SALT

by Kas 30. July 2010 11:09

Logo no início de SALT (idem, 2010), que estréia hoje em todo o Brasil, a super agente da CIA Evelyn Salt (Angelina Jolie) é libertada de uma prisão norte-coreana, por onde passou por toda sorte de torturas e maus tratos (que nem James Bond em 007 - UM NOVO DIA PARA MORRER). Mas seu verdadeiro calvário começa quando é acusada nos EUA de ser, na verdade, uma espiã russa infiltrada, parte de um plano maligno para causar uma guerra que levará a América à destruição.

Planejado para ser uma nova franquia de aventuras de espionagem na linha de Jason Bourne e James Bond, SALT, originalmente, foi oferecido a Tom Cruise, que optou por interpretar no lugar outro espião duro de matar em ENCONTRO EXPLOSIVO, também em cartaz nos cinemas. O roteirista Kurt Wimmer, que já explorara os meandros da CIA em O NOVATO (2003), não perdeu tempo e trocou o sexo do protagonista, entregando o papel a Angelina Jolie, que já provou dar conta de toda espécie de vilão em O PROCURADO, SR. E SRA. SMITH e TOMB RAIDER.

Pois Jolie aqui se supera nos malabarismos e na pancadaria, e sobra para um grupo de ingênuos saudosos da Guerra Fria que querem transformar a Rússia novamente numa superpotência, destruindo os EUA no processo. Os vilões são tão anacrônicos que um deles até esconde uma faca na sola do sapato, tal qual a arma da clássica agente russa de MOSCOU CONTRA 007. Poderia até soar como uma homenagem, se o roteiro não fosse tão derivativo e com mais furos que as vítimas da pontaria perfeita de Jolie. O diretor Phillip Noyce, que já trabalhara com a estrela no mediano O COLECIONADOR DE OSSOS, bem que tenta, mas não consegue encontrar lógica na trama. Pelo contrário, parece ter esquecido todo o engajamento crítico de filmes como O AMERICANO TRANQUILO e GERAÇÃO ROUBADA, e voltado aos tempos mais inconsequentes de O SANTO. E o espectador fica realmente intrigado é com aquilo que o filme não mostra: como uma agente tão fabulosa conseguiu ser capturada na tal Coréia do Norte do início do filme?

Be the first to rate this post

  • Currently 0/5 Stars.
  • 1
  • 2
  • 3
  • 4
  • 5

Tags:

Cinema

TUDO PODE DAR CERTO

by Kas 30. July 2010 11:05

Um intelectual de meia idade neurótico e ranzinza sofre com a solidão auto-infringida, em meio à efervescência novaiorquina, até que cai de quatro por uma jovem que mal chegou na maioridade (a gracinha Evan Rachel Wood, fazendo um papel clone do de Anna Paquin em TRUE BLOOD). Não que isso irá mudar muito sua forma niilista de ver o mundo, mas é pretexto para desfilar comentários ainda mais sarcásticos sobre tudo e todos.

Ou seja, TUDO PODE DAR CERTO (WHATEVER WORKS, 2009) é um típico Woody Allen, e talvez por isso recebido com frieza pela crítica, que se sabe lá porque cobra do diretor um tipo de cinema que lhe é estranho, e com isso deixa de curtir o filme pelo que ele é: uma divertida e inteligente comédia. Tudo bem que não é memorável como os melhores filmes de Allen, mas a verdade é que este pertence a uma estirpe rara de cineastas, aqueles cujos filmes quando são bons, são excelentes, e quando são regulares, ainda assim são melhores que a maioria dos que estão em cartaz por aí.

Não que Woody Allen tenha se acomodado na fama e nivelado por baixo. De vez em quando solta um MATCH POINT pra provar que ainda é dos maiores. Mas prefere seguir nos presenteando regularmente com um filme por ano, e sempre mantendo a mesma identidade e a forma personalíssima de ver e fazer cinema.

