Poster: A Grande Aposta

 

 

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Banner: A Grande Aposta

Datas de Estréia: Notas:
Brasil Exterior Crítico Assinante Distribuidora
14/01/2016 23/12/2015
Paramount Pictures

Sobre o autor da crítica:

Pablo Villaça, 18 de setembro de 1974, é um crítico cinematográfico brasileiro. É editor do site Cinema em Cena, que criou em 1997, o mais antigo site de cinema no Brasil. Trabalha analisando filmes desde 1994 e colaborou em periódicos nacionais como MovieStar, Sci-Fi News, Sci-Fi Cinema, Replicante e SET. Também é professor de Linguagem e Crítica Cinematográficas.

Dirigido por Adam McKay. Roteiro de Charles Randolph e Adam McKay. Com: Steve Carell, Christian Bale, Ryan Gosling, Marisa Tomei, Rafe Spall, Hamish Linklater, Jeremy Strong, John Magaro, Finn Wittrock, Adepero Oduye, Karen Gillan, Margot Robbie, Selena Gomez, Melissa Leo e Brad Pitt.

Suponham que eu tivesse produzido um filme por 200 milhões de dólares e, depois de finalizar o projeto, constatasse que o resultado desastroso seria incapaz não só de atrair um único espectador, mas mesmo de convencer qualquer dono de cinema a exibi-lo. Agora imaginem que, ciente de ter um prejuízo imenso em mãos, eu mesmo assim o vendesse para outros produtores sem permitir que soubessem o que estavam comprando, já que, confiantes no sucesso de todos os longas que produzi nos anos anteriores, estariam seguros de estar fazendo um bom investimento. Mais: e se eu dissesse que, neste cenário, o Cinema em Cena seria o único site de críticas da Internet mundial e que eu o usaria para, assim que o tal filme fosse vendido, publicar um texto revelando sua podridão, condenando seus novos donos a arcar com a perda? Absurdo e imoral, certo? Pois foi basicamente isso que as principais instituições financeiras fizeram na segunda metade dos anos 2000, praticamente levando toda a economia mundial ao colapso.

Obra excepcional que poderia formar uma sessão tripla revoltante ao lado de Margin Call e do documentário Trabalho Interno, A Grande Aposta conta justamente a história por trás da crise que tomou conta do planeta em 2008 ao nos apresentar a alguns personagens (baseados em figuras reais) que não só previram o que estava para acontecer como usaram o mercado contra si mesmo, apostando no colapso do sistema financeiro norte-americano que, agindo de forma criminosa graças à falta de regulamentação, transformou títulos hipotecários, as dívidas colateralizadas a partir destes e outros instrumentos especulativos em uma bomba-relógio com alto poder destrutivo.

Hein? Você já sentiu as pálpebras pesando apenas ao ler a expressão “títulos hipotecários”? Pois acredite: este é um risco que o excelente roteiro de Charles Randolph e do diretor Adam McKay antecipou e se preocupou em contornar. Estruturado quase como uma comédia, A Grande Aposta tem plena consciência de que a terminologia adotada pelo mercado financeiro (e criada justamente para confundir os leigos), embora fundamental para a trama, é também uma armadilha narrativa das mais complicadas e, assim, emprega analogias bastante didáticas para explicá-las, divertindo também ao assumir estar disposto a qualquer estratégia para evitar a monotonia – como, por exemplo, ao trazer celebridades como Selena Gomez, Anthony Bourdain e Margot Robbie decifrando os termos para o público (a ponta de Robbie traz o bônus de remeter a outro título sobre os excessos do mundo financeiro, O Lobo de Wall Street).

Desta forma, ao longo de seus 130 minutos, esta produção traz personagens pedindo que outros repitam informações, quebrando a quarta parede (ou seja: falando diretamente com o espectador) e assumindo o papel de guias de um universo tomado por discussões sobre “credit swaps”, “CDOs” e “classificação de risco”. Dinâmico em sua linguagem, o longa usa múltiplos narradores para manter a agilidade da narrativa e – o mais instigante – constantemente retrata incidentes a partir do ponto de vista destes (quando o investidor interpretado por Steve Carell diz estar se sentindo em “um vídeo de Enya”, vemos passarinhos cantando e casais se beijando na rua, por exemplo).

