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Lanterna Verde
(Green Lantern)
Ação - 2011 (Estados Unidos)
Em um universo vasto e misterioso, uma força poderosa existe há séculos. Os protetores da paz e da justiça são chamados de Tropa dos Lanternas Verdes, uma irmandade de guerreiros que juraram manter a ordem intergaláctica. Cada Lanterna Verde usa um anel que o concede superpoderes, mas quando um inimigo chamado Parallax ameaça destruir o equilíbrio de poder no universo, o destino da Terra ficará nas mãos de seu mais novo recruta, o primeiro humano a ser selecionado para a Tropa: Hal Jordan.
 

Crítica

por Pablo Villaça

Dirigido por Martin Campbell. Com: Ryan Reynolds, Blake Lively, Peter Sarsgaard, Mark Strong, Tim Robbins, Jay O. Sanders, Angela Bassett, Temuera Morrison e as vozes de Geoffrey Rush, Michael Clarke Duncan e Clancy Brown.

Hollywood vem produzindo tantos filmes protagonizados por super-heróis que seus personagens e figurantes já nem se espantam mais quando um ser humano surge voando nos céus da cidade. Isto pode ser comprovado de maneira inegável em Lanterna Verde quando, ao aparecer usando um collant verde e produzindo objetos a partir de sua “força de vontade”, o protagonista Hal Jordan mal consegue inspirar um sacudir de ombros de um “Por que não?” por parte da população local.

Adaptado a partir dos quadrinhos da DC Comics, rival da Marvel, o roteiro escrito a oito mãos (péssimo sinal) gira em torno do já citado Jordan (Reynolds), um piloto da força aérea que, irresponsável, mulherengo e imaturo, acaba sendo escolhido pelo anel de força do alienígena Abin Sur (Morrison; leia-se: Jango Fett) para ser o novo integrante da tropa de elite intergaláctica liderada por Sinestro (Strong). Confrontados pelo terrível Parallax (Brown), cuja força vem do “Medo”, os Lanternas tentam encontrar uma maneira de derrotá-lo enquanto Jordan busca vencer seus próprios traumas e dúvidas sobre sua capacidade de ser um autêntico herói.

Quanto a esta última parte da descrição, ao menos é o que os roteiristas tentaram fazer, já que, na prática, os autoquestionamentos feitos por Jordan são tão falsos quanto os efeitos visuais usados para ilustrar o planeta Oa e os sábios líderes do lugar (que, aparentemente, vivem empoleirados em torres, o que deve ser bem desconfortável). Assim, em vez de nos identificarmos com as inseguranças do protagonista, somos obrigados a vê-lo quase morrendo num acidente de avião em função de um... flashback. Aliás, a falta de cuidado do roteiro ao construir a história pessoal do personagem é tão grande que, em certo momento, vemos o rapaz numa difícil reunião de família apenas para que seus parentes jamais voltem a ser mencionados no filme – e prefiro nem comentar a nulidade da cientista vivida por Angela Bassett, que é (quase literalmente) arremessada para fora do filme sem maiores preocupações. Porém, considerando que Tim Robbins aqui vive o pai de Peter Sarsgaard, apenas 13 anos mais jovem (e sem o auxílio de maquiagem), podemos perceber que verossimilhança não foi uma prioridade do projeto.

Porém, se é difícil aceitar Robbins como pai de Sarsgaard, isto empalidece diante da impossibilidade de acreditarmos na relação entre Jordan e Carol Ferris, vivida com absoluta inexpressividade por Blake Lively. De um lado, o rapaz sofre uma condição chamada de “medo de relacionamentos sérios”; do outro, a garota padece de um mal batizado de “personagem mal escrita”, já que seu comportamento oscila de forma esquizofrênica ao longo da projeção: aqui, é hostil a Jordan; ali, dócil; acolá, se distancia; mais tarde, o apoia incondicionalmente – e o único elemento que se mantém constante em sua performance é a falta de carisma. Para encerrar, eu já mencionei que neste filme Ryan Reynolds vive um personagem que quase morre de um caso agudo de flashback?

Dito isso, é preciso apontar que, à sua própria maneira, Jordan funciona como herói. Reynolds pode não ser o mais talentoso dos atores, mas é certamente carismático – e o cineasta Martin Campbell é hábil ao retratar a impulsividade e o sangue frio do sujeito ao mostrá-lo saltando para salvar uma criatura desconhecida mesmo ainda em choque por acabar de ter sido transportado por uma misteriosa bolha verde de energia. Ainda assim, o grande destaque de Lanterna Verde fica mesmo por conta do Hector Hammond vivido por Peter Sarsgaard, que, claramente se divertindo com a maquiagem e com a composição do sujeito, encontra maneiras divertidas e inesperadas de dizer até mesmo a mais clichê das falas – como, por exemplo, ao sugerir às suas vítimas que “corram” com um ar de satisfação que expõe seu desejo juvenil de persegui-las. Desta maneira, é lamentável que o personagem seja tão pouco (e mal) utilizado pelo roteiro.

Tecnicamente irregular, já que oscila entre efeitos visuais cartunescos (os alienígenas) e outros mais eficientes (os elementos criados pelo anel de Jordan), Lanterna Verde ainda pode ser visto em uma versão 3D (convertida!) irregular: nas sequências envolvendo planos gerais (como a própria galáxia), é eficiente; em outros, apenas distrai e envolve a fotografia num véu cinza desagradável. E se o roteiro erra na maior parte do tempo (como o Lanterna, Jordan passa ter conhecimentos sobre todo o universo, mas ainda faz perguntas óbvias ao seu instrutor), aqui e ali se sai relativamente melhor – como ao enfocar as criações do herói e do vilão paralelamente ou ao brincar com o clichê absurdo da máscara que protege a identidade de Hal.

Diretor que costuma se sair muito bem em filmes de ação (A Máscara do Zorro, Cassino Royale), Campbell ainda acerta aqui em momentos de mais sutileza, como ao trazer Hector solitário em meio à multidão, ressaltando o isolamento do personagem, ou ao enfocar rapidamente Jordan brincando com uma pista que eventualmente retornará de forma curiosa.

Assim, Lanterna Verde acaba se revelando um passatempo relativamente divertido e agradável. Mas que custa a se recuperar da ideia terrível de sugerir “flashback” como causa mortis aceitável.

Observação: há uma cena adicional durante os créditos finais.

19 de Agosto de 2011

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