Inimigos Públicos

Tuesday, 28 July 2009 17:01 by Elvis "Wolvie" Rodrigues


(Public Enemies, 2009, dir. Michael Mann)

 Durante a depressão causada pela quebra da bolsa de valores em 1929 nos Estados Unidos, surgiram muitos bandidos, principalmente assaltantes de bancos (que já nessa época concentravam as riquezas nas mãos dos banqueiros, sobretudo os membros da família Rockefeller – quem assistiu ao documentário Zeitgeist sabe como eles conseguem se manter ricos), como Bonnie e Clyde e John Dillinger. Estes assaltantes foram chamados pelo primeiro diretor do FBI, J. Edgar Hoover (vivido por Billy Crudup no filme), de Inimigos Públicos, fazendo uso do termo utilizado em Chicago para descrever Al Capone e sua gangue.

O bom filme Inimigos Públicos se passa em um recorte da história de alguns desses assaltantes, optando por focar em John Dillinger (Johnny Depp), o mais famoso dos personagens abordados na narrativa. Dillinger é um ladrão incomum, que prefere permanecer de bem com o público a fazer parte de crimes mais “detestáveis”, como seqüestros. Dessa forma, o ladrão se especializa em roubar dos banqueiros e agir sempre com bom humor perto das pessoas comuns que, tendo que sobreviver à amarga crise pela qual passa o país, tornam-se solidárias ao personagem, que soa para elas como um Robin Hood moderno. Claro, Dillinger rouba dos ricos, mas jamais doa aos pobres.

Johnny Depp confere ao personagem um ar jovial durante boa parte da película, mas ainda assim é capaz de transmitir o peso que os rumos de sua vida vão adquirindo, tornando-se um pouco mais sério conforme a situação se agrava. O ator faz parecer divertido ser John Dillinger, porém é capaz de nos fazer sentir o drama de uma cena forte até mesmo estando de costas para a câmera, como em um diálogo com o bandido “Red” sobre deixar sua amada. A belíssima Marion Cotillard cria uma Billie apaixonante, que não tem outra opção senão tornar-se a namorada de Dillinger. A atriz francesa surpreende em uma forte cena com um policial perto do final do filme. Já Christian Bale interpreta um tipo extremamente sério, cuja história não é abordada pelo roteiro, impedindo o crescimento do personagem. Todavia, a voz excessivamente grave do ator, característica de sua interpretação nos filmes do Batman, aparece sutilmente aqui, o que pode irritar a alguns espectadores. Os demais membros do elenco fazem atuações razoáveis, com pontas de atores famosos, como Leelee Sobieski e a cantora Diana Krall.

A direção de Mann é precisa, sobretudo na coordenação dos vários elementos técnicos importantes na produção. Uma das cenas mais interessantes ocorre na fuga inicial da prisão, quando John tenta salvar um amigo fugitivo, e a câmera acompanha a mão do ator segurando a do bandido, enquanto o carro está em movimento. Os tiroteios ao longo da projeção são todos coreografados com estilo, e extremamente realistas, desde o design das armas, ao fogo que parece sair delas ao disparar, passando pelos buracos por elas causados nos obstáculos que as impedem de alcançar seus alvos e no som dos tiros, sempre perfeito nos filmes do diretor. Entretanto, alguns cortes bruscos que parecem trabalho de última hora tiram um pouco o brilho da montagem de Jeffrey Ford e Paul Rubell.

A fotografia do experiente Dante Spinotti se destaca nos momentos em que Dillinger é preso e os flashes e luzes dos repórteres se direcionam para ele. O diretor de fotografia faz uso das luzes presentes na cena, e torna a imagem envelhecida, como pode ser observado na chegada de um avião em Indiana ou na última cena do personagem. Também impressiona a evolução do cinema digital nos últimos anos: se em Colateral podíamos perceber que se tratava de um filme produzido com essa tecnologia, as diferenças para a película em Inimigos Públicos são sutis. O trabalho de arte é primoroso, nos carros usados pelos bandidos e pela polícia, nas vestimentas e acessórios dos personagens, nos telefones, bares e demais locações. A trilha sonora também é correta, tornando-se divertida nas cenas de assalto a bancos, um recurso utilizado para auxiliar na identificação dos espectadores com Dillinger, e sóbria conforme o personagem vai se tornando endurecido.