TUDO PODE DAR CERTO é assim, um legítimo Allen, mesmo que o próprio não dê as caras, cedendo seu papel padrão para Larry David, que brilhou na TV com as séries SEINFELD (do qual foi roteirista e produtor) e CURB YOUR ENTUASIASM, que também estrela. David compõe um personagem mais ríspido e antipático do que os vividos por Allen em outros filmes, menos digno de afeição, mas igualmente fragilizado por trás das ofensas dirigidas a Deus e todo mundo. Chauvinista, preconceituoso e intratável, não passa pelo “arco do personagem” típico das produções hollywoodianas, na qual este revê seus conceitos e pontos de vista com relação a sua vida. Ao contrário, continua o mesmo, mesmo com todos mudando a seu redor. E continua engraçadíssimo, assim como o próprio cinema de Woody Allen.

Be the first to rate this post

  • Currently 0/5 Stars.
  • 1
  • 2
  • 3
  • 4
  • 5

Tags:

Cinema

PREDADORES

by Kas 27. July 2010 15:40

Saindo da sessão para imprensa de PREDADORES (PREDATORS, 2010), ouço no rádio que a Polícia Civil do Rio de Janeiro está investindo mais de sete milhões de reais em um equipamento que permite com que os policiais identifiquem os criminosos no escuro, a partir de leitura do calor corporal destes últimos.

Algo irônico, já que a franquia PREDADOR foi construída a partir de um conceito muito esperto e interessante: e se a compulsão humana para a caça predatória não fosse exclusiva? E se existisse uma raça ainda mais violenta e sedenta de sangue, que transformasse a nós em caça? PREDADOR, dirigido por John McTiernan em 1987, trazia um grupo de mercenários que, em uma operação na floresta da Guatemala, é dizimado um a um por uma criatura alienígena. Dotado de sofisticados equipamentos de camuflagem e o tal sensor de calor, o Predador vem a nosso planeta de tempos em tempos para praticar o esporte de caça. Quanto mais perigosa for a presa, melhor e mais estimulante. Daí a opção por mercenários armados até os dentes, entre eles um invencível Arnold Schwarzenegger.

Misturando elementos do cinema de ação que chegou ao auge naquela década, e do qual Schwarzenegger é dos maiores expoentes, com o mix de terror e ficção científica que deu tão certo em ALIEN e O ENIGMA DE OUTRO MUNDO, PREDADOR de cara deu origem a um monstro memorável e a uma franquia que se estendeu aos trancos e barrancos pelas décadas seguintes. Sua fraca continuação, PREDADOR 2 - A CAÇADA CONTINUA, situava a criatura em uma selva urbana, enquanto as ainda mais fracas duas partes da malfadada franquia amálgama ALIEN VS. PREDADOR os colocava em confronto direto com outro monstro célebre do cinema moderno. Sem o mesmo pulso do filme original, estes derivados serviram apenas para banalizar o conceito inicial e diluir o mistério do personagem.

De forma a contornar a familiaridade que as platéias modernas têm com o monstro e retomar o senso de perigo e apreensão do filme original, PREDADORES altera radicalmente o campo de atuação dos monstros. No lugar de uma ambiente terrestre, a caça – ou seja, um grupo de perigosos indivíduos – agora é transportada para um planeta desconhecido que funciona como reserva de caça. Num ambiente estranho que não dominam, resta aos personagens não apenas sobreviver, mas também escapar.

O diretor Nimród Antal (do eficiente suspense TEMOS VAGAS) e o produtor Robert Rodriguez primam por manter o mesmo ritmo contido do cinema fantástico dos anos 1980. A narrativa  respira, toma seu tempo, e cria a atmosfera necessária para que a presença das criaturas invisíveis volte a ser uma ameaça palpável, e não apenas pretexto para o show de efeitos digitais. Perto do cinema de ação moderno, cada vez mais grandiloqüente e alucinante, PREDADORES parece mesmo um alien.  Mas os realizadores mantêm a tendência atual de escalar o elenco contra o tipo padrão. Nada de brucutus musculosos comandando a ação. Alguns dos papéis principais foram para magricelos como Adrian Brody e Topher Grace ou pra brasileira Alice Braga (que vem fazendo expressiva carreira internacional pós-CIDADE DE DEUS). Não é a toa que os integrantes mais ameaçadores do elenco são os que primeiro viram churrasco nas mãos dos predadores.

