord Sith. Não teve aquele clímax de mistério, quem será? Rosto encoberto, capuz negro e por aí.

  • Vinícius Nakashima em 20/12/2015 às 20:56

    CarlosR, acho que é mais um recurso pra contrapor esse filme ao excesso de efeitos digitais que foram usados nos prequels. Tem uma entrevista que o Mark Hammil comenta que, na época do Retorno de Jedi, o George Lucas pediu pra ele sempre segurar o sabre com as duas mãos, pra demonstrar que ele é pesado. Uma ideia que depois ele abandonou, mas nesse 7º filme fez sentido, até pelos personagens não serem completamente treinados na força.

  • Silvana em 20/12/2015 às 12:01

    Muito boa a crítica!
    Fiz como você sugeriu: assisti primeiro o vlog sem spoilers e, logo após ver o filme, vi o com spoilers.
    Achei impressionante a percepção do Luca sobre certos aspectos técnicos do filme, que me passaram completamente despercebidos, o que prova que filho de peixe, peixinho é. rs
    Gostei muito, como vários aqui eu ri e chorei em diversos momentos. Ansiosa pelo próximo filme da saga, já que realmente ficou um 'buraco' para explicar diversos elementos e problemas para chegarmos aonde o filme começa.
    E reforçando a crítica de Vinícius Nakashima, (spoiler) como assim a República é destruída de forma tão rápida e sem maiores consequências?
    Isso não desmerece o filme, claro, mas ficou um tanto superficial.
    E quero um BB-8 pra mim!!!!

  • oefuupomel em 20/12/2015 às 06:17

    Vinícius Nakashima, porque os sabres de luz teriam peso se as lâminas são feitas de energia?

  • oefuupomel em 20/12/2015 às 05:35

    "Admirável ao fugir do velho padrão dos protagonistas encarnados por homens brancos e heterossexuais"

    E ainda assim a protagonista do filme é uma mulher branca e heterosexual. Co-protagonistas negros e latinos não são novidade alguma, eles existem desde a década de 80.

    Porque não uma protagonista negra e homosexual? Não existem mulheres negras no filme, aliás não existe nenhum personagem homosexual. Engraçado que para Hollywood, diversidade tem limite e só existe quando é algo comercialmente seguro. No caso de Star Wars 7, uma protagonista branca não é arriscado já que Jogos Vorazes foi lançado recentemente e provou ser um sucesso. Porém a diversidade cessa quando os produtores executivos sentem que o limite está transbordando, ou seja, o filme corre o risco de lucrar menos do que poderia.

    O dia que Hollywood lançar um blockbuster com diversidade de VERDADE eu irei elogiá-los

  • ozsonui em 19/12/2015 às 22:48

    Boas observações, Vinícius Nakashima

  • Vinícius Nakashima em 19/12/2015 às 21:40

    Comentário cheio de SPOILERS.

    Gostei muito do filme, tem todo o impacto/emoção de rever a história de que somos fãs nas telas. Recupera o foco na aventura, que ao meu ver é a essência se Star Wars. No meu ranking, fica como o 3º melhor filme, mas ainda que entenda que o objetivo foi reapresentar o universo da saga pra uma nova geração e satisfazer os antigos fãs, tenho algumas observações (boas e ruins) sobre o filme:

    -Pra mim ficou claro que o foco foi no desenvolvimento dos novos protagonistas. O roteiro foi todo pensado no desenvolvimento dos personagens e o fato de usar o Luke só na última cena, objetiva não tirar o foco destes novos protagonistas e fazer uma transição progressiva da antiga para esta nova saga. Nisso, gostei muito, até achava que o Luke ia salvar o dia, mas a escolha do JJ deu mais força ao papel da Rey como nova heroína da história.

    -Os novos atores são sensacionais, fazem toda a diferença no filme. Que escolha do elenco, é até difícil escolher se seu personagem preferido é a Rey, Finn, Poe ou até o BB-8. Outra coisa é como estes novos personagens tem personalidades que referenciam os personagens clássicos (Leia, Luke e Han), ao mesmo tempo em que têm características de cada um deles. Olhando a princípio, a Rey seria uma nova Luke, mas também assume um papel de Han Solo. O Poe teria um jeito de Han Solo, mas faz a função do Luke como piloto dos rebeldes.

