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300 - A Ascensão do Império
(300: Rise Of An Empire)
Ação - 2013 (Estados Unidos)
O General grego Themistocles, precisa combater o exército Persa comandado pelo agora deus Xerxes.
 

Crítica

por Pablo Villaça

Dirigido por Noam Murro. Com: Sullivan Stapleton, Eva Green, Lena Headey, Rodrigo Santoro, Callan Mulvey, Jack O’Connell, Andrew Tiernan, Hans Matheson, David Wenham.

Há vários quadros em 300: A Ascensão do Império que eu gostaria de imprimir, emoldurar e pendurar na parede: há aquele que traz vários remos suspensos contra um céu nublado enquanto pingam gotas de água do mar; outro que traz uma bela mulher em contraluz no convés de um navio; aquele que enfoca um homem sob a água em meio a destroços e cadáveres; um que usa o reflexo do céu sobre a água para sugerir navios que parecem flutuar e assim por diante. Infelizmente, estes quadros, quando em movimento e encadeados uns aos outros com o objetivo de contar uma história, perdem a força em função da narrativa sem foco ou vida. Se o 300 de Zack Snyder impactava com a força e a energia de seus personagens, este seu sucessor anestesia o espectador e desperta sono – mesmo que, aqui e ali, interrompamos um bocejo diante de uma ou outra bela imagem.

Roteirizado por Snyder e Kurt Johnstad a partir do trabalho de Frank Miller, este Ascensão do Império é, ao mesmo tempo, pré-continuação, continuação e um ponto de vista alternativo dos fatos ocorridos no longa anterior. Enfocando as origens de Xerxes (Santoro) e da calculista Artemisia (Green), o filme acompanha também o herói Temístocles (Stapleton), que comanda alguns milhares de homens contra a poderosa frota persa. Sem conseguir convencer Leônidas (vivido por Butler em 300) a se unir ao seu exército, o sujeito recorre a diversas estratégias a fim de manter os números invasores longe da terra, contando para isso com o auxílio do companheiro Scyllias (Mulvey), que resiste à ideia de ver o jovem filho Calisto (O’Connell) partindo para a guerra.

Espalhando a trama através dos dilemas de vários personagens secundários a fim de expandir uma história frouxa, A Ascensão do Império ainda traz um roteiro preguiçoso que recorre a longas narrações em off que explicam detalhes da narrativa e até mesmo os sentimentos do herói – e quando a rainha Gorgo (Headey) descreve a reação de Temístocles diante da morte de alguns companheiros, o filme  beira o ridículo, já que seria razoável supor, sem a necessidade de explicações, que o herói não teria ficado particularmente satisfeito com a perda. Como se não bastasse, os diálogos de Snyder e Johnstad soam excessivamente pomposos e/ou artificiais (“Você aprecia o êxtase do aço e da carne...”), tornando-se ainda piores em função da maneira burocrática com que são recitados pelo elenco irregular – e cada cena protagonizada por Calisto, vivido pelo inexpressivo Jack O’Connell, representa uma breve tortura.

Apelando para recursos patéticos a fim de criar alguma estrutura visível e um mínimo de antecipação (“Eu lhe contarei o que seu pai me disse quando chegar a hora.”), o projeto ainda traz vários momentos nos quais Temístocles tenta se transformar num sub-William Wallace (com o qual divide apenas a saia) através de discursos vazios com frases de efeito aparentemente geradas enquanto os roteiristas se encontravam embriagados. Além disso, é irritante perceber como A Ascensão do Império trata o espectador como imbecil, empregando flashbacks que esclarecem elementos que já estão claríssimos (como aquele que relembra a flecha disparada pelo protagonista no início da projeção) ou diálogos expositivos que tentam explicar o que já está explicado (“Rochas!”).

E se Leônidas e sua turma podiam parecer implausíveis com sua vibe Village People, ao menos tinham personalidade, ao passo que Temístocles se apresenta como um protagonista desinteressante e sem carisma – no que se iguala à direção de Noam Murro, que, de tão preocupada em respeitar os tiques estéticos de Zack Snyder, soa mais como uma cópia barata do que como um esforço autêntico de conferir dinâmica à narrativa. Assim, a cada plano no qual subitamente o frame rate se eleva até quase congelar o quadro ou no qual vemos o sangue esguichar de qualquer ferida aberta em qualquer lugar do corpo, a impressão é a de que Murro está apenas marcando os itens de uma lista que lhe foi entregue por Snyder – e como repete estes recursos várias vezes ao longo dos 102 minutos de projeção (bem como os travellings que se aproximam dos rostos dos atores enquanto estes recitam os terríveis diálogos), o filme acaba se tornando entediante apesar de todos os efeitos visuais, combates e gritos.

Entediante, mas bonito. Contrapondo as capas azuis dos atenienses ao vermelho que marcava os espartanos e ao preto/dourado usado pelos persas, os figurinos criam um belíssimo contraste entre estas cores marcantes e o cinza que domina os cenários digitais. Isto, porém, não contorna a falta de substância dos personagens – e é frustrante perceber como Rodrigo Santoro, por exemplo, é subutilizado, ao passo que Eva Green ao menos contorna a unidimensionalidade de sua personagem com sua beleza e com a decisão inteligente de criar uma performance que, mesmo sem grandes explosões, soa suficientemente over para divertir.

Afinal, não é toda vilã que tem a oportunidade de decapitar um inimigo e, em seguida, levantar sua cabeça pelos cabelos a fim de beijar sua boca – uma imagem repugnante que a sensualidade e a segurança de Green conseguem tornar quase sexy. Quase.

E eu não me espantaria caso o resto do cadáver do pobre infeliz chegasse a manifestar alguma reação diante do que estava acontecendo com a parte superior de seu corpo mutilado, conferindo uma nova conotação ao subtítulo desta fraca continuação.

07 de Março de 2014

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