Ainda de positivo, PREDADORES amplia de forma instigante o conceito original, sugerindo que as maiores barbaridades perpetradas pelos monstros são lições aprendidas observando o comportamento humano. Tanto aqui quanto em qualquer parte do universo, os homens continuam sendo os mais letais dos predadores.

Currently rated 5.0 by 1 people

  • Currently 5/5 Stars.
  • 1
  • 2
  • 3
  • 4
  • 5

Tags:

Cinema

ENCONTRO EXPLOSIVO

by Kas 21. July 2010 11:56

Quando SR. E SRA. SMITH  estourou nas bilheterias em 2005, a expectativa era que os cinemas fossem inundados com derivados da aventura do casal de espiões explosivos na cama e fora dela. Não foi o que ocorreu. Demorou cinco anos para que o filme que juntou Brad a Angelina ganhasse um filhote bastardo, este ENCONTRO EXPLOSIVO (KNIGHT AND DAY, 2010) que estréia hoje nos cinemas.

Cameron Diaz é uma pacata restauradora de carros antigos que, ao embarcar no aeroporto de Wichita, Kansas, esbarra no agente secreto vivido por Tom Cruise. Logo ela percebe que se envolveu numa conspiração internacional que envolve uma cobiçada fonte de energia perpétua, e, sempre ao lado do sorridente Cruise, passa a fugir pelo globo afora de agentes renegados.

Esqueça a safra de agentes secretos “realistas”, como Jason Bourne, Jack Bauer e o atual James Bond. Tom Cruise é da seara do espetáculo inverossímil, um espião que coloca o próprio Ethan Hunt (interpretado pelo astro nos filmes da série MISSÃO: IMPOSSÍVEL) e o 007 de Roger Moore e Pierce Brosnan no chinelo. ENCONTRO EXPLOSIVO não tem o cinismo de SR. E SRA. SMITH: o tom é de farsa, e merecia um diretor de mão menos pesada que James Mangold, de dramas como COPLAND, GAROTA INTERROMPIDA e JOHNNY & JUNE. Assim, cenas como aquela em que Cameron Diaz se dá conta de que está em um Boeing repleto de cadáveres e prestes a cair em solo norte-americano não deixaria um gosto meio amargo na boca. Que tal um diretor como Michael Davis, de MANDANDO BALA?

Apesar das ruguinhas a mais, Cruise e Diaz, que já trabalharam juntos em VANILLA SKY, continuam bonitos e atléticos, e convencem tanto no humor quanto na ação. O roteiro tem idéias bacanas, como a de deixar os personagens inconscientes durante os momentos mais inverossímeis, fazendo com que o espectador “complete” com a imaginação e com o repertório tirado de dezenas de filmes de ação aquilo que não presenciou.

Mas o filme é tão inconseqüente que não deixa marcas. Ao contrário de SR. E SRA. SMITH, que pelo menos causou grande e duradoura impressão entre seus astros dentro e fora da tela, ENCONTRO EXPLOSIVO não corre o risco de fazer o mesmo com o espectador.

Be the first to rate this post

  • Currently 0/5 Stars.
  • 1
  • 2
  • 3
  • 4
  • 5

Tags:

Cinema

SHREK PARA SEMPRE

by Kas 21. July 2010 11:49

Se os filmes anteriores da série pregavam a aceitação da diferença, com seu conto do monstro que é, na verdade, o herói, da princesa que é uma ogra, e do mundo encantado que é o quintal de Hollywood, SHREK PARA SEMPRE (SHREK 4 EVER, 2010) inverte o foco. Desta vez, o Ogro (e o espectador) deve aprender a lidar é com o que é familiar, em mais de um sentido.

