Julie & Julia

Thursday, 26 November 2009 13:41 by Luciana Cristo

 

Meryl Streep é sempre um show a parte. As horas, Adaptação e O diabo veste Prada são apenas algumas das mais recentes provas da versatilidade e do talento da atriz. Não é à toa que ela é a recordista de indicações ao Oscar por atuação. No mais novo trabalho que chega aos cinemas, Julie & Julia, não é diferente. Streep repete a dobradinha com a atriz Amy Adams, com quem contracenou em Dúvida.

Dessa vez, ao invés do clima austero de uma escola dirigida por uma rígida freira e suas amedrontadas seguidoras, a história se passa em duas épocas diferentes e conta a história das duas mulheres.

Em um blog, a funcionária pública frustrada Julie Powell vai relatar o desafio de fazer as mais de 500 receitas do livro da famosa cozinheira Julia Child (sobre as delícias da cozinha francesa para donas-de-casa norte-americanas) durante o período de um ano. Essa foi a alternativa encontrada por Julie, com o apoio do marido, para movimentar sua vida. Prestes a completar 30 anos e insatisfeita com seu emprego, Julie vê suas amigas terem carreiras de sucesso enquanto sua vida parece sem perspectivas.

Tanto Julie quanto Julia são casadas com homens pacientes e que as apóiam em seus projetos, um suporte interessante e necessário na obsessão, cada uma a sua maneira, pela culinária. Julia luta para obter a sua aprovação em um rigoroso curso de culinária em Paris e, depois, para publicar seu livro de receitas, que décadas mais tarde vai ser usado por Julie para seu projeto gastronômico.

Extremamente cativante e bem-humorado, Julie & Julia é uma comédia leve que coloca de uma forma sutil o prazer de comer bem e a trajetória de duas amantes da cozinha, com direção, roteiro e produção de Nora Ephron.

Livro

Assim como grande parte da produção hollywoodiana, o filme é baseado em uma história real, e os dois livros citados na obra também existem. O livro Julie & Julia, publicado no Brasil pela editora Record, foi vencedor do primeiro Blooker Prize, que premia livros baseados em blogs.

Na vida real, a experiência de Julie foi feita e relatada nos anos de 2002 a 2004, como nome Projeto Julie/Julia. Para quem tiver curiosidade, o blog ainda está ativo na internet, por meio do endereço: http://blogs.salon.com/0001399. No ano seguinte, Julie também criou um outro endereço para contar sobre a continuidade e a repercussão do projeto, atualizado até hoje: http://juliepowell.blogspot.com/.

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9 - A salvação

Tuesday, 13 October 2009 12:57 by Luciana Cristo

O pequeno e intrépido 9 (voz de Elijah Wood) faz parte da turma de criaturinhas de remedos de pano que precisa lutar contra monstros mecânicos que se voltaram contra a humanidade no mundo pós-apocalíptico criado pelo filme 9 – A Salvação.

Depois de indicado ao Oscar como melhor curta-metragem de animação, a fantasia de animação 9 – A salvação, do diretor Shane Acker, virou um longa, com produção de Tim Burton (de Sweeney Todd, A fantástica fábrica de chocolate e A noiva cadáver) e do russo Timur Bekmanbetov (O Procurado).

O filme se passa no futuro próximo. Impulsionadas e capacitadas pela invenção conhecida como A Grande Máquina, as máquinas do mundo se voltam contra todos e incitam a agitação social, dizimando a população humana antes de serem quase totalmente desligadas. Porém, com o planeta destroçado, uma missão dá início à tarefa de salvar o legado da civilização: no fim dos tempos da humanidade um grupo de pequenas criaturas recebe uma chama de vida de um cientista e são as únicas sobreviventes desse mundo.

