Tentar adivinhar quem vencerá o Oscar
é sempre um exercício bobo. Mas divertidíssimo. E se costumo ter uma boa média
de acertos, isso se deve menos à minha genialidade (embora todos aqui saibam
que, como egocêntrico que sou, eu atribuirei a ela) e mais ao fato da temporada
do Oscar estar se tornando cada vez mais previsível, enfadonha e cansativa.
Mas vamos às previsões:
Filme
Vai
vencer:
Guerra ao Terror.
Explicando
a escolha:
Neste momento, eu diria que Guerra ao
Terror e Avatar estão com chances
virtualmente idênticas: 49% cada. Os 2% de diferença ficam por conta de Bastardos Inglórios. Historicamente
falando, Avatar tem a grande vantagem
de ser um sucesso de bilheteria, já que nunca, em toda a história do Oscar, um
filme com arrecadação tão baixa quanto a de Guerra
ao Terror venceu o prêmio principal. Assim, estou indo contra 81 anos de
tradição ao apostar no longa de Kathryn Bigelow. Além disso, nas últimas
semanas uma verdadeira campanha contra o projeto tomou conta da temporada, com
entrevistas com veteranos que disseram que o filme não reflete a realidade da
guerra, o vazamento do email de um dos produtores pedindo votos e falando mal
de Avatar, o processo instaurado
contra o estúdio por um sargento que diz ter sido a inspiração para o
protagonista e por aí afora. Aliás, quanto mais escrevo, mais penso que deveria
mudar minha previsão para Avatar. No
entanto, há um... não sei... um “gut
feeling” me dizendo para apostar em Guerra
ao Terror apesar de todos os obstáculos.
Qual
seria meu voto:
Anticristo. Hein? Não está
concorrendo? Ok, então Guerra ao Terror.
Se
vencer, eu mato um: Nhé.
Não odeio nenhum dos candidatos a esse ponto. Sou da paz.
Diretor
Vai
vencer:
Kathryn Bigelow, tornando-se a primeira mulher a vencer este prêmio.
Qual
seria meu voto:
Kathryn Bigelow.
Se
vencer, eu mato um: Nhé.
Não odeio nenhum dos indicados. Sou da paz.
Ator
Vai
vencer:
Jeff Bridges.
Explicando
a escolha:
Um filme menor, falho, mas que é engrandecido pela grande atuação de um ator
não só competente e carismático, mas adorado por todos. E que já foi indicado
quatro vezes sem nunca ter levado a estatueta.
Qual
seria meu voto:
Bridges.
Surpresa
que não me desagradaria: Jeremy Renner.
Se
vencer, eu mato um: Morgan
Freeman. Invictus é medíocre e mesmo
que se mostre seguro no papel, Freeman não faz nada de essencialmente diferente
do tipo que vem desenvolvendo há anos. Dane-se a paz!
Atriz
Vai
vencer:
Sandra Bullock.
Explicando
a escolha: Entre
as categorias principais, esta é provavelmente a mais disputada. Meryl Streep
já foi indicada 16 vezes (3 delas como coadjuvante) e não vence há décadas. Com
isso, há um sentimento claro de que já passou da hora de uma das melhores atrizes
norte-americanas receber um Oscar que coroaria sua carreira – e até há dois
meses, eu apostaria em Streep. No entanto, Bullock venceu várias premiações
importantes – entre elas, o SAG – e levou na esportiva até mesmo o fato de também
estar concorrendo ao Framboesa de Ouro. E todo mundo gosta de uma pessoa bem
humorada.
Qual
seria meu voto:
Gabourey Sidibe.
Se
vencer, eu mato um: Helen
Mirren. Mas só porque não vi The Last
Station e ficaria frustrado por não poder dizer se ela mereceu ou não.
Ator
Coadjuvante
Vai
vencer:
Christoph Waltz.
