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Batman - O Cavaleiro das Trevas    (2008)
Dark Knight, The

Direção: Christopher Nolan
Roteiro: Christopher Nolan,Jonathan Nolan
Elenco: William Fichtner, Christian Bale (Bruce Wayne/Batman), Joshua Harto, Beatrice Rosen, Melinda McGraw, Chin Han (Lau), Gary Oldman (James Gordon), Heath Ledger (Coringa), Nestor Carbonell, Nathan Gamble, Aaron Eckhart (Harvey Dent), Michael Caine (Alfred Pennyworth), Morgan Freeman (Lucius Fox), Eric Roberts, Maggie Gyllenhaal (Rachel Dawes), Michael Jai White (Gamble)

Sinopse: Batman consolida sua luta contra o crime e, com a ajuda do Tenente Jim Gordon e do promotor Harvey Dent, acaba com diversas organizações criminosas de Gotham City. A parceria se mostra eficaz, mas eles logo se deparam com um reino de caos que aterroriza a cidade, gerado pelo genial criminoso conhecido como Coringa.

Estréia: 18/7/2008 (Original)        18/7/2008 (Brasil)

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Batman - O Cavaleiro das Trevas


Dirigido por Christopher Nolan. Com: Christian Bale, Heath Ledger, Michael Caine, Gary Oldman, Morgan Freeman, Aaron Eckhart, Maggie Gyllenhaal, Monique Curnen, Cillian Murphy, Chin Han, Nestor Carbonell, Eric Roberts, Anthony Michael Hall, William Fichtner.

 

Batman – O Cavaleiro das Trevas é um filme exaustivo. Ao sair do cinema, eu tinha a clara impressão de ter sido pisoteado e arrastado por uma manada de touros impiedosos, tamanha a demanda emocional cobrada pelo longa de Christopher Nolan. E ainda que tenha várias e eficazes seqüências de ação, o sentimento de exaustão não se originava destas, mas sim do intenso duelo psicológico protagonizado por seus personagens - afinal, não satisfeito com a idéia de simplesmente matar seus oponentes, o Coringa vivido por Heath Ledger exibe um propósito ainda mais cruel: o de destruí-los psíquica e emocionalmente, levando-os a abraçar o que de mais sombrio possuem em suas naturezas.

 

Escrito por Nolan ao lado de seu irmão Jonathan a partir de argumento concebido com David S. Goyer, O Cavaleiro das Trevas inicialmente nos apresenta a uma Gotham City que, aparentemente, encontra-se mais controlada do que aquela vista no filme anterior: ciente de que os marginais aprenderam a temer a figura justiceira de Batman, o tenente Gordon (Oldman) freqüentemente acende o bat-sinal apenas para inibir a ação dos bandidos, que imediatamente deixam as ruas ao suspeitarem que o herói encontra-se próximo. Ao mesmo tempo, a cidade (assim como a promotora Rachel Dawes, que troca o rosto de Katie Holmes pelo de Maggie Gyllenhaal) se encontra encantada com a figura galante e corajosa do promotor Harvey Dent (Eckhart), que, incorruptível, vem lutando para enjaular os mafiosos de Gotham. Em contrapartida, cidadãos comuns, inspirados por Batman, vêm se disfarçando de Homem-Morcego enquanto tentam fazer justiça com as próprias mãos – o que, é claro, acaba freqüentemente resultando em problemas. É neste cenário confuso que os chefes da Máfia, fartos de Batman e Dent, acabam dando carta branca para que um estranho que insiste em usar maquiagem de palhaço sobre suas profundas cicatrizes resolva seus problemas: o Coringa.

 

Buscando basear a história em um universo calcado na realidade (assim como ocorria em Batman Begins), Christopher Nolan mais uma vez se esforça para convencer o espectador de que, exageros à parte, a existência de uma criatura como Batman (ou o Coringa) não é algo de todo absurdo: cansado da dificuldade de movimentos provocada por seu uniforme, por exemplo, o milionário Bruce Wayne (Bale) trabalha ao lado de seu mordomo Alfred (Caine) e do cientista Lucius Fox (Freeman) para conceber uma nova roupa que lhe ofereça maior liberdade; e até mesmo a operação de captura de um bandido em terra estrangeira tem seus detalhes cuidadosamente planejados, não deixando nada ao acaso. Contribui, para este realismo, a insistência do diretor em evitar uma abundância de efeitos digitais, que são trocados por trucagens mecânicas absolutamente convincentes – e num dos raros momentos em que a utilização do computador se torna óbvia, durante uma manobra de Batman em sua moto, sentimos uma estranheza proveniente justamente da constatação de que aquilo não combina com a abordagem presente no restante da projeção.

 

Além disso, como os personagens soam humanos, distanciando-se das figuras unidimensionais presentes em projetos similares, nosso investimento emocional na história cresce exponencialmente, já que passamos a temer por seus destinos – e, mais uma vez, Nolan acerta em cheio ao mergulhar Gotham City num clima de medo e incerteza que certamente espelha os sentimentos de uma Sociedade cada vez mais oprimida pelo acaso da violência. Assim, da mesma maneira que os habitantes de Gotham experimentam o pânico provocado pelas constantes ameaças do Coringa, nós vivemos o choque causado por atos de indizível brutalidade cuja natureza aparentemente aleatória apavora justamente por ser imprevisível, sejam estes o assassinato de uma criança por policiais terr