O roteiro cumpre bem o seu papel, e o trecho da história escolhido para pavimentar a narrativa é determinante para seu sucesso, acompanhando sobretudo a crescente eficácia das técnicas do FBI e a vida amorosa de John e Billie. Aliás, o casal protagoniza uma cena de sexo, que é muito bem aproveitada pelo diretor: enquanto assistimos à cena, Billie narra sua história para John, com áudio antecipado de uma cena posterior, para evitar a gratuidade do sexo. O filme também conta com bons diálogos, como “Os ricos ligam para de onde vêm as pessoas, mas o que importa é para onde elas vão”.

O John Dillinger de Depp é uma figura ambígua: ao passo em que é um bom cidadão aos olhos do povo, é também ladrão e responsável pelas mortes de inúmeros policiais; apesar de dominar as situações com inteligência, tem seu destino decidido por sua imprudência arriscada. Ao assistir Vencido pela Lei no cinema, o personagem se sente corajoso e se identifica com a situação vivida por Clark Gable no filme, como se antecipasse o que está por vir na cena seguinte e reconhecesse o fato como um encerramento adequado para a sua história.

4 estrelas em 5

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Inimigos Públicos: Como são inimigos se todos gostam deles?

Saturday, 25 July 2009 16:24 by Rodrigo Reis

John Dillinger. Assaltante de bancos e acusado de 16 assassinatos. Homem perigoso. Mas em Inimigos Públicos o personagem real vivido por Johnny Deep é um boa praça. Só assalta os bancos, levando sempre o dinheiro do cofre e nunca dos clientes. Quando precisa bater em alguém é sempre num sujeito antipático ou num comparsa que cometeu um erro imperdoável. Atira várias vezes em policiais( nunca sem razão, diga-se , só quando está fugindo) mas nunca vemos ele acertando nínguém. É um criminosso bonzinho. É claro que o personagem principal não pode cometer atrocidades, pois o público tem que confiar e torcer por ele.

Ué? Mas gangsters não são violentos? Deixem a violência então para os secundários, os comparsas sem o charme e astúcia de Dillinger. Deixe que Baby Face Nelson e Holmer( Stephen Dorff) cometam atos rudes, atirem covardemente nos policiais e assim não teremos pena dele quando forem finalmente mortos. Esse sim são os inimigos. Por falar nisso, que desperdício de Pretty Boy Floyd( Channing Tatum) um dos famosos que o filme cita. Só serve para introduzir o papel do Christian Bale na história( o policial Melvin Purvis). Se o cara era um dos Inimigos Públicos do título, junto com Dillinger e Baby Face, por que tão pouco espaço. Ao menos dessem mais falas para o cara! Uam morte mais excitante. Se elevam John Dillinger a categoria de Robin Hood, por que não dar mais espaço ao personagem?

A minha principal crítica ao filme é essa. Tratar um criminoso, como se vem feito muito ultimamente, como um herói da sociedade. O cara era miserável e no filme é quase um justiceiro! Além disso cenas que poderiam ter sido bem legais, como sua fuga ( ele esculpe uma pistola de madeira e pinta com graxa para render o guarda, mas não é mostrado no filme) na qual ele já aparece com arma falsa na mão ( o espectador desatento não vai entender). No mais A atuação de Deep não chama a atenção, nem mesmo a de Bale e Marion Cottilard ( muito linda por sinal). A decisão de filmar em digital num filme de época não me agradou mas Michael Mann tem seu estilo próprio e a certas passagens como a emboscada na floresta são de arrepiar. Um bom filme, não mais que isso.

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Anatomia de um esquartejamento

Friday, 24 July 2009 17:31 by Rafael S

 

 

 

Hoje tive o desprazer de assistir ao remake de Halloween, do diretor Rob Zombie.

Desprazer não por causa da qualidade do filme. Desprazer porque não dá para julgar aquilo que eu vi na tela.

O filme do Zombie tem 109 minutos de duração. A distribuidora Playarte, responsável pela distribuição do filme em território brasileiro simplesmente cortou o filme todo. Cortou não, MUTILOU. ESQUARTEJOU.

Uma película de 109 minutos foi reduzida para incríveis 83 minutos! Cortes grotescos, sem nenhum cuidado, no meio de diálogos. Nudez praticamente limada do filme. Violência reduzida em 80%

Tudo isso para que? Conseguir uma classificação etária menor?

Se já é inadmissível um filme ser editado em sua exibição na tv, imagina só em sua exibição nos cinemas. ISSO É UM CRIME.

O resultado é que não consegui assisti Halloween, do Rob Zombie. Vi Halloween, de algum funcionário espertinho da Playarte.

