(Antes de qualquer coisa, um forte abraço nos leitores Cássio, Leandro e Neto, que me abordaram na saída do Cine Bombril, na sexta-feira, e também em meus ex-alunos Cecília, Divino e Leonardo, que encontrei em algumas sessões.)
Bom...
2)
A
Cozinha de Stella (Cooking with
Stella, Canadá, 2009). Dirigido por Dilip Mehta. Com: Seema Biswas, Don McKellar, Lisa Ray,
Shriya Saran, Vansh Bhardwaj, Maury Chaykin.
A primeira
imagem que vemos quando A Cozinha de
Stella tem início é a da personagem-título rezando devotadamente diante de
várias imagens religiosas. É então que ouvimos um irreverente ringtone de “Jingle Bells” e percebemos,
no momento em que a mulher abandona a oração para atender o celular, que Stella
está longe de seguir qualquer conceito convencional que poderíamos ter de uma
criada indiana de meia-idade.
E, de fato, ao
longo do filme comandado pelo indiano Dilip Mehta, Stella se apresentará como
uma figura sempre intrigante: religiosa e com uma aparência inofensiva, ela
parece orgulhosa de ter servido como criada de vários diplomatas canadenses em
Nova Delhi – mas logo constatamos que não se trata exatamente de orgulho
profissional, mas de uma posição conveniente para seu verdadeiro interesse: o
de roubar sempre o máximo que puder de seus patrões sem chamar a atenção.
Trambiqueira
até o último fio de cabelo, a indiana é capaz de transformar até aparentes atos
de generosidade em oportunidades de enganar seus ingênuos patrões –
especialmente Michael (McKellar), cozinheiro profissional que aproveita o fato
da esposa ter sido designada para ocupar o posto de diplomata na Índia para
explorar a culinária local, eventualmente perguntando se a pragmática Stella
aceitaria ser sua “guru” (“Por que eu deveria dizer sim?”, ela questiona antes
de finalmente encontrar uma forma de usar aquilo em seu favor).
Adotando uma
direção normalmente discreta, Mehta infelizmente acaba carregando nas tintas ao
tentar estabelecer os problemas conjugais de Michael e Maya (a fraca Lisa Ray)
– e é particularmente embaraçoso acompanhar a pavorosa e artificial cena à mesa
de jantar em que estes ignoram o que o outro diz, insistindo em discutir apenas
seus próprios problemas. Por outro lado, A
Cozinha de Stella ganha uma dimensão extra com a entrada da bela babá Tannu
(Saran), cuja trajetória moral acabará servindo de base estrutural do roteiro.
Realizando um
impecável trabalho de composição, a atriz Seema Biswas consegue alcançar um
equilíbrio delicado com uma personagem difícil, já que qualquer desvio mínimo
na caracterização tornaria Stella antipática ou inverossímil para o espectador
– e Biswas é hábil ao estabelecê-la como uma figura complexa e até digna de dó
(embora na maior parte do tempo acabemos nos divertindo com seu cinismo e sua
natureza incorrigível). Enquanto isso, Don McKellar, um ator que conta cada vez
mais com minha admiração, estabelece Michael como um homem gentil, mas com uma
tristeza subjacente que colabora para que compreendamos a importância de sua
relação com Stella.
Prejudicado
por uma trilha maniqueísta e por um desfecho frágil, porém, A Cozinha de Stella acaba perdendo força
em seu ato final, o que é uma pena – mas ainda assim é simpático o bastante
para merecer aplausos. (3 estrelas em 5)
3)
Nova
York, Eu Te Amo (New York, I Love You,
EUA/França, 2009). Dirigido
por Fatih Akin, Yvan Attal, Allen Hughes, Shunji Iwai, Wen Jiang, Shekhar
Kapur, Joshua Marston, Mira Nair, Natalie Portman, Brett Ratner. Com: Emilie
Ohana, Andy Garcia, Hayden Christensen, Bradley Cooper, Rachel Bilson, Natalie
Portman, Orlando Bloom, Christina Ricci, Anton Yelchin, Olivia Thirlby, Drea de
Matteo, James Caan, Ethan Hawke, Maggie Q, Robin Wright Penn, Chris Cooper,
Justin Bartha, Carlos Acosta, John Hurt, Shia LaBeouf, Julie Christie, Eli
Wallach, Cloris Leachman, Burt Young, Irrfan Khan, Ugur Yücel, Qi Shu.
