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Certidão de Casamento, A
(Shui shuo wo bu zai hu)
110 min - Comédia - 2004 (China)
Quando mulher percebe que seu amado virou uma pessoa diferente, ela fica obcecada em trazer de volta o passado, mas acaba resultando em uma trágica comédia.
 

Crítica

por Pablo Villaça

Dirigido por Jianxin Huang. Com: Gong Feng, Xiaoming Li, Liping Lu.

Um casal com cerca de vinte anos de matrimônio entra em crise quando a sua certidão de casamento desaparece, levando a esposa a iniciar uma busca obsessiva pelo papel – algo que a afasta ainda mais do marido, um psiquiatra que está à beira de se envolver com uma de suas alunas.

Narrado a partir da ótica da filha de 13 anos do casal, A Certidão de Casamento jamais opta por um tom definido para sua história: oscilando perigosamente entre o drama e a comédia, o filme de Jianxin Huang ainda flerta com o universo lúdico de sua protagonista – e, assim, inclui várias seqüências de animação que, apesar de engraçadinhas, não combinam muito bem com o restante da experiência.

Por outro lado, o carisma da jovem Xiaoming Li quase serve como compensação para a indecisão do cineasta: charmosa e extremamente talentosa, a garota carrega o filme com a segurança de uma veterana, levando o espectador a se identificar com seus dilemas e a torcer pela concretização de seus sonhos. Infelizmente, depois de conferir um tom leve e fantasioso às atitudes da personagem (como sua decisão de comprar uma certidão falsa ou preparar um jantar romântico para os pais), o roteiro subitamente entrega-se a um tom bem mais pesado e dramático – mas, em vez desta mudança refletir o amadurecimento da menina, acaba soando apenas como indecisão do trio de roteiristas, jamais se encaixando de forma orgânica ao que víramos até então.

Aliás, o terceiro ato de A Certidão de Casamento é um desastre quase completo, recompensando o investimento emocional feito pelo espectador com `reviravoltas` tolas, inverossímeis e simplistas. É como se, de repente, os roteiristas percebessem que chegara a hora de concluir a história mas não tivessem uma idéia exata de como fazê-lo, adotando, então, a primeira opção que um deles porventura tenha sugerido.

Mas este é o menor dos pecados do filme: depois de utilizar o desaparecimento da certidão de casamento como uma metáfora interessante para a insegurança da esposa, que, na ausência de uma âncora emocional, deposita num pedaço de papel sua esperança de manter a relação, o filme simplesmente parece não compreender a natureza simbólica do documento, passando a encará-lo como uma solução real para a crise. E, embora seja inevitável reconhecer a inteligência da ironia contida na `reviravolta` que torna seu sumiço algo positivo, quando chegamos a este ponto nosso interesse pelos personagens já evaporou completamente.

Com 1h50min de duração, A Certidão de Casamento ainda revela-se bem mais longo do que o ideal, tornando-se cansativo – o que é especialmente triste se considerarmos o charme de sua metade inicial. O talento de sua protagonista merecia um resultado melhor.
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10 de Setembro de 2004

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