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O Âncora - A Lenda de Ron Burgundy
(Anchorman: The Legend of Ron Burgundy)
94 min - Comédia - 2004 (Estados Unidos)
Data de Estreia no Brasil: 15/10/2004
Um âncora de telejornal na década de 70 se sente ameaçado pela presença de sua bela colega feminista.
 

Crítica

por Pablo Villaça

Dirigido por Adam McKay. Com: Will Ferrell, Christina Applegate, Paul Rudd, Steven Carell, David Koechner, Fred Willard, Chris Parnell, Danny Trejo, Vince Vaughn.

Ron Burgundy é o âncora do telejornal mais popular de San Diego, que conta com três outros apresentadores: o `homem do tempo` Brick Tamland, o comentarista esportivo Champ Kind e o repórter de campo Brian Fantana. Vivendo em um universo no qual a gravidez de uma ursa panda torna-se `a grande história da temporada`, Ron é adorado pelos telespectadores e por si mesmo, julgando impossível ser rejeitado por qualquer mulher que deseje – e, quando isto acontece, ele se apaixona pela garota, a jornalista Veronica Corningstone. Infelizmente, ela acabou de ser contratada para trabalhar em seu noticiário, o que provoca grande irritação não apenas no âncora, mas em seus colegas: `Eu adoro as mulheres, mas o lugar delas não é numa redação de jornal!`, protesta Brian.

Ambientado nos ainda machistas anos 70, O Âncora faz questão de buscar o riso do espectador através da ridicularização da moda da época, caprichando nas imensas costeletas e nos bigodões de seus personagens (algo semelhante ao visto no recente Starsky & Hutch). Além disso, o diretor estreante Adam McKay faz citações bacanas ao estilo de Martin Scorsese ao apresentar os personagens logo nos minutos iniciais da projeção, das movimentações de câmera à utilização da música, passando, é claro, pela inconfundível câmera lenta.

Escrito pelo próprio McKay e por Will Ferrell, o filme adota diversos estilos de humor em seu objetivo de conquistar o espectador: há piadas bobinhas (como as conversas de Ron e seu cãozinho Baxter), comédia de situação (as tentativas feitas pelo protagonista para impressionar Veronica), humor negro (alguém perde um braço, em certo momento), sátira (as cenas `dramáticas` são tratadas com irreverência absoluta) e, como não poderia deixar de ser, o besteirol puro. Neste último caso, O Âncora tem seu ponto forte ou seu calcanhar-de-Aquiles, dependendo exclusivamente do gosto do espectador. Veteranos do Saturday Night Live, os roteiristas abordam diversas cenas como se estas fossem pequenos esquetes, começando com uma situação relativamente simples até descambarem no absurdo total, como a seqüência da briga entre equipes de diferentes telejornais (que conta com pontas divertidas de três atores famosos), a cena em que Ron tenta explicar para os colegas `o que é o amor` e o instante em que Champ tenta dizer para o protagonista o quanto sente sua falta.

Sempre disposto a tudo para fazer graça, Will Ferrell deixa de vez para trás as embaraçosas aparições em O Império do Besteirol Contra-Ataca e Quem Matou Mona? e continua a boa fase iniciada em Zoolander e Dias Incríveis: Ron Burgundy é um personagem que poderia facilmente se tornar antipático em função de seu egocentrismo, mas conquista o espectador graças às nuances na performance do ator, que nos permite enxergar um lado melhor do âncora. Além disso, Ferrell acerta em cheio ao parodiar o estilo típico de muitos jornalistas da tevê com sua voz empostada, suas pausas, risos forçados e inflexões pouco naturais (`Meu nome é Rooon Burgundy... e estas são as notícias do seu mundo... esta noite!`). E é claro que, quando o diretor do telejornal diz casualmente que Ron lê qualquer coisa que apareça no teleprompter, o espectador imediatamente percebe que um incidente constrangedor está por vir (e, felizmente, o filme não exagera na dose, o que mantém a situação verossímil).

Mas, ao contrário de Mike Myers, que segue o estilo `sou-a-única-estrela-do-show`, Ferrell abre espaço para seus colegas de elenco, que também ganham a oportunidade de brilhar: Paul Rudd, como Brian, comprova o talento e o carisma exibido em sua participação na série Friends; David Koechner explora bem o `segredo` de seu personagem; e Steven Carell, que já roubara a cena de Jim Carrey como o âncora `possuído` de Todo Poderoso, volta a se destacar como o sujeito de Q.I. patologicamente baixo. Enquanto isso, Christina Applegate, como a única integrante feminina do elenco, faz um trabalho mais discreto, mas igualmente eficiente: sua insistência em afirmar sua condição de `jornalista` e `profissional` revela muito sobre sua insegurança e, nos momentos em que Veronica e Ron se confrontam, ela não faz feio frente ao veterano comediante. E, num elenco que inclui várias pontas, Jack Black merece destaque ao descontar sua raiva no pequeno cão Baxter.

Como eu disse em uma Conversa de Cinéfilo publicada em setembro de 2000, os trailers das comédias produzidas em Hollywood costumam revelar todas as melhores piadas do longa-metragem, chegando, muitas vezes, a serem mais engraçados do que o resultado final. Pois o talento do elenco desta produção para a improvisação é tão grande que a maior parte das gags vistas em seu trailer sequer aparecem no filme. Aliás, o diretor Adam McKay já revelou que um segundo longa, produzido apenas com as cenas deletadas do projeto, será incluído no DVD de O Âncora.

Será que a pré-venda já começou?
``

17 de Julho de 2004

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