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A Mulher de Preto
(The Woman in Black)
95 min - Suspense - 2011 (Reino Unido)
Advogado vai a uma pequena cidade para lidar com o funeral e os bens da misteriosa Alice Drablow, que faleceu há pouco tempo. Instalado na casa dela, ele passa a ser atormentado por barulhos e visitas terríveis. Gradualmente, junta as peças do quebra-cabeça que envolve um terrível segredo.
 

Crítica

por Pablo Villaça

Dirigido por James Watkins. Com: Daniel Ratcliffe, Ciarán Hinds, Sophie Stuckey, Roger Allam, Shaun Dooley, Mary Stockley, Tim McMullan, Daniel Cerqueira, Liz White, Janet McTeer.

Primeiro filme de Daniel Radcliffe após a conclusão da série Harry Potter, A Mulher de Preto é mais um projeto da recém-ressuscitada Hammer após o péssimo A Inquilina e a bela refilmagem Deixe-me Entrar. A boa notícia é que o jovem ator faz um trabalho eficiente em um longa que compreende que os arrepios duram mais que os sustos; a má é que o roteiro problemático compromete bastante o resultado final.

Baseado em um livro de Susan Hill e escrito pela geralmente competente Jane Goldman (X-Men: Primeira Classe, Kick-Ass, Stardust), o filme logo se distancia da boa versão original de 1989* ao trazer o protagonista como um viúvo que, com dificuldades financeiras, é obrigado pelo chefe a fazer uma viagem a fim de providenciar a venda de uma mansão em um vilarejo enquanto organiza os papéis de sua falecida proprietária. Recebido com hostilidade pelos locais (outra diferença com relação ao filme de 89), ele passa a enxergar a assustadora personagem-título em vários locais enquanto várias crianças da vila começam a morrer violentamente. Aos poucos, o jovem advogado Arthur Kipps (Radcliffe) vai desenterrando a misteriosa história da mansão e percebe que as mortes continuarão até que alguém encontra uma maneira de apaziguar o vingativo espírito que amedronta a cidadezinha.

Combinando dois subgêneros clássicos do terror (o do estranho que chega a um vilarejo atormentado e o da mansão mal-assombrada), A Mulher de Preto é eficiente ao estabelecer uma atmosfera pesada e tensa graças à fotografia de Tim Maurice-Jones (Snatch), que investe numa paleta cinza e dessaturada que ressalta a frieza da narrativa e de um universo constantemente nublado. Explorando bem a imagem angustiante das crianças pálidas que observam o mundo por trás de vidraças embaçadas, o diretor de fotografia também é hábil ao retratar a casa na qual a maior parte da história se passa, mantendo parte de seus quadros sempre mergulhada na escuridão enquanto os extensos corredores parecem se projetar nas sombras como um pesadelo.

Sem desapontar também naquele que costuma ser o quesito mais importante em produções de terror que se passam em mansões vitorianas, o design de produção, o filme combina o exterior cinza e decadente da residência com internas que apostam em cenários com paredes escuras e dominadas por retratos opressivos, sendo complementadas por entulhos espalhados por todos os cantos e objetos de cena que mereceriam um prêmio especial (os brinquedos vistos no quarto de criança, em particular, são pavorosos). Além disso, o conceito de uma casa afastada da cidade por recifes que são encobertos em função da maré beira o brilhantismo, já que funcionam como a desculpa ideal para transformar o centro da narrativa em uma ocasional ilha de puro terror. Para finalizar, o design de som mostra-se impecável, auxiliando na criação do tom apropriado a partir de rangidos, passos distantes e do vento constante.

É uma pena, portanto, que aqui o roteiro de Goldman desaponte. Não que seja ruim, pois não é, mas peca pela falta de uma estrutura e por substituir o desenvolvimento da trama por uma aposta arriscada, concentrando a maior parte do segundo ato em uma longuíssima sequência que praticamente se dedica a acompanhar o protagonista enquanto este percorre a mansão de uma ponta a outra à medida que escuta novos ruídos. Já causando estranhamento pela impassividade de Arthur depois que este tem estranhas visões (é impossível que ele acredite ter sido uma ilusão de ótica ou um truque pregado por seus olhos, já que as imagens foram claríssimas), o filme ainda transforma o sujeito no herói mais corajoso (ou mais burro) do gênero ao trazê-lo indo sempre em direção ao perigo, mesmo quando qualquer pessoa minimamente sensata já teria se trancado no banheiro – e aí reside a diferença fundamental entre esta versão e a original, que destruía os nervos do protagonista. Ainda assim, é importante apontar que esta é uma falha do roteiro, não de Daniel Radcliffe, que convence com a impetuosidade de sua performance, acertando também ao retratar Arthur como um jovem adulto de olhos sempre tristes.

Ao final, porém, fica difícil ignorar a fragilidade da história – e quando Arthur decide resgatar um cadáver para tentar acalmar o espírito, nenhuma explicação é fornecida quanto à sua lógica, parecendo que ele chegou àquela solução não por analisar o caso, mas sim por já ter visto filmes de terror em excesso. Além disso, suas constantes visões envolvendo a falecida esposa jamais são satisfatoriamente explicadas (Trata-se de um espírito? Sonhos? Alucinações?), servindo apenas para fazer um contraponto óbvio entre a imagem beatífica da mulher, sempre de branco, com aquela demoníaca da personagem-título. Como se não bastasse, o desfecho da narrativa é profundamente anticlimático, conseguindo ser simultaneamente corajoso (pelo que ocorre) e covarde (pela maneira tola como ameniza o fato), substituindo a conclusão pelo choque barato.

Ainda assim, o diretor James Watkins merece créditos por manter os sustos meramente provocados pela trilha em um número mínimo, apostando, em vez disso, num clima de tensão constante que, como já apontado, desperta mais arrepios do que saltos.

Não é difícil apostar num futuro promissor para Daniel Radcliffe no Cinema.

* Curiosidade: na versão de 1989, o protagonista foi interpretado por Adrian Rawlins – sim, o Tiago Potter, pai de Harry, na série estrelada por seu substituto nesta refilmagem.

02 de Março de 2012

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