Poster: A Criada

 

 

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Banner: A Criada

Datas de Estréia: Notas:
Brasil Exterior Crítico Assinante Distribuidora
11/01/2017 01/06/2016
Mares Filmes

Sobre o autor da crítica:

Pablo Villaça, 18 de setembro de 1974, é um crítico cinematográfico brasileiro. É editor do site Cinema em Cena, que criou em 1997, o mais antigo site de cinema no Brasil. Trabalha analisando filmes desde 1994 e colaborou em periódicos nacionais como MovieStar, Sci-Fi News, Sci-Fi Cinema, Replicante e SET. Também é professor de Linguagem e Crítica Cinematográficas.

Dirigido por Park Chan-wook. Roteiro de Park Chan-wook e Jeong Seo-kyeong. Com: Kim Min-hee, Kim Tae-ri, Ha Jung-woo, Jo Jin-woong, Kim Hae-suk, Moon So-ri, Lee Dong-Hwi.

A trilogia da vingança do sul-coreano Park Chan-wook apresentou para o mundo um talento que já havia despontado no ótimo Zona de Risco e que viria a ser confirmado nos posteriores Sede de Sangue e Segredo de Sangue. E, agora, neste fabuloso A Criada, que combina os melhores aspectos da sensibilidade do cineasta: sua elegância estética, seu senso de humor sombrio, seu interesse pelo desejo sexual como força incontrolável e, claro, sua obsessão por personagens ambíguos que são mestres em guardar rancor e pensam continuamente em vingança.

Escrito pelo diretor ao lado de Jeong Seo-kyeong a partir do livro de Sarah Waters, este novo longa gira em torno do triângulo amoroso formado pela batedora de carteiras Sook-hee (Tae-ri), pelo trapaceiro “Conde” Fujiwara (Jung-woo) e pela rica Lady Hideko (Min-hee). Quando a projeção tem início, os dois primeiros estão se unindo para aplicar um golpe nesta última – um plano que se torna frustrado quando as duas mulheres se apaixonam.

Com isso, A Criada adiciona o componente de thriller erótico à mistura da narrativa, permitindo que o cineasta dê vazão aos seus mais do que conhecidos fetiches sem que isto jamais pareça mera exploração dos corpos das atrizes, já que as cenas de sexo são encenadas com imensa sensualidade, mas também com um apuro plástico que deixa óbvio o interesse de Chan-wook em lidar com o tema de maneira adulta e elaborada. Aliás, se há algo que não falta nesta obra são planos memoráveis, desde aquele que traz Sook-hee e o Conde conversando sob um túnel formado por árvores secas (que refletem a frieza do que planejam) até outro no qual vemos o Conde e Lady Hideko se beijando em um bosque, quando o contraste entre as cores do quimono da moça e das roupas do sujeito é belíssimo por si só.

Ambicioso também em seu design de produção, concebido pela experiente Ryu Seong-hie, o filme faz uma excepcional recriação de época enquanto reflete em cada ambiente a personalidade de seus ocupantes (como o quarto de Hideko, que é amplo sem ostentar luxo, e a biblioteca de seu tio Kouzuki, que faz questão de fazê-lo). Além disso, a lógica visual, no que diz respeito às cores, acompanha a estrutura surpreendente do roteiro – e é particularmente prazeroso perceber como o roxo que cobre Hideko em dois momentos adquire novos significados a cada vez que os revemos depois de novas descobertas (primeiro, simbolizando sua própria destruição; em seguida, a de outra pessoa; finalmente, a de um terceiro personagem).

E já que mencionei a estrutura narrativa do longa, é bom ressaltar como o diretor é hábil ao levar o espectador a se identificar com os pontos de vista de Sook-hee e de Hideko com eficácia a partir do uso de diferentes off e mesmo de câmeras subjetivas que nos transportam para o olhar de cada uma dependendo do ponto da trama no qual nos encontramos. Contribui para esta identificação, como não poderia deixar de ser, as performances corajosas e viscerais das duas atrizes, que percorrem trajetos emocionais e psicológicos que, mesmo surpreendentes, jamais soam falsos.

Tropeçando levemente em seus dois minutos finais – os únicos que correm o risco de parecer pura exploração -, A Criada é, ainda assim, um filme que faz jus à filmografia de Park Chan-wook e um dos melhores longas exibidos no Festival de Cannes 2016.

Texto originalmente publicado como parte da cobertura do Festival de Cannes 2016.

16 de Maio de 2016

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Comente!

  • Digo Freitas em 19/01/2017 às 11:06

    Assisti ontem... E gostei. Mas acho que quando acontece a primeira virada e tá na metade do segundo ato eu já tinha sacado tudo e perdi um pouco da viagem. Em Old Boy eu saquei o que tinha acontecido também, mas a forma que apresentou novas informações e cenas intensas me manteve mais intrigado.
    É por isso que cada vez mais fujo de pequenos spoilers... Estou sensível demais as informações, mesmo que mínimas.

  • Jorge em 14/01/2017 às 18:59

    Um filme muito bom! As reviravioltas são surpreendentes e plausíveis, respeitando a inteligência do espectador.

 

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