O LOBISOMEM

by Kas 12. February 2010 05:25

Ouça-as. Crianças da noite. Que música elas fazem!

Extraída do romance DRÁCULA, a citação se refere não apenas aos vampiros, mas a todos os seres descarnados e sobrenaturais que surgem com a noite, e ao fascínio perene que estes exercem nos pobres mortais. O Lobisomem, o mais brutal destes monstros clássicos, ressurge agora nos cinemas. Será noite de lua cheia?

Passado no fim do século XIX, uma era em que a religião e a ciência (principalmente a da mente) apresentavam aspectos mais bestiais que os do próprio paganismo, O LOBISOMEM (THE WOLFMAN, Inglaterra/EUA, 2010) trafega por caminhos edipianos e pelo romantismo fatalista do período, acentuado pelos violinos da partitura musical gótica de Danny Elfman. A trama se aproveita não apenas da estrutura de conto de fadas do filme original, de 1941, como também de O LOBISOMEM DE LONDRES (1935) e das releituras da Hammer nos anos 1960 (faltou apenas um erotismo mais acentuado), que serviram de base também para Tim Burton e seu A LENDA DO CAVALEIRO SEM CABEÇA, com o qual este O LOBISOMEM guarda muitas semelhanças, visuais e temáticas.

Amaldiçoada foi a trajetória deste novo monstro para as telas. Surgido como um projeto pessoal do ator Benicio Del Toro, fã do filme original, parte do lendário ciclo de horror que fez a fama do estúdio, o novo O LOBISOMEM perdeu seu diretor original, Mark Romanek (mais conhecido pelos premiados videoclipes que por sua incursão no cinema, RETRATOS DE UMA OBSESSÃO), três semanas antes do início das filmagens. No que foi substituído por Joe Johnston, não estranho a este tipo de encargo de última hora. O realizador já servira antes como estepe para Stuart Gordon e William Dear em, respectivamente, QUERIDA, ENCOLHI AS CRIANÇAS (1989) e ROCKETEER (1991).

Johnston é um exemplo típico de uma categoria que ficou relegada às sombras após a promulgação da Política dos Autores: o artesão. Ou seja, aquele competente operário padrão hollywoodiano que dá conta do recado, ainda que não apresente um toque especialmente particular que dê unidade a sua obra. Nada de errado com isso. Grandes diretores da clássica Hollywood são considerados “meros” artesões, como Robert Wise, Michael Curtiz e Mark Robson. Johnston se inscreve nessa linha. É um realizador cuidadoso, com bom gosto para design e iluminação, algo que fica claro em O LOBISOMEM, onde consegue contornar muitos dos problemas resultantes do orçamento limitado (razão oficial pela qual Romanek abandonou o projeto) e do prazo apertado. Fotografia, direção de arte, figurinos e maquiagem são absolutamente convincentes na criação do clima vitoriano.

Não quer dizer que O LOBISOMEM não tenha sofrido com a guerra dos bastidores. As cicatrizes estão lá para quem quiser ver: alguns efeitos digitais não funcionam, a história corre demais em alguns pontos cruciais e é inegável que seria muito mais prazeroso para o cinéfilo ver uma cena de transformação à moda analógica de UM LOBISOMEM AMERICANO EM LONDRES do que o espetáculo CGI que temos aqui, ainda que este parcialmente dê conta do recado. Mas é fato que Johnston teve de descascar um abacaxi. Assumir um projeto alheio, com roteiro pronto, elenco já escalado e pré-produção finalizada não é nada fácil, principalmente se você procura inserir algumas idéias próprias no resultado final.

Assim, fica complicado saber a quem dar o devido crédito pela bela estrutura circular que marca O LOBISOMEM. Desde o início, o filme estabelece a Lua como marco conceitual. Todo o filme se constrói em cima dessa idéia de ciclo, não só do lunar. Temos uma história de um filho, o famoso ator shakespeariano Lawrence Talbot (Del Toro), que a casa torna por conta da morte de um familiar, anos após abandoná-la por conta da morte de outro parente. O filme tem início e fim na decadente Mansão Talbot (após uma grande sequência em Londres), onde vivem o patriarca da família Talbot (Anthony Hopkins, se divertindo com o aspecto sinistro de seu personagem), Gwen (uma doce Emily Blunt), a cunhada de Lawrence, e o servo Singh (Art Malik). Ao tentar desvendar o assassinato brutal de seu irmão, Lawrence sobrevive ao ataque de uma misteriosa criatura, mas descobre-se condenado a se transformar numa delas nas noites de lua cheia. Uma boa sacada do roteiro é colocar um personagem real, o Inspetor Abberline (Hugo Weaving), como o principal investigador dos crimes do monstro. Abberline, que ficou famoso investigando – sem muito sucesso – o caso de Jack, o Estripador, já aparecera nas telas na pele de Michael Caine (JACK, O ESTRIPADOR, 1988) e Johnny Depp (DO INFERNO, 2001).

