Entrelaçados?Atenção: O post contém spoiler de série inédita no Brasil.Fui pega por
Damages em uma manhã bucólica de quarta-feira. Terceiro episódio na
AXN. Reprise. Para deixar claro: eu odeio séries sobre advogados, as acho pretensiosas e repetitivas. Por isso confesso que levei um susto. Essa série não é sobre o mundo corporativo dos defensores da lei, mas sim sobre manipulação e personagens multifacetados. Toda vez que Glenn Close sorri tenho a impressão de que um arrepio do além irá passar e destruir tudo. Justiça, segundo o Aurélio:
“A virtude de dar a cada um aquilo que é seu; a faculdade de julgar segundo o direito e melhor consciência.” O programa não questiona a melhor consciência, mas como diferentes consciências podem estar entrelaçadas em prol de um bem que só privilegiará o maior manipulador. Ou aquele que souber jogar melhor.
Damages é um exemplo claro de como a Teoria dos Jogos funciona.

Patty Hewes x a inocência e ingenuidade de Ellen, Kate, até de certa forma de Arthur Frobisher. Eu teria ficado satisfeita com a complexidade da personagem de Glenn Close, mas para me deixar mais ansiosa pelo quarto episódio e querer saber mais sobre o quebra-cabeça desse jogo, também fiquei encantada pela fotografia do tempo real, o presente. Somos apresentados pelo piloto com Ellen Parsons descabelada e suja de sangue indo à polícia e logo depois somos projetados a 6 meses antes do ocorrido, em flashbacks. A maior parte da trama passa-se no passado, mas quando o presente aparece somos jogados a uma fotografia de uma tonalidade que nos envolve em um ambiente misterioso e caótico. A cor, a luz, os pixels são viscerais, nervosos. Saber como a personagem de Ellen foi levada até esse mundo confuso e desordenado é intrigante e reflexivo. Acho que vou me viciar. Antes tarde do que nunca.