    -Apesar de não estar 100% consolidado nesse filme, Kylo Ren me parece ser o melhor personagem da nova trilogia, é o que tem o conflito mais interessante e com mais camadas a serem exploradas. Tem uma personalidade incomum para um Lorde Sith, é imaturo, impaciente, bruto e inseguro. Sua relação com o capacete deixa isso bem claro, em todas as vezes que ele tira a máscara, revela sua fraqueza e é derrotado - seja no jogo mental contra Rey ou na batalha com o sabre de luz. Kylo também é o elo dos fatos que aconteceram antes desse filme, assim como tem o ótimo conflito de ser seduzido pelo lado da luz. Enquanto o futuro da Rey parece previsível (vai iniciar o treinamento com Luke e enfrentará o Grande líder da Primeira Ordem), Kylo Ren pode ter diversos destinos, ainda que o mais óbvio seja sua conversão para o lado da luz.

    -As cenas de ação são as melhores de toda franquia pra mim, muito pela tecnologia 40 anos avançada em relação ao filme de 77, quanto pela fotografia e direção que, mesmo sendo o 7º episódio da franquia, consegue causar o mesmo impacto e os olhos arregalados dos fãs, como se estivessem vendo aquilo pela 1ª vez.

    -Destaque para as lutas com o sabre de luz, também minhas preferidas da saga. Isso se deve a um fator que parece básico, mas foi executado de verdade pela primeira vez: o uso da física nas lutas. Dá pra sentir o peso que tem o sabre de luz e o esforço que os personagens fazem para atacar com o oponente. Claro que ninguém ali tem treinamento completo nas artes da força (o que deixa a luta mais crua e brutal), mas me transpareceu maior realismo e intensidade na cena, em comparação ao balé que são as lutas dos prequels (o que, apesar de ser uma opção oposta, não deixa de também ser legal).

    -Como muito se falou, o maior problema do filme é a total falta de originalidade da trama, uma cópia do Ep. IV. O culme do vacilo ao meu ver é usar uma nova "estrela da morte", que é 10x maior que a original, mas é destruída muito mais rápido e sem 1% da intensidade/importância da destriução da arma mortal antiga.

    -O roteiro tem diálogos superiores aos dos escritos pelo George Lucas, mas também traz furos importantes, como a não inteligência dos rebeldes ao perceber a construção de uma nova arma mortal, assim como a destruição da capital da república sem que não haja nenhuma consequência disso na trama. Ora, destruíram a capital do negócio, mataram milhões de seres e só se viu rostos tristes, mas nenhuma consequência fundamental.

    -Entendo a opção de não focar no lado político da história, isso permite um envolvimento mais fácil do novo público e deixa a trama mais direta e focada na aventura (o que no geral, me parece um acerto). Ainda assim, ter 0% de explicação sobre o papel da República - não se sabe se vive uma GuerraFria contra a Primeira Ordem, ou qual sua relação direta com a Resistência - é um erro e prejudica na percepção do tamanho da ameaça que é a Primeira Ordem, no tamanho do medo e do controle que ela exerce sobre as pessoas. Isso faz com que a cena que emula o discurso de Hitler se torne artificial e o espectador não sinta o temor pelo que a utilização da StarKiller pode provocar.

    -Outra coisa é a facilidade com que Rey e Finn enfrentam Kylo Ren na floresta gelada. Ainda que o vilão estivesse ferido e sem o capacete (a meu ver fundamental para sua autoconfiança), ele era iniciado na força e tinha parte do treinamento para ser um Darth. Era mais do que o suficiente para ganhar com facilidade do Finn, que quando consegue atingir o ombro do Kylo Ren mostra uma fragilidade do vilão que não corresponde ao seu poderio intimidador do início do filme. Um cara que para um tiro de blaster sem olhar não pode sofrer um ataque de um ex-strormtropper sem treinamento que nunca tinha visto um sabre de luz na vida. E ainda que a Rey tenha um poder incomum com a força, ela domina a técnica de luta de forma instatânea, o que levou 2 filmes pro Luke e bom tempo pro Anakin, ela consegue em questão de 3 minutos.