No filme, Shrek (voz de Mike Myers na versão legendada) lida com a crise de meia-idade: a rotina do casamento, da criação dos três rebentos e da falta de privacidade e sossego advinda da fama obtida nas três aventuras anteriores. Em suma, Shrek sofre por ter sido domesticado, e sonha com os tempos de Ogro temido e selvagem. É quando entra em cena Rumpelstiltskin, um duende salafrário, resgatado do folclore alemão. Este propõe a Shrek um contrato mágico que lhe permitirá passar um dia inteiro como o Ogro de outrora, sem as responsabilidades atuais. Claro que Shrek é enganado e tem de tentar rescindir o contrato para salvar o reino de Muito, Muito Distante das mãos do duende.

Além de Rumpelstiltskin, o outro vilão do quarto filme é também de origem germânica: o Flautista de Hamelin (chamado aqui simplesmente de Flautista Mágico), que trabalha como caçador de recompensas encarregado de encontrar e prender Shrek e Fiona (voz de Cameron Diaz).

A mensagem do filme é claramente reacionária, lembrando outra crise de meia-idade, a de Adam Sandler em CLICK. Não que a série SHREK prime pela sutileza. Aqui, o diretor Mike Mitchell (de GIGOLÔ POR ACIDENTE e SKY HIGH - ESCOLA DE SUPER-HERÓIS) até que segura a onda das piadas sobre gases corporais e usa bem as possibilidades do 3D. Mas a moral da história não tem tanta graça assim. Pra uma série que começou como uma subversão, este último capítulo é estranhamente conformista.

Be the first to rate this post

  • Currently 0/5 Stars.
  • 1
  • 2
  • 3
  • 4
  • 5

Tags:

Cinema

OLHOS AZUIS

by Kas 28. May 2010 06:12

Ninguém pode acusar o cineasta José Joffily de falta de paixão e coerência. Quando Collor deu fim à Embrafilme e praticamente enterrou a prática de cinema no Brasil no início dos anos 1990, Joffily realizou na raça e na coragem o noir tupiniquim A MALDIÇÃO DE SAMPAKU (1991). Se apreço pelo submundo e pelas narrativas policiais continuou em QUEM MATOU PIXOTE? (1996), biografia do ator Fernando Ramos da Silva, ACHADOS E PERDIDOS (2005) e 2 PERDIDOS NUMA NOITE SUJA (2002), adaptação da peça de Plínio Marcos, no qual ele já antecipa a questão da imigração abordada neste OLHOS AZUIS.

Na mesma medida, Joffily também não é conhecido pela sutileza. Seus filmes costumam ser carregados, abusando das soluções melodramáticas. OLHOS AZUIS não é diferente. Praticamente todo falado em inglês, o filme conta a história de um ex-oficial da alfândega norte-americana que, após sair da prisão, vem ao Brasil em busca da filha de um imigrante brasileiro. Suas razões serão explicitadas numa série de flashbacks passados na imigração numa única noite, a última de Marshall, o protagonista, no cargo.

Alcoólatra, racista e moribundo, Marshall representa todo o ódio acumulado por décadas e décadas de imigração latina na sua América. É uma doença ambulante em busca de uma cura, que contamina seus subordinados, e  espalha seus malefícios sobre as pobres almas que aguardam por seu carimbo no visto de modo a entrarem nos EUA. No Brasil, Marshall contrata os serviços de uma prostituta pernambucana (Cristina Lago), cuja única função narrativa é servir como interlocutora para que Marshall exponha suas intenções.

Em seu discurso denúncia, Joffily claramente emula as estratégias do cineasta mexicano Alejandro Gonzales Iñarritú: narrativa entrecortada, fotografia granulada, câmera na mão. OLHOS AZUIS poderia muito bem ser uma das tramas de BABEL. A mão pesada do diretor não deixa de ser funcional durante a maior parte do tempo, mas derrapa em sequências inconvincentes, como a da visita ao avô da prostituta e a da reversão de papéis entre entrevistador e entrevistado no clímax. Por outro lado, Joffily teve a grande sacada de escalar como protagonista o ator David Rasche, famoso no Brasil na década de 1980 como o policial fascista Sledge Hammer do enlatado NA MIRA DO TIRA. Só sua escalação já economiza páginas e páginas de exposição do personagem.

