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Oliver Twist
(Oliver Twist)
130 min - Drama - 2005 (Reino Unido, República Tcheca, França, Itália)
Um órfão foge do reformatório e se junta a uma gangue de garotos treinados para roubar e trazer o que conseguiram para seu mestre.
 

Crítica

por Pablo Villaça

Dirigido por Roman Polanski. Com: Ben Kingsley, Barney Clark, Leanne Rowe, Mark Strong, Jamie Foreman, Harry Eden, Edward Hardwicke.

A versão do cineasta Roman Polanski para o clássico Oliver Twist, de Charles Dickens, é inquestionavelmente fiel no que se refere à sua trama. E não há como negar a riqueza técnica do filme, que recria a Londres do século 19 de forma impressionante e a ilumina de maneira belíssima. Infelizmente, o longa falha ao jamais encontrar um tom adequado para sua narrativa: em certos momentos, é excessivamente infantil; em outros, sombrio demais. É como se o Polanski responsável pelo humor irreverente de A Dança dos Vampiros entrasse em conflito com o Polanski que criou O Bebê de Rosemary e ambos conseguissem influenciar no resultado final desta adaptação.

Escrito por Ron Harwood, que já havia colaborado com o diretor em O Pianista, o roteiro acompanha a trajetória do pequeno órfão Oliver Twist, desde sua passagem pelo deprimente orfanato no qual pedir um pouco mais de comida é ofensa grave até suas aventuras (ou seriam `desventuras`?) em Londres, quando se envolve com um grupo de jovens ladrões comandados pelo estranho Fagin. Quando surge um raio de esperança em seu futuro, na figura do bondoso Sr. Brownlow, o garoto se vê ameaçado pelo terrível Bill Sykes, que mal pode esperar para colocar um fim em sua vida.

Um dos equívocos centrais de Oliver Twist reside justamente em Barney Clark, o ator-mirim que recebeu a tarefa de viver o personagem-título. Apesar de fisicamente apropriado para o papel, Clark não é um ator dos mais brilhantes – e, quando chora em cena (para citar um exemplo), ficamos na dúvida se Oliver está realmente sofrendo ou se está apenas fingindo para enganar seus algozes. Sem contar com o carisma necessário para viver um personagem difícil, que se exprime mais através de suas expressões faciais e corporais do que através de diálogos, o menino se revela incapaz de despertar a simpatia, a admiração ou mesmo a pena do espectador – e, quando Oliver consegue uma vitória, sentimos que ele não fez muito por merecer.

Em sua essência, Oliver Twist não é muito diferente de Wladyslaw Szpilman, vivido por Adrien Brody em O Pianista: ambos são figuras passivas que passam a maior parte do tempo reagindo ao que lhes acontece, raramente assumindo o controle da situação (isto, aliás, é algo recorrente na filmografia de Polanski, já que pode ser dito a respeito dos personagens de Catherine Deneuve em Repulsa ao Sexo, de Mia Farrow em O Bebê de Rosemary e de Harrison Ford em Busca Frenética). É claro que, no original, Oliver já não era um garoto capaz de grandes iniciativas (não de forma consistente, ao menos), mas, graças às descrições de Dickens e à imaginação do leitor, adquiria `charme` suficiente para merecer sua condição de `herói` – algo que Barney Clark simplesmente não consegue personificar.

Por outro lado, o elenco adulto do filme muitas vezes peca pelo excesso, transformando seus personagens em verdadeiras caricaturas, ressaltando o tom de fábula que Polanski ocasionalmente confere à narrativa. Infelizmente, quando a história volta a assumir um caráter mais realista e sombrio, aquelas figuras se tornam automaticamente deslocadas e pouco verossímeis, contribuindo para o fracasso da empreitada. Aliás, o único que parece se encaixar em ambos os `climas` é Ben Kingsley, que, mesmo assumindo uma aparência de roedor com alopecia (não consigo descrevê-lo de outra maneira), confere uma ambigüidade suficiente a Fagin para torná-lo complexo e, conseqüentemente, interessante em qualquer momento do filme (ainda assim, continuo a preferir a atuação de Alec Guinness na versão infinitamente melhor de Oliver Twist dirigida por David Lean em 1948). Sem fazer qualquer menção ao judaísmo do personagem (que rendeu a Dickens a pecha de anti-semita), o longa de Polanski se torna melhor sempre que Kingsley surge em cena – e seus momentos finais são, também, os melhores da produção.

Pena que o filme sempre retorne ao aborrecido Oliver Twist de Barney Clark. Garotinho chato, esse.
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20 de Novembro de 2005

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