Finda a tragédia mostrada aqui, a maldição se insinua propícia a outro ciclo sem fim. Pelo menos enquanto continuar o fascínio do público por tais criaturas da noite.

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Cinema

NINJA ASSASSINO

by Kas 5. February 2010 04:22

Raizo, o protagonista de NINJA ASSASSINO (NINJA ASSASSIN, EUA/Alemanha, 2009), não é uma criação dos quadrinhos, mas bem que poderia ser. Trata-se de um lutador praticamente invencível, com capacidades sobrenaturais, perigoso, mas dotado de um rígido código ético. É claramente baseado em personagens clássicos das HQS, como Mestre do Kung Fu e Punho de Ferro, ambos da Marvel.

O filme de James McTeigue segue as leis daquele universo e tem estrutura bem mais próxima da de uma graphic novel que de um roteiro cinematográfico. J. Michael Straczynski, co-autor do mesmo (junto com o estreante Matthew Sand), tem extenso currículo na área quadrinística, assim como créditos em cinema (A TROCA, de Clint Eastwood) e na TV (o cultuado seriado de ficção científica BABYLON 5). Ou seja, é capaz de transitar bem de uma mídia para outra.

Nada justifica então os diálogos canhestros e o manancial de furos de roteiro encontrados em NINJA ASSASSINO. Ninguém, porém, espera que um filme com esse nome seja um primor de dramaturgia, e nem é esse o seu calcanhar de Aquiles. O que vale, para o público alvo, são as espetaculares cenas de luta e feitos prodigiosos do herói. Algo que os Irmãos Wachowski, produtores de NINJA ASSASSINO, entendem bem. Nem tanto o diretor McTeigue. Apadrinhado pelos Wachowski, que bancaram sua estréia na direção em V DE VINGANÇA (este sim, uma adaptação legítima dos quadrinhos, que funcionava melhor enquanto cinema), McTeigue até que estabelece um ritmo eficiente o bastante para que os buracos no caminho fiquem menos perceptíveis, mas falha num ponto essencial: o visual genérico e sem imaginação, que faz uso limitado do potencial fantástico da trama e das ferramentas digitais disponíveis. Tome, como exemplo, a cena em que o herói é perseguido por um exército de ninjas por ruas atulhadas de carros, com estes desviando espetacularmente dos veículos que vem na sua direção. O que tinha potencial para tomadas  de encher os olhos soa frouxo nas opções sem criatividade de McTeigue, que filma tudo muito de perto, como se preocupado mais com a exibição a posteriori de seu filme em DVD do que na telona do cinema. 

O que até faz sentido. Sem a classe de um KILL BILL, se contenta em ser diversão ligeira, apropriada para o mercado de locação. Nesse ponto, se aproxima mais das modestíssimas pancadarias que atulharam o mercado de vídeo nos anos 1980, como as estreladas por Chuck Norris, Michael Dudikoff, Cynthia Rothrock e outros menos cotados. Só que com sangue digital.

 

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Cinema

AS INDICAÇÕES AO OSCAR 2010

by Kas 2. February 2010 05:42
  • FILME

    AVATAR
    GUERRA AO TERROR (THE HURT LOCKER)
    UM SONHO POSSÍVEL (THE BLIND SIDE)
    DISTRITO 9 (DISTRICT 9)
    EDUCAÇÃO (AN EDUCATION)
    BASTARDOS INGLÓRIOS (INGLORIOUS BASTERDS)
    PRECIOSA (PRECIOUS)
    UM HOMEM SÉRIO (A SERIOUS MAN)
    UP - ALTAS AVENTURAS (UP)
    AMOR SEM ESCALAS (UP IN THE AIR)

  • DIREÇÃO

    James Cameron / AVATAR
    Kathryn Bigelow / GUERRA AO TERROR
    Lee Daniels / PRECIOSA
    Quentin Tarantino / BASTARDOS INGLÓRIOS
    Jason Reitman / AMOR SEM ESCALAS

  • ATOR

    Jeff Bridges / CRAZY HEART
    Jeremy Renner / GUERRA AO TERROR
    George Clooney / AMOR SEM ESCALAS
    Colin Firth / DIREITO DE AMAR
    Morgan Freeman / INVICTUS

  • ATRIZ

    Sandra Bullock / UM SONHO POSSÍVEL
    Helen Mirren / THE LAST STATION
    Carey Mulligan / EDUCAÇÃO
    Gabby Sidibe / PRECIOSA
    Meryl Streep / JULIE & JULIA

