Não sou Takei (e FREE POLANSKI!)

by Pablo 30. setembro 2009 19:19

Só para esclarecer: no post "Rapidinhas" (que, aliás, recebeu este título não sei por quê), falei que não quis incomodar o ator George Takei (o Sulu original da franquia Star Trek) ao vê-lo sair de um cinema no qual eu também me encontrava. Nos comentários, alguns sugeriram que, conseqüentemente, eu também não gostaria de ser incomodado por leitores que porventura me vissem em algum lugar.

Errado.

Em primeiro lugar, não sou Takei. Não sou uma celebridade. Não estou farto de ser parado na rua de segundo em segundo.

Dois: não tenho mais de 70 anos de idade. Ainda tenho energia para parar e bater papo.

Três: se Takei tivesse dito em um blog que adora ser parado por fãs, eu o pararia. E estou dizendo aqui: adoro conhecer leitores do site (não vou usar a palavra "fãs" pois não sei se é a mais adequada para o caso).

Assim sendo, se me vir por aí... apresente-se! ;)


Quanto à prisão de Roman Polanski... escrevi há muito sobre o assunto neste post.

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personalidades

Consiglieri Villaça

by Pablo 30. setembro 2009 05:25

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variados

Novas tecnologias, novos clichês

by Pablo 29. setembro 2009 19:29

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cinema | vídeos

Rapidinhas

by Pablo 29. setembro 2009 16:37

Ontem à noite fui ao Arclight, um dos melhores cinemas de Los Angeles, para assistir a Bastardos Inglórios e ao novo filme de Michael Moore (o primeiro é razoável; o segundo, muito bom). No intervalo entre os filmes, reparo num oriental baixinho, já meio velhinho, passando ao meu lado em direção à saída. 

Sulu.

Fiquei parado por vários segundos tentando decidir se o abordava ou não. Por um lado, ali estava um dos oficiais da Enterprise original; por outro, ele estava ali se divertindo como todo mundo, não a trabalho - era George Takei, o "civil", não o ator. Por fim, resolvi que seria inapropriado incomodá-lo. Já com mais de 70 anos, Takei não só é um ícone da ficção científica, mas também um louvável ativista do movimento gay (é casado há mais de 20 anos com seu parceiro Brad Altman) e, assim, merece meu duplo respeito.

O que inclui deixá-lo ir ao cinema em paz sem ser incomodado por um crítico de cinema fãzóide.

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cinema | cotidiano | personalidades

Cansado em Los Angeles, Desabafando de Madrugada, Esperando Retaliações

by Pablo 23. setembro 2009 03:18

Estou ausente deste blog? Sem dúvida. Fiquei sem escrever críticas nas duas últimas semanas? Sim.

Mas em 15 anos como crítico de cinema e em quase 12 anos de Cinema em Cena, vocês podem contar nos dedos da mão esquerda do Lula quantas vezes eu tirei férias ou me ausentei do site. Workaholic por natureza, sempre trabalhei como um cavalo - e se nas últimas semanas escrevi menos posts e críticas, não é porque me entreguei à vagabundagem. Ao contrário; o sentimento de exaustão física, mental e emocional que estou experimentando neste momento chega a ser difícil de descrever. 

Como devem imaginar, assumir um cargo novo numa empresa ambiciosa como o InFilm não é brinquedo - e além de atuar na operacionalização de vários aspectos do negócio, ainda passei as duas últimas semanas fechando os detalhes mais cabeludos do programa Como Filmes e Programas de TV São Realmente Feitos. Em seguida, vim para Los Angeles pela segunda vez em um mês e meio, numa viagem absurdamente exaustiva, e já mergulhei no evento não apenas como um de seus "guias" (na falta de termo melhor), mas também como responsável por registrar da maneira mais fiel possível o que ocorre a cada dia

E tudo isso longe de minha família - e se há algo que vocês já devem saber a esta altura é que ficar longe de meus filhos é um sofrimento que, para mim, chega a representar uma dor física. Falar e vê-los pelo Skype até poderia ser um paliativo caso eu não percebesse que ver o "Papai" através da tela do computador é algo que não só não diminui a falta que os pequenos sentem de mim como ainda a intensifica por escancarar a distância - e ver Nina, por exemplo, esticando os bracinhos para vir para meu colo do outro lado da tela é de partir o coração.

