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Corpo, O
(Corpo, O)
80 min - Comédia - 2001 (Brasil)
Farmacêutico vive em paz com suas duas esposas, Carmen e Breatriz. A harmonia acaba quando ele se apaixona por Monique, uma dançarina.
 

Crítica

por Pablo Villaça

Dirigido por José Antônio Fernandes Garcia. Com: Antônio Fagundes, Marieta Severo, Claudia Gimenez, Carla Camuratti.

É impressionante como certos filmes conseguem prender o público, divertir e, de repente, botar tudo a perder. O Corpo é um claro exemplo disso: a primeira metade do filme é engraçada, envolvente, e realmente prende a atenção. Porém, sem mais nem menos, o roteiro dá uma guinada de 180 graus e o que era para ser uma comédia se torna um misto de drama e policial. E dos ruins.

Xavier (Fagundes) é um homem feliz: dono de um negócio próspero, ele vive com duas mulheres, Bia (Gimenez) e Carmen (Severo). Elas o amam e o tratam com todas as regalias possíveis. E o melhor: elas também gostam da companhia uma da outra. Quando ele está fora, elas conversam sobre várias coisas, discutem seus sonhos e preparam várias surpresas para o `marido` em comum. É claro que nem todos conseguem aceitar a situação: a esposa do delegado local, por exemplo, vive insistindo para que o marido dê um `jeito` na situação. Mas o que ele pode fazer?

Tudo corre bem até que, um dia, Xavier começa a se encontrar com uma prostituta, Monique (Camurati), e passa a chegar em casa cada vez mais tarde. Bia e Carmen, naturalmente, se sentem abandonadas, solitárias. E, para surpresa de ambas, acabam fazendo amor em uma tarde especialmente entediante. Numa forma de vingança, Carmen conta para Xavier o que aconteceu e ele, atônito, pergunta: `Mas vocês fazem isso?`, ao que Bia responde, sem graça, `Pois é, né? A gente estava aqui, sem nada pra fazer...`. Mas, ao contrário das expectativas de Carmen, o homem acha a situação excitante e até pede para que elas transem na sua frente.

Até aí o filme é muito bom, cumprindo o que promete: ser uma comédia de situações. A direção de Fernandes Garcia não abusa das cenas de sexo (erro comum nas comédias brasileiras), ao contrário: utiliza-as da forma correta, acrescentando algo à história, e não somente como recurso apelativo para atrair o público. Em suma: O Corpo se mostrava uma ótima diversão.

Mas é então que as mulheres de Xavier descobrem a traição e, numa cena digna do mais barato dos filmes B, matam o marido. E, o que é pior: o roteiro revela ter uma intenção mais `séria`, dramática. As personagens de Gimenez e Severo passam a dialogar sobre coisas tão disparatadas como a solidão, o futuro e a ausência de Xavier. E, o que é de se espantar em uma comédia: não há mais nenhuma situação engraçada - o filme muda de gênero.

Outra coisa que contribui para o fracasso de O Corpo é a morte de Xavier, que é o melhor personagem da história. Fagundes cria um típico malandro carioca (apesar de paulista), que leva a vida com suas duas mulheres da maneira que lhe é mais conveniente, sem se importar com o que a sociedade tem a lhe dizer. Uma inspirada atuação, sem dúvida.

Já Marieta Severo, uma excelente atriz, está totalmente deslocada neste filme. Mesmo na primeira metade da história (a cômica), ela oferece uma interpretação completamente destoante, quase sofrida. Provavelmente nem os atores sabiam a que gênero O Corpo pretendia pertencer.

Este é, enfim, o tipo de filme que `poderia ter sido`, mas não foi. Tinha tudo para acontecer, mas preferiu ser diferente. Uma pena. Com isso, o filme acaba sendo enterrado junto com o personagem de Fagundes.
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17 de Outubro de 1996

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