  • ATOR COADJUVANTE

    Matt Damon / INVICTUS
    Stanley Tucci / UM OLHAR DO PARAÍSO
    Woody Harrelson / O MENSAGEIRO
    Christopher Plummer / THE LAST STATION
    Christoph Waltz / BASTARDOS INGLÓRIOS

  • ATRIZ COADJUVANTE

    Penélope Cruz / NINE
    Vera Farmiga / AMOR SEM ESCALAS
    Maggie Gyllenhaal / CRAZY HEART
    Anna Kendrick / AMOR SEM ESCALAS
    Mo'Nique / PRECIOSA

  • ROTEIRO ORIGINAL

    GUERRA AO TERROR / Mark Boal
    BASTARDOS INGLÓRIOS / Quentin Tarantino
    O MENSAGEIRO / Alessandro Camon & Oren Moverman
    UM HOMEM SÉRIO / Joel e Ethan Coen
    UP - ALTAS AVENTURAS / Pete Docter, Bob Peterson e Tom McCarthy

  • ROTEIRO ADAPTADO

    DISTRITO 9 / Neill Blomkamp e Terri Tatchell
    EDUCAÇÃO / Nick Hornby
    IN THE LOOP / Jesse Armstrong, Simon Blackwell, Armando Iannucci, Tony Roche
    PRECIOSA / Geoffrey Fletcher
    AMOR SEM ESCALAS / Jason Reitman e Sheldon Turner

  • FILME ESTRANGEIRO

    A FITA BRANCA / Michael Haneke (Alemanha)
    UM PROFETA / Jacques Audiard (França)
    AJAMI / Scandar Copti e Yaron Shani (Israel)
    O SEGREDO DOS SEUS OLHOS / Juan José Campanella (Argentina)
    A TETA ASSUSTADA / Claudia Llosa (Peru)

  • LONGA DE ANIMAÇÃO

    CORALINE E O MUNDO SECRETO / Henry Selick
    UP - ALTAS AVENTURAS / Pete Docter
    O FANTÁSTICO SR. RAPOSO / Wes Anderson
    A PRINCESA E O SAPO / John Musker e Ron Clements
    THE SECRET OF KELLS / Tomm Moore

  • DIREÇÃO DE ARTE

    AVATAR / Rick Carter, Robert Stromberg e Kim Sinclair
    O MUNDO IMAGINÁRIO DO DOUTOR PARNASSUS / Dave Warren, Anastasia Masaro e Caroline Smith
    NINE / John Myhre e Gordon Sim
    SHERLOCK HOLMES / Sarah Greenwood e Katie Spencer
    THE YOUNG VICTORIA / Patrice Vermette e Maggie Gray

  • FOTOGRAFIA

    AVATAR / Mauro Fiore
    HARRY POTTER E O ENIGMA DO PRÍNCIPE / Bruno Delbonnel
    GUERRA AO TERROR / Barry Aycroyd
    BASTARDOS INGLÓRIOS / Robert Richardson
    A FITA BRANCA / Christian Berger

  • FIGURINOS

    BRILHO DE UMA PAIXÃO / Janet Patterson
    COCO ANTES DE CHANEL / Catherine Leterrier
    O MUNDO IMAGINÁRIO DO DOUTOR PARNASSUS / Monique Prudhomme
    NINE / Colleen Atwood
    THE YOUNG VICTORIA / Sandy Powell

  • MONTAGEM

    AVATAR / Stephen Rivkin, John Refoua e James Cameron
    DISTRITO 9 / Julian Clarke
    GUERRA AO TERROR / Bob Murawski e Chris Innis
    BASTARDOS INGLÓRIOS / Sally Menke
    PRECIOSA / Joe Klotz

  • MAQUIAGEM

    STAR TREK / Barney Burman, Mindy Hall e Joel Harlow
    IL DIVO / Aldo Signoretti e Vittorio Sodano
    THE YOUNG VICTORIA / Jon Henry Gordon e Jenny Shircore

  • TRILHA SONORA ORIGINAL

    AVATAR / James Horner
    O FANTÁSTICO SR. RAPOSO / Alexandre Desplat
    GUERRA AO TERROR / Marco Beltrami e Buck Sanders
    SHERLOCK HOLMES / Hans Zimmer
    UP - ALTAS AVENTURAS / Michael Giacchino

  • CANÇÃO

    A PRINCESA E O SAPO / Randy Newman ("Almost There")
    A PRINCESA E O SAPO / Randy Newman ("Down in New Orleans")
    PARIS 36 / Reinhardt Wagner; música e Frank Thomas; letras ("Loin de Paname")
    NINE / Maury Yeston ("Take It All")
    CRAZY HEART / Ryan Bingham e T Bone Burnett ("The Weary Kind")