Utilizando um mínimo de diálogo, com cores escuras para um clima tenebroso e cuidado na arte programada para as cenas, o filme perde um pouco do ritmo em muitos momentos e a história é ofuscada pelos momentos de ação, privilegiados na montagem. O que importa é o visual e as cenas de “batalha”, mais que a construção sem falhas do próprio enredo. Ao fim da projeção, fica-se a impressão de que não havia motivos para ter estendido o curta inicial, já que nada de muito relevante é acrescentado ao original, a não ser pelo maior tempo de projeção.

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Deixa ela entrar

Thursday, 1 October 2009 13:08 by Luciana Cristo

               

De Drácula (Bram Stocker) a Entrevista com o vampiro (Anne Rice) ou da série de televisão True Blood até a mais nova febre da saga Crepúsculo. Não importa. Ao longo dos tempos, obras literárias, programas de televisão e principalmente filmes que tenham figuras vampirescas abocanham uma grande parcela do público. Longe de querer se tornar moda, o filme sueco Deixa ela entrar demonstra sutileza e muita consistência.

Sem seguir padrões hollywoodianos, Deixa ela entrar não tem nada de convencional dos conhecidos filmes de vampiros. Muito mais do que figuras sugadoras de sangue, o filme do diretor Tomas Alfredson conduz o espectador para um mundo sombrio, cruel e, ao mesmo tempo, hipnotizador. O diretor consegue manter o equilíbrio entre os elementos tradicionais que devem constar em uma boa história de vampiros e explorar o conflito criado pela violência sofrida na escola por colegas de classe e a relação amorosa entre dois pré-adolescentes de 12 anos.

Oskar, um garoto ansioso e frágil, embora fascinado por histórias de crimes, é frequentemente provocado e agredido por colegas de classe mais fortes, mas nunca se defende. O desejo do menino solitário por um amigo se concretiza quando ele conhece Eli, uma garota da mesma idade, também sozinha, que se muda para a vizinhança com o pai. Séria e pálida, a princípio sem cara de muitos amigos, ela só sai de casa à noite e não parece ser afetada pelas baixas temperaturas. A partir desse contato inicial surge entre eles um romance não declarado, e Eli dá a Oskar a coragem que faltava para lutar contra seus agressores, mesmo que o romance entre os dois possa não se concretizar pela diferença intrínseca que os separa.

O sangue vermelho dos assassinatos, quando estes acontecem, destoa propositadamente das cenas do restante do filme, que mantêm um toque gélido, apagado, com o abuso de cores frias. A dupla de jovens que interpreta Oskar e Eli está muito bem nos seus respectivos papéis. Deixa ela entrar é uma boa pedida para fãs de filmes do gênero e que buscam algo um pouco diferente do usual.

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Pequenos invasores

Thursday, 1 October 2009 12:54 by Luciana Cristo

                         

Para uma geração aficionada por videogames, participar de uma batalha contra alienígenas que aterrissaram no porão de casa utilizando principalmente recursos desse tipo de jogo é o principal trunfo do filme infatil Pequenos invasores.

Extraterrestres que se dividem entre os bonzinhos, que querem fazer amizade com os humanos, e principalmente os malvados, que pretendem invadir e dominar a Terra. Durante as férias, um grupo de crianças se vê obrigado a impedir um ataque de alienígenas que têm cerca de um metro de altura, sem poder pedir a ajuda dos pais, da polícia ou de qualquer outro adulto. Isso porque somente as crianças são imunes ao controle da mente e dos movimentos, acionado a partir de um controle remoto dos extraterrestres. Um dispositivo tecnológico a partir de um chip que é implantado na base do cérebro, que lembra alguns jogos de videogame, permite manipular a pessoa atingida pela arma, como se fosse um boneco.

Com habilidade em jogos de videogame, assim que as crianças conseguem pôr a mão no controle (um joystick), dão um show no combate aos alienígenas. Os modernosos alienígenas possuem, também, um fone de ouvido, o “AlienTooth”, similar ao Bluetooth, que funciona como uma espécie de tradutor universal (do zirkoniano para o inglês e vice-versa).