Be the first to rate this post

  • Currently 0/5 Stars.
  • 1
  • 2
  • 3
  • 4
  • 5

Tags:

Cinema

ROBIN HOOD

by Kas 17. May 2010 06:04

Após abrir o Festival de Cannes na última quarta, chega aos cinemas a versão de Ridley Scott para a lenda de ROBIN HOOD (EUA/Inglaterra, 2010). Reinvenção seria o termo mais apropriado, aliás. Scott e seu fiel escudeiro Russell Crowe procuram especular sobre o que levou tal personagem a virar o mais célebre dos foras da lei.

Vieram então com a história de Robin Longstride (Crowe), arqueiro do exército do Rei Ricardo Coração de Leão (Danny Huston, usando sua canastrice para o bem desta vez). Quando o Rei é morto ao voltar das Cruzadas, Longstride assume a identidade do nobre Sir Robert Loxley, de forma a retornar à Inglaterra e entregar a coroa ao Príncipe John, irmão mais novo e sucessor do Rei Ricardo. Com a Inglaterra falida e prestes a sucumbir a lutas internas entre os vários reinos, cabe a Robin Longstride, também conhecido como Robin Hood, liderar os ingleses contra a iminente invasão da França, ao mesmo tempo em que tenta conquistar o coração de Marion (Cate Blanchett), viúva de Loxley.

Vendido como um novo GLADIADOR, que até hoje é o maior sucesso da carreira de Scott e Crowe, ROBIN HOOD periga desagradar aquele que vai ao cinema buscando ação incessante. Só que a opção de Scott por um ritmo menos acelerado e mais bem humorado (algo raro na carreira do cineasta) acaba por tornar seu filme, durante a maior parte de sua duração, um entretenimento inteligente e elegante. Scott toma o tempo necessário para situar o espectador na Inglaterra medieval, e é exatamente a atenção meticulosa com os detalhes históricos e seu foco no lógica interna por trás dos personagens que fazem a força de seu ROBIN HOOD. Me lembra bastante o clima de romances históricos, como os de Patrick O'Brian e Bernard Cornwell (aliás, Scott seria minha primeira opção para uma versão das aventuras de Sharpe para a tela grande). Mas a impressão que dá é que o cineasta mirou mesmo é no realismo obtido por Richard Lester no maravilhoso ROBIN E MARIAN (1976), minha versão favorita para a lenda.

Gosto bastante da opção de Scott pela narrativa simples e sem muita afetação, e até mesmo leve, considerando a época retratada. Pela primeira vez em muito tempo, dá a impressão de que o cineasta está realmente curtindo sua função, sem o senso de auto-importância que acompanha a grande maioria de seus trabalhos. É um filme que se acompanha com facilidade, sem que seja preciso com que os realizadores nivelem por baixo por conta disso. Pelo menos até a parte final. Na última meia-hora, no momento em que a narrativa resolve correr em direção à grande batalha entre ingleses e franceses, é que o filme se perde, levando a um clímax frouxo, e deixando em sua trilha alguns buracos incontornáveis de roteiro. É quando surgem momentos constrangedores, como a inclusão abrupta de Marion no meio da labuta, sem que nenhuma preparação tenha sido feita antes para tal ação. Sinal de que teremos no futuro uma inevitável “versão estendida do diretor” em DVD e Blu-ray, na qual ROBIN HOOD deverá encontrar sua cadência apropriada, como aconteceu antes com CRUZADA, do mesmo diretor.