  • MONTAGEM DE SOM

    AVATAR / Christopher Boyes e Gwendolyn Yates Whittle
    GUERRA AO TERROR / Paul N.J. Ottosson
    BASTARDOS INGLÓRIOS / Wylie Stateman
    STAR TREK / Mark Stoeckinger e Alan Rankin
    UP - ALTAS AVENTURAS / Michael Silvers e Tom Myers

  • MIXAGEM DE SOM

    AVATAR / Christopher Boyes, Gary Summers, Andy Nelson e Tony Johnson
    GUERRA AO TERROR / Paul N.J. Ottosson e Ray Beckett
    BASTARDOS INGLÓRIOS / Michael Minkler, Tony Lamberti e Mark Ulano
    STAR TREK / Anna Behlmer, Andy Nelson e Peter J. Devlin
    TRANSFORMERS - A VINGANÇA DOS DERROTADOS / Greg P. Russell, Gary Summers e Geoffrey Patterson

  • EFEITOS VISUAIS

    AVATAR / Joe Letteri, Stephen Rosenbaum, Richard Baneham e Andrew R. Jones
    DISTRITO 9 / Dan Kaufman, Peter Muyzers, Robert Habros e Matt Aitken
    STAR TREK / Roger Guyett, Russell Earl, Paul Kavanagh e Burt Dalton

  • CURTA-METRAGEM EM LIVE-ACTION

    THE DOOR
    INSTEAD OF ABRACADABRA
    KAVI
    MIRACLE FISH
    THE NEW TENANTS

  • CURTA DE ANIMAÇÃO

    FRENCH ROAST / Fabrice O. Joubert
    GRANNY O'GRIMM'S SLEEPING BEAUTY / Nicky Phelan e Darragh O'Connell
    THE LADY AND THE REAPER (LA DAMA Y LA MUERTE) / Javier Recio Gracia
    LOGORAMA / Nicolas Schmerkin
    A MATTER OF LOAF AND DEATH / Nick Park

  • DOCUMENTÁRIO EM LONGA-METRAGEM

    BURMA VJ / Anders Østergaard e Lise Lense-Møller
    THE COVE / indicados a serem determinados
    FOOD, INC. / Robert Kenner and Elise Pearlstein
    THE MOST DANGEROUS MAN IN AMERICA: DANIEL ELLBERG AND THE PENTAGON PAPERS / Judith Ehrlich and Rick Goldsmith
    WHICH WAY HOME / Rebecca Cammisa

  • DOCUMENTÁRIO CURTA-METRAGEM

    CHINA'S UNNATURAL DISASTER: THE TEARS OF SICHUAN PROVINCE
    THE LAST CAMPAIGN OF GOVERNOR BOOTH GARDNER
    THE LAST TRUCK: CLOSING OF A GM PLANT
    MUSIC BY PRUDENCE
    RABBIT À LA BERLIN

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Cinema

INVICTUS

by Kas 29. January 2010 04:45

Do fundo desta noite que persiste
A me envolver em breu - eterno e espesso,
A qualquer deus - se algum acaso existe,
Por mi’alma insubjugável agradeço.

Nas quase três décadas que passou na prisão, estes versos do poeta britânico William Ernest Henley iluminaram Nelson Mandela em sua jornada na direção do perdão. É este caminho que o líder sul-africano deseja, após ser eleito presidente, que seu país dividido por anos de apartheid siga para se tornar uma verdadeira nação. E encontra um meio para esta concretização na Copa do Mundo de Rúgbi em 1995.

Esta trajetória das trevas para a luz, sinalizada pelo poema de Henley, também bate forte no cinema de Clint Eastwood, de forma até mesmo literal. Eastwood, ao contrário de outros realizadores desta era de multiplexes e home theaters de última geração, não tem medo das sombras. É comum seus filmes serem acusados de escuros demais, dada a insistência de Eastwood em filmar com luz natural sempre que possível. Mas é uma estratégia coerente com as sagas retratadas pelo realizador desde o início de sua carreira e agora no emocionante INVICTUS (EUA, 2009), onde o cineasta aproveita as facilidades dramáticas do filme edificante de esporte e constrói seu momento mais otimista até aqui.

Na primeira metade dos anos 1990, a seleção de Rúgbi da África do Sul, capitaneada por François Pienaar (Matt Damon, ótimo) era uma equipe desacreditada, vinda de uma série de fracassos em campo e hostilizada pela maior parte da população como maior símbolo ainda vigente do apartheid. Mandela, por sua vez, viu naquele time um potencial para união e esperança e não para segregação e ódio.