Explicando
a escolha: Venceu
tudo até agora. Por que isso mudaria no Oscar? Por outro lado, Christopher
Plummer conquistou sua primeira indicação depois de 52 anos de carreira – e a
Academia adora esse tipo de trajetória. Além disso, as categorias de
coadjuvantes são constantemente palco de surpresas. Se somarmos a isso o fato
de Waltz ser um completo desconhecido até um ano atrás, as chances do veterano
sobem um pouquinho. Mas só um pouquinho.
Qual
seria meu voto:
Waltz.
Se
vencer, eu mato um: Stanley
Tucci, um ator competente que interpreta uma caricatura no pavoroso Um Olhar do Paraíso. E ele que não tente
me fazer ser preso depois que estiver lá no alto.
Surpresa
que não me desagradaria: Woody Harrelson.
Atriz
Coadjuvante
Vai
vencer:
Mo’Nique.
Explicando
a escolha: Assistam
ao filme. Não há como negar um prêmio a ela.
Qual
seria meu voto:
Mo’Nique.
Se
vencer, eu mato um: Qualquer
uma que não seja Mo’Nique.
Roteiro
Original
Vai
vencer:
Bastardos Inglórios.
Explicando
a escolha: Tarantino
atingiu o status de “mestre do Cinema” na última década. É visto como um outsider, embora seja impossível alguém
atingir uma posição maior de insider
do que a dele (a não ser que você seja Spielberg ou James Cameron), e isto
também confere uma aura independente e cult ao sujeito. Além disso, há um
sentimento crescente (e correto) de que Forrest
Gump tomar o prêmio de melhor filme de Pulp
Fiction foi um absurdo pavoroso e esta seria uma boa maneira de afagar a
cabeça de seu diretor. Por outro lado, Guerra
ao Terror, por ser o projeto com maior número de indicações, pode vencer
por uma questão de coerência – dependendo do número de votos enviados antes de
que a história do processo contra os produtores estourasse na mídia.
Qual
seria meu voto e surpresa que me agradaria muito: Um Homem Sério.
Se
vencer, eu mato um: Bastardos
Inglórios,
um roteiro mediano que foi alçado à condição de magnífico apenas por ter sido
dirigido por Tarantino. Pelo jeito, alguém morrerá no domingo.
Roteiro
Adaptado
Vai
vencer:
Amor Sem Escalas.
Explicando
a escolha: Jason
Reitman é outro cineasta que vem conquistando o respeito da Academia nos
últimos anos. Porém, como seu Amor Sem
Escalas vai sair de mãos abanando nas principais categorias, esta seria uma
boa forma de homenageá-lo e evitar uma derrota absoluta. De certa forma, esta
lógica também se aplica a Preciosa,
mas a vitória de Mo’Nique pode minimizar a necessidade deste prêmio (que, ainda
assim, é uma possibilidade).
Qual
seria meu voto:
In the Loop, sem a menor sombra de
dúvida.
Se
vencer, eu mato um: Educação, cujos cinco
minutos finais negam tudo que o filme vinha pregando até então.
Filme Estrangeiro
Vai
vencer:
A Fita Branca.
Explicando
a escolha: Se
Tarantino ganhou a aura de “mestre do
Cinema”, Michael Haneke é um. E seu A Fita Branca vem sendo premiado em
importantes festivais ao redor do mundo, o que, somado ao fato de Haneke jamais
ter sido indicado ao Oscar (nem mesmo por seu fascinante Caché), praticamente garante sua vitória. Por outro lado, Um Profeta vem ganhando momentum nas últimas semanas e poderia
facilmente surpreender.
Qual
seria meu voto:
Vi apenas três dos indicados (faltaram o israelense Ajami e o peruano A Teta
Assustada) e não poderia votar, já que esta é uma das poucas categorias que
exigem que os votantes tenham assistido a todos os candidatos antes de enviarem
suas escolhas.
Quem
eu gostaria que ganhasse: O Segredo dos Seus Olhos, do magnífico
argentino Juan José Campanella.
Animação
Vai
vencer:
Up.
Explicando
a escolha:
A Pixar é sócia da Academia.
Qual
seria meu voto:
Coraline.
Se
vencer, eu mato um: A Princesa e o
Sapo.
