Dirigido por Ed Harris. Com: Ed Harris, Viggo Mortensen, Renée Zellweger, Jeremy Irons, Timothy Spall, Tom Bower, Gabriel Marantz, Ariadna Gil, Lance Henriksen, Adam Nelson.
Appaloosa – Uma Cidade Sem Lei é um filme interessante: sempre que parece estar caminhando em uma direção convencional, o longa faz um desvio em sua narrativa e passa a rumar em outra direção igualmente óbvia que, no entanto, também nunca é plenamente alcançada. Quando a história tem início, por exemplo, somos levados a acreditar (pelas convenções do western) que a narrativa acompanhará o conflito entre o xerife Virgil Cole (Harris) e o fazendeiro mau caráter Randall Bragg (Irons), provavelmente encerrando-se com um duelo entre os dois. Logo, porém, Bragg é preso e conduzido à cadeia. Passamos, então, a esperar que seus capangas invadam a cidade para livrá-lo, provocando um confronto com o xerife e seu assistente Everett Hitch (Mortensen), mas esta ameaça também é contornada rapidamente e com simplicidade.
Este padrão, aliás, permanece durante toda a projeção: índios surgem; pistoleiros profissionais são contratados por Bragg; uma mulher ameaça interferir na amizade entre Cole e Hitch; e assim por diante – e, todas as vezes, o filme opta por solucionar os problemas de maneira relativamente simples e direta. Com isso, o diretor Ed Harris consegue simultaneamente empregar todas as principais convenções do gênero e evitá-las, o que não deixa de ser um feito admirável.
Em contrapartida, Appaloosa demonstra uma aborrecida preocupação em ser engraçado – e, neste aspecto, falha miseravelmente na maioria das vezes, ainda que consiga divertir pontualmente (o hábito de Cole de pedir a ajuda do amigo ao dizer palavras difíceis é particularmente artificial). Além disso, a trilha sonora, que investe justamente em evocar um tom cômico, só funciona mesmo quando retorna a uma abordagem mais característica do western, o que não deixa de ser frustrante.
Para completar, o protagonista vivido por Ed Harris jamais se torna tão interessante quanto o introspectivo personagem de Viggo Mortensen, que, adotando um penteado e um bigode marcantes (algo que o ator adora fazer em suas composições), torna-se muito mais intrigante em seu silêncio. Já Renée Zellweger, aborrecida como de hábito, desperdiça uma personagem que poderia se tornar marcante justamente graças à maneira atípica com que é desenvolvida pelo roteiro, ao passo que Timothy Spall se limita a tentar fazer gracinhas com a covardia de seu personagem. Finalmente, Jeremy Irons, digno como de hábito, tenta evitar transformar Bragg em um vilão caricatural, mas, em contrapartida, o sujeito acaba se tornando apenas desinteressante.
Rico em sua direção de arte e na atenção que presta aos detalhes técnicos da produção (percebam como a maquiagem se preocupa, por exemplo, em manter uma área descorada no alto da testa dos atores para indicar a diferença no bronzeado provocada pelo uso constante de chapéus), Appaloosa é uma produção correta e que prende a atenção especialmente graças à dinâmica entre Harris e Mortensen, mas que, no fim das contas, não exibe nada que a torne diferente do convencional.
30 de Outubro de 2008
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