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Filmografia Completa: Anselmo Duarte

05/02/2009

                                

por Debora Couto

Responsável pela única Palma de Ouro do cinema brasileiro, Anselmo Duarte é diretor, ator, roteirista e já trabalhou até como "molhador" de tela no cinema. 

Nascido na cidade de Salto, interior de São Paulo, em 21 de abril de 1920, sempre sonhou em trabalhar como projetor, e iniciou sua carreira no cinema ainda quando criança, molhando a tela dos projetores de filmes mudos, que precisava ser refrescada a cada dois rolos que eram trocados. Por esse trabalho (e pelos seus cabelos louros), ficou conhecido como "Russo Louco", apelido que até hoje gosta de relembrar.   

Essa sua profissão foi, inclusive, retratada em O Crime do Zé Bigorna (1977), um dos últimos longas dirigido pelo cineasta e que traz Lima Duarte e o Stênio Garcia como os "molhadores de tela".  

Além de dirigir, Duarte escreveu todos os roteiros de seus filmes. Seu primeiro trabalho como cineasta foi Absolutamente Certo (1957), no qual atuou como protagonista ao lado da atriz Dercy Gonçalves. 

Seu longa seguinte, O Pagador de Promessas (1962), foi o único filme brasileiro a ganhar a Palma de Ouro no Festival de Cannes. Contando com Leonardo Villar e Glória Menezes no elenco, a história gira em torno de Zé do Burro, um baiano que faz uma caminhada rumo a Salvador carregando uma imensa cruz de madeira, para pagar uma promessa feita à Santa Bárbara.

Após a euforia da premiação, Duarte tentou inscrever Vereda de Salvação (1964) para concorrer no Cannes também, mas o longa foi barrado depois de ter sido considerado comunista e inadequado para os ideais políticos da época. O diretor já foi, inclusive, preso sob a acusação de comunismo, e só foi liberado por influência de seu advogado. Embora não tenha concorrido à Palma de Ouro, o filme foi nomeado ao Urso de Ouro, no Festival de Berlim.  

A carreira de Duarte, no entanto, entrou em declínio logo após a sua premiação. Apesar de O Pagador de Promessas ter sido muito elogiado no mundo inteiro, em seu próprio país ele não foi bem aceito. Os responsáveis pelo Cinema Novo, que defendiam um cinema com menor custo, entraram em conflito com o diretor após ele ter recebido esse grande prêmio mundial e fizeram severas críticas contra seu trabalho, realizando protestos contra a exibição do filme. Os efeitos decorrentes disso foram tão fortes, que seus próximos trabalhos não conseguiram boas críticas e nem obtiveram boa receptividade do público, fazendo com que o cineasta perdesse sua credibilidade e reconhecimento no cinema nacional.    

Mesmo assim, Duarte não parou de produzir. Cinco anos depois de Veredas de Salvação, o cineasta lançou Quelé do Pajeú (1969), que contou com o ator Tarcísio Meira no elenco e, ainda no mesmo ano, dirigiu um dos segmentos de O Impossível Acontece, ao lado de C. Adolpho Chadler  e Daniel Filho. 

Em 1971, esteve à frente da direção de Um Certo Capitão Rodrigo, adaptação da obra de Érico Veríssimo, que conta a história de um cavaleiro que vai para a cidade de Santa Fé e acaba mudando a vida de seus habitantes, conquistando o coração das mulheres e a admiração dos homens. 

Nos anos seguintes, o diretor comandou O Descarte (1973), Ninguém Segura Essas Mulheres (1976), Já Não Se Faz Amor Como Antigamente (1976) e O Crime do Zé Bigorna (1977). 

Seu último trabalho foi Os Trombadinhas (1979), que aborda a temática do menor abandonado e mostra o triste destino das crianças que vão para as ruas e se transformam em pequenos ladrões.  

Após o lançamento deste filme, Duarte passou a se dedicar à sua carreira de ator, tendo trabalhado em diversas produções até 1987, quando finalmente decidiu encerrar sua carreira artística e se aposentar, retornando para a sua cidade natal, onde vive atualmente com sua família. 

Recentemente, foi criada em Salto uma Lei Municipal (artigo 1° da Lei Municipal n° 2397/2002) que institui o período de 21 a 27 de abril como sendo a  Semana Anselmo Duarte, que é comemorada anualmente. Durante essa semana, são prestadas diversas homenagens ao cineasta e seus filmes são exibidos em espaços culturais da cidade.

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"Eu era considerado galã. Isso me incomodava. Era pejorativo. O meu azar foi ser galã. Eu era tímido. Eu nunca desejei ser ator. Queria ser diretor de filmes. Então eu me definiria, sem soberba, com honestidade e coragem, depois de 55 anos de cinema, como um realizador de filme. Aqui ou em qualquer parte do mundo. Essa é minha profissão. Só isso". – Anselmo Duarte

 Clique aqui para acessar a ficha completa com a filmografia de Anselmo Duarte


     





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