O que se tem é esta gloriosa luta pela integração, não apenas racial, mas antes de tudo de um ideal. Mais uma vez, Eastwood usa o contraste entre a luz e a sombra para dissertar sobre dois mundos aparentemente opostos, que, no entanto, estão intrinsecamente conectados. Num dos mais belos momentos, os jogadores vão a uma favela confraternizar com crianças moradoras do local. É quando estas linhas divisórias começam a desaparecer.

Resta ainda mencionar a dignidade do Mandela de Morgan Freeman. Desde OS IMPERDOÁVEIS e MENINA DE OURO, Eastwood tem em Freeman um alter ego perfeito. Aquele que representa não o que o cineasta é, e sim o que gostaria de ser.

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Cinema

AMOR SEM ESCALAS

by Kas 22. January 2010 05:49

Um tubarão é condenado a estar sempre em movimento, sob pena de sucumbir por asfixia. Ryan Bingham (George Clooney), protagonista de AMOR SEM ESCALAS (UP IN THE AIR, EUA, 2009) gosta de se ver como um tubarão. Vive em aeroportos e hotéis, eventualmente dando palestras sobre desprendimento e como viajar “leve”. Bingham trabalha para uma empresa que é contratada por outras para demitir seus funcionários. Ou seja, é dele o trabalho sujo (que remete ao papel que Clooney desempenhou em CONDUTA DE RISCO) de dar a má notícia ao futuro desempregado, com a psicologia necessária para que este não processe seu ex-empregador.

As reações negativas e agressivas são o pequeno preço que Bingham considera justo pagar pela vida que leva, sem nada que o prenda em lugar nenhum e ninguém a quem prestar contas. Para ele, ou você é um tubarão ou um peixinho de aquário. Até um dia em que sua empresa decide, por iniciativa da novata Natalie Keener (Anna Kendrick), utilizar videoconferências para executar as demissões, de forma a economizar com passagens e outras despesas de viagens. Bingham é incumbido de levar Natalie numa “última viagem”, para que esta conheça diretamente as exigências da função.

O que o diretor e co-roteirista Jason Reitman (de OBRIGADO POR FUMAR e do superestimado JUNO) desenvolve com esta adaptação do livro de Walter Kirn é uma fábula sobre a crise do capitalismo e das relações humanas, o JERRY MAGUIRE desta geração. Temos então a humanização de um carreirista a partir da desilusão com a crueza dos interesses econômicos e da relação com o sexo oposto. Neste caso, com duas mulheres, Natalie e Alex Goran (Vera Farmiga), outra executiva que, como Clooney, passa boa parte da vida em ponte aérea.

Apesar do título nacional que sugere a leveza do ar, AMOR SEM ESCALAS tem menos comédia e romance do que parece. É engraçado, sem dúvida, e crível na relação entre os ótimos Clooney e Farmiga. Mas toca num mal estar que só é acentuado pelo contexto atual. Reitman, que mostra notável amadurecimento na condução (fazendo uso preciso da montagem), é inteligente por não apostar no final fácil e improvável, que destoe daquele que espera por grande parte das vítimas da crise econômica. Mas seu filme traz calor suficiente para consolar. Não seria difícil imaginar o próprio Bingham incluindo-o no seu pacote de sugestões àqueles que acaba de demitir.

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Cinema

ONDE VIVEM OS MONSTROS

by Kas 18. January 2010 05:01

Em AVATAR, James Cameron usa a fantasia para ilustrar o que seria ver o mundo – com seus conflitos físicos, emocionais e psicológicos – pelo olhar do outro. Esta estratégia, intensificada pelo brilhantismo (e gigantismo) da utilização da tridimensionalidade na narrativa e na construção espacial, foi de encontro aos anseios do público (o filme já é a segunda maior bilheteria do cinema e continua rendendo tubos de dinheiro em todo mundo).

Spike Jonze é um realizador que também se mostra fascinado com essa possibilidade de transferência do olhar. Em seus longas anteriores já existia essa discussão, o de assumir o ponto de vista alheio, de forma literal (QUERO SER JOHN MALKOVICH) e figurado (ADAPTAÇÃO).

Em ONDE VIVEM OS MONSTROS (WHERE THE WILD THINGS ARE, EUA, 2009), Jonze segue trajetória semelhante a de Cameron, se apropriando da fantasia para celebrar a compreensão. A trama, extraída por Jonze e pelo escritor Dave Eggers do livro infantil do ilustrador Maurice Sendak, é simples: Max (o expressivo Max Records) é um garoto solitário que, após uma briga com a mãe divorciada (Catherine Keener), foge de casa e vai parar numa ilha habitada por monstros. Que nada mais são do que criaturas tão solitárias e perdidas como o próprio Max.