É claro que vocês não têm nada a ver com meus "problemas"; o que interessa é que eu entregue críticas e textos de boa qualidade. Por outro lado, é justamente isso que me faz ficar profundamente chateado ao ler comentários do tipo "Arranje outro crítico para o Cinema em Cena!", "Se não pode escrever, deixe para outro", e por aí afora.

Ora, que a modéstia vá para o Inferno; se cheguei onde cheguei é porque tenho textos de ótima qualidade e com análises mais profundas e abrangentes do que normalmente se vê por aí (embora, claro, haja outros grandes críticos que provavelmente me deixam no chinelo. Pelo menos, reza a lenda.) Então não consigo entender este clamor por um substituto: se o que você quer é apenas outro texto sobre cinema, há algo novo chamado Internet que contém talvez algumas dezenas de textos sobre o assunto, possivelmente até uma ou duas centenas. Procure-os. Porém, se o que você deseja é ler mais textos meus, bom... então não entendo como um "substituto" poderia suprir esta demanda.

Ainda assim, fiquei simultaneamente triste e lisonjeado ao ler as reclamações de vocês - triste porque não gostaria que estivessem insatisfeitos; lisonjeado porque estão reclamando justamente por sentirem falta dos meus textos. E não há elogio maior para alguém que vive da escrita do que receber pedidos de "queremos mais".

E eles serão atendidos.

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cotidiano | Luca & Nina | variados

Novamente em Los Angeles

by Pablo 20. setembro 2009 20:53
A primeira vez em que chegamos a uma cidade nova há sempre aquela sensação de gostosa curiosidade e expectativa. Da segunda em diante, a reação é mais a de "Aqui estamos novamente. Não mudou nada.". Seja como for, estar em um outro país é sempre uma experiência interessante, embora, desta vez, eu tenha vindo com tarefas específicas a cumprir, e não apenas como "turista".
 
O programa "Como Fimes e Séries de TV São Realmente Feitos" começa amanhã e estou certo de que será muito interessante não só para os cinéfilos que vieram de fora especialmente para fazê-lo, mas também para mim.

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infilm

Três-Cinco

by Pablo 18. setembro 2009 11:47
E a sensação habitual ao acordar nos aniversários pós-30: "Fuck!".

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cotidiano

Luca perceptivo

by Pablo 17. setembro 2009 00:14

Estava assistindo a Ponte para Terabítia com Luca quando, ao ver a fascinação de Jess (Josh Hutcherson) pela professora de música vivida por Zooey Deschanel, comentei:

- Ele está apaixonado pela professora dele, você notou?

Nesse instante, Luca se virou para mim com uma cara de "Papai é um imbecil" e respondeu, revoltado:

- Você tá maluco? Ela é uma professora!

Mas o que me espantou no pequeno (e que dá título a este post) foi perceber como ele já é capaz de decifrar alguns sinais mais sutis da linguagem cinematográfica. Em certo instante do filme, depois que Jess e Leslie (AnnaSophia Robb) têm um dia particularmente agradável, a garota se afasta em direção à sua casa e, depois de um close do menino contemplando-a, encantado, voltamos a vê-la correndo em câmera lenta. Foi aí que Luca comentou:

- Como será que esse filme termina? Tomara que ele termine bem.

Em um décimo de segundo, graças a um detalhe de montagem, ele havia captado um indício de que algo poderia acontecer - e que se confirmou duas seqüências depois. Fiquei impressionado com - e orgulhoso do - meu garoto.

