Cães de Aluguel

Se resumisse em sinopses os filmes de Quentin Tarantino em curtos textos estes simplesmente não se diferenciariam em nada de qualquer filme banal policial da década de 80 e 90. Porém, "Cães de Aluguel" adotando uma narrativa inesperada até então, com diálogos divertidos e humanos contrastados extremamente com uma violência crua, certamente Tarantino acabou criando um estilo próprio em Hollywood, tal como uma legião de fãs. Tarantino sabe ironizar a violência por deliberados clichês numa violência gráfica que apesar de impressionante não choca justamente pela inviabilidade crua como um senso estético, não ético-moral tal como em filmes de Spilberg como "O Resgate do Soldado Ryan" que são deliberados por sua vez para comoção da opinião e sensibilidade mediante as atrocidades relatadas nestes.
Sendo desta maneira, a lógica de Tarantino é estritamente estética e visual num estilismo que pelos exageros e ironias sobre a própria violência provoca ao invés de choque até mesmo risos, mas não como de ridículo mas 'cool'. Fica difícil definir tal concepção sem demonstrar-se como um mero normopata, mas certamente ao sair da sala de projeção qualquer mente minimamente sã não irá se divertir ao ver crimes grotescos como de seus filmes nos noticiários, mas sendo um ótimo entretenimento.
Sobretudo, desde já em "Cães de Aluguel" Taratino adota uma postura de quase terapeuta de psicopatas potenciais do mundo da ficção e nos fazendo compartilhar a experiência mostrando um lado curiosamente que dá maior profundidade as mentes pervertidas, sanguinárias e loucas de seus personagens mesmo que muitas vez alguns eventualmente demonstram surtos de lucidez ao tentar sair deste tipo de vida para algo melhor.
Sobre tal aspecto conseguimos até mesmo nos identificar com o assassino cruel Mr.White interpretado por Harvey Keitel ao se sensibilizar com o companheiro baleado do grupo interpretado por Tim Roth, o Mr.Orange que na realidade é um policial infiltrado. Sob tal aspecto mesmo vendo os debates entre White e Pinky demonstram-se como "bons bandidos" pela sensatez que, no entanto, ao ser relatado nos flashbacks demonstrasse que não são exatamente boas pessoas, afinal o próprio White mata dois policiais na frente de Mr.Orange.
Seguindo uma lógica que só ganha complexidade com a estrutura narrativa especialmente de montagem, a escolha do elenco aqui também é crucial para o sucesso do filme contando com alguns dos melhores nomes de Hollywood injustamente mal utilizados em produções normalmente como coadjuvantes ou de filmes de segunda o que era inicialmente o próprio "Cães de Aluguel". Tal conceito segue de forma plenamente funcional em "Pulp Fiction" contratando atores que na época estavam decadentes como John Travolta e Bruce Willis, por exemplo.
O Filme desta maneira é mais que um mero entretenimento, mas uma verdadeira aula de cinema, da montagem a trilha sonora colocando músicas antigas que muitas vezes até provocam risos pela maneira que são encaixadas no contexto tal como os diálogos ácidos e a frieza de alguns personagens. Tendo uma química plenamente funcional sob todos os aspectos, o filme foge de escapismos ou hipocrisias inerentes a personagens que são cruéis e perversos abertamente, mesmo que alguns consigam alcançar a simpatia por transitar entre a linha tênue do heroísmo ao antiheroismo.

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Eu Sou a Lenda (I am Legend, 2007)