Reclame você também contra esse absurdo: http://www.playarte.com.br/Fale/

 

UPDATE: Segue comunicado publicado no Diário Oficial, confirmando a execução de cortes no filme:

"Processo MJ No- : 08017.000902/2009-15
Título do Filme: "HALLOWEEN - O INÍCIO"
Representante: Playarte Pictures
Classificação Pretendida: Não recomendada para menores de 14 (quatorze) anos
CONSIDERANDO que o filme "HALLOWEEN - O INÍCIO" teve sua classificação atribuída em 8 de maio de 2009 de "nãorecomendado para menores de 18 (dezoito) anos", por conter suicídio,crueldade e assassinato;
CONSIDERANDO que, ante a solicitação do requerente através do pedido de reconsideração por adequação da obra e tendo o Departamento indeferido o pedido em 9 de junho de 2009.
CONSIDERANDO que, ante a solicitação de reclassificação por adequação no último dia 14, a Playarte Pictures apresentou uma versão de 83 minutos, excluindo 26 minutos de conteúdo violento da obra, comprometendo-se em exibi-la nesta última versão apresentada, resolve:
Deferir o pedido de reclassificação por adequação do filme "HALLOWEEN - O INÍCIO", Processo MJ No- 08017.000902/2009-15, alterando sua classificação para: "Não recomendada para menores de 14 (quatorze) anos", por conter agressão física e assassinato."
Fonte: http://www.in.gov.br/imprensa/visualiza/index.jsp?jornal=1&pagina=58&data=23/07/2009

 

UPDATE 2: o protesto está ganhando força, redendo matérias em dois sites importantes:

http://www.cinematorio.com.br/2009/07/violencia-contra-halloween.html

http://g1.globo.com/Noticias/Cinema/0,,MUL1246201-7086,00-HALLOWEEN+CHEGA+AOS+CINEMAS+COM+CORTES+E+GERA+POLEMICA.html

 

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Ninja rules

Thursday, 23 July 2009 12:06 by Dino Rodrigues

IUHÚÚ! Finalmente um filme de ninja com supermegaorçamento! Para ficar melhor só se os ninjas lutassem contra zumbis, minha outra paixão cinematográfica. Confere o trailer aí:

http://moviesblog.mtv.com/2009/07/23/ninja-assassin-exclusive-trailer-debut-filled-with-badass-displays-of-real-ultimate-power/

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Grey Gardens

Thursday, 23 July 2009 06:14 by Dino Rodrigues

  

   Em 1973, os irmãos Albert e David Maysles, documentaristas responsáveis por Caixeiro-Viajante e Gimme Shelter, se depararam com a história de duas mulheres que estavam a ponto de ser despejadas de sua mansão à beira-mar em East Hampton, Nova York, devido ao estado deplorável em que se encontrava o imóvel. As duas viviam ali cercadas por gatos, guaxinins, ratos e pulgas, em condições sanitárias medonhas. Mas o que chamou a atenção da imprensa em geral foi o fato de aquelas duas mulheres serem Edith Bouvier Beale e sua filha, Edie, tia e sobrinha de Jacqueline Kennedy Onassis.

   Grey Gardens é o resultado da convivência entre os irmãos Maysles e as Beale na mansão que dá nome ao filme. E é impressionante o nível de intimidade que os diretores conseguiram alcançar no relacionamento da câmera com as personagens. Sem dúvidas tal proximidade se deveu muito ao fato de Big Edie e Little Edie apreciarem a exposição de suas vidas ao público, mesmo que em condições nada lisonjeiras para sua imagem. Mas também contribui o fato dos Maysles não tratarem as duas simplesmente como figuras exóticas, que renderiam uma história peculiar. As moradoras de Grey Gardens são sempre retratadas com respeito e dignidade. Um exemplo perfeito é quando durante uma das muitas discussões entre Edith e Edie, o vestido daquela começa a cair, revelando seu seio. Imediatamente Albert e David viram sua câmera para outro ponto, para resguardar a imagem de Big Edie.

   Procurando utilizar ao máximo a iluminação natural, preservando o ambiente sombrio e decrépito em que se encontra a mansão, os diretores revelam um olhar aguçado para detalhes, como no plano logo no início do filme que mostra um buraco em uma das paredes internas. Ao final da produção a mesma parede é focalizada novamente e o buraco encontra-se muito maior e cheio de guaxinins, retratando exatamente a passagem de tempo e decadência do lugar. Méritos aqui também para as editoras Ellen Hovde, Susan Froemke e Muffie Meyer, que de tão importantes no processo de contar essa história receberam o crédito de co-diretoras. Impressiona também a comparação entre as fotos antigas, que revelam um passado de beleza e glamour, e as imagens atuais, onde Big Edie não se envergonha em mostrar o corpo envelhecido ao tomar sol na varanda ou se exercitando na cama.