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Luca & Nina

Hitler descobre que me aposentei

by Pablo 14. setembro 2009 22:39
Recebi esse link de um leitor pelo MSN e não resisti:

 
A propósito: tem muita coisa acontecendo; muitas decisões que precisam ser tomadas com relação à minha carreira. Mas não, não pretendo me aposentar.

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vídeos

Mini-me

by Pablo 5. setembro 2009 18:50

Fizemos um pedido para entrega na farmácia e, trinta minutos depois, ouvimos a campainha. Estávamos, Luca e eu, deitados na rede enquanto eu lia para o pequeno uma revistinha do Cebolinha e, preguiçoso, pedi que ele atendesse o interfone - algo que ele fez sem problemas, abrindo o portão para o entregador. Segundos depois, quando este bateu na porta do apartamento, Luca o recebeu de maneira segura e desenvolta. Até, claro, que o rapaz, meio que rindo, perguntou:

- É você quem vai assinar pela entrega?

- Não! - respondeu meu filhote, com a voz surpresa.

Nesse momento, levantei da rede, que estava fora do campo de visão do entregador, e entrei na sala sorrindo. Ao me ver, o sujeito fez uma imensa cara de espanto e, sem se conter, apontou para mim e, em seguida, para Luca, dizendo:

- Você grande... e você pequeno!

Pobrezinho do meu filho.

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Luca & Nina

Ajuda

by Pablo 2. setembro 2009 14:01

Amigos, repasso o recado da minha querida amiga Ludmilla, que, por sua vez, fala em nome de sua grande amiga Mariana. Peço que repassem em seus blogs, facebooks, orkuts, twitters, etc.

"Precisamos de doação. Hemoservice, Rua Ceará 195/1o andar. 2a a sábado, de 7h30 as 13h30. A doação de ser agendada pelo telefone (31) 3241 1130 e deve ser feita para MARIANA PAULINO TEIXEIRA LOPES, internada no Hospital Vera Cruz."
 
Conto com vocês, ok? 

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variados

O Clube do Filme

by Pablo 2. setembro 2009 13:01
Abandonado este blog não está e nunca será. O que pode acontecer, de quando em quando, é uma ausência temporária que jamais durará mais do que três ou quatro dias - mas esse tipo de "férias", como vocês sabem, é raro e continuará sendo. Nos últimos dias, aliás, não atualizei o blog por pura falta de tempo, já que, além das obrigações administrativas relacionadas ao Cinema em Cena e ao InFilm, ainda tive que me submeter a um exame de controle da retocolite - algo que envolve até mesmo sedação (que adoro, diga-se de passagem; caso tivesse me formado em medicina, jamais poderia ser anestesista, pois creio que engrossaria as estatísticas dos médicos viciados). A boa notícia é que, pela primeira vez desde que descobri a doença, ela está totalmente sob controle - não há uma única úlcera em atividade.
 
Dito isso, aproveitei as poucas horas vagas que tive nesses dias para ler "O Clube do Filme", que muitas pessoas me recomendaram nos últimos tempos - tanto por email quanto pelo twitter.
 
Infelizmente, não gostei nada do trabalho de David Gilmour.
 
Ex-apresentador de um programa sobre cinema, Gilmour relata, no livro, uma fase em que se encontrava em dificuldades financeiras após o fim do programa e que coincidiu com os graves problemas que seu filho Jesse passou a enfrentar na escola. Sem saber como estimular o rapaz a estudar, David toma a decisão de permitir que ele abandone os estudos desde que concorde em assistir a três filmes por semana ao seu lado. A idéia é que o Cinema oferecerá a Jesse a educação e a visão de mundo que a escola não conseguiu levá-lo a absorver.
 
Interessante? Sim. Possível? Em parte - eu realmente acredito que o Cinema pode ser uma fonte importante de aprendizado. Responsável? De forma alguma; há muitas coisas que só podemos aprender na escola - e não me refiro às disciplinas, mas à importância das regras e ao convívio social.
 
