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Homem de Ferro 3
(Iron Man 3)
130 min. - Ação - 2013 (Estados Unidos)
O filme traz o brilhante industrialista Tony Stark/Homem de Ferro contra um inimigo que não conhece limites. Quando ele descobre seu mundo pessoal destruído nas mãos do inimigo, embarca em uma busca angustiante para encontrar os responsáveis. Essa jornada, com o tempo, testará todas as suas energias. Sem saídas, Stark é deixado para sobreviver por seus próprios meios, confiando em seus instintos para proteger àqueles mais próximos a ele. Enquanto busca o caminho de volta, ele descobre a resposta para a...
 

Crítica

por Pablo Villaça

Dirigido por Shane Black. Com: Robert Downey Jr., Gwyneth Paltrow, Guy Pearce, Ben Kingsley, Rebecca Hall, Don Cheadle, James Badge Dale, Stephanie Szostak, William Sadler, Dale Dickey, Ty Simpkins, Miguel Ferrer e a voz de Paul Bettany.

Como tende a acontecer com toda série protagonizada por super-heróis, o terceiro capítulo da franquia Homem de Ferro é um filme preso à obrigação de trazer perigos mais intensos, riscos maiores e um número maior de vilões no caminho do protagonista – que, claro, também deve enfrentar algum obstáculo de natureza pessoal que envolva, de preferência, uma mocinha em perigo e a perda momentânea de seus superpoderes. Pois todas estas convenções do gênero se encontram presentes no roteiro do estreante Drew Pearce e do veterano – e também diretor do longa – Shane Black. Infelizmente, ainda que traga seus momentos divertidos, Homem de Ferro 3 falha no mais importante: em nenhum instante acreditamos realmente que aquelas ameaças possam afetar o herói e, consequentemente, a narrativa jamais oferece qualquer grau de tensão. Como se não bastasse, se Tony Stark faz rir com eficiência, seus momentos dramáticos soam rasos em função da sensação de que estamos apenas vendo Robert Downey Jr. interpretando Robert Downey Jr. enquanto este vive Stark.

Iniciando com uma narração em off que remete à parceria anterior entre o cineasta e o ator (o excelente Beijos e Tiros), Homem de Ferro 3 já investe na metalinguagem a partir do momento em que Tony se identifica como um narrador inseguro de como abordar a história que pretende contar – numa piada que só é completamente amarrada na breve (e tradicional) cena pós-créditos. No entanto, se Shane Black costuma se revelar um roteirista inventivo em sua irreverência diante de convenções, aqui parece se entregar completamente a elas, do supervilão cuja criação está ligada à trajetória do herói até os pequenos conflitos românticos implausíveis que perturbam o protagonista. Por outro lado, é divertido perceber a recusa de Stark em discutir os eventos vistos em Os Vingadores, já que isto também acaba eliminando a necessidade de explicar por que a S.H.I.E.L.D. e/ou seus integrantes jamais correm em seu auxílio durante a projeção.

Competente em seus aspectos técnicos (algo esperado em uma superprodução, mas que não elimina seus méritos), o projeto é inteligente, por exemplo, ao trazer a armadura tradicional do herói coberta de riscos, peças descascadas e pequenos rombos, o que ilustra os esforços do herói com economia e elegância. Da mesma maneira, os efeitos visuais surgem convincentes na maior parte do tempo, ainda que, aqui e ali, a animação de alguns dos “Homens de Ferro” falhe – como no instante em que vemos um deles descendo escadas. E se o simples fato de trazer um teleprompter no estúdio do vilão Mandarim já revela muito sobre o personagem (de novo: com economia), é importante observar também que Shane Black se mostra seguro na condução de boa parte das grandes sequências de ação (ou set pieces), como aquelas que envolvem a destruição da ironcaverna e o resgate de uma dúzia de pessoas em queda livre. Em contrapartida, o cineasta peca ao entrecortar os combates à mão, tornando-os confusos e frustrantes na maior parte das vezes (e aquele que traz Stark e a perigosa Brandt (Szostak) é o pior exemplo).

Contudo, o que realmente prejudica Homem de Ferro 3 é o roteiro descuidado de Black e Pearce (e este parágrafo pode trazer alguns spoilers, ainda que, sejamos sinceros, este não seja o tipo de filme capaz de ser prejudicado por revelações de aspectos da trama) – a começar pelo conceito mal desenvolvido da regeneração cujo efeito colateral é, sabe-se lá por qual razão, uma colossal explosão térmica. Porém, mesmo que descartemos este problema através do argumento “mas é um filme de super-heróis! Por que exigir verossimilhança?!” (uma desculpa que apenas diminui um gênero que merece respeito), menos aceitável é perceber como o vilão, tão propenso a matar todos ao seu redor, simplesmente deixa o Coronel Rhodes (Cheadle) viver após extraí-lo da armadura. E já que falamos de Rhodes, como é possível que sua senha de segurança permita acesso irrestrito aos arquivos secretos da organização do vilão, incluindo vídeos que expõem todos os seus planos? Será que apenas o fato de ter sido projetada pela empresa é desculpa para que a armadura leia todos os seus dados? E, afinal de contas, como os capangas explosivos/regenerativos são destruídos? Pelo fogo? Em grandes quedas? Explosões? A resposta: sim – menos quando não. E por que, pelo nome de Odin, o filme investe tanto tempo numa relação absolutamente descartável entre Stark e a criança mais aborrecida de todo o universo Marvel?

É claro que o roteiro nunca foi exatamente o ponto forte da série (algo que discuti ao falar do primeiro e do segundo capítulos), que sempre se ancorou na personalidade cativante não de seu herói, mas do homem que o interpreta – e não há dúvidas de que o carisma e o talento de Robert Downey Jr. também podem ser vislumbrados aqui. No entanto, se antes os maneirismos, a fala rápida e as expressões do ator surgiam orgânicas, desta vez parecem mecânicas, como se ele estivesse apenas recriando no piloto automático sua composição original. Assim, quando Stark tem pequenas crises de ansiedade (obviamente introduzidas pelo roteiro para trazer algum obstáculo adicional, mesmo que bobo, ao seu arco dramático), estas soam como piadas, como elementos cômicos, e não como motivo de preocupação. Enquanto isso, Guy Pearce se diverte imensamente com seu Aldrich Killian (especialmente em sua fase caricatural de nerd debilitado), ao passo que Gwyneth Paltrow ganha a chance de fazer algo mais do que o rotineiro ao viver Pepper Potts (uma sorte que Rebecca Hall não tem, surgindo desperdiçada como Maya Hansen). Já Don Cheadle até busca estabelecer seu próprio ritmo cômico ao emular a irreverência de Downey Jr., sendo relativamente bem sucedido, mas é mesmo Ben Kingsley quem rouba o filme ao encarnar não apenas o Mandarim, mas especialmente... bom, vejam por si mesmos.

Atropelando-se nos minutos finais, quando emprega uma montagem artificial para amarrar as pontas soltas de maneira rápida e frustrante, Homem de Ferro 3 não é um desastre, mas chega perto – e, assim, quando a frase “Tony Stark voltará” surge ao final dos créditos, fica difícil avaliar se se trata de uma promessa ou de uma ameaça.

Torçamos pela primeira opção.

Observação: como já dito, há uma cena adicional pós-créditos.

02 de Maio de 2013

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