   O filme é ainda repleto de momentos sublimes, possibilitados pela espontaneidade e pelo acaso que circundam os documentários. As intermináveis discussões são repletas de diálogos afiadíssimos, como quando Edith se refere ao fato de Edie nunca ter se casado: A França se rendeu, mas Edie não. Outro desses momentos de sorte para os diretores é quando Edith, que tinha sido cantora amadora em sua juventude, tenta acompanhar uma música em um vinil e a agulha escorrega, assim como a voz já cansada de Big Edie.

   Um retrato honesto, respeitoso, que não se furta a registrar situações que a princípio possam parecer constrangedoras, mas que na cabeça das mulheres enfocadas são apenas reflexos de suas personalidades, como quando Little Edie se refere a si mesma como parte da aristocracia. Esse é Grey Gardens, um desafio ao espectador para encarar de frente a própria decadência física e mental.

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Harry Potter e O Enigma do Príncipe

Monday, 20 July 2009 14:55 by Elvis "Wolvie" Rodrigues

 

Harry e Dumbledore

 

 

Harry Potter e o Enigma do Príncipe é um filme bem conduzido e satisfatório, que deve agradar à maior parte do público da franquia bilionária, novamente dirigido por David Yates (do filme anterior, A Ordem da Fênix), estrelado pelos jovens e ricos atores que acompanham a cinessérie e adaptado ao cinema por Steve Kloves (retornando após um afastamento no último longa).

Como sempre, tive a sensação de que tudo foi muito rápido, e que novamente cenas importantes do livro foram deixadas de lado pelo roteiro. Mais além: cenas inexistentes foram acrescentadas (a cena inicial da ponte e uma determinada cena n’A Toca, a casa da família Weasley, ambas desnecessárias). Por um lado, senti falta da viagem pelas memórias que revelavam a origem de Voldemort, antes do seu nascimento, e principalmente da cena climática do final da história, removida quase em sua totalidade. Mas por outro, o ritmo narrativo deste filme é um dos mais coesos até então, e profundamente equilibrado entre aventura, drama, romance, humor e até um pouco de suspense angustiante.

A direção de arte como um todo é espetacular, mérito do Diretor de Arte Stuart Craig (vencedor de três Oscars). Os cenários são impressionantes, como podemos perceber nas ruas apertadas onde vive o prof. Snape, na paisagem árida do percurso do Expresso de Hogwarts, na confusa e lotada Sala Precisa, nas paisagens ao redor de Hogwarts e no sombrio lugar visitado por Dumbledore e Harry na parte final do filme. A fotografia sombria do excelente Bruno Delbonnel (O Fabuloso Destino de Amélie Poulain, Across the Universe) ressalva os contornos que a história vem percorrendo nessa reta final. Minha única reclamação é com a figurinista Jany Temime, que, desde que entrou para a equipe (no longa O Prisioneiro de Azkabam), fez com que os personagens trajassem jeans e outras vestes comuns na escola, algo que não parece ocorrer no livro, e que reduz um pouco o clima mágico do lugar. Todavia, esta parece ter sido uma idéia de Alfonso Cuarón, diretor do terceiro filme.

As atuações estão especialmente impecáveis nesse sexto filme da série: se o trio principal está completamente dentro de seus personagens após tantos anos (Rupert Grint é um verdadeiro mestre do humor, Emma Watson é esforçada, e Daniel Radcliffe finalmente está mostrando desenvoltura em sua atuação, carregando o fardo que lhe é cabido), os demais membros do elenco não podem estar mal, sendo vários deles membros da elite teatral inglesa. Michael Gambon encaixa um tom adequado a Dumbledore, enquanto Jim Broadbent diverte e comove como o prof. Slughorn, um personagem atormentado, e que brilha em várias cenas, como em uma lembrança de uma de suas alunas favoritas do passado. Tom Felton, o Draco Malfoy, surpreende na sua composição do personagem, que tem uma missão difícil, que parece exigir demais de um adolescente que nunca teve muita certeza dos rumos que gostaria de tomar para a sua vida. Maggie Smith, a grande Dama, me pareceu abatida e demonstrando seus 74 anos. Mas os grandes destaques do elenco são: Helena Bonham Carter, que cria uma Belatriz completamente lunática e fabulosa; e, claro, Alan Rickman, que brilha como Snape, na maneira pausada de falar e gesticular, na capa esvoaçante e em cada um de seus trejeitos, que parecem demonstrar o desprezo que sente pelas pessoas. Também gostei muito dos dois atores que interpretam o jovem Tom Riddle em sua infância e adolescência, ambos muito parecidos com Ralph Fiennes, e interessantes em suas atuações reduzidas, sobretudo nos olhares sombrios (nota: o mais jovem é sobrinho do próprio Fiennes).

