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Sherlock Holmes: O Jogo de Sombras
(Sherlock Holmes: A Game of Shadows)
129 minutos - Ação - 2011 (Estados Unidos)
Quando o príncipe herdeiro da Áustria é encontrado morto, a prova, interpretada pelo Inspetor Lestrade, aponta para suicídio. Mas Sherlock Holmes deduz que o príncipe tenha sido vítima de um assassinato, que é apenas uma peça de um quebra-cabeça maior e muito mais portentoso, desenhado pelo professor Moriarty.
 

Crítica

por Pablo Villaça

Dirigido por Guy Ritchie. Com: Robert Downey Jr., Jude Law, Noomi Rapace, Jared Harris, Rachel McAdams, Stephen Fry, Kelly Reilly, Geraldine James, Eddie Marsan, Paul Anderson.

Depois de apresentar Sherlock Holmes, o detetive de Sir Arthur Conan Doyle, como um herói de ação com abordagem moderna em seu divertido longa de 2009, o cineasta Guy Ritchie demonstra nesta continuação uma cautela atípica para um diretor tão acostumado ao excesso: basicamente repetindo tudo o que funcionava no original, de planos específicos a pontos da trama, o sujeito cria uma obra feita sob encomenda para garantir a aprovação do público já conquistado – e, assim, se O Jogo de Sombras volta a representar uma experiência divertida e cheia de energia, desaponta também por jamais oferecer algo de novo ou realmente interessante.

Escrito pelo casal Michele e Kieran Mulroney (este último, irmão caçula de Dermot), Sherlock Holmes 2 retoma a história a partir do ponto em que esta foi interrompida há dois anos: o personagem-título encontra-se inconformado com o casamento próximo de seu amigo Watson (Law) com a noiva Mary (Reilly) enquanto tenta encontrar provas contra seu arqui-inimigo, o professor James Moriarty (Harris). Eventualmente, ele descobre a existência de um plano que pode levar a um conflito de escala mundial e se une à cigana Simza (Rapace), cujo irmão desapareceu ao ir trabalhar para o vilão. Assumindo de vez a influência jamesbondiana do projeto, a narrativa acaba levando o herói a vários países durante suas aventuras, embora – como vem se tornando cada vez mais comum, infelizmente – a maior parte dos cenários grandiosos vistos ao longo da projeção sejam mesmo resultado de efeitos visuais e do uso de green screen.

Com uma montagem mais frenética do que a do original (que se mostrava até contida para um projeto de Ritchie), O Jogo de Sombras usa os cortes rápidos não só para conferir energia às sequências de ação (exagerando neste sentido), mas também à troca de diálogos entre Holmes e Watson, remetendo quase a uma escola Guel Arraes de humor, onde praticamente cada fala ganha seu próprio plano. Por outro lado, o diretor mais uma vez usa a câmera lenta de maneira eficaz para salientar o impacto de determinados incidentes – e a cena na floresta, que recria as explosões em sequência do primeiro filme, é particularmente interessante neste aspecto. Por outro lado, a cronologia não linear, característica recorrente da filmografia do realizador, aqui se revela bem mais intrusiva, muitas vezes interrompendo a fluidez da narrativa para explicar o que acontecerá em seguida.

Investindo numa trama mais confusa do que o necessário (especialmente se considerarmos que os planos de Moriarty acabam se revelando clichês e tolos), o roteiro é obrigado a apelar para pausas e exposições recorrentes a fim de situar o espectador, falhando também ao jamais conseguir criar alguma atmosfera de tensão e a nos levar a temer de fato pelo destino dos heróis. Em contrapartida, se antes eu havia descartado a possibilidade de um contexto homoerótico entre Watson e Holmes, desta vez Ritchie escancara este subtexto, brincando abertamente com a possibilidade ao trazer o detetive travestido e convidando o amigo a deitar-se ao seu lado ou ao enfocar a dupla dançando em uma festa – e mesmo que estas alusões sejam apenas piadas, já que os dois homens têm seus respectivos interesses românticos heterossexuais, não deixa de ser curioso ver o diretor se divertindo com a ideia.

Mais uma vez beneficiado pelo design de produção invejável de Sarah Greenwood (mesmo que, repito, pontualmente enfraquecido pelo uso óbvio de green screen – como ao enfocar o belo castelo encravado na montanha), o filme acerta até mesmo na maquiagem tosca usada por Sherlock para se disfarçar, o que ajuda a tornar seus esforços de camuflagem um pouco mais plausíveis. E se Hans Zimmer já apostava corretamente na irreverência da trilha, desta vez acaba beirando o brilhantismo ao incorporar elementos de Don Giovanni aos seus temas, já que, além de evocativos, os acordes se ajustam organicamente à narrativa.

Trazendo Stephen Fry numa ótima aparição como Mycroft, o irmão mais velho (e mais inteligente) de Sherlock Holmes, O Jogo de Sombras peca por desperdiçar Noomi Rapace num papel descartável, recuperando pontos graças à excepcional escalação de Jared Harris como Moriarty. Exibindo um brilho inteligente no olhar e modos estudados e ameaçadores, Harris protagoniza os melhores momentos da projeção – especialmente ao dividir a cena com Robert Downey Jr., quando a química entre os inimigos eleva o projeto a um patamar que, no restante do tempo, falha em alcançar (e o instante em que ambos praticamente travam uma luta em suas mentes antes de realizarem qualquer movimento é particularmente inspirado).

Tolo na medida certa, Sherlock Holmes 2 por pouco não abusa da boa vontade e da paciência do espectador – e caso Ritchie e Downey Jr. queiram revisitar o personagem, é bom que ofereçam algo de novo da próxima vez. Há muito a se explorar na franquia além das trucagens técnicas do cineasta e da persona irreverente de seu astro.

Observação: como no longa de 2009, os créditos finais merecem destaque, embora (claro) se limitem a repetir a estilização gráfica do original.

13 de Janeiro de 2012

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