A beleza da fantasia de Jonze está em não se limitar ao rito de passagem comum aos contos de fada. Porque o conflito que o cineasta estabelece não é apenas o do final da infância, e sim algo que vai acompanhar a todos – monstros e humanos – até o fim da vida. De cara, Max se identifica com a energia selvagem de Carol (voz de James Gandolfini), toma seu partido e é declarado rei das criaturas. Sob seu reinado, as criaturas se entregam às brincadeiras por vezes dolorosas com as quais as crianças normalmente extravasam sua raiva. O que se tem, no início, é a fome de destruição como válvula de escape para o tédio, seguida pela tentativa de construção e organização, a qual Max acredita necessária para se desenhar limites civilizatórios: uma cidade protegida por um forte. Mas como se proteger do que vem de dentro?

ONDE VIVEM OS MONSTROS, desta forma, é uma história de fracasso. E das raras narrativas infanto-juvenis onde não existem vilões. Porque todos são heróis e vilões ao mesmo tempo, por mais que Max tente dividi-los em dois grupos distintos, antes de esbarrar em mais uma decepção. É causando a frustração da qual se vê vítima em casa que Max se coloca no lugar do outro. E descobre que aqueles com quem se identificava o vêem como ele vê sua mãe, que depositam nele a mesma expectativa por orientação e segurança, expectativa essa que invariavelmente termina em desilusão. É, portanto, uma experiência incômoda para o espectador, onde o único lampejo de final feliz está numa troca de olhares (e uivos) carregados de melancolia, mas também de inesperada empatia.

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SHERLOCK HOLMES

by Kas 8. January 2010 04:34

É elementar que, após o sucesso artístico e comercial dos “reinícios” de Batman, 007 e da tripulação da nave Enterprise, Hollywood tirasse a poeira de suas franquias e procurasse lhes dar sangue novo. É o caso de Sherlock Holmes, um personagem que teve sua imagem desgastada a partir sempre da mesma abordagem: analítico, cerebral, desapaixonado e desprovido de humor são características pelas quais o grande público passou a se lembrar da criação de Arthur Conan Doyle.

Ou seja, perfeitamente propenso a uma releitura moderna, a partir das angústias e aspirações do espectador atual. A boa notícia é que SHERLOCK HOLMES (Inglaterra/Austrália/EUA, 2009), o filme, é bem melhor do se poderia esperar do produtor Joel Silver e do diretor Guy Ritchie. A solução foi buscar no próprio material de Conan Doyle os elementos que dão lastro ao detetive e alterar apenas a cosmética. Porque está tudo lá: o cachimbo, o violino, a capa e o chapéu, só que agora com clara utilização pragmática e não apenas decorativa.

Em espírito, o filme de Ritchie deve muito ao ótimo O ENIGMA DA PIRÂMIDE (1985), um dos raros fracassos de bilheteria da grife Spielberg, onde era contada a origem do personagem – seu primeiro encontro com Watson, o fato de nunca ter se casado e o início de seu antagonismo com o maléfico e igualmente brilhante Professor Moriarty. Muito disso tudo Ritchie reconta aqui, com o auxílio de efeitos digitais e do elenco inteligente. Robert Downey, Jr. fica com a tarefa de inventar um gênio impetuoso e petulante sem repetir os trejeitos do papel que lhe deu o estrelato em HOMEM DE FERRO, algo que o ator faz bem, aproveitando o sotaque que aprendeu para fazer Chaplin na cinebiografia de 1992 que lhe deu uma indicação ao Oscar.

Ritchie deixa a ação correr solta. A habilidade em esgrima foi transferida de Holmes para Watson na adaptação, e àquele foi acrescido um comportamento autodestrutivo insinuado por Conan Doyle, mas normalmente ignorado pelo herói no cinema (e aproveitado no protagonista da série HOUSE, que é mais do que baseado no Holmes literário).

Quando se tem a necessidade de explicar demais não é porque a trama por si só é complexa e sim porque não foi bem contada, algo que o roteiro faz o tempo todo, empacando o ritmo. Mas, a despeito das limitações narrativas de Ritchie, “Sherlock Holmes” agrada e reposiciona o herói para uma nova geração. A inevitável continuação é uma conclusão lógica.