Este dinamismo fundamental de A Grande Aposta pode também ser observado na ótima montagem de Hank Corwin, que frequentemente investe em sequências paralelas, jump cuts (cortes secos) e em flash forwards que mantêm a plateia ativamente envolvida no processo de (des)construir o filme – e a elegância do trabalho de Corwin pode ser constatada, para citar apenas um momento, na cena em que Carell discute a morte do irmão com a esposa pelo celular e subitamente a conversa com esta no presente é intercalada com outra que manteve com aquele no passado. Da mesma maneira, Adam McKay e o diretor de fotografia Barry Ackroyd adotam uma câmera sempre inquieta que, com seus quadros oscilantes e zooms recorrentes, sugerem ao mesmo tempo tensão e vitalidade. Para completar, o fabuloso design de som encanta ao usar a falta de linearidade da narrativa para criar efeitos surpreendentes – como, por exemplo, ao adiantar os risos que surgirão na cena seguinte para criar, na conversa entre Carell e um especialista inescrupuloso, um efeito de claque de sitcom diante do absurdo das revelações feitas por este.

São decisões como esta, diga-se de passagem, que comprovam a vantagem de se ter um diretor especializado em comédias (O Âncora, Quase Irmãos) comandando um projeto como este, já que McKay não hesita em acrescentar toques de nonsense a cenas que outros encarariam como puramente dramáticas: em certo instante, quando dois personagens confrontam uma executiva de uma agência de risco, esta (interpretada por Melissa Leo) surge usando peculiares óculos escuros em função de uma visita ao oftalmologista, o que lhe confere um aspecto absurdo enquanto serve de comentário sobre a cegueira das instituições para o desastre que estavam fomentando. Já em outro momento, certo incidente importante é exposto pelos próprios personagens como sendo diferente do que aconteceu na realidade, já que a versão vista no filme é mais interessante – o que permite que o longa possa ao mesmo tempo ser honesto sobre as liberdades criativas que toma e ainda se beneficiar destas. Por outro lado, o cineasta compreende a seriedade do que está retratando, buscando, por isso, nos lembrar sempre do custo humano de toda aquela especulação ao trazer imagens de pessoas que perderiam seus lares e suas economias na crise que estava por vir.

Contando com um elenco coeso que cria personagens marcantes tanto em suas características físicas quanto emocionais, A Grande Aposta traz Steve Carell em mais uma bela atuação dramática (mesmo com fortes tons cômicos) depois de seu desempenho em Foxcatcher. Eficiente ao retratar aquele que serve como a bússola moral da obra, mostrando-se repugnado diante da ganância e da irresponsabilidade de seus pares, Carell faz um ótimo contraponto ao executivo vivido por Ryan Gosling, que, mesmo demonstrando compreender os abusos de Wall Street, não se preocupa em fingir ser diferente dos colegas – e sua honestidade ao admitir isso acaba tornando-o paradoxalmente simpático aos olhos do espectador. E se Brad Pitt faz praticamente uma ponta glorificada (ele é um dos produtores do projeto, vale apontar), Christian Bale oferece a performance mais marcante do longa ao encarnar Michael Burry, impressionando tanto em sua composição física (movendo predominantemente o olho direito enquanto mantém o esquerdo quase imóvel a fim de sugerir o olho de vidro do Burry verdadeiro) quanto psicológica ao demonstrar os efeitos antissociais da síndrome de Asperger, já que evita encarar seus interlocutores, murmura para si mesmo e sorri em momentos “errados” por ser incapaz de compreender sutilezas nas expressões daqueles que o cercam. (E é igualmente importante constatar como McKay mantém Bale sozinho no quadro em praticamente todas as cenas, acentuando seu isolamento social.)

Sem buscar disfarçar a própria raiva e o sentimento de revolta diante da natureza criminosa do sistema financeiro, A Grande Aposta revela as consequências da falta de regulação do mercado que dez em cada dez liberais discípulos de Milton Friedman e Alan Greenspam encaram como mandamento bíblico e que permite, por exemplo, que funcionários de órgãos “fiscalizadores” (entre aspas mesmo) confraternizem com membros das corporações que supostamente deveriam fiscalizar (ou mesmo que larguem seus empregos para trabalhar para estas empresas, já que não há nenhuma punição para este tipo de atitude). Expondo a perigosa combinação de arrogância e estupidez que definia muitos daqueles colocados em posições-chave no mercado financeiro, o filme ainda denuncia a cumplicidade da mídia – mesmo que apenas por omissão – diante dos descalabros do mercado e também sua disposição para ajudar Wall Street a culpar, pelos resultados de suas próprias ações, justamente aqueles que foram por estas afetados: imigrantes, famílias de classe média e mesmo professores.