    Por fim, entendo que temos que enxergar esta nova trilogia como uma história realmente dividida em três partes, seguindo a escola do Nolan com seus filmes do Batman. Só teremos um real panorama se a narrativa é boa ou não ao fim do episódio IX. Mas isso não prejudica em nada o impacto do filme como si só, somente deixa mais perguntas e ansiedade para que chegue logo 2017. Mal posso esperar.

  • Luis Tiago de Mattos Ferreira em 19/12/2015 às 16:47

    Vi o filme novo ontem (e sem spoliers claro, pois ñ sou babaca) só digo o seguinte:

    Q FILMAÇO!!!! acho q vcs vão gostar quem ainda ñ tenha visto! Homenageia o IV e ainda assim consegue colocar novos elementos e dar novo rumo a esse universo...

    Me diverti, me emocionei, ri, chorei e torci pelos novos e pelos velhos heróis... P mim só ñ bate o V mas fica perto...

    Xonei no BB-8 e principalmente na Rey e já me sinto brother do Finn e do Poe! hahahaha

    Kylo Ren tem tudo p ser o maior vilão da serie.. sim eu acho q ele foi melhor nesse q o Vader no IV... mas como o Vader se torna quem é somente no V e encerra magistralmente no VI... o Ren ainda tem q continuar comendo muuuuuuito feijão p chegar lá... mas o começo foi sim promissor...

    Meus caros... q filme lindo... fiquem tranks q melhor q A Ameaça Fantasma ele é! ;-D

  • ozsonui em 19/12/2015 às 14:39

    Desculpem a falta de revisão no comentário que fiz.

  • ozsonui em 19/12/2015 às 14:37

    Uma coisa é o Lucas construir um história baseada em elementos já existentes em fazer um mix. Outra, é a própria saga repetir as mesmas fórmulas? É nostálgico, emociona em alguns momentos? Claro, mas por que não fazer isso e isso um mínimo que fosse de criatividade? A Estrela da Morte foi destruída duas vezes e alvo de críticas por isso, (SPOILER) mais uma vez temos que tolerar o mesmo esquema? Desculpem, mas com tantas tramas em séries, repetidas ou não e raramente em alguns filmes (já que vivemos há tempos o constante déjà vu cinematográfico), repetir essa fórmula me parece até um insulto. Não, não consigo ver rimas ou refilmagens. É muito tempo e empenho gato para apresentar um mais do mesmo. Poderia ser uma mais do mesmo (já que estamos falando de tudo um universo fechado naqueles elementos) mas apresentando algo realmente novo.
    Enfim, as referências nazistas chegam a ser irritantes e de alguma forma vc se referiu a ela na crítica. Mas num universo muito distante ter uma composição parecida com elementos (tristes sim, mas dispensáveis) de nossa história, e que era mais sutil nos primeiros filmes, também chegam a constranger.
    Rever os velhos personagens foi muito bom, mas a tal rima não me cai bem...rebeldes?
    Espero uma explicação mais adequada nos próximos.
    Quanto aos filmes da segunda trilogia, eliminando a Ameaça Fantasma, mesmo cm o excesso de efeitos digitais, possuem um trama um pouco mais elaborada.
    Quanto às referências de transições, letreiros, planeta na primeira cena...ops....isso já faz parte de um padrão da saga. Não um enorme mérito por J.J. Abrams por mantê-las. O mérito, por acaso é apresentar um cruzador eclipsando o planeta, e aí sim, esse grande diretor deixa não só essa como outras marcas de sua genialidade.

