A Short Walk in the Light of the World Atenção: O post contém spoiler de série inédita no Brasil.Por que os adolescentes de
Skins são diferentes dos nossos de
Malhação? Roteiro, roteiro e roteiro. Acho que o que faz mais me identificar com a série é o fato dos adolescentes de Bristol serem parecidos com os adolescentes da periferia que sempre convivi, cheios de uma falsa liberdade, aprisionados em si mesmos, ilhados em seu território comum, distribuídos nas raves. Foi o episódio mais complementar de Tony, pela primeira vez mostrando sua tridimensionalidade.

É interessante também a caracterização dos personagens que cruzam com Tony nesse episódio, uma extensão do adolescente, seu subconsciente materializando-se. Nesse episódio também tivemos uma dimensão de como a direção do programa está atenta aos detalhes e a beleza dos planos. O plano parado da escada espiral do local aonde Tony vai “fazer novos amigos” é belíssimo, retrata metaforicamente a situação dele, aquele que agora dá voltas e voltas em si mesmo, que vai e vem sempre em sentido contrário, mas quase nunca saindo do lugar. De certa forma,
Skins lembra
Anos Incríveis pela magia dos momentos, a trilha sonora específica (bem típica dos anos 2000 ingleses) e os conflitos internos vivenciados pelos adolescentes. Além disso, a amizade de Tony e Sid é singular e repleta de afinidades subliminares. Paixão, vontade, querer. Tony está no meio de tudo isso, mas ele não está nem do lado de lá nem do lado de cá e sim no limbo. E viver no limpo é sufocante.
“Eu não consigo respirar”, ele sempre repete. O menino puramente arrogante e inteligente de outrora está, enfim, crescendo. E para crescer é necessário enfrentar demônios e bestas. Olhar-se no espelho, mexer na ferida, tatuar-se. Foi de longe o episódio mais poético de todas as temporadas.
“Welcome back, Tony.”