Bem-vindo!
 
Publicidade
Publicidade
Grande Garoto, Um
(About a Boy)
101 min - Drama - 2002 (Inglaterra, Estados Unidos, França, Alemanha)
Um galanteador convicto inventa que tem um filho somente para freqüentar reuniões de pais solteiros e paquerar as mães participantes. Mas quando ele conhece um garoto de 12 anos, sua vida começa a mudar.
 

Crítica

por Pablo Villaça

Dirigido por Chris e Paul Weitz. Com: Hugh Grant, Nicholas Hoult, Rachel Weisz, Toni Collette, Sharon Small, Augustus Prew e Nat Gastiain Tena.

Will é um sujeito fútil e mau-caráter: vivendo confortavelmente na ociosidade, já que recebe royalties por uma música de sucesso que seu pai compôs em 1958, ele passa seus dias assistindo a programas de tevê e perseguindo mulheres. Aliás, nos últimos tempos ele afundou ainda mais em sua canalhice e passou a seduzir apenas mães solteiras, já que acredita ser mais fácil dispensá-las quando o tédio chega – e para cumprir seu objetivo, ele inventa até mesmo a existência de um filho de dois anos. Will é, sem dúvida, um sujeito desprezível – mas, ao final de Um Grande Garoto, você constatará ser impossível odiá-lo.

Interpretado por Hugh Grant com aquele mesmo humor irresistivelmente auto-depreciativo de Quatro Casamentos e um Funeral e Um Lugar Chamado Notting Hill, Will logo torna-se um dos personagens mais tridimensionais da carreira do ator: inicialmente egocêntrico e superficial, o rapaz sofre, ao longo do filme, alterações de personalidade que jamais parecem ter sido ditadas por convenções do roteiro, soando perfeitamente naturais e até mesmo inevitáveis. E o melhor é que, apesar disso, Will não se transforma magicamente em outra pessoa, possuindo, ao final da projeção, algumas das mesmas falhas de caráter que haviam sido anteriormente apresentadas ao espectador.

Parte da responsabilidade por este feito cabe, também, ao jovem Nicholas Hoult, que interpreta o introspectivo Marcus, catalisador das mudanças vividas por Will. Assim como acontecia em produções como Central do Brasil e O Sexto Sentido, que enfocavam relacionamentos entre adultos problemáticos e crianças que os ajudavam a melhorar, a amizade entre os dois protagonistas de Um Grande Garoto flui de forma natural, focalizando com competência a aproximação gradual entre estes. Além disso, a estrutura narrativa adotada pelo filme permite que o público conheça ainda mais estes `garotos`, já que abre espaço para que ambos atuem como narradores e protagonistas da mesma história (e é curioso ver como, constantemente, os `pensamentos` de Will e Marcus denunciam seus verdadeiros objetivos, enquanto suas atitudes parecem caminhar em sentido oposto).

E se a química entre Grant e Hoult é perfeita, o comovente desempenho de Toni Collette também merece destaque: apesar de seguir um estilo de vida saudável e estar sempre preocupada em ensinar valores mais nobres para seu filho, Fiona é uma mulher deprimida e insatisfeita com suas próprias conquistas – e a atriz consegue despertar a compaixão da platéia utilizando pouquíssimas palavras. Enquanto isso, Rachel Weisz faz um bom trabalho ao viver o interesse amoroso de Will, criando uma personagem segura e inteligente (e o garoto Augustus Prew, que interpreta seu filho, é responsável por um dos momentos mais divertidos do filme).

Dirigido pelos irmãos Chris e Paul Weitz com uma discrição mais do que apropriada, Um Grande Garoto também agrada aos ouvidos do espectador, já que conta com uma belíssima trilha sonora composta por Damon Gough (sob o estranho pseudônimo de Badly Drawn Boy). No entanto, não há como negar que a força desta obra reside mesmo em seu roteiro, adaptado a partir do livro homônimo de Nick Hornby (Alta Fidelidade) e escrito pelos dois cineastas ao lado de Peter Hedges: contando com diálogos inspiradíssimos, a trama respeita o espectador e foge dos clichês de maneira sistemática (em uma produção menos inteligente, logo seríamos obrigados a engolir um implausível romance entre o almofadinha Will e a descolada Fiona, o que seria ridículo). Aliás, não ficarei espantado caso o filme seja indicado ao Oscar de Roteiro Adaptado – e Hugh Grant certamente será um dos favoritos ao Globo de Ouro do próximo ano.

Funcionando como um interessante estudo de personagens e também como comédia de situações, Um Grande Garoto cativa graças à dimensão que confere aos seus protagonistas: quando o filme chegou ao fim, confesso que não consegui conter algumas lágrimas – e estas não vieram em função de uma cena melodramática, mas sim porque duas pessoas de quem eu aprendera a gostar estavam resolvendo algo importante em suas vidas.

E eu estava feliz por meus novos amigos.
``

19 de Julho de 2002

Comentários

comments powered by Disqus
Publicidade

Redes Sociais

Filmes Relacionados

Cinenews

    Publicidade

    Agora!