Entretanto, o grande responsável pelo sucesso da película é o diretor David Yates, que faz a direção mais elegante da série, fato evidenciado pelas belas tomadas aéreas, pelos planos incomuns, pelas transições virtuosas (mérito também do montador Mark Day) e por algumas cenas inspiradas, como no momento em que Dumbledore e Harry estão em perigo perto do final, e o Diretor de Hogwarts parece abrir caminho pela água, em um gesto que me lembrou de Moisés abrindo o Mar Vermelho.

O filme é bem dirigido e apresenta poucas falhas, com elenco consistente e equipe técnica primorosa. Lamentavelmente, a cena climática foi bruscamente reduzida, fazendo parecer inútil a presença de dois personagens específicos nela, que apenas riram e correram. Mas é um detalhe que não afeta o desempenho da película. Torçamos para que Yates repita o bom desempenho nos filmes finais.

5 estrelas em 5 

 

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O Enigma: Quem não leu, entendeu? Quem leu , aprovou? Quem assitiu gostou?

Monday, 20 July 2009 05:55 by Rodrigo Reis

 

Esse talvez seja o principal enigma dessa última adaptação da franquia Harry Potter: Dá para entender sem a leitura prévia do livro? E se sim, o resultado alcançado é bom? Acredito que infelizmente o filme fique no meio termo, mais que os anteriores dessa vez. Se antes os fãs torciam o nariz mais gostavam e os não leitores  nada sabiam da história mas adoravam, agora ficou díficil mesmo agradar as duas classes. A primeira já se sabe devido ao fato da fidelidade sempre contestada, mas agora os roteiristas parecem ter exagerado na quantidade de cortes, deixando uma insatisfação quase que geral por parte dos fãs. E o resto do público agora encontra um filme longo ( ouvi muitos protestos durante a sessão, o que é totalmente inaceitável já que a pessoa se predispõe a assistir) e sem as já conhecidas cenas de ação rotineiras que no filme pouco aparecem, quando não jogadas no meio do enredo( algumas adaptadas pelo roteiro) e falhas em sua maioria na tentativa de alcançar algum clímax.

Faltam mesmo na verdade respostas, informações. Algumas cenas não funcionam realmente por não se saber o que se passou anteriormente ou que ficou de fora. O que dizer da cena em que Harry (Daniel Radcliffe) atinge Draco (Tom Felton) com um feitiço e deixa o garoto ensanguentado? O professor Snape (Alan Rickman) acompanha o desfecho da cena mas nada faz com Harry (no filme). A cena pertuba por que nunca tinhamos visto um feitiço causar "ferimentos" a ponto de causar hemorragias durante toda a cinessériem ainda mais desferido pelo personagem principal. Mas fica assim. Não se sabe o por quê das coisas ocorrem daquela forma. Acreditem até para quem não leu o livro e só acompanha no cinema, fica complicado entender ou simpatizar com o longa. Parece ser leve por que a toda hora há um clima de romance entre os alunos, mas é intercalado por passagens sombrias que nem sempre casam. E o título? Qual é o enigma ? O enredo da história original, além da infãncia de Voldmort, se quer tem relevância. Dá até para esquecer por que se chama O Enigma do príncipe, de tão pouca importância que é dada pelo roteirista.

Dizer que o filme é ruim porém é absurdo. O padrão de qualidade se mantém como nos longas anteriores e as tiradas de Rony ( Rupert Grint) e Hermione ( Emma Watson) já garantem o ingresso, além da saudade de revisitar o universo mágico e seus presonagens que de tanto tempo( quase dez anos) já nos familiarizamos. Torcer agora para que o diretor David Yates mais o roteirista Steve Cloves aprendem com as omissões e amarrem as pontas soltas para a melhor compreensão de  As relíquias da morte, afinal de contas eles tem dois filmes para resolver isso. Eu aposto que sim. Erros assim acontecem e acertos também. Se eles conseguiram transformar A ordem da fênix (para muitos um dos livros mais chatos) em uma adaptação bacana, eles finalizam com chave de ouro, espero. Resta a dúvida porém se com essa " confusão" estabelecida com essa sexta parte, os fãs e os não fãs retornarão com a mesma força as salas de exibição para presenciar o desfecho da trama.

