Para não dizer que só defendo os homossexuais...

by Pablo 28. fevereiro 2009 16:32

Se você acha que sou um apaixonado defensor dos direitos gays, é porque ainda não me viu falando sobre as crianças. Quem me conhece sabe que, para mim, bebês e crianças são seres sagrados: se estou vendo um filme e surge na tela um deles, não consigo conter um largo sorriso. E vê-las sofrendo é, para mim, uma tortura indizível (nem preciso dizer que, ao final do magnífico documentário Dear Zachary, eu me encontrava absolutamente destruído, chorando convulsivamente e incapaz até mesmo de levantar do sofá).

Assim sendo, digo sem reservas: não sei o que teria feito caso tivesse testemunhado isto. Mas temo que não conseguiria conter meu impulso de voar na direção do pai do garoto.

"Mas, Pablo, você não disse, em posts anteriores, que a violência física é algo sempre condenável?"

Sim, disse. Mas faço um adendo: a não ser que ela seja usada para defender uma criança. 

(Oh, Deus: dois posts com potencial para controvérsias no mesmo dia. Vou ter um fim-de-semana cheio.)

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cinema | variados

Marco Ribeiro, Milk e o Preconceito - Parte 3: O Capítulo Final

by Pablo 28. fevereiro 2009 16:01

Para encerrar esta trilogia de posts (a não ser, claro, que um novo fato me leve a bancar o produtor de Hollywood e trazer a "Parte 4: O Renascimento"), quero fazer uma breve indagação sobre algo que o leitor Shiko escreveu nos comentários do post anterior sobre o assunto e que me fez lamentar até mesmo ter escrito porcamente que Marco Ribeiro tinha "direito" de discriminar homossexuais:

"As pessoas gostam de se ater à "questão de opinião". Nem tudo é uma questão de opinião. As pessoas não dão grande bola porque é contra homossexuais e isso está englobando a religião dele, mas eu queria ver se o dublador não quisesse dublar um negro. Questão de opinião? Ele está no direito de não gostar de negros ou isso é preconceito e crime?"

Ele está certo. Qual é a diferença entre discriminar negros, asiáticos, brancos, anões, deficientes físicos, autistas ou homossexuais?

Nenhuma. Absolutamente nenhuma. (E que ninguém venha com o papo de "escolha", por favor. Como disse Jon Stewart ao entrevistar Mike Huckabee, "A religião é muito mais uma questão de "escolha" do que a homossexualidade.")

Façamos o exercício de imaginação proposto por Shiko: suponhamos que Marco Ribeiro tivesse se negado a dublar Denzel Washington como Malcolm X ou Ossie Davis como Martin Luther King. Ou Dustin Hoffman em Rain Man. Ou Peter Dinklage em qualquer filme. E dissesse, em sua defesa, que isto vai de encontro à sua religião.

Apareceriam tantos defensores aqui para dizer que ele tem o direito de ter preconceito contra negros (ativistas ou não), autistas e anões?

Ah, mas com os homossexuais é diferente. O preconceito tem que ser tolerado; é uma questão de "opinião"!

Por quê?

Alguém perguntou, nos comentários, por que dedico tantos posts à causa gay. Esta é uma das razões: atualmente, os homossexuais enfrentam o que enfrentaram, no passado, negros, judeus e mulheres. Ora, não é um sinal de evolução que tenhamos passado a respeitar estes três grupos, compreendendo que devem ter os mesmíssimos direitos que brancos, cristãos e homens? Aliás, reparem que incluí, aqui, judeus e cristãos, que ao menos têm o direito de escolher seguir ou não suas orientações religiosas. (E, sim, também estou ciente de que ainda há preconceito contra todos eles, mas ao menos isso agora é condenado e ocorre de maneira quase pontual - e os intolerantes são vistos como aberrações. Bem diferente do que ocorre com os gays.)

Por que com os homossexuais é diferente? Por que discriminá-los é aceitável ou uma questão de "opinião"? Porque um grupo que optou por seguir uma religião afirma que eles são "distorções"? Que, a rigor, não deveriam ter nascido assim?

Desculpem, mas não posso e não vou aceitar isso. Viva e deixe viver. Se o que você faz no seu quarto não fere ninguém, é consensual e representa um ato de amor, palmas para você. Seja feliz. Quem sou eu (ou qualquer um) para dizer que você está errado(a)?

