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Os Vingadores - The Avengers
(The Avengers)
136 min - 2012 (Estados Unidos)
Os Vingadores são os mais fortes heróis da Terra, formados para combater os inimigos que nenhum herói sozinho conseguiria enfrentar. Estão no grupo: Homem de Ferro, Thor, Capitão América, Hulk, Gavião Arqueiro e Viúva Negra. Liderados pelo agente da SHIELD Nick Fury, eles devem se unir contra o vilão Loki.
 

Crítica

por Pablo Villaça

Dirigido por Joss Whedon. Com: Robert Downey Jr., Mark Ruffalo, Chris Evans, Chris Hemsworth, Scarlett Johansson, Jeremy Renner, Tom Hiddleston, Clark Gregg, Cobie Smulders, Stellan Skarsgård, Gwyneth Paltrow, Powers Boothe, Harry Dean Stanton, Samuel L. Jackson e a voz de Paul Bettany.

Logo que Nick Fury surge em cena pela primeira vez, em Os Vingadores, o cineasta Joss Whedon escancara sua estratégia de endeusamento daqueles heróis através de um ângulo de câmera baixíssimo que transforma o líder da S.H.I.E.L.D. num gigante imponente e decidido. Assim, não é surpresa que cada um dos integrantes do grupo ganhe a oportunidade de protagonizar um momento-chave de decisão e/ou possível sacrifício devidamente acompanhado por um tema musical grandioso (obra do veterano Alan Silvestri) – algo que, claro, a Marvel já vinha planejando desde a primeira cena pós-créditos inserida em O Homem de Ferro, em 2008. É uma pena, portanto, que o roteiro de Whedon revele-se tão preguiçoso, apoiando-se mais no carisma de seus personagens do que em uma trama bem desenvolvida e estruturada – e se Os Vingadores ainda apresenta-se como um passatempo bastante divertido, isto se deve mais aos seus atores do que ao roteiro ou ao diretor.

Trazendo como seu principal antagonista o esforçado vilão de Thor, esta produção tem início com a chegada à Terra de Loki (Hiddleston), irmão adotivo do asgardiano (Hemsworth), e o roubo do poderoso Tesseract, um cubo de energia que havia sido descoberto ao fim de Capitão América. Temeroso quanto às consequências daquela perda, Fury (Jackson) decide ativar a iniciativa “Vingadores”, reunindo um grupo composto pelo Capitão América (Evans), pela Viúva Negra (Johansson), por Thor, pelo Homem de Ferro (Downey) e pelo cientista Bruce Banner (Ruffalo), mais conhecido por seu alter-ego esverdeado, o Hulk. Explosivos e teimosos, os heróis brigam continuamente até que, claro, eventualmente são obrigados a deixar as diferenças de lado e a aprender a trabalharem juntos pelo bem comum e... blábláblá.

Não é a mais original das tramas, claro, mas acaba funcionando justamente por apresentar um desenvolvimento óbvio que permite que o espectador médio acompanhe os vários personagens sem se sentir confuso com relação à história (e a pergunta deveria ser: seria positivo que o roteiro procure satisfazer apenas o espectador “médio”?). Desta forma, cada “vingador” é definido por traços claros e unidimensionais: o Capitão América é o ex-soldado que preza a hierarquia e tende a seguir as ordens dos superiores; Tony Star é irreverente e dono de uma inteligência ímpar; Bruce Banner, igualmente brilhante, busca evitar perder o controle e se transformar no Hulk; a Viúva Negra luta muitíssimo bem em uma roupa colante e Thor... bom, é Thor (seja lá o que isso signifique). Com isso, um dos prazeres oferecidos pelo filme reside nas alfinetadas e nas brincadeiras feitas pelos heróis, desde a diferença na entonação usada pelo Capitão ao repetir várias vezes a frase “Coloque a armadura” até uma gag visual envolvendo o Hulk e Thor no terceiro ato.

No entanto, para cada cena relevante construída com segurança por Whedon (como aquela que traz a Viúva Negra conversando com Loki e que envolve diálogos interessantes de ambos), há diversas outras que, mesmo quando moderadamente divertidas, se revelam absolutamente descartáveis para a narrativa – e o confronto envolvendo Stark, Thor e o Capitão América em uma floresta, por exemplo, ocupa um longo tempo de tela embora seja completamente descartável, não avançando a história em absolutamente nada. Além disso, é sintomático que o filme invista tanto tempo em piadas e não se preocupe sequer em oferecer qualquer explicação para a mudança de comportamento do Hulk no terceiro ato.

Mas não é só: preocupada em garantir uma classificação indicativa leve para Os Vingadores, potencializando seu retorno financeiro, a Marvel obriga Joss Whedon a manter qualquer traço de violência fora da tela, o que já fica claro quando, na sequência inicial, uma personagem escapa de um desabamento colossal apenas com um filete de sangue escorrendo do nariz. Assim, esta abordagem acaba por minar qualquer possibilidade de tensão ou de uma atmosfera de urgência que a ameaça representada por Loki poderia criar – e não é à toa que, durante o terceiro ato, toda a destruição ocorrida em Manhattan não pareça resultar na morte de um único civil (quando o fato é que certamente dezenas de milhares de pessoas morreram ali). Como consequência, o filme soa vazio logo em seu clímax, apostando no espetáculo dos efeitos visuais enquanto evita encarar o drama da situação que retrata.

Apesar de todos estes tropeços, porém, o fato é que Os Vingadores entretém com eficiência – mérito, como já dito, de seus personagens absurdos. Tornando-se a terceira encarnação de Bruce Banner em menos de 10 anos, por exemplo, Mark Ruffalo apresenta-se interessante ao abandonar o peso dramático e a angústia das boas versões vividas por Eric Bana e Edward Norton e ao apostar no bom humor e até mesmo na leveza, ao passo que Robert Downey Jr. já se mostra capaz de soltar as tiradas de Tony Stark com uma facilidade que às vezes beira a preguiça (o que não deixa de tornar o personagem mais engraçado). Por outro lado, Tom Hiddleston parece encantado pela própria decisão de substituir o cinismo habitual dos vilões do gênero por sorrisos abertos, já que praticamente se limita a exibir os dentes em todas as suas cenas.

O resultado é que, embora uma superprodução típica do subgênero “super-heróis”, Os Vingadores se sai melhor ao retratar a interação de seus personagens do que a ação por estes protagonizada, apresentando-se apenas como uma brincadeira inofensiva e inconsequente. Não é uma decepção, é verdade, mas um pouco mais de ambição não lhe teria feito mal.

Observação: há uma cena adicional durante os créditos finais. Claro.

Observação 2: Vários leitores relataram a ausência de uma cena envolvendo Bruce Banner e o Capitão América nas cópias dubladas em português. Como se precisássemos de mais razões para rejeitar a dublagem.

30 de Abril de 2012

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