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Os Excêntricos Tenembaums

Friday, 17 July 2009 16:14 by Leonardo Braga

 

 

 Dirigido por: Wes Anderson. Com: Danny Glover, Gene Hackman, Angélica Huston, Bill Murray, Gwyneth Paltrow, Ben Stiller, Luke Wilson, Owen Wilson, Stephen Lea Sheppard, Kumar Pallana. Narração: Alec Baldwin  

 

O filme dirigido por Wes Anderson não é fácil de ser rotulado: seria um drama familiar com toques de comédia, ou uma comédia familiar com tons dramáticos? Ou, ainda mais que isso, seria apenas um (bem-sucedido) estudo de personagens? Não importa; mais importante do que tentar defini-lo – deixemos a ingrata tarefa para os que têm que catalogá-lo nas locadoras – é apreciar este que é um dos melhores filmes no currículo de todos os envolvidos em sua produção.

 

Apresentando um roteiro original escrito pelo próprio diretor juntamente com Owen Wilson, o filme tem início quando o “narrador” (voz de Alec Baldwin) pega emprestado na biblioteca o fictício livro Os Excêntricos Tenembaums e começa a lê-lo para nós. Logo somos apresentados a uma família aparentemente comum, não fosse um detalhe: os três filhos do casal Royal (Hackman) e Etheline Tenembaum (Huston) são, cada um em sua área de interesse, verdadeiros gênios. Chas (Stiller) é perito em finanças e investimentos imobiliários; Richie (Luke Wilson) tem um talento natural para o jogo de tênis e Margot (Paltrow) é uma dramaturga que ainda criança recebeu uma bolsa de estudos no valor de U$ 50.000,00. No entanto, contra todas as expectativas, hoje nenhum deles fez jus ao talento que possuía, e somos convidados a descobrir o porquê.

 

Contando com um elenco homogêneo em suas boas performances (até o limitado Owen Wilson está bem, já que seu personagem foi – claro – escrito para/por ele), o destaque do filme é a irreverente atuação de Gene Hackman, que brilha ao dar vida à canastrice de Royal Tenembaum, um sujeito cujo cinismo não conhece limites, sendo capaz até de roubar dos próprios filhos. Conferindo carisma ao seu personagem, o que é extremamente importante para que nos identifiquemos e até torçamos por um sujeito tão amoral, Hackman demonstra um timing cômico perfeito, como na cena em que se dirige aos seus netos para lamentar a morte da mãe destes: “Sinto muito por sua perda. Sua mãe era muito atraente”. Mais do que mérito do roteiro, a eficiência de suas falas está na composição do personagem.

 

Repleto de cenas de humor – como as que envolvem o garoto Dudley (Sheppard) e o mordomo Pagoda (Pallana), só para citar alguns exemplos –, Os Excêntricos Tenembaums é também um filme que trata sobre amores, perdas, recomeços, reconciliações e redenção, dentre outros, sem, no entanto, jamais se perder por entre os vários assuntos e temas visitados. A direção técnica de Anderson é impecável, com destaque para a bem orquestrada mise-en-scene do plano-seqüência feito (aparentemente) sem cortes na cena que acontece após um incidente automobilístico, e, aliada ao ótimo trabalho de direção de atores e ao já citado bem escrito roteiro, resulta em um trabalho daqueles que terminamos de assistir com a gostosa sensação de termos presenciado o nascimento de uma obra de arte. E, afinal, independente de rótulos, esse é (ou deveria ser) o objetivo de todo cineasta.

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A Proposta

Tuesday, 14 July 2009 18:55 by wikerson




Confesso que sempre considerei as comédias românticas um verdadeiro mistério. Em termos de estrutura elas são tão homogêneas e previsíveis que é difícil acreditar em como elas fazem sucesso e se tornaram tão populares. Em linhas gerais, os pontos de virada das histórias são sempre os mesmos e. embora o espectador tenha a certeza de que o final será feliz, são tantos os percalços pelo meio do caminho que realmente dá pra acreditar que desta vez será diferente.

Embora repletas de clichês, é inegável que elas funcionam. E, quando bem interpretadas, divertem e fazem chorar na mesma medida, apresentando um resultado final que, se não é inovador ou criativo, revela-se sempre uma boa opção de entretenimento. E nesse quadro se encaixa muito bem o filme A Proposta.