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política

Crítica da semana

by Pablo 28. fevereiro 2009 05:00

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críticas | novos filmes

Marco Ribeiro

by Pablo 27. fevereiro 2009 19:00

O leitor Marcelo Cunha me enviou o seguinte texto publicado por Marco Ribeiro em fóruns e outros espaços na Internet:

"Alguns criaram uma polêmica sobre este assunto. Li coisas na Internet que demonstram que as pessoas pregam a liberdade de expressão sim, mas desde que todos pensem como elas pensam. ui ofendido, inclusive com raciscmo, isto sim é preconceito. Se eu não fosse Cristão e Pastor isto teria gerado tanta polêmica? Acho que não... onde está o preconceito afinal? Não há mais liberdade de escolha? Direito de ir e vir? Existem mais de 40 Milhões de Evangélicos no Brasil, será que eles também não sentiram-se ofendidos com estas manifestações de hostilidade gartuitas?

Abaixo a resposta por e-mail que dei ao Sr. Silas da Folha e foi só isso que falei oficialmente... por que as pessoas só retiram do texto o que lhes convém?

Fiquem com Deus.

XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX

XXXX

Olá Silas. Obrigado por seu e-mail. É uma pena que eu não possa acrescentar muito à sua reportagem.

Li o Blog do Sr. Tony Goes. Respeito a opinião dele e dos Internautas mesmo sendo por vezes ásperas e demonstrando um certo desconhecimento do que é ser Evangélico, mas dou graças a Deus pois vivemos em um País democrático onde podemos expressar nossas opiniões e posições livremente e onde a Imprensa é Livre e a Internet também é livre.

Tudo o que tenho a declarar é que não tenho preconceito de nenhuma espécie, até por que preconceito vai contra os princípios do Evangelho pregado por Jesus Cristo, Evangelho este o qual creio e Proclamo, Evangelho este que também diz que não devemos julgar as pessoas para não sermos julgados e Evangelho este que nos leva a verdadeira liberdade a qual um homem chamado Jesus proclamou há mais de 2000 anos.

Mais uma vez me desculpe e obrigado por sua atenção e por seu tempo.

Deus abençoe a sua vida.

Marco Ribeiro"


Bom, não sei de onde o direito de "ir e vir" entra na discussão, já que, pelo que eu saiba, ninguém proibiu Ribeiro de ir a lugar algum. Porém, compreendo por que ele incluiu esta pergunta em seu texto: quando estamos desesperados e não sabemos muito bem como guiar nossa defesa, temos a tendência de incluir qualquer coisa em nossa argumentação a fim de "enriquecê-la", torná-la mais "encorpada" - e, assim, considero a questão do "ir e vir" como um sintoma de que Marco Ribeiro não sabia exatamente como conciliar racionalmente sua defesa e seu instinto preconceituoso contra os homossexuais. (Acho curioso, da mesma forma, como ele se trai ao dizer que foi vítima de racismo e que "isso sim é preconceito" - como se a homofobia não o fosse).

Creio ser importante, também, esclarecer (como se isto fosse necessário) que não critiquei o "direito de expressão" de Marco Ribeiro: se ele não gosta dos gays (e não gosta, por mais que tente dizer o contrário, já que os classificou como ferramentas de uma "distorção do que Deus considera como família"), este é um direito dele. É estupidez, é sinal de uma mente atrasada e preconceituosa, é repulsivo, mas um direito dele.

Porém, ao se recusar a dublar Sean Penn, Marco Ribeiro saiu da esfera da "opinião" e se manifestou publicamente contra o filme e sua mensagem, querendo ou não. E isto o tornou um alvo aceitável para protestos como o que fiz em minha crítica. Como vários leitores argumentaram no primeiro post dedicado a este assunto, por que Ribeiro, em sua posição de "pastor evangélico", jamais se recusou a dublar assassinos, indivíduos violentos, corrompidos ou mesmo personagens de animações que trazem tons excessivamente cruéis para as crianças que as assistem? Nada disso vai de encontro à sua Fé, ao seu Evangelho? Defender a causa gay é mesmo pior do que cometer um assassinato frio e premeditado?

