Eu Matei Minha Mãe
(J’ai tué ma mère, Canadá, 2009).
Dirigido por Xavier Dolan.
Com: Xavier Dolan, Anne
Dorval, François Arnaud, Suzanne Clément.

por Pablo Villaça
É permitido ter inveja de
Xavier Dolan: aos 20 anos, o canadense roteirizou, dirigiu e protagonizou um
filme que não apenas foi exibido em Cannes como recebeu três prêmios no festival
– e mesmo que esteja longe de ser um Cidadão Kane, seu Eu Matei
Minha Mãe é um trabalho sensível e visceral. Ah, sim: como se não bastasse,
Dolan é um sujeito bonito que não enfrentaria muitos problemas para se
estabelecer como galã. Canalha.
Girando em torno do
relacionamento do jovem Hubert (Dolan) e sua explosiva mãe Chantale (Dorval), o
filme adota uma abordagem intimista ao focar esta pequena família através de uma
câmera que se mantém sempre próxima dos atores enquanto estes expõem o desprezo
que seus personagens sentem um pelo outro. Constantemente gritando (o que se
torna desgastante para o público, num efeito que Dolan provavelmente estava
mesmo buscando), aquelas pessoas parecem se detestar – e é por isso que os
ocasionais instantes de carinho que compartilham se tornam surpreendentemente
significativos.
Contrapondo a escuridão
constante da casa de Hubert e sua mãe com a claridade do apartamento no qual o
namorado do rapaz mora (o que é mais do que adequado, já que o relacionamento
deste com a própria mãe é extremamente harmonioso), Dolan também faz uma curiosa
utilização da câmera lenta em planos que retratam explosões de violência do
protagonista.
Exaustivo mas eficaz
estudo de personagens, Eu Matei Minha Mãe ainda conta com um desfecho
que, respeitando a lógica da história, soa satisfatório sem necessariamente
poder ser considerado como um “final feliz”. (4 estrelas em 5)
Confira aqui a ficha do filme no Cinema em Cena
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