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Nelson Hoineff, diretor do documentário "Alô, Alô, Terezinha!"

30/10/2009

por Rafael Sandim

Abelardo Barbosa, o Chacrinha, um dos mais famosos nomes da televisão brasileira, ganhou o documentário sobre a sua vida, Alô Alô Terezinha!, comandado por Nelson Hoineff. O longa conta a história do "Velho Guerreiro", como era chamado por Gilberto Gil, e explica como o apresentador se tornou tão reconhecido. Hoineff, que já dirigiu programas jornalísticos do SBT, Rede Bandeirantes, GNT e TV Cultura, esteve em Belo Horizonte para promover o documentário e contou ao Cinema em Cena como foi a realização do filme.

Como surgiu a ideia de fazer um documentário sobre o Chacrinha?

Eu tinha a ideia há muito tempo. Quando eu era adolescente gostava muito de assistir ao programa do Chacrinha. Ele não era uma muito aceito e era considerado de segunda classe. Depois o programa acabou se tornando legitimado pela tropicália. Eu gostava. Era imperdoável para um garoto de 17 anos com pretensão de ser jornalista, fazer cinema, gostar do Chacrinha. Eu jogava em um time de futebol de praia e todos os dias as pessoas brincavam comigo: "Você gosta do Chacrinha?". Mais tarde, percebi através de seus programas de TV que ele tinha uma veia transgressora. É difícil de saber o motivo pelo qual a gente gosta do Chacrinha. Seria por causa das Chacretes? Pode ser, mas mulheres bonitas tinham táticas. Eu acho que foi por causa da via transgressora mesmo.

Como as suas experiências em programas jornalísticos lhe ajudou na realização do documentário?

O filme, se dissecá-lo, para ser muito sincero, é um documentário especial com uma hora e meia de duração, com mais recursos e tempo para fazer. Uma obra feita com o mesmo tom e a mesma referência que eu gosto de usar nos programas de televisão que faço. A minha veia jornalística é, na verdade, a única que existe; eu sou jornalista e não um dramaturgo. Detesto quando me chamam de cineasta.

Como foi o processo de escolher as pessoas que dariam seus depoimentos?

O processo de escolha deve-se a dois produtores extraordinários que tive no filme: Paloma Piragibe e o Daniel Maia. A ideia era buscar calouros, chacretes e artistas, que fossem mais relevantes e que oferecessem depoimentos que pudéssemos confrontar com o material já existente. As pessoas estão pelo Brasil inteiro. Os produtores tiveram a paciência e dedicação para encontrar essa quantidade de entrevistados.

Como foi feita a escolha das entrevistas? Existia um roteiro a ser seguido?

Nós tínhamos 150 horas de material filmado e 150 horas de arquivo. Haviam alguns critérios. O primeiro era que nós tivéssemos as imagens originais das pessoas e o material filmado agora, para confrontar. Na maioria das vezes a gente faz isso, confronta; o segundo é que as performances fossem muito boas, tanto no caso dos artistas quanto no dos calouros; o terceiro foi de seleção mesmo; quando se tem um número muito grande de horas você vai escolhendo o que é de fato o melhor.

Quais são as suas entrevistas preferidas?

Foram inúmeras entrevistas em 300 horas. Os meus quatro montadores me falaram: "nós só vamos usar as de nota 10, as que forem 9,5 não utilizaremos". Esse era um critério. Às vezes um artista pode até ser importante, mas a performance não é tão boa naquele momento.

Durante o processo de realização do documentário você descobriu alguma coisa reveladora sobre o Chacrinha?

Muitas coisas e ao mesmo tempo não muito. Tudo é revelador sobre o Chacrinha e também há muitas contradições, como,  por exemplo, a relação dos artistas com as chacretes. Algumas coisas sobre o Chacrinha eu já sabia. Ao contrário do que parece, ele era uma pessoa muito rígida. Parecia que o programa era improvisado, mas não era nada disso, era muito estudado. Mas eu já sabia disso, outras pessoas já tinham me contado. Isso é revelado durante o filme.

Na sua opinião, o que mudou na televisão brasileira depois do Chacrinha?

Defino o Chacrinha como uma instância importantíssima de gravação dentro da televisão brasileira. Um cara que ousou a remar contra a maré e fez o contrário do que se imaginava fazer. Eu não diria que a televisão brasileira mudou muito após o Chacrinha e sim durante. Eu não acho que o legado do Chacrinha tenha se estendido por muito tempo, mas foi um marco absolutamente importante, inesquecível e fundamental para a televisão brasileira.

Quais são os seus próximos projetos?

Em breve, vamos lançar um longa sobre Paulo Francis, chamado Caro Francis (exibido esta semana na Mostra Internacional de Cinema em São Paulo. Clique aqui para ler a resenha escrita por Pablo Villaça), em 8 de janeiro. Recentemente começamos a rodar Começaria Tudo Outra Vez, sobre o Cauby Peixoto.
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Alô, Alô, Terezinha! estreia hoje no país. Para ler a entrevista com Biafra, que participou da produção, clique
aqui.
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Colaborou Flora Libânio



   



     
 

 

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