E este é um problema grave em O Clube do Filme. Como pai, não pude deixar de sentir que David, mais preocupado em ser um pai "moderno" e "amigo" (algo que, ironicamente, ele reconhece), se esquece de um conceito importante no que diz respeito à paternidade: o tough love - os momentos em que precisamos ser rígidos justamente por amarmos nossos filhos. Assim, no intuito de se mostrar "aberto", ele divide cigarros com seu filho de 16 anos enquanto ensina o garoto a saborear vinho - e não é à toa que logo Jesse se torna um fumante inveterado e mergulha em repetidas bebedeiras. Porém, em vez de se preocupar com o fato de estar incentivando o filho a poluir o corpo com cancerígenos e a encontrar a fuga para os problemas no álcool, David se limita a repetir os velhos clichês do pai preocupado: "Nada de drogas! Se usar drogas, nosso acordo está rompido!".
 
Mas é claro que um adolescente sem limites como Jesse logo passa a usar cocaína - e o que David faz, então? Honra sua palavra de tornar-se mais duro com o filho por este ter quebrado o acordo? Não. Passa a mão na cabeça do moleque e tenta argumentar com o rapaz. Resultado: eventualmente Jesse vai parar no hospital após sofrer uma taquicardia resultante do consumo excessivo de drogas - e nem assim seu pai decide revisar o contrato feito com o filho. Ora, se os adultos não sentem necessidade de honrar o que dizem, por que um adolescente deveria fazê-lo? 
 
Além disso, por mais que David insista em pintar o filho como um gênio incompreendido, um rebelde que, por ser excessivamente sensível e inteligente, acaba sendo desestimulado por um sistema de ensino convencional, o fato é que a própria narrativa de Gilmour revela Jesse como um garoto medíocre e emocionalmente imaturo (até mesmo para um garoto de 16 anos). Em certo momento, por exemplo, ele pergunta para o pai se "a América do Sul é um país ou um continente" - uma informação que, convenhamos, não é preciso freqüentar uma aula de geografia para aprender, o que indica uma imensa preguiça intelectual por parte do rapaz. 
 
Como se não bastasse, a âncora narrativa do livro - o tal clube do filme - não desempenha papel importante algum na história. Sim, aqui e ali David apresenta (de maneira sempre desorganizada e aleatória) algum longa para o filho, introduzindo a projeção com algumas trivialidades sobre a produção, mas jamais sentimos que estas experiências realmente trazem algum propósito educativo maior. A impressão é apenas a de que David quer uma oportunidade de impressionar o filho (e o leitor) com seus conhecimentos cinematográficos - e se no processo ele conseguir transformar Jesse em um cinéfilo, ótimo. Ainda assim, quando ele faz um "teste" com o rapaz no final do livro e o garoto demonstra conhecer Fassbinder, por exemplo, não conseguimos encontrar, no próprio livro, a origem de tal familiaridade com o cineasta alemão (e muito menos entendemos como isso substitui uma educação "formal").
 
Finalmente, o mais decepcionante em O Clube do Filme é perceber como a visão do próprio David Gilmour é limitada no que diz respeito ao Cinema. Sim, ele parece conhecer o bê-a-bá da Arte e seus nomes e correntes principais, mas de maneira puramente burocrática, acadêmica (no sentido pejorativo da palavra), sem jamais oferecer qualquer interpretação mais complexa ou mesmo menos clichê sobre aquilo que está comentando. Aliás, isto explica por que David se impressiona tão facilmente com os "talentos" do filho, já que também se mostra claramente impressionado com a própria mediocridade.
 
Embora tenha sido escrito com a idéia de relatar uma experiência bem sucedida e edificante, O Clube do Filme me levou a finalizar a leitura com um único pensamento: "Que família triste".
 
O Clube do Filme (The Film Club)
Editora Intrínseca, 2009
239 páginas 

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