Pequenos invasores está longe de causar o mesmo impacto ou ter o mesmo carisma que o filme E.T., de Steven Spielberg, mas proporciona momentos de diversão à garotada, principalmente nas cenas relacionadas ao controle que impõem a Ricky, namorado da irmã mais velha de um dos garotos, a adolescente Bethany (interpretada por Ashley Tisdale, do High School Musical). As crianças fazem com que Ricky, inclusive, bata várias vezes em si próprio, além de impor outros movimentos que o fazem parecer mais idiota do que ele aparenta ser.  

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A verdade nua e crua

Thursday, 17 September 2009 10:18 by Luciana Cristo

Fórmula das mais utilizadas para a construção de uma comédia romântica de Hollywood: uma linda mulher (loira) que não consegue encontrar um namorado por causa de sua personalidade controladora e um garanhão machista que grita para o mundo que não quer se apaixonar. Os dois, logicamente, começam o filme com mútuas provocações e dificuldades de relacionamento. Principalmente se forem colegas de trabalho, como é o caso de A verdade nua e crua.

Tudo bem se a fórmula é batida, já que as pessoas querem acreditar que os relacionamentos na vida real podem sofrer reviravoltas e imitar a ficção. Mas não é por isso que o filme não precisa trazer nenhum elemento surpreendente no roteiro previsível ou que os personagens precisem ser tão rasos. Mesmo com esses elementos, A verdade nua e crua tem seus méritos em momentos que consegue fazer a plateia se divertir com piadas sobre relacionamentos amorosos.

Enfrentando problemas de audiência, o programa de TV matutino produzido por Abby Richter (papel da atriz Katherine Heigl) contrata Mike Chadway (interpretado pelo ator Gerard Butler) como comentarista de um quadro humorístico, no qual desmonta visões românticas sobre relacionamentos e esclarece o que os homens realmente querem das mulheres. O recado é: homem é simples, assim como o que ele deseja. São as mulheres que não percebem a simplicidade masculina, fantasiando estereótipos perfeitos e categorizando qualidades que o homem ideal deve ter.

Embora não concorde com o espaço dado a Mike no programa de TV, Abby é obrigada a reconhecer que precisa dele para manter a audiência e, por consequencia, o programa que ela produz. Em pouco tempo, ela percebe que também vai precisar dos conselhos de Mike para conseguir namorar o seu novo vizinho, médico, lindo e solteiro.

Apesar da previsibilidade dos acontecimentos do enredo, A verdade nua e crua arranca risadas espontâneas dos espectadores com cenas engraçadas, como a que Abby aparece usando uma calcinha com vibrador, ativada sem querer por uma criança que encontra o controle remoto, durante um jantar importante de sua emissora de televisão. Mas o roteiro, escrito por três mulheres, Nicole Eastman, Karen McCullah Lutz e Kirsten Smith, não carrega nenhuma densidade maior no trabalho de desenvolvimento dos personagens ou da aproximação entre eles. É para se acreditar que os relacionamentos também são assim? Prefiro acreditar que não.

 

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O sequestro do metrô 123

Monday, 14 September 2009 02:44 by Luciana Cristo

 

O sequestro de um metrô não parece ser algo muito inteligente para bandidos que pretendem fugir da polícia, de dentro do túnel, com US$ 10 milhões em grandes malas após receberam o pagamento. Mas é exatamente este o plano de Ryder, interpretado por John Travolta em O sequestro do metrô 123.

Um Travolta que não hesita em matar reféns e um bandido que não vai desviar do foco, o oposto daquele personagem interpretado pelo mesmo Travolta, que deu vida a um segurança demitido, inseguro e manipulável que, quase sem querer, faz reféns vários visitantes de um museu, no filme O quarto poder (1997), influenciado por um repórter de televisão.

