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Tiro e Queda
(Big Hit, The)
Ação - 2001 (Estados Unidos)
Equipe de assassinos acaba sequestrando a filha do seu próprio chefe.
 

Crítica

por Pablo Villaça

Dirigido por Che-Kirk Wong. Com: Mark Wahlberg, Lou Diamond Phillips, China Chow, Christina Applegate, Avery Brooks, Bokeem Woodbine, Robin Dunne e Elliott Gould.

Tiro e Queda pode ser definido como um híbrido de Os Suspeitos e Quem Vai Ficar com Mary?. Infelizmente, porém, não possui nem a inteligência da trama daquele e nem o humor ferino deste. Ficando no meio-termo, acaba sendo mais um filme de ação típico da era `pós-John Woo` (que aqui atua como produtor executivo), onde as cenas de ação são grandiosamente coreografadas e os tiroteios, magistralmente orquestrados pelo diretor.

Em Tiro e Queda, Mark Wahlberg interpreta Melvin Smiley, um assassino profissional que trabalha para o poderoso Paris. Apesar de extremamente frio em seu trabalho, Smiley tem um grande problema em sua vida particular: ele não suporta a idéia de que alguém possa não gostar dele. Assim sendo, ele se desdobra em gestos de carinho para com sua noiva Pam e para com sua amante Chantel. Aliás, é justamente para ganhar mais dinheiro e agradar as duas que ele decide aceitar um trabalho `extra` para o qual é convidado por seu amigo Cisco (Lou Diamond Phillips): seqüestrar a filha de um milionário para pedir um resgate astronômico.

Infelizmente, a quadrilha é composta por um bando de desajustados. Além de Smiley e Cisco (um falastrão que age impulsivamente), o grupo ainda é composto pelo gago Gump (que se julga um expert em eletrônica) e pelo grandalhão Crunch, um viciado em... masturbação (ele passa grande parte do filme exercitando as mãos com aparelhos de ginástica).

Assim, dada a natureza `atrapalhada` destes bandidos, é fácil imaginar que tudo sai errado: o pai da garota acaba de ir à falência e não tem, portanto, o dinheiro para pagar o resgate. E o que é pior: a moça é afilhada de ninguém menos do que o chefe dos sujeitos, o perigoso Paris - que encarrega justamente Cisco de descobrir quem são os seqüestradores. Nada bobo, este passa a perseguir seus ex-cúmplices, sem a mínima intenção de capturá-los vivos.

O roteiro, escrito por Ben Ramsey, é repleto de diálogos que parecem ter sido extraídos diretamente de revistas em quadrinhos, assim como várias das situações propostas pela história. Em certo momento, por exemplo, Melvin desliza para baixo de um tronco exatamente no momento em que um carro passa por cima deste. Já em outro, o carro em que ele se encontra é atirado para o alto de uma vegetação que está pendurada a centenas de metros do chão. Somando-se à histeria do roteiro, a direção de Che-Kirk Wong apresenta um ritmo vertiginoso; a narrativa não pára nunca. Ou melhor: `pára` em apenas três momentos e somente para mostrar, em flashbacks, como determinados personagens escaparam da morte certa.

O grande destaque do filme é, sem dúvida, o personagem de Lou Diamond Phillips. Sempre relegado a pequenos papéis desde La Bamba, este talentoso ator revela uma insuspeita veia cômica ao compor um marginal tão cheio de maneirismos que acaba beirando o estereótipo. Já Wahlberg cria um tipo mais sisudo, sério - nunca aproveitando, de fato, o lado cômico do pobre Melvin Smiley. Desperdiçado, também, está o veterano Elliott Goud, como o pai judeu da noiva do pistoleiro (aliás, ele é obrigado a protagonizar uma cena terrivelmente embaraçosa - e nada engraçada - ao lado de Diamond Phillips).

Este é o verdadeiro problema com Tiro e Queda: ao invés de explorar o inusitado da situação que narra, como no ótimo Matador em Conflito, o filme beira o ridículo ao se propor a contar piadinhas extremamente infames e insossas. A melhor tirada do filme, na verdade, passa quase desapercebida e acontece no momento em que Cisco e Melvin estão discutindo. Ao responder uma pergunta do outro, Melvin diz: `Você quer a verdade?`. É então que Crunch entra na conversa somente para emendar: `Você não suportaria a verdade!`, numa óbvia referência à famosa cena de Jack Nicholson em Questão de Honra. Uma sátira sutil, mas eficiente.

Infelizmente, estes momentos são raros. No geral, Tiro e Queda não funciona nem como comédia, nem como filme de ação. Para piorar, a edição, no melhor estilo MTV, acaba fragilizando ainda mais o material com o qual está lidando - é muito estilo para pouco conteúdo.
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18 de Maio de 1999

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