Fotografia
Vai
vencer:
Avatar.
Explicando
a escolha: Não
dá para ignorar o fato de que Avatar
não é só um bom filme, mas também um salto tecnológico importantíssimo para o
próprio Cinema – e sua fotografia é um dos principais componentes deste salto.
Qual
seria meu voto:
Apesar desta importância tecnológica, poucas coisas me impressionaram mais esse
ano do que a fotografia de A Fita Branca,
que, assim, receberia meu voto.
Se
vencer, eu mato um: Gosto
de todos os indicados.
Direção de Arte
Vai
vencer:
Avatar.
Explicando
a escolha: A
equipe de Cameron concebeu um universo detalhista e impressionante a partir do
nada, num trabalho que envolveu uma escala inimaginável.
Qual
seria meu voto:
Avatar.
Se
vencer, eu mato um: Qualquer
um que não seja Avatar.
Figurino
Vai
vencer:
Coco Antes de Chanel.
Explicando
a escolha: Um
filme sobre uma estilista que marcou história? Como ignorar a tentação de
premiar os figurinos, mesmo que o longa em si seja medíocre?
Qual
seria meu voto:
Brilho de uma Paixão.
Se
vencer, eu mato um: Não
tenho grande paixão por ou grande antipatia de nenhum dos indicados.
Montagem
Vai
vencer:
Guerra ao Terror.
Explicando
a escolha: Indicado
a Melhor Filme, levará o de Melhor Direção e tem uma montagem precisa e
brilhante. Acho dificílimo que não vença, mas, caso perca, será para seu
principal rival, Avatar.
Qual
seria meu voto:
Guerra ao Terror.
Se
vencer, eu mato um: Preciosa, já que as
seqüências fantasiosas jamais conseguem interferir na narrativa de maneira
orgânica.
Maquiagem
Vai
vencer:
Star Trek.
Explicando
a escolha: Um
sucesso de bilheteria que poderia perfeitamente ter entrado entre os dez
indicados a Melhor Filme no lugar de Distrito
9 – e que, além disso, traz um trabalho inventivo e eficaz de maquiagem.
Qual
seria meu voto:
Il Divo, já que a transformação de
Toni Servillo em Giulio Andreotti é absolutamente fantástica.
Trilha
Sonora
Vai
vencer:
Up.
Explicando
a escolha: Michael
Giacchino é um dos melhores compositores da atualidade – e o fato da Academia
ter ignorado a trilha de Os Incríveis
ainda é algo que não consigo aceitar. E não há como ignorar os dez minutos
iniciais de Up, nos quais a trilha
desempenha um papel fundamental.
Qual
seria meu voto:
Up.
Se
vencer, eu mato um: Avatar, já que James
Horner parece estar sempre se repetindo – e há momentos da trilha de Avatar que parecem ter sido transpostos
integralmente de Titanic.
Canção
Original
Vai vencer: The Weary Kind, de Coração Louco.
Qual
seria meu voto:
The Weary Kind.
Se
vencer, eu mato um: Qualquer
uma das duas canções do pavoroso A
Princesa e o Sapo.
Som
Vai
vencer:
Avatar.
Qual
seria meu voto:
Avatar.
Edição de Som
Vai
vencer:
Avatar, mas eu não descartaria Guerra ao Terror.
Qual
seria meu voto:
Avatar.
Efeitos Visuais
Vai
vencer:
Distrito 9. Duh, bem capaz. Avatar, é lógico. A categoria mais óbvia
da noite.
Qual
seria meu voto:
Avatar.
Documentário
Vai
vencer:
The Cove.
Explicando
a escolha: Dos
cinco, só não vi Which Way Home, mas
acho difícil que a Academia ignore não só a importância de The Cove, mas também o fato de ser um quase representante do
cinema-guerrilha, já que sua equipe se arriscou bastante ao realizá-lo. Além
disso, quem não ama golfinhos?
Qual
seria meu voto:
The Cove.
Se
vencer, eu mato um: Food, Inc, que apesar de trazer algumas
revelações importantes, é aborrecidíssimo e burocrático.