Margaret Tate (Sandra Bullock) é uma renomada editora de livros que, em vias de ser deportada para o Canadá por não ter apresentado toda a sua documentação à imigração norte-americana, tem a idéia de forjar um casamento com o seu secretário Andrew Paxton (Ryan Reynolds), um dedicado funcionário aspirante a escritor disposto a fazer de tudo para alcançar o emprego dos seus sonhos. No entanto, para provar ao governo que o relacionamento é verdadeiro, os dois partem para um final de semana no Alasca, onde mora a família do rapaz. E é justamente nos desencontros da dupla e no seu relacionamento com os pais de Andrew que toda a história se baseia.

Nada muito original. Porém, em filmes do gênero não parece ser essa a premissa mais importante. Como em toda história de amor, é preciso uma boa química além de uma boa dose de paixão. E em A Proposta química é o que não falta para a dupla. Aos 44 anos Sandra Bullock pode não ser uma excelente atriz, mas definitivamente aprendeu muito ao longo da sua carreira e é inegável a sua naturalidade em papéis cômicos ao mesmo tempo em que mantém o estilo romântico em que não é uma mulher fácil de se entregar. Aqui ela demonstra bem essas duas características. Se por um lado é capaz de fazer o público dar boas gargalhadas, como na sequência onde dança funk em volta de uma fogueira junto com Annie (Beth White), consegue ser convincente num momento um pouco mais intimista, como na cena em que revela para Andrew algumas curiosidades da sua infância, como a origem de sua tatuagem, por exemplo.

Se Margaret é a figura central da trama Andrew, por outro lado, precisa servir de contraponto para que a estrela principal possa brilhar. E, de fato, seu personagem emprega um estilo sereno, com um humor sarcástico, para acentuar as gafes ou a situação de desespero que se encontra Margaret que, nitidamente sem controle algum da situação ainda se mostra arrogante e prepotente o suficiente para dar ordens e tentar ditar as regras do que está acontecendo. Nenhuma das duas atuações é um primor, longe disso, Mas juntas se complementam e funcionam muito bem, fazendo com que a história flua com naturalidade, alternando bom momentos de humor com o tom romântico que o filme precisa.

Em se tratando de atores, é impossível deixar passar em branco uma outra sequência, logo no início do filme, quando Margaret discute com Bob Spaulding (Aasif Mandvi) e o demite. Felizmente o ator aparece apenas neste único momento. Poucas vezes vi uma atuação tão ruim e tão pouco expressiva quanto na participação deste ator indiano. Num momento que deveria ser de tensão, sua expressão mais parece ser a de um sorriso. Mas longe de ser um deboche, o que cairia muito bem, ele parece estar deslumbrado e perdido. Embora seja uma sequência simples, sua inexpressividade é tão irritante que chega a incomodar.

Por outro lado, a atuação de Bethy White, no papel de Annie, avó de Andrew, é um alento e um dos responsáveis por alguns dos melhores momentos do filme. Seu jeito desbocado e, ao mesmo tempo, inocente são cativantes. E, como se não bastasse a composição do personagem, consegue ainda levar o espectador do drama para a comédia em questão de segundos, sem perder o ritmo ou parecer artificial.

Um outro aspecto positivo do filme é o fato de se permitir fazer humor com diversas situações e não só com piadas sobre sexo como muitas das comédias por aí insistem em abusar. E, sem dúvida, muito disso se deve à direção de Anne Fletcher (Vestida Para Casar). O olhar feminino da diretora se mostra aqui um grande diferencial. Mesmo em uma sequência onde há nudez completa dos dois personagens principais, Anne consegue manter o foco da cena na situação e no contexto, e não na exploração gratuita do corpo de ambos. Fletcher não é, em momento algum, apelativa ou vulgar.

Bonitinho, mas ordinário, A Proposta cumpre o que se propõe a ser, apostando no feijão com arroz de uma estrutura de roteiro consagrada, sem querer reinventar nada. O que por um lado faz do filme apenas mais uma comédia em meio a tantas outras, por outro é o suficiente para garantir uma direção segura de uma história simples, mas que, pelo menos em termos de entretenimento, consegue ser agradável e atingir um público cativo que, independente da história, tem a certeza que verá na tela do cinema outra vez um final feliz.

Nota 6,0.