E por que dublar personagens afeminados que se tornam, assim, alvo de risos é algo aceitável, mas não um homossexual multifacetado e com uma história trágica e real?

O que mais me incomoda, revolta e enoja na postura de Marco Ribeiro é perceber como ele torna pública sua rejeição à homossexualidade ao mesmo tempo em que tenta posar de bom moço, como se fosse um homem tolerante e sem preconceitos. Quer agradar à sua base evangélica sem hostilizar aqueles que condenam a homofobia. Esta hipocrisia não só é repulsiva, como também perigosa. 

Não se trata, repito, de uma simples questão de "ter direito" de odiar os gays, mas sim de agir no sentido de transformar esta opinião numa condenação pública da homossexualidade.

E já que Marco Ribeiro preza tanto o modo de vida "macho", lanço aqui um desafio: seja "homem", senhor Ribeiro, e assuma publicamente sua opinião. É impossível negar-se a dublar um ativista gay por razões "religiosas" e ainda tentar alegar que não tem preconceitos. Harvey Milk foi "homem" (no sentido "machão", caricatural, da palavra) ao defender publicamente o que acreditava. Já que o considera indigno de receber sua voz, prove ao menos que tem a coragem similar para defender aquilo que acredita.

Pior do que um homófobo é um homófobo hipócrita.

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política | variados

Série Você em Cena #25

by Pablo 26. fevereiro 2009 22:51
Qual lançamento cinematográfico de 2009 você está esperando com maior ansiedade? E qual não tem a menor vontade de conferir?

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Série Você em Cena

Lost s05e07

by Pablo 26. fevereiro 2009 04:27

(Spoilers.)

Vejam só que interessante: ao longo das últimas três temporadas, Benjamin Linus forneceu ao espectador mil motivos para que desconfiássemos de suas intenções. E, ainda assim, sempre que ele parece agir com bons motivos, sentimos a tentação de confiar no sujeito - apenas para sermos novamente surpreendidos quando ele revela pela enésima vez ter mentido (embora já devêssemos esperar por isso). Esta fascinação inspirada pelo personagem, o melhor da série, deve-se muito à caracterização ambígua de Michael Emerson, claro, mas também aos roteiros da série. Mas o mais curioso é perceber que mesmo que agora tenhamos motivos reais para concluir que Ben é um crápula, já que testemunhamos um ato de indizível crueldade e sangue frio por ele praticado, ainda assim tendemos a pensar que talvez haja alguma razão por trás de suas ações; algo nobre, digno de aplausos.

Claramente um episódio criado para preencher as lacunas deixadas ao longo desta e da última temporada, esta sétima "hora" da quinta temporada ainda assim trouxe informações importantes sobre Widmore e a missão enviada por este à ilha e também pareceu responder um dos mistérios mais antigos da série: por que Christian, pai de Jack, desapareceu de seu caixão e fez estranhas aparições em tantas ocasiões.

Como Locke, ele provavelmente foi trazido de volta à vida. E possivelmente morreu também em uma missão para a ilha, já que parece saber tanto sobre ela. Quem sabe John não foi apenas o segundo "cadáver" enviado para trazer Jack de volta?

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séries de tevê

Milk

by Pablo 23. fevereiro 2009 21:38

A crítica está aqui. Porém, considero relevante (e mesmo importante) copiar, aqui, a observação que acrescentei ao final do texto:

O dublador Marco Ribeiro, que normalmente empresta a voz às versões brasileiras dos filmes estrelados por Sean Penn, recusou-se a desempenhar esta função em Milk. Inicialmente, pensei que sua hesitação devia-se à dificuldade do projeto, já que o trabalho de voz de Penn é extremamente complexo ao equilibrar-se delicadamente entre a afetação e a sobriedade – e qualquer leve desvio neste equilíbrio poderia transformar a atuação em algo caricato e risível.

 

Infelizmente, eu estava errado: Ribeiro recusou o trabalho por ser pastor evangélico. Em sua defesa, ele alega não ter preconceito algum contra homossexuais, embora tenha dito ter “a voz envolvida com outras questões”. Disse, também, que queria apenas “evitar aborrecimentos”, já que muitos membros da comunidade evangélica o condenariam por seu envolvimento na dublagem de Milk.