Be the first to rate this post

  • Currently 0/5 Stars.
  • 1
  • 2
  • 3
  • 4
  • 5

Tags:

Cinema

O UNIVERSO CINEMÁTICO DA MARVEL/DC

by Kas 30. April 2010 06:22

Quem lê quadrinhos está mais do que acostumado a ver um determinado herói aparecer na revista do outro, histórias de diversos títulos que se interligam e, claro, supergrupos que reúnem vários super-heróis contra uma ameaça em comum. Conceito semelhante pode ser encontrado nas adaptações animadas televisivas das HQs, mas até hoje é algo inédito no cinema.

O que pode ser facilmente explicado. Normalmente, editoras como a Marvel vendiam os direitos de seus personagens para estúdios diferentes e concorrentes, o que impedia que estes heróis pudessem contracenar um com o outro. Mesmo estúdios que possuíam direitos sobre um universo de personagens, como é o caso da Warner (proprietária da DC Comics), temiam em comprometer a integridade comercial da prata da casa – leia-se os heróis mais populares, como Batman e Superman – misturando-os com heróis do segundo escalão. E existe também a questão do custo. Se um filme de herói já tem orçamento estratosférico, imagine então um filme com vários heróis?

Pois de uns anos pra cá as coisas começaram a mudar. A Marvel, animada com o sucesso de HOMEM-ARANHA, X-MEN e outros menos cotados, criou uma divisão de cinema para gerenciar aqueles personagens cujos direitos ainda não tinha cedido para outros estúdios. A idéia era produzir os próprios longas com financiamento independente e distribuí-los através de estúdios parceiros. Encontrou de cara o pote de ouro com a bilheteria surpreendente de HOMEM DE FERRO, o primeiro título da Marvel Films, o que animou a empresa a sonhar alto. Logo, os executivos da Marvel traçaram um plano ambicioso de realizarem alguns filmes solos de personagens famosos entre os fãs de quadrinhos, mas nem tanto fora desse meio, para posteriormente reuni-los em um único longa, mantendo a continuidade – o que inclui os mesmos atores. Ou seja, repetir no cinema o que já é manjado nas HQs, a criação de um universo único e coeso.

HOMEM DE FERRO foi a ponta da lança. Logo após os créditos do primeiro filme, a Marvel espertamente inseriu uma breve cena extra, onde Tony Stark se encontrava com Nick Fury (interpretado por Samuel L. Jackson, que assinou contrato para retomar o papel em nove filmes do estúdio), diretor da S.H.I.E.L.D., unidade de espionagem da Marvel que, nos quadrinhos atuais, é responsável pela criação do principal supergrupo da editora, Os Vingadores.

A estratégia se repetiu no segundo filme da Marvel, O INCRÍVEL HULK, que trazia também ao final um diálogo entre o General Ross (William Hurt) e o próprio Tony Stark, já dando as caras em filme alheio. Todas essas inserções já visavam preparar o terreno para os novos filmes do estúdio. Começando por este HOMEM DE FERRO 2, que já amplia a participação de Nick Fury e da S.H.I.E.L.D., e apresenta ao público de cinema mais uma personagem da editora, a espiã russa Viúva Negra (Scarlett Johanssen). Sem falar na presença impagável (não perca a cena após os créditos) dos objetos icônicos usados pelos protagonistas dos próximos filmes do estúdio, a serem lançados no ano que vem e em 2012: THOR (que você confere na imagem acima) e CAPITÃO AMÉRICA. Este último, segundo consta, deve contar com a participação do supergrupo da 2ª Guerra Os Invasores.

A coisa toda culminará com o lançamento de OS VINGADORES em 2012, o superpoderoso boyband (nas palavras de Tony Stark) que reúne Homem de Ferro, Thor, Capitão América, provavelmente o Hulk, e vários outros heróis menos conhecidos que, caso a iniciativa Vingadores funcione, irá desencadear uma nova série de filmes próprios, como o meu tão querido HOMEM-FORMIGA, que deverão ser distribuídos pela Disney, atual proprietária da Marvel.