Filmes
construídos a partir de uma estrutura de antologia costumam ser irregulares por
natureza: há sempre uma porcaria para cada boa história narrada – isto nos
melhores casos, já que normalmente a proporção favorece a mediocridade. Assim,
é uma grata surpresa que Nova York, Eu Te
Amo, segundo capítulo da franquia (porque é uma franquia) iniciada com Paris,
Te Amo, seja tão coeso.
Contando com
uma montagem levemente mais intrincada que a de seu antecessor (o que torna a
narrativa mais orgânica), o filme foi concebido a partir das mesmas regras
estabelecidas pelo produtor francês Emmanuel Benbihy para o original: cada
cineasta teria um ou dois dias para filmar seu segmento, uma semana para
montá-lo e deveria, se possível, concentrar-se numa região diferente da cidade
– mas, fora isso, os temas eram livres. No entanto, tratando-se de Nova York, é
claro que a maior parte dos curtas resultantes acabou girando em torno das
características mais conhecidas da metrópole: sua natureza cosmopolita e a
solidão que, paradoxalmente, sentimos em meio à multidão.
Não que a
hostilidade tão famosa do nova-iorquino tenha sido ignorada; já de início, uma
vinheta e o primeiro segmento de Nova
York, Eu Te Amo abordam justamente esta questão através da disputa de dois
sujeitos pelo mesmo táxi (eles voltarão em histórias diferentes posteriormente)
e do confronto de dois homens interessados na jovem interpretada por Rachel
Bilson. E é aí, aliás, que a limitação do formato se apresenta pela primeira
vez: na história em questão, o ladrão (bem) interpretado por Hayden Christensen
protagoniza um curioso duelo com o professor de Andy Garcia em que ambos
demonstram uma absurda habilidade para o furto, levando a um quase balé
enquanto tentam provar quem é o “macho-alfa” do território. Infelizmente, este
bom conceito jamais tem tempo de ser plenamente desenvolvido e, assim, quando o
segmento chega ao fim, experimentamos a frustração de termos testemunhado algo
mal resolvido. Isto, aliás, ocorre também com a narrativa envolvendo Chris
Cooper e Robin Wright Penn, que se envolvem num flerte bobo cujo desfecho
revela um jogo desinteressante e clichê.
O filme se
torna melhor, por outro lado, sempre que se concentra no contraste entre seus
personagens: um dos melhores episódios, por exemplo, é aquele que, dirigido por
Mira Nair, traz os sempre ótimos Irrfan Khan e Natalie Portman numa dura
negociação que eventualmente reflete as diferenças religiosas de ambos – mas
que culmina num belíssimo momento em que, cruzando a fronteira imposta por
diferenças de costumes, eles se permitem uma conexão com o ser humano à sua frente, ignorando a quase sempre intransponível
barreira criada pelo próprio conceito de Religião. Aliás, se há um tema
recorrente em Nova York, Eu Te Amo (e
no projeto anterior, ambientado em Paris), este diz respeito à necessidade que
temos de estabelecer ligações mais profundas com o próximo – algo que, não por
acaso, também serve de base para o curta estrelado por Drea de Matteo e Bradley
Cooper como um casal que, depois de uma noite de sexo, tenta se convencer de
que tudo não passou de um flerte passageiro (na realidade, uma racionalização
para que possam se proteger da eventual – e inevitável – rejeição).