Francis Lawrence oriundo do mundo dos videoclipes, no entanto, parece não se entregar aos cacoetes típicos tal como incorre a Michael Bay, mas demonstrando uma carreira promissora tal como David Finsher. Lawrence faz deste "I am The Legend", porém, muito aquém de seu trabalho anterior, "Constantine".
O problema ocorre aparentemente no maquinário comercial Hollywoodiano que para dinamizar o filme leva este a ser mutilado na sala de edição (açougue ideologico-artístico), da mesma maneira que ocorre com o ótimo "Missão Impossível" de Briam De Palma que para dinamizar o longa acabou-se apenas o tornando de difícil compreensão graças a inúmeras cenas amputadas deliberadamente o que torna pendente um lançamento duma edição do diretor. Apesar de tal destruir plenamente a narrativa ou compreensão de "I am Legend" percebe-se claramente tal fato pelo lançamento de duas versões do filme, uma vez não conta apenas com um filme alternativo completamente diferente, mas algumas cenas exclusivas tanto num quanto outro, de modo que algumas coisas ficam pendentes tanto numa versão quanto outra a exemplo da armadilha feita pelos caçadores da Escuridão para Neville, que demonstra algum tipo de inteligência e até civilidade nestes monstros canibais.
Não obstante a feitura dos seres digitalmente soa apenas como uma forma deliberada para meramente destoar dos filmes B do gênero como os de Zumbi concebidos por George A.Romero, por exemplo, falhando parcialmente por acabar sendo um pouco artificial ao contrário do ótimo "Madrugada dos Mortos" mas sendo visualmente não mais que um sofisticado "Resident Evil".
No entanto, Francis Lawerence demonstra seus dotes e até sendo mais sensível que em "Constantine" em relação a condição do personagem Neville interpretado por Will Smith. A situação em que vive é singularmente curiosa psicológica e antropologicamente sendo até mais angustiante que a do personagem Chuck Nolam de Tom Hanks em "Naúfrago", pois aqui Neville é obrigado a se isolar pateticamente para dar espaço a seres estúpidos da Escuridão dominar em sua selvageria bestial o forçando a viver num regressivismo social de extremo trauma pelo que já passou. Francis Lawerence é muito eficaz ao demonstrar tal condição do personagem ao utilizar-se de manequins como forma de Neville tentar imitar uma vida normal ao visitar a locadora o que proporciona por outro lado um tom de sensibilidade humorística até mesmo ao personagem, facilitando imediatamente a identificação do público com este, como forma de suavização do denso e tenso clima vivido por ele todos os dias enquanto secretamente tenta achar uma cura para tais aberrações.
Cenas como a ocorrida após a comovente perda de sua cachorrinha que o leva inicialmente a cumprir "o pedido" de Samantha - Sam, a maravilhosa pastora alemã na realidade interpretado por um macho, que é mais sentimentalmente humano que os monstros digitais - ao conversar com um dos manequins da locadora ,pois aparentemente Neville sente a falta de uma mulher (não somente sexualmente, mas sentimentalmente), dando-se a impressão de ser carente como um pinto de chocadeira, orfão daqule mundo horroroso.
Sobretudo as explicações para tal degeneração da humanidade é explicada pela descoberta do câncer que ao levar alguns a brincarem de Deus na realidade os tornaram em meros Engenheiros do Apocalipse, mesmo que neste caso involuntariamente.
Se estendendo não por tempo suficiente - o filme merecia ser um pouco mais longo e explorar melhor sua relação com a personagem de Ana - justamente pelos problemas comerciais, o filme até que consegue se revelar um agradável entretenimento com alguns momentos de reflexão e discussão temática como a condição do personagem de Neville sendo antropologicamente relevante. A presença da atriz brasileira Alice Braga que tem uma ótima presença mesmo que não tenha sido capaz de demonstrar todo o talento emocional, porém, demonstra um pouco de aparente preconceito em relação a visão um pouco de esteorótipo dos norte-americanos em relação a nós - não, aqui ela não é uma prostituta super-devassa como Morena Bacarin em "Serenity" - mas simplesmente não conhece nem mesmo quem foi Bob Maley, que inclusive dá nome ao título do filme que é igualmente nome de um dos seus álbuns. A Triha sonora, alias, é outro dos pontos positivos da trama, sendo pontuada discretamente pelo sempre interessante James Newton Howard e com algumas músicas do mesmo Bob Marley que soa como um pequeno paraíso sonoro em meio ao deserto de regressivismo moral e social em que vive Neville, contrastando perfeitamente o clima. A fotografia também é digna de nota especialmente pela maneira em que os cenários se desenrolam ao cuidado da produção em tornar Nova York uma quase selva, mostrando matos e Ervas Daninhas que crescem no meio das ruas e animais como leões e veados que vagam pela cidade livremente nos remetendo ao tom de "os 12 Macacos" mesmo que aqui em parte aprimorado visualmente graças a tecnologia que o torna muito interessante de se ver por este simples fato.

