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Duro de Matar: Um Bom Dia Para Morrer
(A Good Day To Die Hard)
96 min. - Ação - 2013 (Estados Unidos)
John McClane vai à Rússia buscar seu filho. Já no país ele descobre que o rapaz trabalha para a CIA e está tentando evitar uma guerra nuclear. Pai e filho então se juntam para combater as forças inimigas.
 

Crítica

por Pablo Villaça

Dirigido por John Moore. Com: Bruce Willis, Jai Courtney, Sebastian Koch, Yuliya Snigir, Cole Hauser, Amaury Nolasco, Sergei Kolesnikov, Radivoje Bukvic, Mary Elizabeth Winstead.

Duro de Matar é um clássico moderno do gênero ação – mas como alguém que se lembra de ter ido meia dúzia de vezes ao cinema para assistir à chegada de John McClane na tela grande, devo dizer que o filme marcou também uma transição importante, deixando para trás uma era de “super-homens” musculosos como Rambos, Exterminadores e Action Jacksons e introduzindo outra dominada por heróis vulneráveis que sangravam, temiam por suas vidas e cometiam erros. Ao saltar do alto do Nakatomi, por exemplo, o McClane de Bruce Willis dizia “Por favor, Deus, não me deixe morrer!” – e o espectador acreditava, em função de tudo que vira antes, que esta era realmente uma possibilidade. Infelizmente, o John McClane de Duro de Matar 5 pode estar 25 anos mais velho, mas a idade aparentemente o tornou indestrutível – e o que vemos aqui pouco difere dos tipos que ele se encarregou de aposentar na década de 80.

Escrito por Skip Woods, o gênio por trás de obras como Hitman – Assassino 47, Wolverine e Esquadrão Classe A, este quinto capítulo da série mantém a tradição de trazer o herói (Willis) enfrentando problemas pessoais com um membro da família, mas isto e seu nome são basicamente os únicos elementos em comum com o restante da franquia. Viajando para a Moscou (sim) a fim de acompanhar o julgamento do filho Jack (Courtney), acusado de assassinato, McClane logo descobre que o rapaz – com quem não conversa há anos – é um agente da CIA atuando em uma missão secreta que acaba de dar errado. Perseguidos por criminosos russos, pai e filho devem escoltar um sujeito para fora do país, recuperando, antes disso, um dossiê que este mantinha sobre um influente político. A partir daí, acompanhamos cenas de ação desconjuntadas intercaladas com closes de Willis dizendo frases de efeito tolas enquanto tenta estabelecer alguma relação significativa com o filho – uma dinâmica que já havia funcionado tão bem (cof-cof) em Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal. (E se a geladeira anti-bomba atômica marcou aquela produção, desta vez temos um spray que aparentemente é capaz de eliminar qualquer traço de radiação em questão de segundos.)

Seguindo a tendência dos projetos “terceira idade” de antigos astros de ação como Stallone e Schwarzenegger, aqui John McClane é constantemente chamado de “coroa” e “velha guarda” – uma brincadeira que se mostra incompatível com o fato de agora ter esqueleto de adamantium e uma pele obviamente constituída do mesmo material Kevlar que reveste coletes à prova de bala. Para piorar, Bruce Willis surge em cena completamente no piloto automático, como se estivesse sendo obrigado a voltar ao papel que o elevou ao estrelato – o que, somado aos diálogos genéricos (“Jesus!”, “Eu estou de férias!”, etc), elimina qualquer traço do personagem que passamos a amar ao longo das décadas. E esta, sem dúvida alguma, é a maior decepção e o maior problema desta continuação: é um Duro de Matar estrelado por uma cópia barata de John McClane.

Não que o longa não tenha outros problemas graves – e já o primeiro ato apresenta número suficiente de inconsistências em sua montagem para levar qualquer um a duvidar do profissionalismo da produção. Ora, depois de uma cena inicial que estabelece o fato de que o julgamento de Komarov (Koch) será no dia seguinte, vemos a CIA entrar em pânico, Jack matar um sujeito, ir preso e negociar um acordo – enquanto, em Nova York, seu pai descobre o que houve com o filho. Em seguida, vemos McClane já em Moscou enquanto Jack é levado para o tribunal para ser julgado – atenção! – ao lado de Komarov. Em outras palavras: aquelas foram as 24 horas mais longas do universo. Mas a coisa piora: pouco depois, descobrimos que a CIA enviou um jato para buscar Jack – um plano frustrado quando a “janela de seis minutos” é ultrapassada. O problema: a tal janela se iniciaria quando o sujeito escapasse do tribunal com Komarov – algo que dependia da ação (igualmente absurda, diga-se de passagem) dos vilões e sobre a qual a CIA não tinha qualquer controle. Uma coisa é repassar mentalmente os furos de um filme após sair da sala de exibição; outra é ficar espantado com os erros colossais durante a projeção.

Retomando a parceria com o montador Dan Zimmerman, com o qual criou o excepcional (cof-cof) Max Payne, o diretor John Moore retorna ao trabalho depois de um hiato de cinco anos para confirmar toda a incompetência demonstrada naquele filme – e é preciso ver a longa sequência de perseguição que ocorre no primeiro ato deste Duro de Matar 5 para acreditar na incapacidade do sujeito de estabelecer a mais básica lógica visual. Cortando a cada dez milissegundos de um plano incompreensível a outro, Moore não apenas impede que entendamos claramente a relação espacial entre os personagens como ainda desperdiça as boas manobras executadas por seus dublês, já que jamais conseguimos ver claramente o que está ocorrendo. Além disso, esta sequência estabelece John McClane como o estereótipo do “ugly American”, já que demonstra descaso absoluto para com a cidade e as pessoas que nela moram, sendo possivelmente o responsável pela morte de uma centena de indivíduos em sua tentativa de ajudar o filho (mortes que, claro, o filme nunca reconhece para que não desprezemos o herói).

Substituindo os vilões memoráveis de Alan Rickman e Jeremy Irons por um aspirante a dançarino comedor de cenouras, Duro de Matar 5 ainda é o tipo de filme que, trazendo bandidos russos, não vê problema algum em trazê-los conversando em inglês mesmo quando sozinhos. Já a trilha sonora de Marco Beltrami acerta ao pontualmente remeter aos temas originais de Michael Kamen, mas como o restante da narrativa parece estar a anos-luz de distância da lógica da série, a sensação que temos é a de que a velha música surge desconectada dos novos incidentes.

O curioso é que, apesar de tudo isso, o carinho que sinto por John McClane permaneceu inabalado – e ao vê-lo bem com a filha, no início da projeção, fiquei feliz por ele. E é justamente por gostar tanto do personagem que o filme, apesar de todos os inúmeros problemas, torna-se ao menos “assistível”. Ainda assim, minha vontade, confesso, é dizer um sonoro “Yippee-ki-yay, motherfucker!” para o diretor, o roteirista, o montador e boa parte dos integrantes deste projeto, que conseguiram o que a família Gruber falhou em alcançar: destruir um herói admirável.

22 de Fevereiro de 2013

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