Refilmagem do filme com mesmo nome da década de 1970, então do diretor Joseph Sargent, O sequestro do metrô 123 tem Travolta contracenando com Denzel Washington, parceiro do diretor Tony Scott em produções anteriores, como Chamas da vingança e Déjà vu.

Washington faz o papel de Walter Garber, um controlador de tráfego do metrô da cidade de Nova York que vê sua rotina alterada apenas por ter atendido à chamada do sequestrador, que passa a exigir Garber nas negociações, mesmo após a chegada da equipe policial de apoio.
Não é o melhor filme de ação dos últimos tempos, mas o filme funciona como diversão principalmente pela atuação da dupla principal de atores. As filmagens no metrô se estenderam por quatro semanas, a maior e mais extensa filmagem já feita no metrô de Nova York.

Na nova versão, Scott fez algumas mudanças para atualizar a trama. A soma de dinheiro exigido como resgate em troca da vida dos reféns inflacionou nas últimas décadas, passando de US$ 1 milhão para US$ 10 milhões. E o sequestrador agora é um ex-todo poderoso executivo de Wall Street – com críticas ao sistema financeiro – e o importante papel do negociador passa a ser do controlador de tráfego dos trens, alguém sem experiência no assunto, e não mais um policial, como na versão original.

A mudança no papel do negociador foi uma das principais alterações pensadas por Scott. O diretor preferiu investir em desenvolver o jogo de relacionamento entre o funcionário do metrô e o sequestrador, que não era o foco da primeira versão. A própria função de negociador de sequestros não existia dentro do Departamento de Polícia de Nova York quando o primeiro longa foi filmado.

 Se o plano inicial de sequestrar um metrô, embaixo da terra, pode não ser uma das coisas mais prováveis, a receita simples de sequestro-reféns-mediador acaba tendo um desenrolar mais ou menos previsível.

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A órfã

Monday, 14 September 2009 02:07 by Luciana Cristo

 

Ter uma criança protagonizando uma história de terror costuma causar arrepios mesmo nos mais adeptos a esse estilo de filme. Em A órfã, é a pequena Esther, menina de nove anos, que vai mexer com os nervos dos espectadores.

De bem-comportada, culta e educada, Esther salta rapidamente para uma personalidade maquiavélica assim que chega na casa de seus pais adotivos, Kate e John. Manipuladora e mais sagaz que muitos adultos, Esther se transforma da menina dócil das primeiras cenas em um ser realmente perverso. A árdua tarefa de dar conta desse recado e de ir de um extremo a outro de personalidade coube à protagonista mirim Isabelle Fuhrman, de 12 anos, e que teve que aprender a falar inglês com sotaque russo para o longa.

Do diretor espanhol Jaume Collet-Serra (de A casa de cera), A órfã pretende provocar sustos onde não há momento real de tensão a não ser pela música e pelo movimento de câmera, como acontece logo no início, em uma cena típica em que Kate se olha no espelho do banheiro e vê outra pessoa atrás dela, no caso, seu marido. Desnecessário, porque o filme apresenta, sim, momentos de tensão, como a cena do playground em que as crianças estão brincando, além do drama psicológico proposto e que permeia a trama. E poderia ter ficado por ali. Os problemas familiares são evidenciados com a chegada de Esther, que tenta controlar os demais integrantes da família, cada um a sua maneira.

Alguns detalhes também poderiam ter sido melhor trabalhados, como as folhas da Bíblia que Esther carrega, que quando caem e se espalham no chão são brancas, parecendo novas e, cenas mais tarde, elas aparecem envelhecidas e com muitas fotos guardadas dentro do livro. Há também falhas para simplificar a história, como a figura solta da personagem que interpreta a avó das crianças que praticamente não se amarra durante todo o filme. Diferente de muitos filmes do gênero, o comportamento da garota é explicado ao fim do filme, mesmo que para muitos essa explicação possa parecer risível.

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