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A Vida dos Peixes
(La vida de los peces)
84 minutos - Drama - 2010 (Chile/França)
O filme conta a história do reencontro de um casal depois de anos sem se ver. Andrés é um jornalista que deixou seu país para trabalhar no exterior. Ao voltar para casa para a festa de aniversário de um amigo e reencontra uma antiga namorada.
 

Crítica

por Pablo Villaça

Dirigido por Matías Bize. Com: Santiago Cabrera, Blanca Lewin, Antonia Zegers, Victor Montero, Sebastián Layseca, María Gracia Omegna.

Embora jamais parem de nadar, os peixes aprisionados em um aquário tampouco chegam a algum lugar por mais que movam suas barbatanas. Isto descreve perfeitamente a vida de Andrés (Cabrera), que, dedicando sua vida a escrever guias de viagens, é obrigado a pensar sempre como turista, mantendo-se em movimento constante e jamais se fixando em algum ponto que possa chamar de lar.

Ausente de sua cidade natal por dez anos, ele finalmente retorna para finalizar a venda dos imóveis herdados dos pais, aproveitando a viagem para rever os velhos amigos de infância. Prestes a embarcar de volta à Europa, ele dá uma passada na casa de um destes companheiros, que está comemorando aniversário, e acaba reencontrando uma antiga namorada da juventude, que, agora mãe de gêmeas, permanece sendo o único amor que experimentou na vida.

Mais uma vez construindo sua narrativa a partir de eventos concentrados em um curto espaço de tempo, o cineasta chileno Matías Bize transforma A Vida dos Peixes em um curioso exemplar do gênero road movie, já que a estrada percorrida por Andrés encontra-se, de certa maneira, toda localizada no interior de uma casa – e cada aposento percorrido leva o sujeito a encontrar alguém de seu passado e a mergulhar em memórias e traumas antigos. Melancólico do início ao fim, o filme é beneficiado por uma trilha incidental evocativa e também pelos diálogos adultos que refletem com propriedade as discussões e dúvidas de pessoas que já atingiram certo nível de maturidade.

E se digo “certo nível” é porque a exceção fica, em parte, por conta do protagonista, que – como bem apontado por sua ex-namorada – parece não perceber que seus velhos conhecidos levaram suas vidas adiante enquanto ele, por permanecer sempre em movimento, paradoxalmente estacionou em um determinado ponto de sua existência, prendendo-se a um passado que nem sempre se preocupa em considerar as consequências de decisões impulsivas.

Estudo de personagem sensível e até mesmo doce em certos instantes, A Vida dos Peixes é um longa que comprova a maturidade crescente de seu ainda jovem diretor, o que é sempre algo prazeroso de se constatar. .

Observação: esta crítica foi originalmente publicada como parte da cobertura do Festival do Rio de 2010 – daí seu tamanho reduzido.

27 de Setembro de 2010

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