Há alguns dias, quando minha amiga Fabiana esteve aqui em casa, Luca (que a adora) resolveu ensiná-la a desenhar o Homem-Aranha.
- Primeiro, você faz a cabeça. Desenha uma coisa redonda e vai "amagrando", "amagrando", até ficar com a forma certa.
Adorei o "amagrando". Aliás, é impressionante como as crianças têm facilidade em criar palavras novas que, de certa maneira, fazem um sentido danado.
Esta relação de Luca com novas palavras, diga-se de passagem, constantemente traz resultados interessantes. Outro dia, por exemplo, ele perguntou:
- Como é mesmo aquela palavra que significa "cocô"?
- Merda.
- Ah, é. (pausa) Quando eu for ao banheiro, então, eu posso falar que vou "fazer merda"?
E por falar em "merda", certo dia Luca soltou um "puta merda!" que me pegou de surpresa. Expliquei que aquilo era feio, era um palavrão.
O tempo passou e, esta semana, estávamos jogando Super Trunfo quando, ao perder a carta principal (justamente o Super Trunfo), Luca exclamou:
- Puta!
- Hein?
- Puta! Puta!
- Luca, meu filho, não fale isso! É palavrão!
- Ué, papai, mas eu não falei "merda" depois...