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Wall-e

Mesmo que não considere o termo "uma imagem pode dizer mais que mil palavras" como uma premissa básica, gosto muito de observar as possibilidades que abrem para a criatividade filmes sem diálogos ou textos. Os velhos desenhos da Pantera-cor-de-rosa pontuado pela clássica música tema, aos filmes de Chaplin, filmes destes que por muitas vezes consegue até mesmo "falar" e ter mais conteúdo do que filme repletos de gírias e palavrões obscenos, destes moderninhos em ritmo de videoclipe. Sob tal aspecto, o apuro visual e sonoro deve ser aprimorado como forma de suprir tais dificuldades de "comunicação". Justamente neste ponto Wall-e da sempre maravilhosa PIXAR consegue equilibrar tais conceitos com perfeição, sem negar o óbvio humor que remete as produções mudas do inicio do século XX, mesmo que aqui ritmado por sons maravilhosamente pontuados a dar profundidade realística pelo trabalho excepcional de Ben Burt reconhecido com justiça por seus trabalhos especialmente em Star Wars. Não obstante, músicas antigas são aqui colocadas deliberadamente a contrastar com as imagens (simplesmente irretocáveis) de um futuro pós-apocalíptico dando um clima de nostalgia e sensibilidade que imediatamente nos remete ao melhor da humanidade, quando existia.
O visual da cidade entrecortada por uma fortíssima luz do sol, em meio a enorme quantidade de sujeira no ar ou em terra, cuja intensidade parece obscurecer a visão do espectador é simplesmente linda e o longa já bastaria por si só neste primeiro ato apenas, até que o robô solitário encontra a misteriosa EVA que desce num foguete com um objetivo muito incomum para este mundo chamado terra: encontrar vida além de baratinhas como a que acompanha Wall-e neste rotina de solidão. Por sua vez, minucioso, Wall-e consegue espremer sem quaisquer palavras claramente compreensível uma humanidade que muitos humanos não tem hoje a mesma noção e capacidade, demonstrando sensibilidade, humor, e carisma, o robozinho dá uma show a parte, especialmente em sua paixão inicialmente platônica por EVA. Somente sobre estes aspectos humanizadores a um "objeto" torna este filme muito mais que uma obra infantil onde objetos sem vida ganham valores humanos como sempre a PIXAR realiza, mas com um subcontexto moral em extinção nos dias atuais. Muito superior a sua obra mais boba, 'Carros', por sua vez 'Wall-e' não se resume a dar voltas e voltas sem lugar nenhum chegar. Mas demonstrando uma sensibilidade que alcança até mesmo os personagens humanos propriamente dito mesmo que aqui claras caricaturas de si próprio, vítima do próprio sistema que criou, que por viverem no espaço por longos anos a se tornarem sedentários, não supera, no entanto, o simpático robozinho. Uma obra prima por si só, 'Wall-e' não se rende a estereótipos manequeístas de vilania ou maquiavelismos extremistas tal como "mocinhos" como forma - artificial - de contrastar seus dilemas sendo aqui ditado pela orgânica narrativa num desenvolvimento livre do personagem, aqui uma ingenuidade que parece persistir como subtexto em todas as sua viagens e situações de Wall-e na busca por ficar ao lado de sua paixão, mas sem exageros ridículos, especialmente ao se perceber que Wall-e serve a um contexto moral conciso e coeso de inicio, meio e fim respeitando as convenções mesmo que sem entregar-se a elas, o que favorece a identificação pela situação em que "vive" o pobre robozinho cuja existência se limita a recolher lixo por tempo indeterminado.
Finalizando de forma correta com o paradoxo de Teseu, do qual o funcionamento só poderia-se determinar pelo fato de ser um robô e suas peças não conterem seu DNA servindo para poder delimitar-se apesar dos atributos emocionais e sua nobreza despretensiosa como não humano, ao passo que parece se tornar uma figura histórica para a própria humanidade como é colocado criativamente nos créditos finais numa semelhança aos escritos da história da humanidade ao passar dos séculos. Contanto ainda com dois ótimos curtas no DVD que completam a viagem maravilhosa, Wall-e é uma obra cujo o valor excede o público alvo comum de crianças, mas parece resgatar valores de inocência tão perdidos ultimamente, e tal por isso o filme seja imperdível, e tocante, para qual ser humano que seja capaz de ter sentimentos além de ódio.

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O Chamado (The Ring - 2002)

Não gosto do gênero terror no cinema, a salvo raríssimas excessões considero um gênero normalmente redundante e amoral repleto de clichês dos quais em sua grande maioria se resume não indução do medo por sustos, não clima, como pouco exemplares. São poucos os exemplares do gênero que conseguem apresentar um ótimo argumento, clima e o principal um desfecho coerente e coeso, dos quais quando um destes elementos falham compromete toda a orgânica proposta a exemplo de 'Enigma do Horizonte', o que por sua vez não ocorrem e 'Enigma do outro mundo', na refilmagem de John Carperter. Sob tal aspecto 'O Chamado' acaba por cumprir todas as propostas mesmo que tendo um final angustiante mas não necessariamente amoral.

O filme é uma sucessão de ótimas escolhas, do argumento inicial ao elenco, contém dos os ingridentes funcionais para um bom exemplar de filme do gênero. Assim a refilmagem 'The Ring' (título original) do terror japonês demonstrou uma tendência num filão crescente nas terras do sol nascente a ser fonte para filmes ocidentais mesmo que em maioria apenas medianos. O Diretor Gore Verbinski, apesar do nomne, não desperdiça seu tempo em infidáveis carnificinas gráficas ou a repetição de sustos como meio de canalizar o medo mas utilizando-se perfeitamente da fotografia sombria de Bojan Bazelli sabendo dosar perfeitamente tons cinzas de tempos nublados, granulações e sombras sem exageros mas que por meio de ângulos sugestivos nos faz acreditar haver o mal em cada fresta dos quais seus personagens seguem investigando as origens da misteriosa fita - que por si só é outro destaque que muito influênciou outras produções - que teria matado uma parente próxima de Rachel Keller (Naomi Watts), O elenco por si só é um destaque a parte, sempre contidos conseguem ter uma desenvoltura que faz estes funcionar perfeitamente dentro deste universo claustrofóbico, de Brian Cox que dá pistas sobre a fita praticamente de forma involuntária ao destaque sem dúvidas de Naomi Watts do qual como atriz considero muito interessante, de presença, carisma e muito talento.