Já o tom
inegavelmente romântico serve de tônica a outros bons episódios: vivendo um
compositor que, com sua camiseta rasgada e estúdio desarrumado, surge mais como
um clichê de artista plástico em processo de criação, Orlando Bloom finalmente
mostra um pingo de carisma ao flertar com a voz de uma agente com quem se
comunica apenas pelo telefone – embora, mais uma vez, aqui o desfecho abrupto
comprometa o resultado. Em contrapartida, o segmento dirigido por Joshua
Marston e que traz os veteranos Eli Wallach e Cloris Leachman acaba se
estabelecendo como um dos mais sólidos do longa justamente por conseguir criar
um pequeno arco narrativo em poucos minutos, contrabalançando o aparente mau
humor crônico do velho casal com um momento de doçura não apenas tocante, mas
profundamente natural. Infelizmente, este mesmo equilíbrio não é alcançado por
Shekhar Kapur em seu curta: se o desenvolvimento da história é beneficiado por
um clima quase fantasioso (e profundamente melancólico), a conclusão do
episódio busca uma surpresa que soa inorgânica, artificial – o que se torna
ainda mais lamentável se considerarmos as belas atuações de Julie Christie,
John Hurt e do jovem talento Shia LaBeouf, cujo olhar neste segmento, aliás,
revela um oceano de cansaço e decepções.
Mas a
melancolia também cede lugar ao bom humor em alguns poucos episódios: aquele
dirigido pelo cronicamente subestimado Brett Ratner, por exemplo, oferece algumas
gags visuais bastante inspiradas,
como no momento em que vemos a bela jovem vivida por Olivia Thirlby mover-se
como se estivesse flutuando (o que poderia ser um clichê) apenas para
descobrirmos, em um inesperado e divertido choque, a razão para esta fluidez de
movimento. Da mesma forma, é inevitável apreciar o plano no salão de dança em
que Ratner cria uma coreografia curiosa com o único propósito de revelar o
casal principal no meio do grupo. Como se não bastasse, este segmento conta
ainda com a presença de James Caan e ganha pontos também com seu desfecho que,
embora longe de perfeito, é suficientemente irreverente para amarrar bem a
narrativa.
Aliás, é
impossível falar de desfecho sem elogiar aquela que é a melhor conclusão entre
todos os curtas de Nova York, Eu Te Amo:
escrito e dirigido por Yvan Attal, o episódio traz Ethan Hawke como um escritor
que, depois de acender o cigarro de uma estranha na rua, dá início a um longo
flerte no qual descreve tudo o que fará com a moça vivida por Maggie Q caso esta
ceda à sua cantada – e é então que, apenas com duas ou três falas, a garota
finaliza a conversação numa tirada genial e inesperada que deixa Hawke – e o
espectador – boquiaberto. De forma similar, é importante dizer, o segmento que
marca a estréia de Natalie Portman na direção conta com uma conclusão profundamente
poética ao trazer o bailarino Carlos Acosta numa apresentação de tirar o fôlego
– especialmente por vir como uma resposta ao racismo sutil manifestado contra o
sujeito em uma cena anterior, quando, ao passear com a filha caucasiana num
parque (Acosta é latino), é elogiado por uma mulher por parecer um ótimo “babá”
(e a reação do sujeito prova que Acosta também tem um potencial imenso como
ator).
Descrita por
um dos personagens do longa como sendo a “capital do onde-tudo-é-possível”, a
Nova York vista aqui é, de fato, um lugar romântico, intenso e culturalmente
fascinante. Mas, assim como ocorria em Paris,
Te Amo, logo fica claro que, a rigor, uma cidade – por mais charmosa que
seja – é apenas um palco de concreto para que seus habitantes-personagens
possam protagonizar dramas e comédias profunda e comoventemente humanos. (4 estrelas em 5)
4)
Ricky (Idem, França/Itália, 2009). Dirigido por
François Ozon. Com: Alexandra Lamy, Sergi López, Mélusine Mayance, Arthur
Peyret.
