Paisà

Paisà (1946)

Paisà

Direção: Roberto Rossellini 

Roteiro: Sergio Amidei, Klaus Mann, Federico Fellini, Marcello Pagliero, Alfred Hayes, Roberto Rossellini, Vasco Pratolinionti

Elenco: Carmela Sazio, Robert Van Loon, Benjamin Emanuel, Raymond Campbell, Dots Johnson, Alfonsino Pasca, Maria Michi, Gar Moore, Harriet Medin, Renzo Avanzo, William Tubbs, Elmer Feldman, Newell Jones, Dale Edmonds, Allan, Dan, Cigolani, Roberto Van Loel

De estrutura episódica, Paisà narra a ocupação da Itália pelo exército norte-americano, desde seu desembarque, em julho de 1943, até o inverno de 1944, às vésperas do fim da guerra. Partindo da Sicília, o longa acompanha o avanço das tropas aliadas rumo ao norte através de seus seis episódios, cujas narrativas vão desde amores não realizados até a ação partigiana ao lado dos Aliados. Apesar de independentes entre si, todos os episódios compartilham o tema central da obra: comunicação.

Grande obra do neo-realismo italiano, o longa destaca-se por seu ótimo roteiro, deixando em segundo plano a direção de Rossellini, que, sempre eficiente, conduz o longa com sua conhecida discrição, fazendo um uso mínimo de cortes. A trilha-sonora (composta pelo irmão do diretor, Renzo Rossellini) figura como outro ponto alto da obra, sendo peça importante de cada episódio.

Apesar de bem realizado, o filme acaba por alcançar diferentes resultados entre um episódio e outro. Tal se dá basicamente devido ao fraco elenco (amador em sua maior parte), que compromete, em maior ou menor grau, quatro dos cinco episódios voltados para o drama das personagens (a exceção é o episódio protagonizado pela personagem de Maria Michi), prejudicado ainda pela característica dublagem (ruim) dos filmes da época.

Embora o trabalho do elenco amador seja o ponto fraco do longa, é importante salientar a performance de Carmela Sazio, cuja personagem protagoniza o primeiro episódio. Amadora, a inexperiência de Sazio frente às câmeras acaba por se alinhar bem ao drama de sua personagem, contribuindo assim para uma “atuação” espontânea e marcante que surge como a grande surpresa do filme.

Trágica em sua maior parte, Paisà lida com as barreiras existentes entre as pessoas, sejam elas culturais ou ideológicas. Se nos primeiros episódios o maior desafio das personagens reside em seus diferentes idiomas, estes dão lugar às barreiras construídas por suas diferentes ideologias e crenças, que, ao contrário da distância lexical, não conseguem ser tão facilmente superadas. Terminada a guerra, jaz o legado da coexistência entre diversidade e intolerância nas ruínas da Europa.*

* A partir de David K. Shipler, “Here among the constant ruins and rebuilding of civilizations lies the coexistence of diversity and intolerance.”

Antonio Junior

Rio de Janeiro, 4 de agosto de 2009

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Posted by: Antonio Junior
Posted on: 8/4/2009 at 5:08 PM
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