De olho no quintal alheio, a DC/Warner já começou a traçar seus planos para unificar seu universo. Ainda que continue lançando filmes sem ligação entre si, como os recentes OS PERDEDORES e JONAH HEX, o estúdio criou a DC Entertainment visando criar uma linha coerente para suas futuras adaptações. Segundo informações obtidas dentro do estúdio, a idéia é considerar BATMAN BEGINS como o big bang deste universo, seguido por BATMAN – O CAVALEIRO DAS TREVAS, e aos poucos, ir introduzindo novos personagens como o LANTERNA VERDE, cujo longa talvez traga referências ao Homem Morcego, e o novo SUPERMAN, previsto para o final de 2012 (se o mundo não acabar mais cedo naquele ano). Some-se a esses os persistentes rumores a respeito de longas do FLASH e MULHER-MARAVILHA. Ou seja, se os deuses cinematográficos ajudarem, o tão sonhado filme da LIGA DA JUSTIÇA finalmente sairá do papel nos próximos cinco anos.

Currently rated 5.0 by 2 people

  • Currently 5/5 Stars.
  • 1
  • 2
  • 3
  • 4
  • 5

Tags:

Cinema

HOMEM DE FERRO 2

by Kas 30. April 2010 05:58
Não são muitas as continuações que se equiparam ao filme original, quanto mais que o superam. Dá pra contá-las nos dedos. A estas se junta agora o ótimo HOMEM DE FERRO 2 (IRON MAN 2, EUA, 2010), dando sequência ao sucesso surpresa de dois anos atrás.

Tony Stark, o alter-ego do herói, era um ilustre desconhecido do grande público quando chegou aos cinemas em 2008, sem a fama de um Homem-Aranha, Batman ou Hulk. Quase US$ 600 milhões depois, acumulados só nas bilheterias, o Homem de Ferro virou a sensação do momento.

Não é pra menos. Rico, famoso, espirituoso, inventor genial, excêntrico, playboy, narcisista e de bem com a vida e com os milhões, Tony Stark encarna o ideal para o macho moderno. Inspirado no também milionário e inventor Howard Hughes, Stark não carrega a culpa e a amargura de um Batman, que utiliza a figura pública de seu alterego Bruce Wayne como máscara para o justiceiro vingador que, no fundo, odeia tudo que Wayne representa. Pelo contrário, Stark gosta da idéia de ser um super-herói. É apenas mais um privilégio de sua condição financeira e social. Ao lado dos carros e iates caríssimos, repousa uma armadura invencível que o torna ultrapoderoso e o permite voar na velocidade do som.

Esta leveza com a qual o personagem encara a função é um refresco perto dos heróis angustiados que inundam as HQs e as telas. Batman, Homem-Aranha, os X-Men, até mesmo o Superman, todos encaram com seriedade, e nem sempre com prazer, o ofício de ser herói e carregam a culpa pelos poderes o colocarem num nível diferente do resto da humanidade. Não quer dizer que o Homem de Ferro não tenha responsabilidade social. Afinal, o herói surgiu a partir da tomada de consciência de Stark, que no primeiro filme é vítima das armas que ele mesmo ajudou a criar. O grande vilão de ambos os filmes do personagem é a própria indústria bélica que até então Stark ajudava a alimentar.

Mas a questão é que Tony Stark encara esta “obrigação” de fazer o bem da mesma forma que um James Bond o faz, algo que oferece também uma oportunidade para uma vida excitante e singular. Esta é a maior sacada dos produtores dos filmes do Homem de Ferro: aproximá-los das aventuras de 007, com sua profusão de locações internacionais e gadgets de última geração. Tony Stark é mais próximo do James Bond convencional do que o próprio agente apresentado nos filmes recentes da série – CASSINO ROYALE e QUANTUM OF SOLACE –, movido por um desejo de vingança que o torna menos “perfeito” perante o ideal masculino.