E assim, quando vemos alguns indivíduos morando sob uma ponte em um rápido plano no terceiro ato da projeção, somos obrigados a reavaliar toda a dimensão de um sistema completamente corrompido e a indagar quem são de fato os grandes parasitas da sociedade moderna: os miseráveis que os conservadores adoram culpar pelos gastos com programas de auxílio por parte do Estado ou os financistas e especuladores do infame “mercado”, que, em busca de lucros exorbitantes para suas corporações e para si mesmos, não hesitam em assumir posturas criminosas e de natureza sociopata que não só dificilmente são punidas como acabam sendo mesmo recompensadas pelos mesmos que deveriam reprimi-las?

Com isso, A Grande Aposta se solidifica não apenas como um grande filme, mas como um protesto importantíssimo, estabelecendo-se como uma das melhoras obras de 2015 - mesmo enviando o espectador para fora da sala de projeção com um profundo sentimento de revolta, desânimo e desilusão.

14 de Janeiro de 2016

 

Comente!

  • fernando henrique Antony em 30/09/2016 às 14:17

    esse filme é muito bom

  • Júlia Junqueira em 18/02/2016 às 14:44

    Excelente filme e excelente crítica!

  • Maurício Mandelli em 13/02/2016 às 23:58

    Para aqueles que comentaram que o culpado pela crise financeira foi, claro, o governo (usando como fonte o Instituto Mises):

    "While the movie gets the essentials of the financial crisis right, the true story of what happened is deeply inconvenient to some very rich and powerful people. They and their intellectual hired guns have therefore spent years disseminating an alternative view that the money manager and blogger Barry Ritholtz calls the Big Lie. It’s a view that places all the blame for the financial crisis on — you guessed it — too much government, especially government-sponsored agencies supposedly pushing too many loans on the poor.
    Never mind that the supposed evidence for this view has been thoroughly debunked, or that before the crisis some of these same hired guns attacked those agencies not for lending too much to the poor, but for not lending enough."

  • Gabriel Castello Costa em 08/02/2016 às 15:51

    Gostei do filme, e é fato que não se trata de uma obra que pode ser apreciada sem ter alguma carga de informação sobre jargões e termos técnicos de Macro economia, mesmo havendo esquetes de esclarecimento sobre a complexidade do tema, o quê, corajosamente é muito bem feito pelo filme e seus produtores, pois em películas que trazem temas complexificantes é alto o risco de se vender um sonífero de ação letárgica que aborreça o grande público.
    De fato compreendi grande parte do filme (até por ser formado em História) e achei o mesmo um ótimo exercício de problematização de uma realidade que está na cara das "pessoas comuns", mas que não é questionada (fazendo referência a própria cena de Steve Carell citando Ênia). Outro ponto bastante importante foi a maneira que a película aborda as consequências catastróficas desta especulação gananciosa demonstrando o que isso afeta a ponta de cima da pirâmide social (grandes empresas financeiras representadas com perdas de bilhões) e o que isso afeta o trapézio abaixo (trabalhadores comuns com perda do emprego, casa etc.). Assim como o absurdo que é a concentração de renda demasiada nas mãos de quem não produz "de fato" nada (o que é demonstrado magistralmente em "O Lobo de Wall Street" no diálogo entre Matthew McConaughey e Di Caprio: Huuum uh, huum uh...hehehe ).
    Quanto a discussão sobre a posição política apresentada nas resenhas. Acho maravilhoso quando se exerce constantemente esta honestidade crítica, tanto da parte do Pablo quanto de outros cronistas que acompanho.

  • Rodrigo em 04/02/2016 às 13:43

    Acompanho você Pablo desde sua comunidade no finado orkut, muito gentil e atencioso, talentoso e quase uma década depois, se tornando para mim e muitos outros, o melhor crítico em atividade no Brasil. Acho muita gente boba em criticar seu posicionamento político e ideológico...eu acompanhava o seu facebook e existe lá uma cruzada de valores, que na verdade acrescenta muito pouco na qualidade do profissional que você é... Você é um referencial no papel de crítico, suas opiniões são pontuais e relevantes e muitos filmes que iriam passar desapercebidos por mim, assisti por ler seus magníficos textos. Obrigado pelo seu trabalho.

  • DENIZ FERLIN em 30/01/2016 às 23:56

    Excelente crítica,
    Uma visão coesa e uma análise honesta sobre o filme. O filme explana bem a questão política quando relata que independente do que aconteça, o lado mais frágil sempre carregará a culpa pela ganancia de quem está embebido de poder.
    Algumas pessoas são impotentes de entender este lado do diálogo, para eles(as) paciência.

