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Wolverine: Imortal
(The Wolverine)
126 min - Ação - 2013 (Estados Unidos)
Data de Estreia no Brasil: 26/07/2013
Distribuidora: Fox
O filme é baseado numa série de história em quadrinhos de Wolverine da década de 80, na qual o personagem sofre de amnésia e procura por verdades sobre seu passado no submundo do crime japonês, onde ele encontra amor e tragédia.
 

Crítica

por Pablo Villaça

Dirigido por James Mangold. Com: Hugh Jackman, Tao Okamoto, Rila Fukushima, Hiroyuki Sanada, Svetlana Khodchenkova, Brian Tee, Haruhiko Yamanouchi, Ken Yamamura, Will Yun Lee, Famke Janssen.

O mutante Wolverine é um herói que funciona melhor trabalhando em equipe do que sozinho – ao menos do ponto de vista narrativo. Solitário por natureza e necessidade, o sujeito cria uma dinâmica interessante justamente quando é obrigado a conviver com outras pessoas, mutantes ou não, ocupando um plano quase secundário - o que explica em parte o fracasso de seu primeiro projeto-solo, X-Men Origens: Wolverine, que se revelou uma bagunça desinteressante e descartável. Felizmente, desta vez o herói se sai um pouco melhor, já que, mesmo trazendo grande parcela de problemas, Wolverine – Imortal ao menos consegue conferir um pouco de dimensão ao personagem em vez de se contentar em apenas trazê-lo dizendo frases de efeito.

Ambientado pouco depois dos eventos retratados em X-Men: O Confronto Final, o roteiro de Mark Bomback (Duro de Matar 4.0, A Lista) e Scott Frank (O Nome do Jogo, Minority Report) traz Logan (Jackman) vivendo isoladamente após ter sido obrigado a matar sua amada Jean Grey (Janssen). É então que a mutante Yukio (Fukushima) o encontra a mando do milionário Yashida (Yamanouchi), cuja vida foi salva por Wolverine durante o bombardeio em Nagasaki. Agora à beira da morte, Yashida se oferece para tornar Logan mortal – e, mesmo recusando, o protagonista percebe logo depois que sua capacidade de regeneração encontra-se comprometida. Decidindo proteger a neta de Yashida, a bela Mariko (Okamoto), dos ataques da Yakuza, Wolverine tenta descobrir também o que aconteceu com seus poderes enquanto é vigiado pela mutante Víbora (Khodchenkova).

Já interessante por trazer um Logan vulnerável que, capaz de se ferir, mal consegue ocultar o próprio choque ao experimentar pela primeira vez um ferimento que se recusa a se fechar em poucos segundos (o que não explica como suas garras conseguem se projetar sem estraçalhar suas mãos), o filme é mais uma vez beneficiado pela presença intensa de Hugh Jackman, cujo semblante imutavelmente sério já se tornou marca registrada de sua composição. Hábil ao evocar a dor do personagem diante da perda de Jean Grey, o ator é menos bem sucedido ao ser amarrado por um roteiro esquemático que tenta criar artificialmente um envolvimento amoroso entre Logan e a inexpressiva e aborrecida Mariko, chegando a ser constrangedor o instante em que a moça se aproxima do sujeito com o objetivo de ensiná-lo a amarrar o roupão, num clichê tolo e irritante.

O roteiro, aliás, mal se preocupa em criar uma história na qual inserir seus personagens, deixando vagas até mesmo as motivações dos vilões e já iniciando a narrativa com outro pavoroso clichê, o do sonho-dentro-do-sonho – uma das piores maneiras de se dar início a uma trama, já que já inicia a narrativa traindo a confiança (ainda não construída) do espectador. Estúpido também em seu terceiro ato, que apela para revelações ridículas e que praticamente se limita a mostrar uma batalha que traz Wolverine e seu adversário despencando várias vezes em um túnel vertical aparentemente tão extenso quanto a pista de decolagem de Velozes e Furiosos 6, Wolverine – Imortal é prejudicado por uma vilã que, do figurino à composição da atriz, remete perigosamente à ridícula Hera Venenosa que Uma Thurman viveu em Batman & Robin (batam três vezes na madeira e se benzam).

Mas não é só: aproximando-se perigosamente de um quadro esquizofrênico, Logan surge aqui conversando, beijando, discutindo e transando com Jean Grey, o que, além de se apresentar como um recurso dramático patético, ainda obriga Famke Janssen a praticamente participar de todo o filme deitada numa cama e vestindo baby-doll. Como se não bastasse, o longa também é repleto de diálogos expositivos, desde as falas de Víbora até o inacreditável momento em que Mariko explica que levou Logan ao veterinário – numa cena cuja piada a direção de arte já se encarregara tolamente de destruir ao incluir (juro!) uma cabra engaiolada no fundo do cenário. Em contrapartida, confesso que senti falta de alguma exposição que explicasse por que alguém se interessaria tanto em obter controle sobre uma corporação que se encontra arruinada.

Abandonando as alegorias que tornam a série X-Men tão fascinante do ponto de vista temático, Wolverine – Imortal prefere apostar na aventura – e, neste aspecto, se sai bem, incluindo ao menos duas sequências memoráveis: aquela que se passa sobre um trem-bala e outra que traz uma imagem forte e belíssima envolvendo o herói e dezenas de flechas presas a cordas. Esta cena, aliás, é tão icônica que me faz até perdoar o uso excessivo de babylens (usada para distorcer partes da imagem) em todos os instantes nos quais Logan encontra-se ferido e/ou confuso.

Curioso em seu casamento entre o universo mutante e os filmes de samurai, Wolverine é moderadamente eficaz, mas não deixa de ser sintomático que sua melhor cena seja aquela que surge apenas durante os créditos finais e abre caminho para o novo longa da série X-Men. Como já falei, Logan parece funcionar melhor em equipe.

27 de Julho de 2013

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