Interpretado com gosto por Robert Downey Jr., Tony Stark entra em cena em HOMEM DE FERRO 2 exatamente no ponto em que encerrou o primeiro, anunciando publicamente sua “identidade secreta”. Seguem-se as conseqüências desta atitude, com a mídia dividindo entre prós e contra, e o governo norte-americano pressionando para que Stark lhe entregue o projeto da armadura, visando a segurança nacional. Numa cena impagável, o protagonista é obrigado a comparecer perante a uma comissão do senado para justificar seus atos, sob pena de ser considerado anti-patriota. Em outra, o Homem de Ferro pousa grandiosamente no palco da feira de tecnologia promovida por Stark, que, no mesmo palco, tira a armadura revelando um perfeito smoking, numa homenagem explícita a uma famosa cena de James Bond em 007 CONTRA GOLDFINGER.

Os vilões genéricos da vez são Mickey Rourke, como um inventor russo que quer vingança contra Stark, e Sam Rockwell, como um fabricante de armas concorrente do herói. A maior ameaça ao herói, porém, é o próprio, já que o mesmo dispositivo que ele criou para sobreviver no primeiro filme o está envenenando aos poucos. As cenas de ação, como se espera de uma superprodução deste tipo, funcionam bem e são empolgantes, mas é visível o quanto o diretor Jon Favreau (que também interpreta o motorista de Stark) prefere se livrar logo delas para voltar aos personagens, principalmente ao próprio Tony Stark. A armadura é reluzente e imponente, mas a graça do filme está mesmo no homem dentro dela.

Currently rated 5.0 by 2 people

  • Currently 5/5 Stars.
  • 1
  • 2
  • 3
  • 4
  • 5

Tags:

Cinema

A MENTE QUE MENTE

by Kas 3. April 2010 07:32

O ridículo título nacional é, além de tudo, enganador. Que tal mente que mente é essa? Não a do Grande Buck Howard, o mentalista vivido por John Malkovich no filme do desconhecido Sean McGinly.

Um mentalista é uma espécie de mágico (é melhor que Buck Howard não ouça essa comparação) que consegue ler ou manipular as mentes da platéia. Howard, uma vez grande de verdade, está em decadência, e é para ele que o jovem Troy Gable (Colin Hanks) vai trabalhar quando resolve abandonar a escola de direito, contra a vontade do pai (Tom Hanks, também produtor e pai de Colin também na vida real).

Ao mesmo tempo intratável e carismático, Buck Howard tem um grande truque, o qual sempre usa para fechar suas apresentações: ele pede com que alguém da platéia esconda seu cachê, para então descobrir usando apenas o poder da mente. Howard não divide com ninguém o segredo deste truque, nem com os membros da sua equipe.

O que o personagem tem de segredo, porém, A MENTE QUE MENTE (THE GREAT BUCK HOWARD, 2008) tem de previsível. Não que isto atrapalhe a diversão que é ver John Malkovich num daqueles raros papéis em que não tem de fazer cara de tédio (ou no qual está realmente entediado). Buck Howard é perfeito para o lado mais expansivo de Malkovich, uma faceta que o ator quase nunca tem chance de mostrar, mas quando o faz, como em NA LINHA DE FOGO e QUEIME DEPOIS DE LER, mostra o mesmo tipo de magnetismo do qual Jack Nicholson abusa e usa com frequência. Ao contrário do que insinua o título nacional, nunca soa falso em sua excentricidade. É bem secundado por um elenco que inclui a gracinha Emily Blunt, Steve Zahn e várias participações especiais de celebridades, que interpretam a si mesmo.

Já o diretor Sean McGinly, que também escreveu o roteiro baseado nas suas experiências como assessor de um mentalista real, não é nenhum mágico. Se contenta em conduzir a narrativa com discrição e deixar o holofote somente para o Grande John Malkovich. Sorte do público.

Be the first to rate this post

  • Currently 0/5 Stars.
  • 1
  • 2
  • 3
  • 4
  • 5

Tags:

Cinema

Powered by BlogEngine.NET 1.4.0.0
Theme by Mads Kristensen