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Os Sabores do Palácio
(Les saveurs du palais)
95 min - Drama - 2012 (França)
Data de Estreia no Brasil: 16/08/2013
Distribuidora: Europa Filmes
Hortense Laborie é uma renomada chef que mora em Périgord. Para sua surpresa, o Presidente da República a nomeia como sua cozinheira pessoal, responsável por criar todas as suas refeições no Palácio do Élysée. Apesar da inveja dos chefs da cozinha central, Hortense se impõe, graças a seu espírito indomável. A autenticidade de seus pratos logo seduz o Presidente, mas os corredores do poder estão cheios de armadilhas. Distribuição: Europa Filmes.
 

Crítica

por Pablo Villaça

Dirigido por Christian Vincent.Com: Catherine Frot, Jean d’Ormesson, Hippolyte Girardot, Arthur Dupont, Jean-Marc Roulot, Arly Jover, Joe Sheridan.

Quando um filme traz os letreiros “baseado em fatos reais”, isto normalmente quer dizer apenas que em algum momento da história da humanidade algo relativamente similar aos acontecimentos narrados ali aconteceram realmente – assim, quando no início de Os Sabores do Palácio li as palavras “Livremente inspirado na vida de Danièle Delpeuch”, deduzi que, com exceção do nome da ex-chef do ex-presidente francês François Miterrand, nada do que veria na tela havia acontecido de fato.

Pois talvez eu tenha me enganado, já que os incidentes retratados pelo longa de Christian Vincent são tão banais que provavelmente jamais teriam saído apenas de sua mente e sido jogados no roteiro co-escrito com Etienne Comar – e é razoável imaginar que, no mínimo, a dupla teria adicionado algum conflito ou drama (ambos inexistentes aqui) à história da cozinheira. Em vez disso, o projeto se limita a acompanhar Hortense (Frot) ao longo de 95 minutos enquanto esta lida com briguinhas triviais com seus colegas do palácio presidencial e estabelece uma relação cordial com o presidente (d’Ormesson), usando a passagem da chef por uma base de pesquisas na Antártica para conferir alguma estrutura à narrativa.

Não que o filme não tenha seus atrativos – e a paixão pela culinária demonstrada por Hortense (vivida com simpatia e naturalidade pela veterana Catherine Frot) é certamente sua principal virtude. Encarando seu trabalho como verdadeira arte, a cozinheira ressente ter que lidar com protocolos e com a burocracia ao preparar seus pratos, estabelecendo uma dinâmica divertida e empolgada com seu único assistente. Assim, vê-la preparar os pratos para as refeições presidenciais torna-se fascinante por si só, bem como acompanhar suas discussões acerca do banquete que deverá preparar para a família do chefe, buscando estabelecer uma verdadeira estratégia na evolução do almoço, da entrada à sobremesa. Da mesma maneira, quando Hortense analisa uma torta feita pelos rivais e afirma que esta não tem “assinatura” ou personalidade, compreendemos exatamente o que quer dizer, o que é uma proeza do próprio filme.

Esforçando-se para idealizar a figura sábia de ancião do presidente (algo que Jean d’Ormesson ajuda o longa a fazer sem grande esforço com sua ótima atuação), Os Sabores do Palácio peca também ao forçar uma relação pessoal entre este e Hortense numa tentativa de criar algum drama através de seu afastamento da função – como se isto equivalesse a um golpe de Estado ou algo parecido, quando, na realidade, apenas ilustra a incapacidade da cozinheira de lidar com as exigências de um trabalho tão específico.

Desinteressante do ponto de vista estético, já que o máximo que faz neste sentido é tentar criar algum contraste entre a fotografia fria das sequências na Antártica e o calor aconchegante dos momentos ambientados no palácio presidencial, o filme acaba cometendo o mesmo erro dos cozinheiros tão criticados por Hortense: é superficialmente eficaz, mas sem personalidade ou ponto de vista que o justifiquem plenamente como obra. 

Texto originalmente publicado como parte da cobertura do Festival do Rio de 2012.

2 de Outubro de 2012

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