  • Tiago Cefas de Queiroz em 28/01/2016 às 12:56

    A crítica é boa até o momento que aparece a posição política.
    Realmente não há problema em manifestar posição política e pessoal na crítica. O problema é se manifestar sobre algo que não conhece bem e acabar falando besteira!
    O filme mostra apenas a ponta do iceberg. O que o FED e o governo fizeram, que gerou todo esse cenário, ficou de fora.

  • Claudia Gehres em 23/01/2016 às 20:39

    Ótima crítica!
    Gostaria de dizer que como muitos de seus leitores, não vejo problema algum que manifeste suas posições políticas (ou de qualquer gênero), pois muitos filmes - e a arte em geral - propõem discussões deste gênero. Abraço.

  • Ricardo Peters do Vale em 22/01/2016 às 15:18

    "O culpado da crise financeira não foi a "ganância" de Wall Street, mas sim as políticas monetárias e de crédito fácil do Federal Reserve (o Banco Central americano) e do próprio governo americano. Wall Street ficou bêbada, mas quem serviu as bebidas foi o Fed e quem obrigou as pessoas a se embebedaram foi o governo americano por meio de políticas voltadas para a facilitação da aquisição de imóveis. É estranho que esses dois tenham ganhado um passe livre no filme. O filme, aliás, mal alude a qualquer fator exógeno.
    Por isso a turma defensora de mais regulação está vibrando. Aos espectadores do filme não é fornecida nenhuma informação explicativa sobre os verdadeiros fatores causadores da crise financeira. Consequentemente, esse vácuo é preenchido pela mera afirmação de que os bancos simplesmente adoram espoliar as pessoas, o que é verdade, mas culpar apenas os bancos é desonestidade intelectual e pura manifestação ideológica."
    Fonte Instituto Mises

  • Paulo do Valle em 22/01/2016 às 03:06

    Virou hábito ver um filme e depois ler a crítica aqui! E é sempre muito bom perceber e gostar de pontos destacados por você! Realmente A Grande Aposta é um filme complicado se tratando de termos técnicos pra leigos. Mas é muito gostoso a forma como a direção acerta a mão na hora de suavizar isso para o espectador. Um detalhe besta, mas que gostaria de destacar é o fato do papel mais dramático do filme ficar nas mãos do Steve Carell que, claro, dá também um toque cômico ao personagem, em contrapartida o papel dado ao Ryan Gosling, ator mais dramático, é o mais engraçado do filme.
    A verdade é que você sai do filme sabendo que manja muito pouco dessas treta de economia , mas com uma aula criativa do que rolou em 2008. Ou seja: entendendo os termos ou não, o filme escancara como o capitalismo cria canalhas (e não estou falando dos protagonistas)

  • Patrícia Paiva em 22/01/2016 às 01:21

    É sempre difícil ver um filme quando ele exacerba em termos e conceitos técnicos sobre o tema, principalmente se você é meio leiga sobre economia como eu; seria preferível ler um pouco mais sobre a crise de 2008. Ainda assim, A Grande Aposta procura no didatismo fazer com que o público fique mais confortável e possa entender a ideia geral, observando os acontecimentos da história, de seus personagens, sentindo parte da tenção daquele momento de colapso econômico com um toque de humor. Se for como eu, vai patinar em algumas coisas, mas no geral, dá pra entender e dar boas risadas.

    Gente, como fazer uma crítica com um teor desses sem colocar a impressão política e econômica?Ou se aprende a ler a crítica debatendo sobre os fundamentos nela colocados, ou corre para outros críticos que encerram suas impressões em tecnicismo ou resenhas superficiais; tá cheio por aí. Essa crítica, como tantas outras, me auxiliou muito, principalmente na analogia inicial que o Pablo fez sobre investimentos em cinema. Os pontos abordados sobre a canalhice de investidores e especuladores por trás do caos econômico não é só da crítica, eu penso que o filme deixou esse direcionamento ao mostrar o que de fato ocorre na trama entre os envolvidos. Mas, cada um interpreta de acordo com seus conhecimentos, valores, feeling etc, acho ótimo a opinião dentro da crítica. Discordar é um direito.

  • Luiz Felipe Pereira de Carvalho em 19/01/2016 às 18:59

    Curioso criticar uma crítica mesmo sem ter visto o filme, Diego. Só para citar um exemplo, a questão dos jargões é explicitada no filme, inclusive em relação ao seu aspecto propositadamente hermético. Portanto não é algo que o Pablo tenha "inventado". Assisti ao filme ontem, e a crítica não diz nada que o próprio filme já não diga, aliás com muito mais eloquência. Abraços

  • Alexandre em 17/01/2016 às 16:21

    Pablo, suas críticas sobre filmes sempre foram muito boas, mas tem sido prejudicadas pela sua insistência em colocar nelas suas questões ideológicas. No mínimo, Ao falar por exemplo que o sistema financeiro tem natureza criminosa, deixe claro que é um entendimento seu, ou do filme, se não o todo o texto parece proselitismo disfarçado. Abs.