Sua trama envolvente mesmo que sem sombra de dúvidas implausível, pela condução de todos estes elementos torna-se perfeitamente digerível como entretenimento ao espectador ao explorar concepções de um universos próprio sabiamente explorado na Edição Especial do DVD que conta com um curta inédito sobre o que sucedeu após a cópia da fita e uma pequena sessão de cenas excluídas editadas a parecer um outro curta metragem colocando pontos não explorados no longa e incluindo até mesmo uma extensão do final, o que torna o DVD indispensável a qualquer fã e colecionador. O Chamado mesmo se tratando de um filme de terror não superior a já clássicos como 'Sexto Sentido' é um trabalho pontual aliando cinema comercial com uma boa dose de arte claramente influenciada pelo estilo japonês, apenas comprovando meu argumento de que filme ótimo é ótimo acima de gêneros.

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Alemanha Ano Zero

Alemanha Ano Zero (1948)

Germania Anno Zero 

Direção: Roberto Rossellini

Roteiro: Roberto Rossellini, Max Kolpé (como Max Colpet), Sergio Amidei

Elenco: Edmund Moeschke, Ingetraud Hinze (como Ingetraud Hinz), Franz-Otto Krüger (como Franz Grüger), Erich Gühne, Hans Sangen

Em 1947, dois anos após a queda do Terceiro Reich, as cicatrizes que a sua guerra trouxera à Alemanha eram ainda bem visíveis. A baixa atividade econômica do país, aliada ainda aos preços controlados, tornava freqüentes a falta de alimentos e demais bens, garantindo à sua população uma vida difícil. Em Berlim, destruída em função dos confrontos com o Exército Vermelho, uma criança luta para salvar sua família da miséria. Na última parte do que ficou conhecido como sua trilogia da guerra (precedida por Roma, Cidade Aberta e Paisà), Rossellini deixa o berço do neo-realismo italiano e passa para o outro lado a fim de registrar a vida em Berlim.

Escrito por Rossellini com a colaboração de, entre outros, Sergio Amidei, um dos maiores roteiristas que a Itália já teve e importante figura do movimento neo-realista, o roteiro de Alemanha Ano Zero revela um país em reconstrução, tentando (re)encontrar sua identidade em meio ao controle dos Aliados. Ainda que os diálogos não sejam particularmente um ponto-alto, soando formulaicos em boa parte das vezes, o roteiro figura como um dos melhores do período, apresentando uma narrativa bem amarrada e personagens bem elaboradas.

Os irmãos Eva e Karl-Heinz, por exemplo, são personagens bastante interessantes, quase tanto quanto Edmund, a protagonista. Ao passo que Eva dedica todo o seu tempo a amenizar as carências pelas quais sua família passa, sua força de vontade a levará apenas tão longe quanto suas convicções a permitirem, não estando disposta a negá-las nem mesmo por seus entes mais queridos. Ainda, é admirável sua dedicação e perseverança. Já Karl-Heinz figura no pólo oposto ao de sua irmã, se recusando a colaborar com o sustento da casa. Embora considere o motivo para sua inércia válido, não é sem dor que observa o sofrimento da família, se privando tão bem quanto pode do pouco que têm. O instante em que recusa fumar um cigarro que lhe é oferecido é particularmente belo.

Edmund, por sua vez, interpretado por Edmund Moeschke, surge como uma versão mirim de Eva. Porém, ao contrário desta, o inocente Edmund é guiado pelo id, não traçando limites para seus atos. É tocante observar o garoto lutando para superar as limitações da própria infância, ainda que sem percebê-lo. Em um mundo onde a miséria se tornou elemento comum à vida, Edmund não encontra maiores obstáculos para a criminalidade, nem mesmo por parte de sua família. No entanto, é justamente após cometer seu crime máximo, o que permitiria sua "volta à infância", que Edmund percebe ter ido longe demais para salvar sua família; longe demais para salvar-se a si mesmo. A cena em que é marginalizado por crianças que brincam é especialmente marcante. Além do Rubicon, não resta mais nada por que lutar ou sonhar.