  • Larissa Bohnenberger em 19/12/2015 às 13:47

    Crítica maravilhosa, que me trouxe de volta a emoção que eu senti vendo o filme. Na minha opinião, J.J. Abrams foi muito feliz em na escolha de repetir a estrutura do filme original. O maior problema dos episódios I, II e III pra mim é que eles não parecem fazer parte do universo Star Wars. O episódio VII resgata aquilo que mais atrai os fãs da saga e realmente nos leva de volta a trilogia original da melhor forma possível. Os protagonistas são carismáticos o suficiente pra que a gente os abrace como se sempre tivessem feito parte da saga. Me emocionei e ri o filme inteiro, alternadamente. E a cena final é realmente linda!
    Ah, Pablo, tu não falou nada sobre o 3D do filme... Gostou? Ainda não vi no IMAX, queria saber a tua opinião.

  • ucejamukos em 19/12/2015 às 13:28

    Outra coisa! Acho que a representação das minorias não foi algo assim tão natural como vocês falaram no vídeo! [SPOILERS A PARTIR DAQUI] ###############################Apesar de engraçada, a cena de Finn pegando a mão de Rey para correr é algo desnecessário e só acontece para que ela possa dizer que aprendeu a correr sem dar a mão. Quando Solo fala para Finn algo como "as mulheres sempre descobrem os nossos segredos", há aí uma essencialização do comportamento feminino. Algo que só se salva porque 'casa' bem com a personalidade machista e meio cafajeste de Solo. Por fim, me incomodou bastante Finn ser usado como o alívio cômico. Só faltava ele morrer no final, como acontece em todo filme de ficção ou de terror ou de fantasia em que o personagem negro faz as vezes de alívio cômico! Bom, quase que ele morre, né?!

  • ucejamukos em 19/12/2015 às 12:16

    Ou o fenômeno Netflix instituiu agora que o(a) primeiro(a) episódio (temporada) é um prequel, uma introdução para o desenvolvimento da trama nos (nas) episódios (temporadas) seguintes ou daqui a um mês, quando baixar a emoção atiçada por toda a campanha publicitária tão bem engendrada pela Disney, veremos que este Episódio VII vai até redimir os Episódios I, II e III! Um filme de aventura e fantasia bem mediano, meio infantil devido ao excesso de momentos 'fofinhos' e engraçadinhos, que apela muito para o emocional dos fãs antigos (entre os quais se encontram os formadores de opiniões que são os primeiros a lançar as criticas e resenhas sobre o filme) e praticamente repete uma história já contada anteriormente. Um filme que demonstra a fragilidade da franquia cinematográfica, na medida em que não avança para além da estrutura narrativa que lhe consagrou e fica muito aquém das possibilidades já exploradas pelo Universo Expandido em outras mídias.

  • Richardor em 19/12/2015 às 11:48

    Comentário com Spoilers...



    Pablo,

    Ainda que tenha gostado muito do filme. Ainda que os ache bem melhor do que os episódios I, II e III. Não posso negar que alguns aspectos do filme me incomodaram. Óbvio que eles não comprometem a experiência, mas acendem o alerta para os filmes vindouros. Para ser curto irei pontuar:

    1) O filme gira entorno de um personagem antigo, daí que fica o questionamento: apesar do bom desempenho dos atores novatos será que eles terão força para segurar a saga comm a saída de Leia e Luke?

    2) Luke demora um filme todo para dominar razoavelmente a força, mas Rey rapidamente torna-se mais forte do que um iniciado, no caso Kilo.

    3) A primeira ordem constrói uma estrutura bélica maior que a estrela da morte, mas os rebeldes nunca perceberam?

    4) Ora, Luke é poderoso, por que sumir? Por que fracassou com Kilo? É muito pouco para desaparecer.

    Bem, são alguns questionamentos... O filme é muito bom!

  • bigoxgucuki em 19/12/2015 às 11:01

    Emocionei-me de novo ao ler essa crítica. Obrigado, Pablo!

  • hefupiyocebi em 19/12/2015 às 10:48

    Assistir o filme foi uma experiencia cinematografica, pois não é sempre que vc assiste e vê o público ficar aplaudindo por cada cena chave. Visitem o meu blog de cinema e leiam a minha opnião sobre o filme: http://cinemacemanosluz.blogspot.com.br/2015/12/cine-dica-em-cartaz-star-wars-o.html

 

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