Ricky é um pequeno drama familiar que,
focado nas inseguranças e temores de uma garotinha que vive com a mãe solteira,
acaba encontrando uma inesperada estratégia narrativa para mover seus
personagens rumo a uma nova dinâmica em seus relacionamentos – e revelar esta
estratégia seria não apenas uma crueldade com o filme, mas também para com o
espectador.
Estabelecendo
com elegância e economia o cotidiano da pequena Lisa (Mayance) e de sua mãe
Katie (Lamy) já nos primeiros minutos de projeção, quando vemos as duas se
preparando silenciosamente (e em total sintonia) para um novo dia, o cineasta
francês François Ozon aproveita estes momentos também para ilustrar a
fragilidade emocional da adulta, que, justamente por seus despreparo diante do
mundo, inspira a filha a adotar uma postura melancolicamente precoce – e quando
Lisa observa cuidadosamente a mãe partir antes de entrar em sua escola, temos a
clara impressão de que é a garotinha quem se preocupa em proteger a mãe, não o
contrário. Da mesma forma, quando Katie atrasa horas ao buscar a filha, a
menina mantém uma calma resignada, deixando óbvio para o espectador que aquilo
provavelmente já ocorreu dezenas de vezes.
É então que o
espanhol Paco (López) entra na vida das duas francesas, despertando a
sensualidade da mãe e a desconfiança da filha. Cronicamente carente, Katie
evidentemente se sente feliz ao ver-se desejada – mas é justamente esta
carência, associada à sua terrível imaturidade, que a leva a apresentar Paco
precipitada e desajeitadamente para a filha, despertando nesta um compreensível
medo de abandono e rejeição (algo que Ozon ilustra belissimamente em um plano
aberto que traz Lisa, pequena e sozinha em uma janela de ônibus, observando o
novo casal enquanto este se afasta sorridente em uma moto, ignorando-a completamente).
Mas é quando
Katie dá à luz ao irmão de Lisa, batizado por esta de Ricky (Peyret), que Ozon
começa a puxar uma série de ases de sua manga – e sem revelar muito, posso
dizer que as coisas começar a ficar estranhas quando grandes hematomas surgem nas
costas do bebê, levando sua mãe a acusar Paco de espancá-lo. Ou teria sido Lisa,
justamente com o propósito de provocar o afastamento do padrasto ao mesmo tempo
em que descarrega seu ciúme no irmão?
A resposta
oferecida pelo roteiro do próprio Ozon a estes questionamentos é o ponto forte
de Ricky, mas também seu
calcanhar-de-aquiles: se por um lado a surpresa confere um tom divertidamente
surrealista a uma narrativa até então naturalista ao extremo, por outro ela é
atípica demais para que consigamos simplesmente ignorá-la depois que desempenha
sua função – e o que deveria funcionar apenas como um recurso dramático acaba
se tornando o centro do filme.
Ainda assim,
Ozon se esforça ao máximo para manter o foco no lugar certo, constantemente
voltando sua câmera para as reações de Lisa mesmo quando os espectadores
certamente esperariam ver mais de Ricky – e, afinal, é à garota que o filme
pertence, não ao seu irmão.
E, assim,
quando os dois últimos planos do longa finalmente amarram a narrativa com a
doçura necessária, compreendemos que o personagem-título, com seu caráter de deus ex machina, jamais deveria ter
desviado tanto nossa atenção.
Mas ignorá-lo
seria tarefa impossível. (3
estrelas em 5)
5)
Polícia,
Adjetivo (Politist, adj., Romênia,
2009). Dirigido por Corneliu Porumboiu. Com: Dragos Bucur, Ion Stoica, Vlad
Ivanov, Irina Saulescu.