No entanto, todas as qualidades do roteiro não são suficientes para ofuscar o grande problema da obra: a direção de Rossellini.

A começar pelos fraquíssimos atores, em sua maior parte amadores (ou simplesmente não-atores, ao que parece), é difícil acreditar que o visto em cena corresponda ao melhor que um diretor - qualquer diretor - seria capaz de tirar do elenco. A falta de preparo dos atores não se reflete apenas em sua ausência de credibilidade, mas se estende também à carência de qualquer noção de timming; esta ainda ressaltada pela decisão equivocada de Rossellini em trabalhar com longas tomadas. As performances se dão no pior estilo teatral, e são vários os momentos em que se é possível notar os atores antecipando os movimentos uns dos outros. É importante destacar, no entanto, o trabalho de Erich Gühne, que, a cargo do senhor Enning, é o único que se sai convincente em seu papel.

Infelizmente, o mau trabalho de Rossellini não se limita apenas ao desempenho de seu elenco. A mise-en-scène, por exemplo, surge artificial ao longo de toda a obra, seja por meio do posicionamento de figurantes e atores, que posam para a câmera, ou simplesmente pelo fato do elenco ficar passeado arbitrariamente pelos cenários apenas tentar conferir ritmo às cenas. Dessa forma, a cena em que Eva e Karl-Heinz conversam no banheiro concatena tudo que há de errado com a obra, respondendo pelo o que é possivelmente o pior momento do filme (ou de todo o movimento). Todos esses equívocos salientados, vale repetir, pelo insistente uso de tomadas longas.

A displicência da direção fica bem clara na cena em que, ao se preparar para atravessar uma rua, Edmund caminha arbitrariamente ao longo da calçada parando justamente sobre uma marcação no chão (a qual já vinha mirando ao longo de seu caminho), no centro do quadro, onde se detém enquanto espera um caminhão de carvão passar. A falha de Rossellini fica ainda mais evidente em função do mau desempenho de Moeschke. Naturalmente, esta pequena gafe não passaria de um pecadilho não fosse o fato de mancadas de natureza semelhante serem cometidas ao longo de toda a obra, comprometendo significativamente a experiência do espectador.

Como tantas faltas passaram pelo crivo de Rossellini fica aberto a debate. Naturalmente, as baixas verbas com que os filmes da época eram feitos explicam muita coisa, como o curto tempo disponível para a realização da fotografia principal (o que se reflete, por exemplo, na opção/necessidade de trabalhar com longas tomadas) e o emprego em larga escala de atores amadores. Porém, é importante destacar que tais adversidades não advogam a favor de Rossellini uma vez que trabalhar dentro de limitações faz parte do trabalho de todo o diretor, cabendo à sua perseverança e competência encontrar soluções para contornar quaisquer obstáculos que comprometam a qualidade do trabalho a ser feito.

Por fim, cabe um comentário em relação ao voice over no início do filme, que salienta a intenção do diretor em registrar a vida em Berlim da maneira mais objetiva e fiel possível a fim de mobilizar seu público para a situação desesperada do país. Ora, tendo em vista a natureza da obra, tal recurso surge irrelevante tanto para fins narrativos quanto sociais, servindo unicamente para ressaltar a figura do cineasta compromissado com a sociedade que Rossellini tanto gostava de promover e a própria ignorância do cineasta quanto à importante lição que Visconti aprendera na realização de A Terra Treme; aquela de que não se poder ser objetivo na arte.

Ficando para a história como um tropeço do neo-realismo italiano e um ponto-baixo na ilustre carreira de Rossellini, Alemanha Ano Zero figura como mais um infeliz exemplar do descompasso entre roteiro e direção. No entanto, fica para a obra um prêmio de consolação pelo cumprimento de seu papel social, mostrando da forma mais pungente que o Terceiro Reich, embora derrubado, ainda colecionava corpos na Europa.

Antonio Junior

Rio de Janeiro, 3 de outubro de 2009

* Com esta crítica, encerro minha participação no Entrada Franca este ano. Pretendo retornar com mais algumas críticas em algum momento em 2010. Espero que a leitura de meus textos tenha sido tão boa quanto a experiência de escrevê-los. Até algum dia, continuem escrevendo.

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Posted by: Antonio Junior
Posted on: 10/3/2009 at 11:14 AM
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Uma Prova de Amor

Uma Prova de Amor – My Sister’s Keeper – Eua 2009

Direção: Nick Cassavetes Com: Cameron Diaz , Abigail Breslin, Joan Cusack

 

Prova de Amor, apesar de ser um filme bem comercial, é bem produzido, bem interpretado e, sobretudo bem intencionado. Logo em sua abertura percebe-se que o foco do filme não é a doença terminal, e sim os laços familiares e suas ramificações.

