Raizo, o protagonista de NINJA ASSASSINO (NINJA ASSASSIN, EUA/Alemanha, 2009), não é uma
criação dos quadrinhos, mas bem que poderia ser. Trata-se de um lutador
praticamente invencível, com capacidades sobrenaturais, perigoso, mas
dotado de um rígido código ético. É claramente baseado em personagens clássicos
das HQS, como Mestre do Kung Fu e Punho de Ferro, ambos da Marvel.
O filme de James McTeigue segue as leis daquele universo e tem estrutura bem mais próxima da de uma
graphic novel que de um roteiro cinematográfico. J. Michael Straczynski, co-autor
do mesmo (junto com o estreante Matthew Sand), tem extenso currículo na área
quadrinística, assim como créditos em cinema (A TROCA, de Clint Eastwood) e
na TV (o cultuado seriado de ficção científica BABYLON 5). Ou seja, é capaz
de transitar bem de uma mídia para outra.
Nada justifica então os diálogos canhestros e o
manancial de furos de roteiro encontrados em NINJA ASSASSINO. Ninguém, porém,
espera que um filme com esse nome seja um primor de dramaturgia, e nem é esse o seu calcanhar de Aquiles. O que vale,
para o público alvo, são as espetaculares cenas de luta e feitos prodigiosos do
herói. Algo que os Irmãos Wachowski, produtores
de NINJA ASSASSINO, entendem bem. Nem tanto o diretor McTeigue. Apadrinhado
pelos Wachowski, que bancaram sua estréia na direção em V DE VINGANÇA (este sim, uma adaptação legítima dos quadrinhos, que funcionava melhor enquanto cinema), McTeigue até que estabelece um ritmo
eficiente o bastante para que os buracos no caminho fiquem menos perceptíveis,
mas falha num ponto essencial: o visual genérico e sem imaginação, que faz uso
limitado do potencial fantástico da trama e das ferramentas digitais
disponíveis. Tome, como exemplo, a cena em que o herói é perseguido por um exército de ninjas por ruas atulhadas de carros, com estes desviando espetacularmente dos veículos que vem na sua direção. O que tinha potencial para tomadas de encher os olhos soa frouxo nas opções sem criatividade de McTeigue, que filma tudo muito de perto, como se preocupado mais com a exibição a posteriori de seu filme em DVD do que na telona do cinema.
O que até faz sentido. Sem a classe de um KILL BILL, se contenta em ser
diversão ligeira, apropriada para o mercado de locação. Nesse ponto, se
aproxima mais das modestíssimas pancadarias que atulharam o mercado de vídeo
nos anos 1980, como as estreladas por Chuck Norris, Michael Dudikoff, Cynthia
Rothrock e outros menos cotados. Só que com sangue digital.