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OS SETE FINALISTAS AO OSCAR 2010 DE EFEITOS VISUAIS

by Kas 6. January 2010 10:51

Primeiro, a Academia separou 15 destaques na categoria em 2009. Agora, já peneirou para sete candidatos a conquistar as três vagas de indicação ao Oscar de Efeitos Visuais. O que cada um deste sete finalistas tem de fazer agora é separar cerca de 15 minutos de cenas e fazer uma apresentação para o comitê responsável da Academia. Ganha aquele que souber vender melhor seu peixe, claro. Mas uma vaga já está virtualmente reservada para AVATAR. Sempre esteve, como acontece com todo James Cameron desde ALIENS, O RESGATE (que, aliás, levou a estatueta em 1986). Eu, particularmente, gostaria de ver DISTRITO 9 e STAR TREK acompanhando AVATAR, não apenas porque os filmes são melhores, mas também porque os efeitos são usados com mais inteligência em ambos do que na concorrência.

  • AVATAR
  • DISTRITO 9
  • 2012
  • O EXTERMINADOR DO FUTURO - A SALVAÇÃO
  • HARRY POTTER E O ENIGMA DO PRÍNCIPE
  • STAR TREK
  • TRANSFORMERS - A VINGANÇA DOS DERROTADOS

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Cinema

INDICAÇÕES AO GLOBO DE OURO!

by Kas 15. December 2009 06:08

FILME - DRAMA
AVATAR
GUERRA AO TERROR (THE HURT LOCKER)
BASTARDOS INGLÓRIOS (INGLORIOUS BASTERDS)
PRECIOSA (PRECIOUS)
AMOR SEM ESCALAS (UP IN THE AIR)

FILME - COMÉDIA OU MUSICAL
500 DIAS COM ELA (500 DAYS OF SUMMER)
SE BEBER NÃO CASE (THE HANGOVER)
SIMPLESMENTE COMPLICADO (IT'S COMPLICATED)
JULIE & JULIA
NINE

ATRIZ - DRAMA
Emily Blunt, THE YOUNG VICTORIA
Sandra Bullock, THE BLIND SIDE
Helen Mirren, THE LAST STATION
Carey Mulligan, EDUCAÇÃO
Gabby Sidibe, PRECIOSA

ATOR - DRAMA
Jeff Bridges, CRAZY HEART
George Clooney, AMOR SEM ESCALAS
Colin Firth, A SINGLE MAN
Morgan Freeman, INVICTUS
Tobey Maguire, ENTRE IRMÃOS

ATOR - COMÉDIA OU MUSICAL
Matt Damon, O DESINFORMANTE!
Daniel Day Lewis, NINE
Robert Downey Jr., SHERLOCK HOLMES
Joe Gordon Levitt, 500 DIAS COM ELA
Michael Stuhlbarg, UM HOMEM SÉRIO

ATRIZ - COMÉDIA OU MUSICAL
Sandra Bullock, A PROPOSTA
Marion Cotillard, NINE
Julia Roberts, DUPLICIDADE
Meryl Streep, JULIE & JULIA
Meryl Streep, SIMPLESMENTE COMPLICADO

ATOR COADJUVANTE
Matt Damon, INVICTUS
Stanley Tucci, UM OLHAR DO PARAÍSO
Christopher Plummer, THE LAST STATION
Christophe Waltz, BASTARDOS INGLÓRIOS
Woody Harrelson, THE MESSENGER

ATRIZ COADJUVANTE
Mo-Nique, PRECIOSA
Julianne Moore, A SINGLE MAN
Anna Kendrick, AMOR SEM ESCALAS
Vera Farmiga, AMOR SEM ESCALAS
Penélope Cruz, NINE

DIRETOR
Kathryn Bigelow, GUERRA AO TERROR
James Cameron, AVATAR
Clint Eastwood, INVICTUS
Jason Reitman, AMOR SEM ESCALAS
Quentin Tarantino, BASTADOS INGLÓRIOS

ROTEIRO
Neill Blomkampt & Terri Tatchell, DISTRITO 9
Mark Boal, GUERRA AO TERROR
Nancy Meyers, SIMPLESMENTE COMPLICADO
Jason Reitman & Sheldon Turner, AMOR SEM ESCALAS
Quentin Tarantino, BASTARDOS INGLÓRIOS

TRILHA SONORA ORIGINAL
Michael Giacchino, UP - ALTAS AVENTURAS
Marvin Hamlisch, O DESINFORMANTE!
James Horner, AVATAR
Abel Krozeniowski, A SINGLE MAN
Karen O. and Carter Burwell, ONDE ESTÃO OS MONSTROS

FILME ESTRANGEIRO
BARIA
ABRAÇOS PARTIDOS
THE MAID
UN PROPHETE
A FITA BRANCA

FILME DE ANIMAÇÃO
CORALINE E O MUNDO SECRETO
O FANTÁSTICO SR. RAPOSO
TÁ CHOVENDO HAMBURGUER
A PRINCESA E O SAPO
UP - ALTAS AVENTURAS