 

A narração em off feita pelos vários membros, demonstra este cuidado que é fundamental para que o filme não caia no valão do drama lacrimoso. As imagens da família são mostradas em forma de álbum desbotado fundindo em formas belíssimas.

 

O filme narra os esforços da filha caçula Anna em conseguir a independência médica imposta por seus pais. Concebida para ser uma solução para a doença terminal da irmã, Anna contrata um famoso advogado (um inchado Alec Baldwin) para defendê-la dos exames contínuos que foi submetida desde seu nascimento.

 

Espertamente Nick, sabendo que somente esta intriga não teria força suficiente para o filme todo, insere outras histórias, igualmente dramáticas, dos personagens adjacentes, tornando Prova de Amor uma obra sensível e tocante. A escolha por uma trilha variada realça o maior atributo do filme que é o olhar para a multiplicidade dos acontecimentos.

 

A doença terminal de Kate não a torna um ser desagradável, nem desgostosa com a vida. Ao redor dela transitam a mãe (Cameron Diaz) resistente e eufórica com a doença, o paizão (Jason Patrick) um bombeiro conformado e zeloso, o irmão com dislexia e introvertido, sua irmã caçula (Abigail Freslin) que lhe oferece a tal verdadeira prova de amor, uma juíza (Joan Cusack) inconformada com a morte de sua filha adolescente e um advogado epilético (Alec Baldwin).

 

O elenco é outro trunfo que dá um toque há mais no filme. Cameron Diaz é talvez a maior surpresa. Oriunda das comédias grosseiras, a atriz surpreende no papel de Sara. Tensa e tristíssima, ela dá a dimensão exata de uma mãe coragem com sentimentos.

 

Abigail Freslin (a garotinha de Miss Sunshine) está crescida e amadurecida como atriz.

 

Mas Joan Cusack é a que mais atinge a alma do filme. No papel da juíza De Salvo ela contagia o público apenas com o olhar. Ao lembrar-se da filha falecida, a atriz nos faz recordar nossos entes queridos que já se foram, e transmite toda a amargura de uma saudade. Excelente.

 

O filme é basicamente uma crônica sobre as lembranças da vida em família.

Preparem os lenços. Impossível resistir a este drama familiar do competente Nick Cassavetes.

 

Nota 8,0

 

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Posted by: Ricardo Pinto
Posted on: 9/29/2009 at 5:45 AM
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Praça Saenz Peña

Praça Saens Pena – Direção: Vinícius Reis – Com Chico Dias, Maria Padilha, e Isabela Meirelles – Brasil 2009

 

 

Estréia de Vinícius Reis na ficção, Praça Saens Peña, pretende ser uma crônica familiar passada num bairro popular de classe média do Rio de Janeiro. No entanto o diretor, envolvido demais pelas questões subjetivas de sua história, não consegue manter um ritmo adequado para a narrativa.

 

Paulo é professor de Literatura, Teresa é comerciante e Bel, estudante. Eles vivem em um apartamento alugado na Praça Saens Peña, coração da Tijuca, bairro da Zona Norte do Rio de Janeiro. Uma tentadora e inesperada proposta de trabalho poderá abalar profundamente a rotina dessa família e colocar em risco um casamento de vinte anos.

O ritmo é bastante prejudicado em algumas seqüencias e alguns personagens entram e saem da narrativa sem, aparentemente, nenhuma função. Macedo é o melhor exemplo disso.  Apesar de ele ser um dos elos da história entre o escritor e o bairro, sua contribuição para o desenrolar da narrativa é mínima e sem importância.

 

Vinícius Reis resguarda ainda, um forte vício com o estilo documentário, sentido na entrevista de Paulo (Chico Diaz) com Aldyr Blanc (o próprio). A duração é excessiva e desnecessária, já que nada na cena remete à trama do filme.

Outro ponto negativo é a ausência de uma trilha sonora musical durante a projeção. Vinícius prefere utilizar sons de ônibus, carros e tiros de metralhadora para compor a trilha do filme. Uma pena, já que a música é um ponto forte no texto (a presença de Aldyr Blanc confirma isso), além do bairro ser um berço riquíssimo de compositores e autores.

 

O final é um anticlímax total, com a locução de Bel fechando a história. O encerramento desta crônica urbana merecia algo muito mais contundente e conclusivo, do que simplesmente a menina contando o que aconteceu.

 

Chico Diaz compõe um Paulo correto com a paixão necessária que seu personagem pede. Maria Padilha está meio deslocada como a incoerente Teresa. Ela tem um distanciamento estranho diante das situações apresentadas. Isabela Meireles é a adolescente Bel. O papel é bem ingrato devido à natureza de seu personagem que oscila entre antipatia e maturidade.

