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O Futuro
(The Future)
91 min. - Drama - 2011 (Estados Unidos/Alemanha)
Sophie e Jason são um casal estranho que vive em um pequeno apartamento em Los Angeles. A vida deles começa a mudar quando decidem adotar um gato chamado Paw Paw e passam a tratá-lo como um recém-nascido. Apavorados com o peso da responsabilidade, acabam abandonando seus empregos.
 

Crítica

por Pablo Villaça

Dirigido por Miranda July. Com: Miranda July, Hamish Linklater, David Warshofsky, Isabella Acres, Angela Trimbur, Joe Putterlik.

Miranda July é uma artista performática que, estreando na direção de longas em 2005, dividiu a crítica com seu excêntrico Eu, Você e Todos Nós: enquanto alguns enxergavam naquele trabalho a confirmação do potencial do cinema independente norte-americano, outros viam nos estranhos personagens de July apenas o senso de humor pretensioso de uma elite intelectual que acredita que até mesmo suas fezes merecem admiração (e não uso esta comparação à toa, já que o filme apresentava a ideia da “troca” de dejetos humanos como expressão de amor). Naquele caso, fiquei ao lado de July e seu trabalho encantador; desta vez, porém, não estou bem certo, já que este O Futuro parece apenas interessado em lançar o meme dos “Lolcatz” como gênero cinematográfico (e mal acredito que acabei de escrever esta frase).

Escrito pela própria diretora, o filme conta a história do casal Jason (Linklater) e Sophie (July), que decidem adotar um gato que encontraram ferido na rua. Obrigados a esperar um mês até que ele receba alta, eles concluem ser necessário mudar o estilo de vida que levam e, assim, largam os empregos e tentam encontrar novos rumos até que o animal esteja pronto para ser levado para seu novo lar.

Tolice, eu sei, mas filmes melhores já foram feitos a partir de ideias mais estúpidas – e o fato é que O Futuro consegue explorar com certa eficácia sua premissa graças aos personagens interessantes vividos pelos bons atores. Sonhadores e nada pragmáticos, eles se parecem até fisicamente, mantendo conversas divertidas que comumente terminam em pequenos jogos fantasiosos sobre situações improváveis.

Pecando aqui e ali por apostar em diálogos que, supostamente profundos, soam apenas juvenis (“Por que esta pinta está aqui?” “Não sei.” “Nem eu.”), o longa também tropeça ao levar a personagem de July a tomar determinadas atitudes inverossímeis que parecem ter sido incluídas no roteiro com o único objetivo de criar algum conflito dramático, enfraquecendo o centro da narrativa (o relacionamento dos dois) e nos afastando de Sophie. Além disso, a diretora falha ao incluir elementos supostamente sobrenaturais ou fantasiosos de maneira abrupta e nada orgânica.

Mas o grande problema de O Futuro reside mesmo nos interlúdios protagonizados por “Patinhas”, o gato a ser adotado pelo casal: dublado pela própria Miranda July, que tem sua voz modificada eletronicamente enquanto fala lenta e pausadamente, Patinhas soa como um esforço desesperado da diretora de acrescentar algo bonitinho ao filme, já que desta vez não conta com o encantador garotinho de Eu, Você e Todos Nós – mas, no processo, consegue apenas soar infantil, já que “I Can Has Cheezburger” pode até funcionar como legenda de gifs de 10kb, mas num longa metragem resulta simplesmente em desastre.

Crítica originalmente publicada como parte da cobertura da Mostra de São Paulo de 2011.

27 de Outubro de 2011

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