 

Em primeiro lugar, Ribeiro escreveu (como informa a matéria linkada aqui), no site de sua congregação, que famílias encabeçadas por membros do mesmo sexo são uma “distorção do que Deus disse sobre o que deveria ser a família” – mais um exemplo de pastores que, em sua inabalável certeza de falarem por Deus, se entregam sem reservas a incitar o ódio entre seus filhos (ou os homossexuais foram criados por Xenu?).

 

Além disso, mesmo que Ribeiro queira apenas evitar problemas (algo que, como exposto acima, me parece duvidoso), sua atitude conformista diante do preconceito de seus companheiros de credo é covarde e cúmplice – especialmente se considerarmos sua posição de “pastor”, de líder da congregação. Não deveria ele ser o primeiro a iluminar seus “irmãos”, afastando-os do caminho do ódio e da intolerância?

 

Ao se recusar a dublar Milk, Marco Ribeiro apenas toma uma atitude similar à de Dan White, tirando a voz de alguém que, ao contrário dele, buscava fazer algo do qual seu Deus se orgulharia: promover a harmonia, o amor e a união entre os habitantes deste já suficientemente hostil planeta.

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críticas | novos filmes | política | variados

Ricky Nostradamus Gervais

by Pablo 23. fevereiro 2009 19:04

A série "Extras" foi uma das melhores coisas que vi nos últimos anos. Pena que as tevês britânicas criam temporadas tão curtas para suas séries cômicas e logo as tiram do ar, na maior parte dos casos (com "The Office" foi a mesma coisa). Ora, imaginem quantos eventos futuros o criador e protagonista Ricky Gervais teria antecipado caso ela tivesse durado cem episódios ou mais:

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premiações e eventos | séries de tevê

Videocast ao Vivo: Comentários sobre o Oscar

by Pablo 22. fevereiro 2009 19:40

Confira, abaixo, a gravação do videocast na íntegra:

Update: O Ustream infelizmente pisou na bola ao salvar os vídeos; com exceção do primeiro, nenhum está funcionando de forma apropriada.




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premiações e eventos | videocast

Telecine

by Pablo 22. fevereiro 2009 02:34

Houve uma época em que o Telecine era um canal feito por quem amava e entendia Cinema para telespectadores idem. Hoje ele passa filmes dublados, com intervalos, exibe os créditos finais em ritmo acelerado e ontem à noite atingiu o fundo do poço com uma exibição de A Malvada - em cópia colorizada.

Dá vontade de chorar. O que deu errado?

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cinema

Oscar 2009: Previsões finais

by Pablo 22. fevereiro 2009 01:17

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premiações e eventos

Questões técnicas sobre o videocast

by Pablo 21. fevereiro 2009 14:39

Não estou conseguindo resolver uma questão que me incomodou muito no ano passado: se seleciono o formato de gravação HDV 1080i, a imagem final para streaming fica deformada verticalmente; se escolho DV, deforma horizontalmente (em outras palavras: fica esticada ou achatada). Selecionar a conversão com "Edge crop", "letter box" ou "squeeze" também não faz a menor diferença. Estou empacado.

O estranho é que fica tudo certo quando abro um vídeo local. O problema é quando passo a transmitir a imagem via Ustream ou Justin.tv - é aí que a imagem deforma: no streaming. Alguma sugestão?

E já que estamos falando de streaming, Ustream e Justin.tv são as únicas opções viáveis?

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administrativo

Hugh Jackman ensaiando para o Oscar

by Pablo 20. fevereiro 2009 19:16

Ao que parece, o vídeo traz Hugh Jackman ensaiando para a noite do Oscar. As imagens acabaram de vazar em um dos principais sites norte-americanos e, por isso, creio que estou sendo o primeiro a linká-lo no Brasil. Se for autêntico, a Academia vai ficar muito, mas muito irritada.

Update: Linkei primeiro para ver depois (ah, a fome do "furo"... Tongue out). Agora que vi, devo dizer que ele está muito bem editado para ser algo que simplesmente vazou. Porém, como não está no canal oficial da Academia no YouTube e realmente foi "vazado", devo concluir que se trata de um "viral" através do qual a Academia pretende aumentar o interesse pela cerimônia. Não duvido nem mesmo que protestem contra o vazamento para manter as aparências. Agora... pelo pouco que o vídeo mostra, devo confessar que fiquei ainda mais desanimado: cartolas e bengalas? Números musicais? Sapateado? Oh, Deus, vai ser uma longa noite...