 

Apesar do filme conter elementos profundos sobre a realidade brasileira, Vinícius embaralhou demais as cartas dificultando, para o espectador, a direção que pretendia tomar. A praça Saens Pena fica como um pano de fundo, sem muita importância, para o drama cotidiano da família apresentada.

 

Nota 4,5

 

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Posted by: Ricardo Pinto
Posted on: 9/29/2009 at 5:44 AM
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Praça Saens Peña

Praça Saens Pena – Direção: Vinícius Reis – Com Chico Dias, Maria Padilha, e Isabela Meirelles – Brasil 2009
 
 
Estréia de Vinícius Reis na ficção, Praça Saens Peña, pretende ser uma crônica familiar passada num bairro popular de classe média do Rio de Janeiro. No entanto o diretor, envolvido demais pelas questões subjetivas de sua história, não consegue manter um ritmo adequado para a narrativa. 
 
Paulo é professor de Literatura, Teresa é comerciante e Bel, estudante. Eles vivem em um apartamento alugado na Praça Saens Peña, coração da Tijuca, bairro da Zona Norte do Rio de Janeiro. Uma tentadora e inesperada proposta de trabalho poderá abalar profundamente a rotina dessa família e colocar em risco um casamento de vinte anos.
O ritmo é bastante prejudicado em algumas seqüencias e alguns personagens entram e saem da narrativa sem, aparentemente, nenhuma função. Macedo é o melhor exemplo disso.  Apesar de ele ser um dos elos da história entre o escritor e o bairro, sua contribuição para o desenrolar da narrativa é mínima e sem importância.
 
Vinícius Reis resguarda ainda, um forte vício com o estilo documentário, sentido na entrevista de Paulo (Chico Diaz) com Aldyr Blanc (o próprio). A duração é excessiva e desnecessária, já que nada na cena remete à trama do filme. 
Outro ponto negativo é a ausência de uma trilha sonora musical durante a projeção. Vinícius prefere utilizar sons de ônibus, carros e tiros de metralhadora para compor a trilha do filme. Uma pena, já que a música é um ponto forte no texto (a presença de Aldyr Blanc confirma isso), além do bairro ser um berço riquíssimo de compositores e autores. 
 
O final é um anticlímax total, com a locução de Bel fechando a história. O encerramento desta crônica urbana merecia algo muito mais contundente e conclusivo, do que simplesmente a menina contando o que aconteceu. 
 
Chico Diaz compõe um Paulo correto com a paixão necessária que seu personagem pede. Maria Padilha está meio deslocada como a incoerente Teresa. Ela tem um distanciamento estranho diante das situações apresentadas. Isabela Meireles é a adolescente Bel. O papel é bem ingrato devido à natureza de seu personagem que oscila entre antipatia e maturidade. 
 
Apesar do filme conter elementos profundos sobre a realidade brasileira, Vinícius embaralhou demais as cartas dificultando, para o espectador, a direção que pretendia tomar. A praça Saens Pena fica como um pano de fundo, sem muita importância, para o drama cotidiano da família apresentada. 
 
Nota 4,5

 

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Posted by: Ricardo Pinto
Posted on: 9/29/2009 at 5:40 AM
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Amália - O filme

Amália – O filme – Direção: Carlos Coelho da Silva – Portugal 2008

Com: Sandra Barata Melo, Carla Chambel, Ricardo Carriço

 

Amália – O filme de Carlos Coelho da Silva é a prova mais plena de que o cinema português esta engatinhando e ainda tem muito que aprender. Carlos é basicamente um diretor de TV que fez certo sucesso com a refilmagem de “O crime do padre Amaro” peça de Eça de Queiróz, um dos filmes mais rentáveis da história de Portugal. Ao adaptar para o cinema a vida da maior fadista portuguesa (a única com projeção internacional), Carlos cercou-se dos melhores técnicos e profissionais do ramo para realizar um filme (segundo suas próprias palavras). “completamente diferente de tudo que os portugueses já viram”.  Tudo bem, até concordo que, para eles, Amália- O filme pode ter algum apelo inovador, mas para nós, brasileiros, acostumados a assistir produções arrojadas, Amália é um arremedo de drama num estilo que remete a pior telenovela mexicana. O ritmo adotado pelo diretor é um dos principais erros. Numa edição confusa que não favorece a narrativa, Carlos faz um filme blasé e entediante, com interpretações primárias.  O elenco (com a participação indiferente de Ricardo Pereira) até que esforça-se bastante, mas a mão pesada de Carlos faz tudo parecer afetado e dramático demais.  Amália Rodrigues, assim como Edith Piaf, veio de uma origem humilde e foi rejeitada pela família por causa de suas atitudes. Era lavadeira e cantava nas ruas da cidade onde nasceu (não fica claro se é em Lisboa ou outro lugar). Por encantar as pessoas com sua voz chorosa, Amália fez sucesso imediato nas casas de fados. E é aí que começa o problema: O filme não foca na carreira artística da cantora e prefere apenas esmiuçar os falidos relacionamentos com os homens de sua vida, transformando-se numa fotonovela de baixíssima qualidade.  Os elementos importantes da vida da cantora são completamente desperdiçados e sua fobia dos palcos, o fantasma de seu pai e a ligação com o ditador Salazar são apenas pinceladas sem muito interesse. Os flashbacks adotados são confusos e desordenados, tumultuando ainda mais a história.   Os vários personagens entram e saem da narrativa sem nenhuma explicação, e o que é pior, sem nenhuma apresentação, não indicando ao espectador para que rumo deve tomar. Só quem é muito intimo de Amália entenderá de onde veio Cesar Seabra ou Alain Oulman, mas o diretor acredita que, por ela ser um símbolo internacional, todos a conhecem e não gasta tempo em construir perfil de personagem algum. Apenas atira-os na tela e os insere na narrativa sem nenhum cuidado.A maquiagem da Amália idosa é outro fator sinistro. A atriz fica com cara de travesti patética e triste e nem de longe lembra a artista que foi Amália Rodrigues. Agora eu sei por que a produção cinematográfica portuguesa é totalmente desconhecida do resto do mundo.  Nota 2,5 (por causa da atriz que faz a Amália)

