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Caça aos Gângsteres
(Gangster Squad)
Policial - 2013 (Estados Unidos)
Data de Estreia no Brasil: 01/02/2013
Distribuidora: Warner Bros.
O Departamento de Polícia de Los Angeles batizou de Gangster Squad a unidade que tinha como objetivo derrubar a Máfia da Costa Leste e nomes como Bugsy Siegel e Mickey Cohen, famosos por praticar várias táticas de transgressão na cidade.
 

Crítica

por Pablo Villaça

Dirigido por Ruben Fleischer. Com: Josh Brolin, Ryan Gosling, Anthony Mackie, Robert Patrick, Michael Peña, Giovanni Ribisi, Jon Polito, Nick Nolte, Emma Stone e Sean Penn.

Uma paródia do subgênero “filme de zumbi” que combinava com talento o cartunesco e o gore, a comédia Zumbilândia contava com a energia óbvia de um diretor que sabia o que queria fazer e como alcançar os resultados desejados. Foi, portanto, uma estreia marcante de Ruben Fleischer na função – o que, claro, aumenta mais ainda o desapontamento deste seu terceiro longa, Caça aos Gângsteres, que projeta uma sensação diametralmente oposta àquela de Zumbilândia: desta vez, é difícil saber o que Fleischer pretendia realizar, mas ainda assim torna-se óbvio que não conseguiu.

Escrito pelo estreante Will Beall a partir do livro de Paul Lieberman, o roteiro busca retratar o processo que levou à prisão do mafioso Mickey Cohen (Penn), que dominou Los Angeles na década de 40 – e cujo fim marcava justamente o início do fabuloso Los Angeles – Cidade Proibida (naquele longa, ele aparecia brevemente na pele de Paul Guilfoyle). Judeu e ex-lutador de boxe, Cohen assumiu o controle da cidade de forma violenta e implacável, usando conexões bem estabelecidas com a corrompida força policial para se manter no poder. E é neste contexto que o filme nos apresenta ao sargento John O’Mara (Brolin), que é encarregado de destruir o mafioso de qualquer maneira – mesmo que para isto precise cometer atos igualmente criminosos. Assim, O’Mara reúne um grupo formado pelo sargento Jerry Wooters (Gosling) e outros quatro policiais, passando a desestabilizar os negócios do vilão enquanto a companheira deste, Grace Faraday (Stone), se envolve com Wooters.

Mistura de Os Intocáveis, Los Angeles – Cidade Proibida e Scooby-Doo, este Caça aos Gângsteres acaba surgindo como um filme noir imaginado pela Pixar e dirigido por alguém que nunca assistiu a um longa do gênero. Por um lado, a fotografia de Dion Beebe parece tentar investir no esquema visual do noir; por outro, parece temer o excesso de sombras e contraste, o que já compromete o esforço. Como se não bastasse, a direção de arte e os figurinos adotam cores fortes demais – e a combinação de todos estes elementos resulta num design de produção que remete mais a uma produção estrelada por super-heróis do que por homens ambíguos e suas femme fatales. Além disso, considerando a artificialidade da maquiagem pesada de Sean Penn, este projeto acaba soando quase como uma espécie de continuação de Dick Tracy. Mas sem tanta imaginação ou apuro visual.

Conferindo intensidade e determinação à sua versão alternativa de Eliott Ness, Josh Brolin faz um belo contraponto a Ryan Gosling, que toma uma decisão extremamente corajosa em sua abordagem vocal do sargento Wooters ao adotar um tom suave e quase afeminado que, por vezes soando infantil, sugere um homem relativamente calmo e tímido – o que confere maior força às explosões do personagem. E se Emma Stone serve aqui basicamente para rechear um vestido vermelho e exibir a perna (“angelinajolie’ing” é o termo técnico para esta postura), Sean Penn jamais parece se decidir se encarnará Cohen como uma figura histórica ameaçadora ou como um vilão dos quadrinhos. Fechando o elenco, Anthony Mackie, Giovanni Ribisi, Robert Patrick e Michael Peña criam figuras unidimensionais definidas por seus superpoderes: habilidade extrema com a faca, nerdice, pontaria infalível e... representatividade da comunidade latina.

Aparentemente invulneráveis, já que podem se colocar diante de metralhadoras sem que jamais sejam atingidos, os heróis de Caça aos Gângsteres são figuras míticas que caminham com seus casacos em chamas e sempre em câmera lenta. Habitam uma produção esteticamente atraente, é verdade, mas que resulta artificial como suas personalidades caricaturais.

E, ao final, confesso que esperei ver o terrível Mickey Cohen de Sean Penn entrar algemado em um carro de polícia enquanto dizia: “Meu plano teria dado certo se não fosse por estes moleques e aquele cachorro enxerido!”. Na verdade, eu teria preferido este desfecho.

03 de Fevereiro de 2013

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