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premiações e eventos

Ditabranda? Ditabranda?!

by Pablo 19. fevereiro 2009 23:48

Em editorial publicado na última terça-feira, dia 17, sobre os esforços de Hugo Chávez para se manter no poder na Venezuela, a Folha de São Paulo trouxe o seguinte absurdo:

"Mas, se as chamadas "ditabrandas" -caso do Brasil entre 1964 e 1985- partiam de uma ruptura institucional e depois preservavam ou instituíam formas controladas de disputa política e acesso à Justiça-, o novo autoritarismo latino-americano, inaugurado por Alberto Fujimori no Peru, faz o caminho inverso. O líder eleito mina as instituições e os controles democráticos por dentro, paulatinamente."

Não gosto de Chávez e lamento que tenha conseguido esta possibilidade de perpetuar-se no poder. Mas este post nada tem a ver com a Venezuela e sim com a classificação do período militar no Brasil como sendo uma "ditabranda".

"Ditabranda". "Ditabranda".

Filhos da puta. Suponho que, ao contrário de tantas outras famílias, os canalhas por trás deste editorial não perderam parentes para a "ditabranda". Nem tiveram parentes torturados pelos agentes desta "ditabranda".

Eu tive. Há, em minha família, pessoas que trazem nos corpos e nas mentes as seqüelas das torturas dos assassinos do DOPS e do governo militar. E estas pessoas que amo, por sua vez, perderam muitos amigos naquele período. 

Como a Folha se atreve, por qualquer motivo que seja, a usar o adjetivo "branda" em relação à sangrenta ditadura brasileira? Tivesse o autor deste texto imbecil ficado pendurado num pau-de-arara por horas, tivesse ele levado choques nos genitais por dias, tivesse ele experimentado a agonia de um arame quente enfiado em sua uretra, tivesse ele sentido as unhas se despregando da carne, tivesse ele visto amigos morrendo sob pauladas, tivesse ele corrido o risco de ter o corpo descartado como lixo no mar ou enterrado em cova rosa como um cachorro sem dono, tivesse ele sentido dezenas de cigarros sendo apagados em sua pele, tivesse ele experimentado o pavor do afogamento em um tonel repleto de água, tivesse ele ouvido as companheiras sendo violentadas por torturadores ou sodomizadas com cassetetes, tivesse ele um mínimo de respeito para com quem passou por tudo isso, não escreveria uma barbaridade dessas. Ou, tendo escrito, se retrataria imediata e publicamente pelo absurdo cometido.

No mesmo texto, o imbecil escreve:

"Nesse contexto, e diante de uma oposição revigorada e ativa, é provável que o conforto de Hugo Chávez diminua bastante daqui para a frente, a despeito da vitória de domingo."

Pois em nossa "ditabranda", caro editor da Folha, a oposição não podia se dar ao luxo de se sentir "revigorada" ou provocar o "desconforto" do governo, já que estava sob constante e sangrento ataque, sendo punida não com uma derrota política, mas com a perda da própria vida.

O que há de brando nisso? 

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política | Série Jornalistas

Conversas com Woody Allen

by Pablo 19. fevereiro 2009 21:33

Esqueci de comentar aqui que terminei de ler, há algumas semanas, um livro fantástico chamado "Conversas com Woody Allen" (512 páginas, editora Cosac Naify). Escrito por Eric Lax, o livro traz diversas entrevistas feitas com o cineasta ao longo de 30 anos e, neste sentido, é extremamente interessante justamente por refletir a visão de Allen sobre sua arte e si mesmo ao longo das décadas. Além disso, a divisão do livro em temas (Montagem, Roteiro, Casting, etc) permite que o texto se transforme num fascinante estudo sobre os métodos de trabalho do diretor, que discute, ainda, sua predileção por dramas em detrimento das comédias e a "preguiça" que, segundo ele, limita o sucesso artístico de todas as suas empreitadas.

Recomendadíssimo.

(Agora estou lendo "Fazer um Filme", de Fellini. Quando terminar, posto algo aqui.)

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