 

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Posted by: Ricardo Pinto
Posted on: 9/29/2009 at 5:38 AM
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Olhos Azuis

Olhos Azuis - Direção: José Joffily – (Thriller psicológico)

Com: Cristina Lago, David Rasche, Irandhir Santos – Brasil/Argentina (2009)

 

Com o aumento da produção cinematográfica no Brasil, é natural que os diretores e produtores comecem a explorar caminhos diferentes dos já traçados.

Ao invés de especular sobre violência, crianças abandonadas, tráfico de drogas e miséria, temas tão recorrentes em nossa cinematografia, José Joffily tira partido de outro assunto, não menos importante, que é a eterna soberania americana sobre a realidade brasileira.

 

Ao cruzar as histórias de Nonato, imigrante pernambucano e Marshall, chefe do departamento de Imigração do Aeroporto de JFK nos Eua, Joffily traça um paralelo escancarando o enorme abismo cultural entre as duas nações, jamais dito com tanta veracidade. Joffily apresenta este belo e feroz thriller com um maravilhoso compasso e ritmo raramente vistos em filmes brasileiros.

 

O filme é uma espécie de mea culpa expiatória e destila toda a ira, raiva e rancor que os imigrantes causam nos hipócritas americanos. Expondo a xenofobia escancaradamente, a câmera de Joffily atua como uma testemunha da queda de um império que sempre soube acolher os imigrantes de braços abertos e agora os rejeita, humilha e despreza.

 

Olhos Azuis é um filme que conta a história de um homem cego pelo seu próprio preconceito e arrogância, que o levam a cometer atitudes extremadas. Forçado por sua consciência, este homem busca sua redenção em uma terra distante da sua. Marshall começa sua jornada em Recife e, com ajuda de Bia, uma prostituta poliglota, cruzarão o estado de Pernambuco em busca de ajuda para salvar-se de uma culpa aflitiva.

 

Através de flashbacks, conhecemos as razões para a peregrinação desgostosa de Marshall, e nos tornamos testemunhas de suas verdadeiras convicções.  

 

O elenco internacional é outro trunfo da produção. David Rasche compõe um Marshall autêntico. Seu deboche e arrogância com os imigrantes chegam a nos irritar. Ele representa anos e anos de autoridade em fase de estado terminal. Bêbado, doente e atrevido ele representa o último grito de uma nação podre e decadente.

Irandhir Santos faz Nonato perfeito que, basicamente, é o pivô de toda a situação. Seu personagem torna presente a conformação secular de um Brasil subjugado pelo poder majoritário que, mesmo rebelando-se, acaba sendo reprimido.

Cristina Lago interpreta Bia, a garota que ajuda Marshall em sua romaria. Cristina tem uma presença cativante e transforma seu personagem em algo além de uma simples prostituta abandonada. Ela acolhe o monstro carinhosamente e surge como a esperança da aversão de Marshall pelos estrangeiros.

 

Olhos Azuis é a comprovação que o cinema nacional esta se tornando amadurecido e adulto e sabe muito bem aonde que chegar.

São filmes como este que sepultam de vez a incapacidade brasileira em fazer um cinema plenamente desenvolvido e, arrisco-me a dizer, muito melhor do que os norte americanos.

 

Nota 9,0

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Posted by: Ricardo Pinto
Posted on: 9/29/2009 at 5:35 AM
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