Nos últimos
anos, os soberbos A Morte do Senhor
Lazarescu e 4 Meses, 3 Semanas e 2
Dias foram responsáveis por apresentar para o mundo o “Novo Cinema” romeno:
calcadas no realismo, as obras-primas de Cristi Puiu e Cristian Mungiu adotavam
uma estética baseada em longos planos-seqüência, na utilização de sons
diegéticos no lugar de uma trilha convencional e da contemplação como forma de
observar e compreender seus personagens e o mundo que estes habitam. Pois Polícia, Adjetivo, de Corneliu
Porumboiu, não se afasta em nada desta lógica narrativa; a diferença é que, enquanto
Puiu e Mungiu demonstravam saber empregar esta lógica em prol da história que
queriam contar, Porumboiu parece utilizá-la como um fim em si mesma, como se
assemelhar-se aos projetos de seus compatriotas fosse o bastante para colocar
seu filme no mesmo nível. E ainda que o longa tenha saído premiado na mostra Un
Certain Regard em Cannes, atrevo-me a sugerir que o júri talvez tenha se
deixado levar pela lógica do “se anda como um pato e soa como um pato, deve ser um
pato” – sem notar que a ave em questão tinha chifres, dentes e tetas.
Girando em
torno de um policial que recebeu a tarefa de seguir um adolescente denunciado
por vender haxixe para os colegas de escola, Polícia, Adjetivo gasta a maior parte de seus intermináveis 115
minutos acompanhando, em planos longuíssimos, a rotina de trabalho de seu
protagonista – que, neste caso, é limitada a caminhar lentamente alguns metros
atrás de sua presa durante todo o dia. Sim, o propósito desta estratégia é
claro: Porumboiu quer que o espectador realmente sinta a natureza entediante e frustrante do trabalho de Cristi
(Bucur), especialmente para que percebamos o absurdo de tamanho esforço ser
despendido em um caso sem a menor importância (nem mesmo o detetive acredita
estar fazendo a coisa certa ao encurralar o jovem). Porém, mesmo depois que este
objetivo é cumprido pelo cineasta, a lógica da montagem e da decupagem é
mantida, transformando o longa num torturante exercício de paciência.
Com uma
fotografia naturalista que usa com propriedade as luzes fosforescentes do
ambiente de trabalho de Cristi como forma de conferir uma atmosfera de
decadência e tristeza àquele universo, Polícia,
Adjetivo conta traz alguns poucos momentos que indicam o potencial que
aquela narrativa encerrava, como o instante em que, ao chegar em casa, o
protagonista pede que a esposa abaixe o volume do som, sendo prontamente
ignorando e resignando-se a isto exatamente como está habituado a resignar-se a
todo o resto. Da mesma forma, a direção de arte é impecável ao retratar a sala
ocupada pelo detetive como um lugar deprimente, envelhecido e com móveis e
equipamentos desgastados pelo tempo.
Infelizmente, a
fascinação de Porumboiu por sua própria estratégia de obrigar o espectador a
seguir o policial enquanto este segue o adolescente acaba relegando todos os
demais elementos ao segundo plano – e, assim, sempre que o filme dá mostrar de
estar chegando a algum lugar, voltamos às entediantes caminhadas sem fim
enfocadas pela câmera quase estática do diretor (ele se limita a algumas
panorâmicas para acompanhar o protagonista; aparentemente, até mesmo os travellings exigiriam uma energia que o
cineasta não estava disposto a gastar).
E o mais
frustrante é constatar que, em seus 20 minutos finais, Polícia, Adjetivo finalmente ganha impulso numa longa cena que,
situada na sala do chefe de Cristi, envolve um diálogo que não apenas justifica
o título, como o filme em si (e não posso deixar de apontar que o delegado em
questão é interpretado por Vlad Ivanov, o mesmo brilhante ator que encarnou o
ameaçador aborteiro de 4 Meses, 3 Semanas
e 2 Dias). Focando uma discussão que envolve moralidade, ética profissional
e, acima de tudo, semântica, a cena não apenas é impecavelmente desenvolvida
como ainda serve de preparação para o curto plano que encerrará o filme de
maneira irônica e reveladora.
Assim, é
realmente uma pena que, para chegarmos a estes 20 minutos de excepcional
Cinema, tenhamos que enfrentar uma longa e cansativa (e, de certa forma,
literal) caminhada. (2 estrelas em 5)