Em seu blog, o crítico norte-americano Roger Ebert publicou um post bacana sobre alguns princípios básicos de composição no Cinema. Entre outras coisas, ele escreve sobre o "ponto de fuga" (que ele chama de "eixo forte"), um conceito vindo da Pintura que se aplica à 7a. Arte de maneira perfeita - e sobre o qual eu falo na segunda aula de meu curso de Linguagem e Crítica. Em poucas palavras: o ponto mais "forte" da tela, aquele que imediatamente atrai a atenção do espectador, situa-se um pouco à direita e acima do centro exato do quadro. Tudo o que surge ali ganha peso maior; o que aparece à direita daquele ponto também se destaca, ao passo que o que surge à esquerda ganha menos força. (Há outros elementos importantes na composição que servem para equilibrar o ponto de fuga, como também explico na aula: o foco, a luz, a distância em relação à câmera, as cores, os movimentos da câmera e dos elementos em cena, e por aí afora).
Aliás, em A_Ética, estes conceitos assumiram uma importância ainda maior. Como o filme basicamente se concentra no confronto verbal entre dois personagens, nós adotamos a seguinte estratégia visual: na primeira metade do filme, quando o personagem vivido por Carlos Magno Ribeiro domina a conversa e amedronta o psiquiatra Marcos (interpretado por Ilvio Amaral), ele surge sempre à direita do quadro, o que o fortalece ainda mais. Em certo momento, porém, quando o psiquiatra se fortalece e parece ganhar confiança, fazemos um rápido travelling por trás das costas de Carlos Magno, jogando-o para a esquerda da tela e invertendo o eixo principal - e, a partir daí, é o psiquiatra quem passa para a direita. (Mais tarde, fazemos nova mudança, mas aí não posso falar muito para não entregar o filme todo.)
É claro que também empregamos outras estratégias, como a mudança no tamanho dos quadros ao longo do filme, que se aproximam ou se afastam dos personagens dependendo do que está ocorrendo na tela e, claro, também na estabilidade da câmera, que se torna mais nervosa à medida que a narrativa se desenrola.
Enfim. Confiram o post do Ebert.