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Justiceiro, O (2004)
(Punisher, The)
124 min - Ação - 2005 (Estados Unidos, Alemanha)
Data de Estreia no Brasil: 02/02/2005
Frank Castle é um agente do FBI que vê sua família ser assassinada e decide punir os responsáveis com as próprias mãos. Assim, ele se torna um vigilante, conhecido como O Justiceiro.
 

Crítica

por Pablo Villaça

Dirigido por Jonathan Hensleigh. Com: Tom Jane, John Travolta, Will Patton, Laura Harring, Ben Foster, Rebecca Romijn-Stamos, Samantha Mathis, John Pinette, Mark Collie, Kevin Nash, Roy Scheider.

Frank Castle é um agente do FBI cuja última ação antes da aposentadoria resulta na morte do filho de um perigoso gângster, Howard Saint. Como vingança, Saint ordena que toda a família de seu inimigo seja chacinada, e Castle é o único a escapar com vida. Deprimido e entregue ao álcool , ele se torna o Justiceiro, cujo único propósito é destruir os que foram responsáveis diretos ou indiretos pela morte daqueles a quem amava.

Seguindo uma tendência `pós-11 de Setembro` (ler crítica sobre Poder de Fogo), The Punisher é mais um exemplar do gênero `vingança`, mas, ao contrário de equívocos como Com as Próprias Mãos e O Vingador, acaba funcionando graças à personalidade de seu anti-herói: Frank Castle é um homem claramente doente, já que sua crueldade torna-se infinitamente maior do que a de seus inimigos. Em certos momentos da projeção, confesso que cheguei a sentir pena de suas vítimas, já que o sujeito cruza todos os limites normalmente respeitados pelos protagonistas das produções de Hollywood: Castle não hesita em matar a sangue-frio até mesmo homens feridos ou imobilizados, tornando-se tão `mau` quanto o próprio Howard Saint (em certos aspectos, até pior).

Interpretando o protagonista sem jamais permitir que suas emoções transpareçam em sua face, Tom Jane exibe uma boa presença em cena, embora talvez fosse mais interessante conferir alguma característica particular a Castle, que permanece um enigma do início ao fim. (Mas nem preciso dizer que seu trabalho é infinitamente superior ao patético desempenho de Dolph Lundgren na horrorosa versão produzida em 1989).

Infelizmente, o roteiro escrito pelos experientes Michael France e Jonathan Hensleigh (que também assina a direção) falha ao julgar necessário introduzir três personagens que se tornam a `nova família` de Castle. O objetivo, obviamente, é acrescentar um novo elemento que torne o personagem vulnerável, já que, até então, ele não tinha nada mais a perder. Porém, além de forçar uma ligação implausível entre o protagonista e seus vizinhos, a própria idéia de que o Justiceiro estabeleceria sua base em um prédio habitado é ridícula: com todo o barulho que teria que fazer para construir seu `quartel-general`, Castle certamente procuraria um local solitário (é claro que ele não precisaria repetir a estratégia vista no filme de 89, no qual o personagem residia nos esgotos da cidade, mas por que não hospedá-lo em um galpão abandonado, pelo menos?).

Além disso, depois de anunciar sua presença para a polícia, o Justiceiro jamais é perturbado pela Lei, embora esteja claramente se entregando a atos criminosos. Na verdade, depois deste único encontro entre Castle e os policiais, estes sequer voltam a surgir em cena, o que é absurdo. E, ainda que John Travolta faça um bom trabalho como Howard Saint, o filme jamais consegue estabelecê-lo como o grande vilão da história – e seu confronto final com Frank Castle torna-se anti-climático justamente por esta razão.

Já a direção de Hensleigh (sua estréia na função) é correta: abusando das referências ao gênero western, o cineasta não hesita em surpreender o espectador com o grau de violência que empresta ao longa, que é recheado de cenas fortes e extremamente gráficas (algo que se tornou incomum entre as produções dos grandes estúdios). Com isso, o público pode testemunhar as conseqüências dos atos de Castle, já que a câmera jamais se afasta no último momento, tentando eliminar o impacto provocado pelos golpes, tiros e facadas vistos na tela.

Sem jamais permitir que seu (anti)herói obtenha qualquer tipo de satisfação pela morte de seus inimigos, O Justiceiro revela-se corajoso ao levar o espectador a perceber que, depois de tantos esforços, Castle não alcança a paz de espírito que procurava – o que, ao mesmo tempo em que abre espaço para possíveis continuações, transmite uma mensagem bem mais interessante do que aquela vista, por exemplo, em Poder de Fogo: a de que, como já dizia Gandhi, a estratégia do `olho por olho` serve apenas para deixar o mundo inteiro cego.
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21 de Julho de 2004

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