  • Diego Antunes Dias e Sousa em 17/01/2016 às 02:12

    Pablo, apesar de não concordar, respeito sua posição. E ansioso para ver como o filme aborda o tema.

    Novamente, sou um grande apreciador do seu trabalho (e orgulhoso por ser conterraneo, kk).
    Abraço

  • Pablo Villaça em 16/01/2016 às 20:00

    Obrigado, Diego Maia. :)

    E Diego Antunes, você me faz lembrar de quem reclamou que incluí política em minha crítica sobre... "Getúlio".

    Prefiro seguir o exemplo do mestre Roger Ebert, que não se furtava a incluir suas posições políticas, morais, éticas, etc, quando julgava que isso cabia no texto.

  • Diego Maia em 16/01/2016 às 00:33

    Pablo, mais uma vez, obrigado!

    Sou forçado a admitir que você tem se tornado cada vez mais competente. E infelizmente tenho que admitir (novamente) que isso é triste quando se comparado com o grosso dos críticos existentes neste mercado uma vez que estes não se preocupam em defender o novo (quando este se prova genuinamente primoroso) e ridicularizar o costumeiro (Marvel?).

    Canalha!

    Sem pormenores, o filme é umas das melhores obras de 2015. Me arrisco a dizer que seja um filme que comporta um dos melhores roteiros e edição e se arrisca ao trazer um passo rápido e estrutura que não ofende o intelecto do público.

    Mais uma vez, parabéns pelo excelente trabalho!

  • Larissa Bohnenberger em 15/01/2016 às 18:14

    Eu leio a palavra "didáticas" e de repente me sinto incrivelmente burra. Eu já sabia que, com meu conhecimento nulo (pra não dizer negativo) sobre economia e afins, teria alguma dificuldade pra entender o filme, mas não esperava ficar boiando tanto. Achei o ritmo rápido demais para a abordagem de um tema tão complexo, e é óbvio, ao perceber que não estava e que continuaria sem entender patavinas do assunto tratado, fiquei entediada. Extremamente entediada.

    O humor do filme foi outra coisa que não funcionou comigo. Achei as tentativas de fazer rir forçadas e ineficientes. Mas pelo visto fui só eu, porque o restante da minha sessão gargalhou bastante, enquanto eu bocejava ou olhava pros lados com cara de perplexidade.

    Enfim, não foi um filme pra mim... :/

  • Diego Antunes Dias e Sousa em 14/01/2016 às 21:05

    Pablo,
    Sou um fã de longa data do seu trabalho, mas devo dizer que criticas como estas deixam a impressão de uma influência muito grande da sua posição política (como você já expôs em outros momentos). Ainda não assisti a este filme, portanto não posso dizer se esta é a mensagem que ele passa, mas generalizar as instituições financeiras desta forma é como dizer que todo político é corrupto, ou todo desempregado é vagabundo.

    Há uma série de argumentos de ambos os lados, e mais do que isso, há uma série de exceções (para não dizer que as exceções negativas é que acabam manchando a imagem do todo). As principais instituições financeiras incluem, por exemplo, instituições de fomento - controladas indiretamente pelo governo, que funcionam para subsidiar em muitos casos áreas caracterizadas por uma população economicamente desfavorecida.

    A pontuação referente aos jargões do mercado financeiro também é complexa, pois além de terem uma natureza majoritariamente jurídica, e não economica são tão usuais quanto jump cuts e fast forwards da linguagem de filmagem.

    Não que isso seja um argumento a favor de todas as instituições financeiras, ao qual cabem (ou não, dependendo da sua fundamentação) críticas aos modelo de negócio, e em particular esta questão da crise imobiliária teve sim uma demonstração de indisciplina e má fé e desregulação por parte de ALGUNS agentes importantes na economia, mas em resumo, o que generaliza, inevitavelmente discrimina.

    Da mesma forma que é complexo dizer que programas sociais não são pesos para o desenvolvimento economico do país - por mais que tenham seus inegaveis beneficios sociais - também é complexo apontar instituições financeiras como vilãs, sem reconhecer que são uma necessidade da sociedade e historicamente também tenham sido fundamentais para seu desenvolvimento.

 

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