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Moulin Rouge - Amor em Vermelho
(Moulin Rouge)
127 min - Romance - 2001 (Austrália, Estados Unidos)
A história se passa em 1899 e gira em torno de um jovem poeta, Christian, que desafia a autoridade de seu pai ao se mudar para Montmartre, Paris - um lugar amoral, boêmio e onde todos são viciados em absinto. Lá, ele é recolhido por ninguém menos do que Toulouse-Lautrec e seus amigos, cujas vidas são centradas em Moulin Rouge, um mundo miserável (mas cheio de glamour) de sexo, drogas, eletricidade e - o que é ainda mais chocante - de cancã. É então que Christian se condena ao apaixonar-se...
 

Crítica

por Pablo Villaça

Dirigido por Baz Luhrmann. Com: Nicole Kidman, Ewan McGregor, John Leguizamo, Jim Broadbent, Richard Roxburgh, Jacek Koman, Matthew Whittet, Kerry Walker e Caroline O’Connor.

Moulin Rouge é um espetáculo inesquecível. Aliás, não emprego a palavra `espetáculo` em vão, já que o início do filme é (literalmente) precedido por um abrir de cortinas, que voltam a fechar-se após o término da história. Além disso, `espetacular` também é o menor dos adjetivos que devem ser utilizados com relação ao valor estético da produção. O fato inegável é que Moulin Rouge é uma grande festa para os olhos, ouvidos e mente.

Dirigido com maestria pelo australiano Baz Luhrmann, o filme gira em torno do intenso caso de amor entre Christian, um pobre escritor, e Satine, a mais bela cortesã do Moulin Rouge, célebre cabaré francês que marcou época graças ao ecletismo de sua clientela, que incluía membros das mais diferentes classes sociais e culturais. Depois de se conhecer graças à intervenção do extravagante pintor Toulouse-Lautrec, o casal se entrega a uma paixão proibida – Satine está `prometida` a um Duque que investirá no mais grandioso show do cabaré (o que finalmente a transformará em atriz, e não apenas dançarina), e Christian é justamente o responsável pelo roteiro da produção (ele ganha o emprego depois de `compor` a música-tema de A Noviça Rebelde). À medida em que os ensaios vão se adiantando, fantasia e realidade se misturam e as complicações no envolvimento entre os jovens apaixonados acabam sendo transpostas para o roteiro do espetáculo (artifício utilizado recentemente em Shakespeare Apaixonado).

Apesar da fragilidade e obviedade da trama, Luhrmann consegue imprimir um outro nível ao filme graças à energia quase histriônica com que conta sua história. Além dos imaginativos movimentos de câmera, o cineasta raramente deixa uma cena transcorrer sem inúmeros cortes (o processo de montagem deve ter sido extremamente extenuante para a editora Jill Bilcock, que, contudo, saiu-se admiravelmente bem: apesar da rapidez dos cortes, Moulin Rouge jamais se torna confuso ou cansativo). Como se não bastasse, o design de produção de Catherine Martin e os figurinos criados por esta e Angus Strathie são maravilhosos e criam um universo fascinante, mítico.

Enquanto isso, a excelente trilha sonora contribui para conferir um clima atemporal ao Moulin Rouge, já que insere músicas contemporâneas em uma narrativa que se passa na virada do século XIX para o XX. Aliás, além de anacrônicas, as canções também são reinventadas, como a versão `tango` de Roxanne e o medley que associa All You Need Is Love, dos Beatles, a I’ll Always Love You, de Whitney Houston. O resultado, por incrível que pareça, é magistral – basta dizer que três críticos presentes na sessão especial (eu entre eles) saíram da sala de projeção diretamente para uma loja de CDs.

Com relação às atuações, Luhrmann arranca de seus atores performances tão histriônicas quanto a própria edição do filme, o que se revela uma decisão inteligente. Nicole Kidman, por exemplo, realiza aqui o melhor trabalho de sua carreira, criando uma Satine igualmente sedutora e vulnerável. Ewan McGregor, por sua vez, comove com seu amor sofrido, enquanto John Leguizamo prova, novamente, ser um dos atores mais interessantes de sua geração. Para encerrar, também merecem destaque os desempenhos de Richard Roxburgh, como o cruel Duque de Monroth, e de Jim Broadbent, como o interesseiro dono do Moulin Rouge (sua interpretação de Like a Virgin é imperdível).

Se houver justiça no mundo, Moulin Rouge certamente receberá diversas indicações no Oscar 2002 (as categorias Direção de Arte/Cenografia, Fotografia, Montagem, Figurinos e Direção são praticamente obrigatórias, mas ficarei ainda mais feliz se surgirem indicações a Melhor Filme, Atriz e Ator Coadjuvante para Jim Broadbent).

Agora que já deixei clara minha posição sobre este maravilhoso musical, sinto-me obrigado a fazer um alerta: apesar de todas as suas qualidades, Moulin Rouge não é um filme capaz de despertar unanimidade. Na verdade, é bastante provável que boa parte do público venha a sentir-se enfadado em função do tom fantasioso da narrativa ou do comportamento ilógico de alguns personagens – principalmente aqueles que entrarem no cinema esperando algo mais `tradicional`.

Meu humilde conselho: vá ao cinema disposto(a) a se entregar aos delírios visuais de Moulin Rouge. Você pode até não se apaixonar pelo filme como eu, mas certamente sentirá, ao fim da projeção, que acabou de passar por uma experiência inovadora.
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23 de Agosto de 2001

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