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Thor
(Thor)
130 min - Ação - 2011 (Estados Unidos)
O deus Thor inicia uma antiga guerra no reino celeste de Asgard, devido à sua arrogância. Acaba sendo exilado na Terra por seu pai, Odin, como punição. Uma vez aqui ele descobre o que é ser um verdadeiro heroi, e de quebra tem que enfrentar um dos maiores vilões de seu mundo, que decide invadir a Terra.
 

Crítica

por Pablo Villaça

Dirigido por Kenneth Branagh. Com: Chris Hemsworth, Natalie Portman, Anthony Hopkins, Stellan Skarsgård, Tom Hiddleston, Kat Dennings, Clark Gregg, Idris Elba, Colm Feore, Jaimie Alexander, Ray Stevenson, Tadanobu Asano, Josh Dallas, Rene Russo, Jeremy Renner, Samuel L. Jackson.

Tecnicamente competente e habitado por personagens razoavelmente interessantes, Thor é uma produção feita sob medida para agradar – ou, no mínimo, para evitar a rejeição: não se arrisca tanto tematicamente quanto um X-Men, afasta-se de qualquer atmosfera sombria como a de O Cavaleiro das Trevas e tampouco se entrega a floreios estilísticos como os de Hulk. Seu humor é previsível, sua trama é nula e a narrativa é incapaz de envolver o espectador emocionalmente, soando vazia como um episódio de The Big Bang Theory. Na realidade, Thor soa menos como um filme e mais como um “previously on The Avengers”, já que se preocupa tanto em preparar o terreno para o grande projeto da Marvel que se esquece de ter personalidade própria.

Escrito a seis mãos a partir de argumento concebido por outras quatro (e tantos roteiristas envolvidos nunca é um bom sinal), o longa nos apresenta ao poderoso Odin (Hopkins), que, depois de derrotar os Gigantes do Gelo, cria seus dois filhos, Thor (Hemsworth) e Loki (Hiddleston), com a preocupação de ensinar-lhes a importância de se preservar a paz a todo custo. Porém, ao perceber que o primeiro se tornou um jovem impulsivo e arrogante, Odin decide bani-lo para a Terra, destituindo-o de seus poderes – uma idéia que abre espaço para que seus inimigos gelados, aliados a um traidor, planejem seu assassinato e a tomada do poder. Enquanto isso, Thor conhece a mortal Jane Foster (Portman), uma cientista que logo se encanta pelo deus nórdico, e atrai a atenção da SHIELD, que há alguns filmes vem montando uma equipe de heróis.

Mas é impossível discutir Thor sem falar de seu design de produção e, especialmente, de Asgard, o reino de Odin: concebido sem a menor praticidade, aquele é um mundo de gigantescas torres douradas, escadarias que não parecem ir a lugar algum e que tem no dourado sua cor padrão – em outras palavras, é absurdo e grandioso o bastante para cumprir exatamente a função de evocar um universo de deuses. Com uma intrigante ponte de cristal que parece levar aos limites de um mar que se abre para toda a galáxia, o filme ainda traz uma espécie de esfera giratória que, apropriadamente remetendo a Contato, exerce justamente a função de portal para uma ponte de Einstein-Rosen – e é uma pena que na maior parte das vezes esta passagem seja usada para levar os personagens para o mais desinteressante dos cenários: uma cidadezinha poeirenta em um deserto do Novo México que chega a empalidecer até mesmo diante do mundo cinza, frio e decadente habitado pelos Gigantes do Gelo (e que mais parece um planeta prestes a ser demolido).

Da mesma maneira, a fotografia do razoável Haris Zambarloukos explora com eficiência as cores básicas de cada um destes universos, ao passo que os figurinos de Alexandra Byrne evocam o espírito guerreiro e nobre dos deuses de forma criativa e divertida (embora, assim como os cenários, suas armaduras e capacetes não tenham a menor praticidade). Enquanto isso, a trilha de Patrick Doyle não faz jus à sua bela carreira, surgindo burocrática e esquecível – e igualmente decepcionante é a decisão de Branagh em investir em quadros inclinados que nada acrescentam à narrativa, não possuindo nem mesmo uma lógica interna discernível, já que surgem indiscriminadamente nos três mundos vistos em Thor e em momentos que nada têm em comum uns com os outros. Por outro lado, a montagem é eficaz ao se equilibrar entre as narrativas paralelas (na Terra e em Asgard), soando bastante fluida e mantendo o ritmo do longa, pecando apenas nas seqüências de ação, que são retalhadas a ponto de se tornarem quase incompreensíveis (algo cuja responsabilidade também deve ser atribuída a Branagh).

Com um roteiro que jamais oferece obstáculos realmente desafiadores ao herói, Thor ainda conta com um romancezinho chulé entre o protagonista e a cientista Jane que jamais convence – e a única explicação para que o personagem-título se apaixone tão rapidamente pela moça reside no fato de que esta tem o rosto de Natalie Portman. Além disso, as mudanças de personalidade experimentadas por Thor são bruscas demais, já que aparentemente ele permanece pouco mais de 24 horas na Terra, ficando difícil acreditar que os hábitos de toda uma vida sejam de fato abandonados apenas porque o sujeito passou algumas horas ao lado de uma bela terráquea. Ainda assim, é preciso reconhecer que Chris Hemsworth exibe imenso carisma na pele do herói, também explorando com talento as oportunidades de fazer humor. Da mesma maneira, Tom Hiddleston se esforça para criar um vilão complexo e multifacetado, se saindo admiravelmente bem até ser sabotado pelo roteiro no terceiro ato, quando, então, se transforma em mais um antagonista unidimensional e tolo. E se Anthony Hopkins consegue evocar com economia a dor de Odin ao ser obrigado a punir o filho, Natalie Portman e Rene Russo ficam presas a não-personagens, sendo eclipsadas até mesmo pelas piadinhas bobas de Kat Dennings.

Fazendo uma série de referências aos outros filmes e heróis da Marvel (e que inclui até mesmo uma curiosa ponta de Jeremy Renner), Thor se diverte citando, por exemplo, a presença naquele universo de Tony Stark – embora não se preocupe em explicar por que o Homem de Ferro não é imediatamente chamado para combater um robô gigante que obviamente se encontraria em sua área de especialidade.

Sim, ele não é chamado porque estamos assistindo a Thor e não a Homem de Ferro 3, mas ainda assim é difícil acreditar que a SHIELD não convocaria Stark – especialmente se considerarmos que este filme se beneficiaria imensamente da injeção de personalidade aplicada pelo doutor Robert Downey Jr.

Observação: Como de hábito, Stan Lee faz uma ponta, surgindo como um motorista que tenta arrancar o martelo de Thor de uma pedra usando um cabo e uma caminhonete.

Observação 2: Há uma importante cena após os créditos finais.

06 de Maio de 2011

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