CANÇÃO ORIGINAL
“Cinema Italiano,” NINE
“I Want To Come Home,” Everybody’s Fine
“I See You,” AVATAR
“The Weary Kind,” CRAZY HEART
“Winter,” ENTRE IRMÃOS

SÉRIE DE TV – DRAMA
BIG LOVE (HBO)
DEXTER (SHOWTIME)
HOUSE (FOX)
MAD MEN (AMC)
TRUE BLOOD (HBO)

ATRIZ EM SÉRIE - DRAMA

Glenn Close, DAMAGES
January Jones, MAD MEN
Julianna Margulies, THE GOOD WIFE
Anna Paquin, TRUE BLOOD
Kyra Sedgwick, THE CLOSER

ATOR EM SÉRIE – DRAMA
Simon Baker, THE MENTALIST
Michael C. Hall, DEXTER
Jon Hamm, MAD MEN
Hugh Laurie, HOUSE
Bill Paxton, BIG LOVE

SÉRIE DE TV - COMÉDIA OU MUSICAL
30 ROCK (NBC)
ENTOURAGE (HBO)
GLEE (FOX)
MODERN FAMILY (ABC)
THE OFFICE (NBC)

ATRIZ EM SÉRIE DE TV - COMÉDIA OU MUSICAL
Toni Collette, UNITED STATES OF TARA
Coutney Cox, COUGAR TOWN
Edie Falco, NURSE JACKIE
Tina Fey, 30 ROCK
Lea Michelle, GLEE

ATOR EM SÉRIE DE TV - COMÉDIA OU MUSICAL
Alec Baldwin, 30 ROCK
Steve Carrel, THE OFFICE
David Duchovny, CALIFORNICATION
Thomas Jane, HUNG
Matthew Morrison. GLEE

MINISSÉRIE OU FILME PARA A TV
GEORGIA O’KEEFFE (LIFETIME TELEVISION)
GREY GARDENS (HBO)
INTO THE STORM (HBO)
LITTLE DORRIT (PBS)
TAKING CHANCE (HBO)

ATRIZ EM MINISSÉRIE OU FILME PARA TV
Joan Allen, GEORGIA O’KEEFFE
Drew Barrymore, GREY GARDENS
Jessica Lange, GREY GARDENS
Anna Paquin, THE COURAGEOUS HEART OF IRENA
SENDLER
Sigourney Weaver, PRAYERS FOR BOBBY

ATOR EM MINISSÉRIE OU FILME PARA TV
Kevin Bacon, TAKING CHANCE
Kenneth Branagh, WALLANDER: ONE STEP BEHIND
Chiwetel Ejiofor, ENDGAME
Brendan Gleeson, INTO THE STORM
Jeremy Irons, GEORGIA O’KEEFFE
 
ATRIZ COADJUVANTE EM SÉRIE, MINISSÉRIE OU FILME PARA TV 
Jane Adams, HUNG
Rose Byrne, DAMAGES
Jane Lynch, GLEE
Janet McTeer, INTO THE STORM
Chloë Sevigny, BIG LOVE

ATOR COADJUVANTE EM SÉRIE, MINISSÉRIE OU FILME PARA TV
Michael Emerson, LOST
Neil Patrick Harris, HOW I MET YOUR MOTHER
William Hurt, DAMAGES
John Lithgow, DEXTER
Jeremy Piven, ENTOURAGE

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OS FINALISTAS AO OSCAR DE EFEITOS VISUAIS

by Kas 11. December 2009 18:10

Como sempre, posto aqui os finalistas às indicações de uma das categorias do Oscar que mais me interessa (ao lado de Trilha Sonora, Fotografia e Direção): a de Efeitos Visuais. São 15 títulos que serão em janeiro peneirados para 7, que, por sua vez, terão a honra de exibir um apanhado de cenas para o comitê encarregado da Academia. Este então selecionará aqueles que ocuparão as 3 vagas da categoria. Vamos a eles:

  • ANJOS E DEMÔNIOS
  • AVATAR
  • CORALINE E O MUNDO SECRETO
  • OS FANTASMAS DE SCROOGE
  • DISTRITO 9
  • FORÇA G
  • G.I. JOE - A ORIGEM DO COBRA
  • HARRY POTTER E O ENIGMA DO PRÍNCIPE
  • SHERLOCK HOLMES
  • STAR TREK
  • O EXTERMINADOR DO FUTURO - A SALVAÇÃO
  • TRANSFORMERS - A VINGANÇA DOS DERROTADOS
  • 2012
  • WATCHMEN, O FILME
  • ONDE ESTÃO OS MONSTROS
Alguma dúvida que AVATAR passa na peneira?

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