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Stella (Stella, 2008, França, dir. Sylvie Verheyde)

Saturday, 11 July 2009 12:05 by Elvis "Wolvie" Rodrigues

 

Stella e Geneviève

 

Stella é um filme sobre a chegada da adolescência e a descoberta da vida, acompanhando durante um ano os passos da jovem parisiense Stella, que inicia o filme criança e termina pré-adolescente. O trabalho é escrito e dirigido por Sylvie Verheyde de forma correta, sem grandes atrativos, mas sem muitas falhas aparentes. O elenco é homogêneo e razoável, embora a jovem Leóra Barbara, que protagoniza a narrativa, seja um pouco limitada, fato perceptível em uma cena de choro, que soa um pouco artificial, mas justificável se levarmos em conta que é seu primeiro trabalho no cinema.

A diretora faz uso de planos fechados na maior parte do tempo, com algumas imagens dos cenários completos, e pouquíssimos planos realmente abertos, ocorridos apenas nas férias de Stella no campo. A câmera está freqüentemente na mão e há inúmeros planos nos quais nos deixa ver o que a garota vê, ou da posição dos seus olhos, ou um pouco acima e atrás, permitindo que vejamos as costas da protagonista. O design de arte é bom, pois podemos perceber que se trata de um filme de época pelo uso de discos em vinil, quadro a giz na sala de aula, roupas estranhas, etc.

Stella é uma criança diferente das outras, entende mais de pôquer e jogos que de brincadeiras e estudos. A culpa é, infelizmente, de seus pais, que possuem um bar e uma hospedaria, freqüentados por ex-ladrões e rejeitados pela humanidade, ambiente que serviu de lar para a educação da garota. O casal ainda demonstra não ter preparo para educar um ser humano, deixando a criança presenciar suas constantes discussões e até mesmo traições. Stella se diverte no bar, faz amizade com os freqüentadores, participa de seus jogos e nutre uma paixão platônica por um deles. Apesar de tudo, os pais desejam um bom futuro para a garota, algo que pode ser percebido sutilmente nas conversas iniciais após o boletim e mais fortemente após o fim do ano letivo.

O filme tem início quando Stella ganha a oportunidade de estudar em uma escola para ricos. Somos imediatamente apresentados ao deslocamento e rejeição que ela sente, demonstrados visualmente pela organização alfabética da fila de entrada, que a coloca na última posição por ter sobrenome iniciado com V. Stella parece detestar o lugar, mas aos poucos percebemos que na verdade ela inveja aquelas garotas, com famílias estáveis e vidas bem-estruturadas. A garota deixa seu deslocamento transparecer na falta de interesse com a qual leva os estudos, que na mente dela funciona como uma maneira de mostrar aos pais que não queria estar ali.

Stella faz amizade com Gladys, uma descendente de imigrantes argentinos, que inicialmente a procura confundindo-a com uma garota popular. Mas mesmo sabendo que foi por acidente, Stella não deixa escapar a oportunidade de finalmente ter uma amiga. A garota serve como parâmetro para a protagonista, que deseja ler e ser boa aluna como a amiga. Podemos perceber a diferença entre as duas pelos quartos de ambas: o de Gladys é organizado e o de Stella é desordenado, refletindo a formação psicológica que tiveram.

O amadurecimento da protagonista é demonstrado visualmente pela chegada da puberdade e pela cena em que a garota rasga seu papel de parede infantil. Mas é nas suas atitudes que percebemos a real mudança: esforço nos estudos, desejo por leitura, redução do convívio no bar, etc. A constatação do crescimento vem nas férias de Stella, que vai para a casa da avó no norte da França e reencontra sua amiga de férias passadas, Geneviève. Se as duas eram antes similares, a nativa parece agora ter uma vida muito pior, demonstrando interesse por cigarro e garotos, e vindo de uma família ainda mais desajustada que a de Stella (fato perceptível pela naturalidade com a qual a garota narra a expulsão de sua irmã da casa do marido por tê-lo traído). O passo final para que Stella dê o adeus à sua infância é alcançado quando ela esquece a paixão pelo freqüentador do bar, algo que este imediatamente percebe.

O roteiro e a direção tomam uma decisão corajosa ao não deixar claro se um fato realmente ocorreu em uma determinada cena, que pode ser determinística para o futuro da protagonista. Minha opinião é de que o fato ocorreu, e que isso pode ser constatado pelo que a garota pega no quarto da mãe na cena subseqüente. Mas não revelarei mais.

Despedimo-nos da história assistindo a uma brincadeira de Stella com Geneviève nas férias anteriores, quando estas ainda eram crianças, cena que funciona como despedida também da infância da protagonista, um recurso simpático, enquanto sobem os créditos finais. Enfim, é um ótimo filme sobre amadurecimento, um excelente estudo psicológico de crianças e pré-adolescentes e vale o ingresso.

4 estrelas em 5

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